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Nesta sexta-feira, a coluna do jornalista esportivo Fred Sabino faz uma apresentação da temporada da Fórmula 1, que começa neste fim de semana, e analisa o que dá para esperar das equipes.

Surpresas à vista na Fórmula 1

Finalmente os carros da Fórmula 1 voltaram à pista, com os treinos livres para a primeira etapa do Mundial, na Austrália. Neste primeiro dia, como cada equipe fez um tipo de programa diferente, ainda não dá para saber exatamente qual carro está em melhores condições em Melbourne, embora a Mercedes tenha mostrado a força que se espera. De qualquer forma, a pré-temporada marcada por muitos problemas mecânicos com os novos motores turbo deixou algumas impressões, então vamos a uma análise equipe por equipe:

redbull2014Red Bull

Desde que a equipe se firmou como força dominante na Fórmula 1, jamais havia passado por tantas dificuldades. Basicamente os problemas ocorrem devido ao motor Renault, que teve falhas de refrigeração e aproveitamento da energia do ERS, novo dispositivo de recuperação de energia. Como a equipe perdeu muito tempo de pista por causa dessas falhas, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo não conseguiram desenvolver adequadamente os acertos para extrair maior velocidade do carro. Diante desse quadro, o próprio time admite que num primeiro momento o objetivo é terminar as corridas e, se possível, beliscar alguns pontos. Depois, com o desenvolvimento do carro, as metas sem dúvida ficarão mais de acordo com a força da equipe. Entretanto, pelo menos no primeiro dia de treinos livres na Austrália a equipe já estava bem mais próxima das líderes.

Mercedes

Se existisse um título simbólico para a “campeã do inverno”, a Mercedes levaria o caneco. Desde o primeiro momento, o motor Mercedes se mostrou o mais poderoso e confiável do grid, o que permitiu a Nico Rosberg e Lewis Hamilton completarem uma significativa quilometragem. Ademais, como se costuma dizer, o carro “nasceu bem” e mostrou velocidade de cara. Jenson Button ousou dizer que neste momento a Mercedes está um segundo à frente das demais adversárias em ritmo de corrida e poderá terminar o GP da Austrália com mais de uma volta de vantagem. Parece um exagero, mas sem dúvida a Mercedes é a equipe que chega mais forte a esse início de campeonato.

ferrari2014Ferrari

A Ferrari apresentou uma boa quilometragem nos testes mas o desempenho oscilou muito, suspeitam, pelo fato de a equipe estar escondendo o jogo propositalmente. No Bahrein os tempos nos trechos da pista, se analisados separadamente, eram muito bons, mas numa volta completa não eram lá essas coisas. Isso porque, dizem as más línguas, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso tiravam o pé deliberadamente para disfarçar eventuais grandes tempos. Em termos de motor, a Ferrari está claramente atrás da Mercedes, mas não em um nível preocupante como o da Renault. Com isso, a Ferrari pelo menos neste início de campeonato deve beliscar alguns bons resultados, mas vitórias dependerão de circunstâncias anormais.

Lotus

Uma das decepções da pré-temporada. O carro com o estranhíssimo bico assimétrico demorou a ficar pronto, o que já tirou precioso tempo de testes de Pastor Maldonado e Romain Grosjean. Além disso, o motor Renault, como já citado, teve inúmeros problemas, o que aumentou ainda mais as dificuldades para a Lotus. A crise financeira do time parece estar amenizada com o aporte financeiro da PDVSA, mas é difícil imaginar uma equipe com a força vista nos últimos dois anos, nos quais Kimi Raikkonen terminou em terceiro no Mundial de Pilotos.

Formula One - 2014 Testing - Day Two - Circuito de JerezMcLaren

Depois da fraquíssima temporada de 2013, a tradicional equipe inglesa teve um bom desempenho nos testes, amparada, claro, pelo motor Mercedes. A volta de Ron Dennis ao comando do time parece ter dado uma nova injeção de ânimo, mas ainda falta o fechamento de um contrato de patrocínio de peso para que não haja nenhum fantasma na questão financeira, embora a estrutura da McLaren seja inegavelmente fantástica. A exemplo da Mercedes, o carro já se mostrou rápido de cara e a mistura entre a experiência de Jenson Button e a juventude de Kevin Magnussen tem tudo para dar certo. É candidata a pódios nas primeiras corridas e, dependendo do desenvolvimento do carro, pode vencer corridas mais à frente.

Force India

Outra equipe que se apoia no motor Mercedes para conseguir bons resultados, a Force India se livrou dos problemas financeiros graças ao patrocínio levado por Sergio Perez e o carro também se mostrou competitivo de cara. A dúvida é saber o quão o time vai evoluir durante a temporada, afinal vale lembrar que em 2013 o time começou bem à frente da Sauber na briga entre as médias e no fim foi superada sistematicamente. Um fator positivo é a volta do excelente piloto alemão Nico Hulkenberg. A equipe promete ser frequentadora assídua da zona de pontuação.

Sauber

Com o mediano motor Ferrari, a Sauber não começou em grande forma, até porque o carro, segundo quem viu os testes, não se mostrou veloz. A dupla formada pelos irregulares Adrian Sutil e Esteban Gutierrez, que são rápidos mas erráticos, também não deve ajudar muito a mudar esse quadro num curto prazo. Beliscar pontos será uma vitória, pelo menos por enquanto.

Toro Rosso

Está em um patamar parecido com o da Sauber em termos de desempenho, apesar dos problemas adicionais gerados pelos motores Renault. O russo Daniil Kvyat parece um piloto promissor, mas restam dúvidas em relação ao seu comportamento com um carro que visivelmente tem limitações. Já o irregular francês Jean-Eric Vergne ainda não mostrou ter estofo para ser líder de um time. A meta também é arrancar pontos quando possível.

williams2014Williams

Sem dúvida alguma o time que mais evoluiu de 2013 para 2014. A escola pelos motores Mercedes se revelou acertadíssima e a reestruturação técnica comandada por Pat Symonds (ex-Benetton e Renault) parece ter dado frutos mais rapidamente do que se esperava. O carro nasceu muito bom, a ponto de um rejuvenescido Felipe Massa ter liderado os treinos no Bahrein. O promissor Valteri Bottas também mostrou bom desempenho nos treinos e certamente vai proporcionar uma boa dupla com Massa. A Williams tem a consciência de que está um passinho atrás da Mercedes neste início de ano, mas pode beliscar pódios e a confiabilidade pode render até vitórias, quem sabe. Resta saber o quão o time vai evoluir no ano.

Marussia

O novo carro não mudou muito a situação da equipe, ou seja, a de ficar no pelotão de trás. O motor Ferrari também não ajuda muito, então o sonho de finalmente marcar os primeiros pontos na Fórmula 1 será muito difícil – a não ser que haja muitas quebras nos primeiros GPs da temporada.

Caterham

Mesmo com o belo reforço de Kamui Kobayashi, a equipe tende a segurar a lanterna, já que o motor Renault por enquanto é um handicap bastante desfavorável e o (feio) carro mostrou péssima confiabilidade em todos os itens nos testes realizados na pré temporada.