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Sambódromo em 30 Atos – “1988: A Vila ‘kizombou’ e quem viu, viu!”

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A quinta coluna da série “Sambódromo em Trinta Atos”, do jornalista esportivo Fred Sabino, nos leva de volta ao Carnaval de 1988, marcado pelo inesquecível e inigualável desfile da Unidos de Vila Isabel, campeoníssima com “Kizomba, Festa da Raça”.

1988 – A Vila “kizombou” e quem viu, viu!

Os meses que antecederam o desfile das escolas de samba do primeiro grupo em 1988 foram marcados pelos falecimentos de dois dos maiores artistas do nosso Carnaval: os carnavalescos Fernando Pinto e Arlindo Rodrigues.

fernandopintoFernando Pinto (foto) já havia planejado o enredo “Beijim, Beijim, Bye Bye Brasil” e, depois de deixar a quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, sofreu um acidente automobilístico fatal por volta das 5 da manhã de 29 de novembro de 1987. O carnavalesco estava num Gurgel branco dirigido pelo amigo Sérgio Roberto da Conceição e o veículo bateu num poste no quilômetro 19 da pista de descida da Avenida Brasil. Fernando Pinto chegou a ser levado ao posto do Inamps de Irajá, mas já chegou morto. O carnavalesco tinha apenas 43 anos e muito a oferecer ao Carnaval.

Arlindo Rodrigues morrera pouco antes, dia 8 de outubro de 1987, por causa de uma embolia pulmonar. À época, os amigos negaram com veemência que Arlindo tivesse falecido por complicações decorrentes do vírus da Aids, já que naquela altura era impossível uma pessoa acometida pela doença ter uma sobrevida. Segundo a médica Dirce Bonfim de Lima, da Casa de Saúde São Miguel, local onde Arlindo morreu, os exames de raio-x apontaram uma doença pulmonar crônica, mas ela afirmou que a hipótese de Aids não podia ser descartada. Com 56 anos, era outro que certamente teria contribuído ainda mais para as escolas de samba.

Outro falecimento que marcou a comunidade carnavalesca antes do desfile de 1988 foi o do presidente da bicampeã Estação Primeira de Mangueira, Carlos Alberto Dória, por assassinato. O sucessor de Carlinhos seria o tio Elias Dória, que também acabaria morto, dois anos depois.

Para amenizar o clima, uma novidade muito bem-vinda era o retorno das decorações de carnaval na passarela, se bem que naquele caso era algo discreto. Painéis em forma de losango seriam colocados em cima de postes ao longo da Sapucaí, do lado das arquibancadas. Ficou bonito, mas jamais seria repetido.

Também pela primeira vez desde a inauguração do sambódromo, a TV Manchete não transmitiria os desfiles. Apenas a Globo tinha os direitos.

A expectativa era a de que as escolas se mobilizassem em enredos para lembrar o centenário da abolição da escravatura. No entanto, foram poucas as agremiações que adotaram essa temática negra, sob diferentes óticas.

Uma delas foi a Mangueira. “Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão?” questionava se o negro realmente estava livre da escravidão. Não aquela escravidão clássica como conhecemos, mas a escravidão do dia a dia, da segregação que a própria sociedade, teoricamente democrática e desprovida de racismo, proporcionava. O samba de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho, a meu ver, é simplesmente o melhor da história da Verde e Rosa – há quem discorde, mas essa é a democracia!

Outro samba antológico, mais um, era o da Unidos de Vila Isabel. O enredo “Kizomba, Festa da Raça” foi idealizado por Martinho da Vila e falava sobre confraternização da raça negra. E o samba de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila já se desenhava uma “pedrada”, um grito de guerra dos negros.

Quem também despertava grandes expectativas era a recém-promovida Tradição. O samba do inesquecível João Nogueira e de Paulo Cesar Pinheiro era extraordinário e o enredo “O melhor da nação, o melhor do Carnaval” prometia. Quatro anos depois da fundação, a dissidente da Portela faria a estreia na elite.

Do outro lado, a Portela apostava as fichas no enredo “Na lenda carioca, os sonhos do vice-rei” e o samba, dizia-se, fazia uma provocação à Tradição: “Briga, eu, eu quero briga/Hoje eu venho reclamar/Que que tem, o que é que há/Essa praça ainda é minha/Eu também estou fominha/Jacaré quer me abraçar”. No caso, Jacaré seria uma referência ao endereço da nova escola (Rua Intendente Magalhães, 160), pois o número era o do grupo do animal no jogo de bicho…

Sem Fernando Pinto, a Mocidade tentaria mais um título com um enredo que projetava um Brasil bem diferente da realidade, por intermédio de uma “nova Constituição”, que dividiria o país “em sete Brasileias encantadas”. O samba, entretanto, não era dos melhores e não se sabia o quão a ausência do brilhante carnavalesco no fim da preparação afetaria a escola.

Quem despertava boas expectativas era o Salgueiro, com o enredo “Em busca do ouro”, abordando a luta constante do homem pela riqueza. O samba era muito bom e havia boas perspectivas para o trabalho do cenógrafo Mário Monteiro e do então jovem Chico Spinoza.

A Beija-Flor de Joãozinho Trinta também era aguardada com um enredo de temática semelhante à de Mangueira e Vila, e o saudoso carnavalesco prometia um show de luxo na avenida, com a escola amparada por um samba valente.

Valente também prometia ser o Império Serrano, que lembraria o tempo em que o Estado da Guanabara era independente e a cidade do Rio, na visão da escola, era melhor. Como sempre crítica, a São Clemente protestaria contra as violências do dia a dia e, desde a escolha do samba, batia duramente na TV Globo.

Mais leve vinha a Caprichosos de Pilares, com um enredo sobre o cinema. O samba, mesmo marcheado para o meu gosto, era bastante popular já na fase pré-carnavalesca. Outra que despontava com um samba alegre era a União da Ilha, que homenagearia Ary Barroso.

Também leves vinham a Unidos do Cabuçu, homenageando os trapalhões Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, a Unidos da Ponte, prestando um tributo ao ator Paulo Gracindo, o Estácio de Sá, falando sobre o boi, e a Imperatriz Leopoldinense, com enredo criticando as mentiras do Brasil desde o descobrimento.

OS DESFILES

De volta à elite do Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca foi a primeira a entrar na Sapucaí em 1988 falando sobre as típicas conversas de bar, com enredo de título “Templo do Absurdo (Bar Brasil)”. Com o perdão do trocadilho até que a Tijuca “abriu bem os trabalhos”.

Os elementos alegóricos com lanchonetes, botecos e boates, embora não fossem grandiosos, contavam bem o enredo, que criticava as mazelas da economia como o “congelaumento” de preços, e citava as sadias discussões sobre futebol.

O samba-enredo cantado por Nêgo era descontraído sem ser desagradável, e a força da bateria comandada por Mestre Marçal, a Tijuca deixou a pista com boas perspectivas de se manter na elite, depois do desastre do desfile de 1986, no qual foi rebaixada em último lugar.

Em seguida, passou a vice-campeã Mocidade e a posição de desfile não ajudou: a escola fez uma apresentação fria, abaixo do que estava acostumada – o samba-enredo não ajudava nada nada… Já a bateria passou bem como de costume e cadenciou o samba.

O enredo era uma visão utópica de Fernando Pinto para o Brasil pós-Constituinte (que seria aprovada naquele ano de 1988), com um país rico, com todos os estados exportando seus produtos regionais. Estados, não: Brasileias, as novas regiões divididas.

Havia até interessantes alegorias, como os da Cataratas do Iguaçu e de Serra Pelada, mas tanto os carros como as fantasias estavam pesadas, e a divisão cromática não funcionou. Como a escola teve problemas de barracão na fase pré-carnavalesca, e não contava mais com Fernando Pinto, talvez fosse o caso de a escola passar com elementos mais leves.

Enoli Lara e Renato GauchoQuem esquentou o público foi a União da Ilha, mesmo sob chuva. A Tricolor insulana sofreu na fase pré-carnavalesca, com um assalto de 1,7 milhão de cruzados (cerca de R$ 90 mil em valores atuais, sem contar a inflação), um incêndio no barracão que destruiu 30% das fantasias e adereços de mão, e um tiroteio na quadra que afastou o público dos ensaios. Mas nesse caso a chuva lavou a alma da Ilha.

O intérprete Quinho substituiu bem Aroldo Melodia e a bateria de Mestre Paulão brilhou, com ótimas convenções e paradinhas. Com isso, o samba-enredo, que já era popular na fase pré-carnavalesca, teve bom desempenho em todo o desfile.

Em mais um ótimo trabalho do carnavalesco Max Lopes, o enredo de singelo nome “Aquarilha do Brasil” passeou pela trajetória de Ary Barroso. A alegorias relembraram a Belle Époque, a época como radialista e os programas de calouros, a fase musical em que ele emplacou o grande sucesso “Aquarela do Brasil”, e, claro, a fase em que ele narrava os jogos de futebol, com destaque para o Flamengo, clube pelo qual Ary Barroso torcia descaradamente nas transmissões.

Pouco menos de dois meses depois do tetracampeonato brasileiro do Rubro-Negro, o samba tinha um refrão que pegou entre os torcedores: “A gaitinha tocando … é gol!/A galera vibrando… Mengo!”. Uma ala vestida com a camisa do clube e a palavra Tetra no lugar em que havia o patrocinador Lubrax tinha o astro Renato Gaúcho (foto) com Enoli Lara e a então ninfeta Luciana Vendramini – reza a lenda que o jogador, no auge da popularidade e bastante assediado pelas mulheres, marcou vários gols naquele Carnaval…

Depois da boa apresentação da Ilha, um desastre completo atendeu pelo nome de Imperatriz Leopoldinense, que desfilou com um enredo sobre as piadas que se conta no dia a dia, claro, aproveitando para criticar de forma bem humorada os males do país, como os marajás retratados na comissão de frente.

Consta que o carnavalesco Luiz Fernando Reis, vindo da Caprichosos, não teve muita grana para o barracão e isso se refletiu nos quesitos plásticos da escola. Pior, a chuva complicou muito o desfile. O nome do enredo “Conta outra que essa foi boa” acabou sendo cumprido à risca, ironicamente. Uma lástima.

O samba dos grandes David Corrêa, Guga, Zé Katimba e Gibi estava abaixo do que os próprios já haviam escrito antes. Para piorar, a divisão cromática multicolorida não funcionou e, com uma evolução lenta, a escola estourou o tempo de desfile em 12 minutos, o que renderia uma severa punição na apuração.

Em seguida à Imperatriz, passou a São Clemente. Embora sem grandes recursos, que se refletiram em alegorias e fantasias medianas, a escola passou o seu recado contra a violência que cada vez mais atingia a nossa sociedade, como a agressão à natureza e à mulher, o sofrimento dos nordestinos e guerra urbana entre bandidos e policiais.

Até a violência dos desenhos animados foi criticada, como nos versos do samba “As crianças encantadas com o He-Man / Desconhecem a maldade que em nossa terra tem”. Já o refrão principal batia duro na Globo, a quem a escola acusava de incitar a violência: “Se essa onda pega / Vá pegar noutro lugar / Quem avisa, amigo é / São Clemente vai passar”“Essa onda pega” era o slogan vigente da emissora.

Depois do desfile de 1987, a escola de Botafogo ficou popular e muita gente da Zona Sul se incorporou à agremiação, o que tornou o contingente  maior em 1988 (4.500 contra 4.000 no ano anterior). Com isso, a evolução não foi das melhores, apesar de a escola ter passado com garra.

estacio1988Em ascensão na elite do Carnaval, a Estácio de Sá vinha com boas expectativas e a carnavalesca Rosa Magalhães escolheu o enredo “O Boi dá Bode”, sobre a história do conhecido animal desde o Egito Antigo até os dias mais recentes, com uma crítica escrachada ao Plano Cruzado, já que as donas de casa procuravam (e não encontravam) o boi gordo…

Porém, um problema no sistema de som atrasou a entrada na escola. O intérprete Dominguinhos não aceitava o microfone de fio fornecido pelo coordenador da Riotur Antônio Lemos – o cantor queria o mesmo sistema sem fio usado pelas escolas anteriores. Os dois bateram boca ao vivo diante da repórter da Globo Leila Cordeiro, mas o problema foi resolvido e a Estácio enfim começou a evoluir.

O samba até que tinha umas boas tiradas e o público gostou, mas no começo do desfile a escola passou menos animada do que nos anos anteriores. Dominguinhos, que tempos depois chegou a dizer que não gostava do samba, até gritou para o diretor de bateria: “Alô, Hélio! Não deixa cair! Bota pra frente!”. Deu certo, e do meio para o fim do cortejo, a Estácio cresceu.

Destaque absoluto para o lendário Bicho Novo e Andréia, que formavam o casal com o mestre-sala mais velho e a porta-bandeira mais nova do Carnaval. Outro item muito elogiável na apresentação estaciana foi o conjunto de fantasias, com luxo e criatividade.

Já o conjunto de alegorias era irregular, e destacou-se o elemento que falava do Bumba-Meu-Boi e do Boi Bumbá. O Jornal do Brasil criticou a apresentação da escola: “Toda a primeira parte foi marcada por uma sucessão de egípcios com chifres e gregos com chifres. Em toda a sua passagem, a escola mostrou chifres demais e criatividade de menos”.

salgueiro1988Em compensação, excelente foi o desfile do Salgueiro. As boas expectativas se confirmaram e, já com o dia claro, a escola fez a melhor apresentação até aquele momento. Os carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo apostaram no enredo “Em Busca do Ouro”, sobre o precioso metal.

Eles apostaram num colorido dourado aliado ao vermelho e branco da escola e o resultado foi bastante satisfatório. As alegorias (havia alguns quadripés) estavam bem acabadas e fantasias, idem. O abre-alas (foto) já mostrou bastante impacto com as preciosas mulatas em cima de queijos com estruturas que lembravam moedas de ouro empilhadas.

Em seguida, o desfile mostrou o Rei Midas, famoso por transformar em ouro tudo que tocava, e o ciclo do ouro no Brasil foi simbolizado num lindo elemento que representava o barroco mineiro e as esculturas de Aleijadinho. O ciclo do café, considerado um “ouro” nacional, também foi mencionado numa alegoria que tinha um navio negreiro e seus escravos sendo maltratados, numa menção ao centenário da Abolição.

O ouro negro, no caso o petróleo, também esteve no desfile, sobretudo na fantasia da ala das baianas, assim como Serra Pelada. Uma crítica escrachada ao momento do Brasil vinha numa alegoria em que ratos passavam pelo livro da Constituição, que viria a ser promulgada naquele ano. O Salgueiro também lembrou o roubo e derretimento da Taça Jules Rimet, que havia sido conquistada em definitivo pelo Brasil na Copa de 1970.

O ótimo samba-enredo oriundo de uma junção foi muito bem cantado por Rixxa, que se firmava como um dos grandes intérpretes do Carnaval, e a bateria de Mestre Louro, como de costume, sustentou com muita firmeza a passagem da escola.

A harmonia esteve muito bem, mesmo com algumas alas coreografadas. Se o ouro que o Salgueiro buscava realmente viria, não dava para cravar, já que nove escolas ainda passariam. Mas foi um belo momento da agremiação.

portela1988A lindíssima e espelhada Águia da Portela bateu asas por volta das 8 da manhã de segunda-feira e o enredo era inspirado no livro “A fonte dos amores”, de Câmara Cascudo. A obra tratava da paixão do Vice-Rei Dom Luís de Vasconcelos de Sousa por uma jovem chamada Susana, e servia como pano de fundo para uma homenagem ao Centro do Rio,  pelo Passeio Público, Av. Rio Branco, Cinelândia e Lapa.

A gloriosa comissão de frente formada por ícones da agremiação como os compositores Monarco, Ary do Cavaco e Wilson Moreira abriu uma apresentação que passou pelas três etnias que formaram o povo brasileiro e os locais já citados.

No entanto, o enredo foi um tanto confuso. Tirando o abre-alas, as alegorias no geral estavam abaixo em relação que o Salgueiro apresentara: “Sob um aspecto, pareceu escola pequena: na pobreza das alegorias, todas de escancarada modéstia, algumas simplesmente feias, como aqueles carros de passeio que pretendiam rememorar os corsos carnavalescos da antiga Avenida Central e Cinelândia”, opinou o Jornal do Brasil.

As fantasias estavam melhores e o carnavalesco Geraldo Cavalcanti respeitou o azul e branco da escola, no que obteve sucesso. A Tabajara do Samba, comandada pelo Mestre Timbó, cadenciou bem o samba, que teve boa aceitação, principalmente no polêmico refrão.

Aliás, o presidente Carlinhos Maracanã negou ter havido provocação à Tradição, embora a escola tenha entrado na Justiça para impedir a agremiação de usar o condor no abre-alas, por entender que era uma cópia da águia da Portela:

“A briga que nosso enredo fala é da Cinelândia, que se transformou numa praça de manifestações populares. E esta de jacaré é mera coincidência. Quanto ao nosso direito exclusivo de usar a águia como símbolo, vamos prosseguir com a causa na Justiça após o Carnaval, porque duas águias podem confundir o público.”

Naquele momento, ficou claro que a escola com o melhor desfile de domingo havia sido o Salgueiro. Mas a sensação era a de que o desfile campeão ainda não havia passado.

tradicao1988A segunda-feira começou cercada de expectativas pela estreia da Tradição no primeiro grupo, falando sobre a trajetória do negro no Brasil e a mistura entre as raças, além de questionar a história oficial do país. E a escola cumpriu muitíssimo bem seu papel, mesmo com o nervosismo devido a um problema na asa do condor do abre-alas ainda na concentração e um atraso por causa das escolas mirins.

O imortal Roberto Ribeiro recebeu uma homenagem da Tradição e esquentou a escola com o samba de Paulinho da Viola “Foi um rio que passou na minha vida”, numa clara referência à cisão com a Portela – sempre vale lembrar que a ideia original era a que a escola de Campinho se chamasse Portela Tradição.

A bateria esteve firme e tinha Luma de Oliveira à frente. Além disso, o samba era dos melhores do ano, para alguns, o melhor, e foi puxado por Candanda (não era Candanga, como muitos pensavam) com a colaboração de João Nogueira.

Os componentes desfilaram bastante empolgados e muito bem fantasiados. Aliás, a fantasia da extraordinária porta bandeira Vilma Nascimento (foto), que voltava a mostrar sua categoria na pista, era lindíssima, em branco!

O carnavalesco João Rosendo optou por alegorias pequenas (várias delas eram quadripés) mas bem acabadas, com predomínio de azul, prata e ouro. Mesmo com uma chuvinha miúda, a escola passou bem, melhor do que a maioria das que haviam desfilado antes.

Após a ótima estreia da Tradição, a Caprichosos de Pilares fez um desfile irreverente e agradável que falava sobre os 90 anos do cinema. O divertido samba foi bem cantado pelos intérpretes Carlinhos de Pilares (que ganharia o Estandarte de Ouro) e Luizito.

Os carnavalescos Renato Lage e Lílian Rabelo prepararam um bom conjunto alegórico e de fantasias, e a escola certamente ficaria mais bem colocada em relação a 1986 e 1987. De cara, a criatividade do desfile ficou patente na comissão de frente, com lanterninhas de cinema.

As alegorias estavam bastante criativas, com destaque para a que representava o personagem Frankenstein e o carro da comédia, com esculturas de artistas consagrados como Stan Laurel e Oliver Hardy, de “O Gordo e o Magro”, entre outros.

Havia também bonitos elementos utilizando neon, como por exemplo o bem resolvido abre-alas, que foi sucedido por uma ala de artistas, diretores e produtores. Outro bom recurso foi o dos tripés apresentando cada setor do desfile.

No entanto, um grave erro de evolução poderia colocar uma boa posição a perder: a bateria parou e demorou demais a entrar no recuo, enquanto as alas à frente continuaram evoluindo; com isso, uma cratera se abriu e descompassou a escola. Mesmo assim, sob aplausos, a escola de Pilares terminou seu desfile com a missão cumprida e com chances de ficar na metade de cima da tabela.

beijaflor1988bA terceira escola a desfilar na segunda-feira foi a sempre forte Beija-Flor. E Joãozinho Trinta cumpriu a promessa de colocar na avenida uma escola luxuosíssima. Sem dúvida, plasticamente era a melhor agremiação daquele ano, com alegorias enormes e fantasias de extremo bom gosto.

O enredo chamava-se “Sou Negro, do Egito à Liberdade” e contava a história da raça negra associando-a ao Império Egípcio. João 30 acertou a mão ao conferir luxo às fantasias, mas sem deixá-las pesadas para os componentes, o que dava fluidez ao desfile e facilitava a evolução.

O samba era bastante adequado ao enredo e como sempre Neguinho o conduziu brilhantemente. A bateria esteve firme, talvez um tanto acelerada para a época, mas os componentes passaram com empolgação.beijaflor1988

Havia 15 carros alegóricos, todos muito bem resolvidos, e o enredo ligava os deuses egípcios aos orixás: Osiris, representada por Pinah, era Oxalá, Hôrus era Xangô, Ísis era Iemanjá, Anubis era Oxóssi e Hator era Oxum. E, para quem achava que o desfile seria confuso, ledo engano.

O último carro tinha uma enorme pirâmide e 111 crianças e foi o encerramento de um desfile deslumbrante, com uma divisão cromática perfeita. Mesmo sem empolgar o público, sem dúvida a Beija-Flor se credenciava a brigar pelas primeiras colocações com muita força.

Homenageando os Trapalhões, a Unidos do Cabuçu fez uma passagem alegre, embalada por um samba que, se não era dos melhores, ao menos era divertido – aliás, quando eu era criança adorava o refrão “Didi, Dedé, Mussum e Zacarias / Seu mundo é encanto e magia”.

Eles dispensaram os carros alegóricos e desfilaram no chão, arrancando aplausos do público. Muito emocionado, Renato Aragão inclusive jogou o boné, os óculos e a camisa para o público. As alegorias e fantasias eram simples, mas traduziam o enredo, que contava individualmente a trajetória de cada Trapalhão.

O destaque foi o abre-alas com esculturas em caricatura dos quatro homenageados. Aliás, esse recurso dos bonecos foi bastante utilizado pelo carnavalesco Alexandre Louzada. Apesar de ter sido um desfile agradável, foi uma apresentação inferior à de 1987.

A Unidos da Ponte exaltou o ator Paulo Gracindo e o destaque absoluto foi a bateria, cadenciada como de costume – a agremiação era a única da elite a ainda insistir em usar instrumentos com couro original, o que dava um suíngue especial ao ritmo. O samba era curtinho e bem escrito, mas não foi bem cantado pelos componentes, que fizeram uma evolução fria.

Agradou a ala das baianas logo no começo do desfile representando Sucupira, a cidade fictícia comandada pelo político Odorico Paraguaçu. Este personagem, um dos mais famosos de Gracindo, foi representado pela fantasia da bateria e o próprio ator veio representando Odorico no carro Prefeitura Municipal.

Mas não foi só “O Bem Amado” que foi representado. Nas simples alegorias, havia menções à época do rádio e a novelas como “Bandeira 2” e “Mandala”. Enfim, um desfile bem dividido e apresentado, mas a Ponte não tinha como competir com as grandes em termos de grandiosidade estética.

Bem, depois da passagem da Unidos da Ponte, aconteceu simplesmente o melhor desfile da história do sambódromo em 30 anos – e duvido que seja superado.

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A Unidos de Vila Isabel apostou num enredo idealizado por Martinho da Vila. Era um tema de fácil leitura e que homenageava os negros no ano do centenário da Abolição da Escravatura. “Kizomba, Festa da Raça”. Para resumir: kizomba, uma palavra do Kimbundo, uma das línguas oficiais de Angola, é a reunião de pessoas numa festa de confraternização da raça negra com ritmos musicais do país. Aliás, uma kizomba seria realizada em novembro de 1988 em Angola.

A escola não tinha quadra para ensaiar e o fazia no Boulevard 28 de Setembro. Com recursos financeiros escassos, a comissão de carnaval formada por Milton Siqueira, Ilvamar Magalhães e Paulo Cesar Cardoso teve de usar materiais baratos, como palha, sisal e tecidos estampados com desenhos africanos, mas que deram um conjunto visual inacreditavelmente poderoso.vila1988

O desfile foi aberto com Paulo Brazão (foto),  fundador da escola e então sócio número 1 representando Soba, o grande chefe, e veio sucedido por uma comissão de frente formada por guerreiros africanos. O abre-alas com a tradicional coroa não era enorme, mas tinha grande impacto. A escola faria em seguida um passeio por diferentes aspectos da cultura negra.

Com fantasias simples mais muito pertinentes à proposta do enredo, diversos grupos folclóricos brasileiros que participavam das kizombas foram representados. Um dos quadros era denominado “Quilombo da Democracia Racial”, e mostrava como os negros poderiam ter irmandade com brancos, índios, caboclos e mestiços.

“Valeu, Zumbi/ O grito forte dos Palmares/ Que correu terras, céus e mares/ Influenciando a abolição”. Os primeiros versos do sambaço da Vila até hoje ecoam no ouvido de qualquer sambista ou de admiradores do Carnaval como eu.

vila1A conclamação geral foi 100% atendida pelos componentes e pelo público num espetáculo incrível. Os desfilantes pareciam realmente possuídos e cantaram o grito de guerra em forma de samba a plenos pulmões em toda a avenida.

Um emocionante ponto do desfile foram os painéis com figuras de diversos negros líderes revolucionários, como Martin Luther King, Samora Machel, Nelson Mandela, entre outros. Devido às já citadas dificuldades econômicas, os carnavalescos optaram em diversos momentos por tripés e quadripés, e foram felicíssimos no resultado.

Um trecho do samba ainda dizia “E que o Apartheid se destrua” e dois anos depois a África do Sul finalmente aboliu em caráter oficial essa triste política de segregação racial.

Um samba maravilhoso, uma apresentação histórica, emocionante, inesquecível e inigualável. Sem mais.

Ainda sob o impacto da catarse proporcionada pela Vila Isabel, o Império Serrano pisou forte na avenida sob garoa e cobrou aquilo que foi “levado do Rio” e dizendo com todas as letras que “o Rio não é mais como era antes”, trecho do agradável samba cantado por Quinzinho e Roger da Fazenda. Mesmo com bons momentos, a escola da Serrinha não conseguiu empolgar tanto o público.

Nos quesitos plásticos, destaque para a alegoria com o Cristo Redentor como símbolo do Rio que o Império queria de volta. Mas o uso de materiais pesados como azulejos e até mármores em determinados elementos tornou as alegorias pesadas e difíceis de serem manobradas. Isso atrapalhou a evolução da escola, que também foi prejudicada pelo peso das fantasias.

Chamou a atenção a discordância (educada, diga-se) entre os comentaristas da Globo Antônio Carlos Athayde e Sérgio Cabral. O primeiro achava que, tantos anos depois da incorporação da Guanabara ao estado do Rio, o protesto imperiano era perecível. Já o segundo concordava com a cobrança da escola.

Também chamou muito a atenção a beleza da rainha de bateria Vanessa de Oliveira. A fantasia mostrava muita coisa, mas não tudo, numa prova de que era possível sensualidade sem vulgarização.

mangueira88Coube à Estação Primeira de Mangueira encerrar o Carnaval de 1988. Depois de um discurso inflamado do ator Milton Gonçalves na concentração e lágrimas dos componentes, a escola começou a evoluir ao som de outro samba antológico com temática negra.

A comissão de frente, além de Milton, tinha outros negros com destaque na sociedade brasileira como Grande Otelo, Djavan, o jogador Andrade, campeão brasileiro meses antes pelo Flamengo, a repórter Gloria Maria, a atriz Ruth de Souza, os saltadores João do Pulo e Adhemar Ferreira da Silva e o baluarte mangueirense Carlos Cachaça. Mas faltava um componente: Martinho da Vila… Como veremos adiante, isso renderia uma enorme polêmica.

Com os desfilantes cantando o samba a plenos pulmões, como manda a tradição mangueirense (era assim antigamente, pelo menos…),  a escola evoluiu bem na maior parte do tempo. Mas com o incrível número de 5300 componentes em 53 alas, a Verde e Rosa apressou o ritmo no fim para não estourar o tempo.

Desnecessário também dizer que o sambaço foi muito bem cantado por Jamelão, Jurandir e Dirceu, e que a bateria esteve impecável – até Lobão, imaginem só, esteve tocando tamborim entre os ritmistas. O refrão central “Pergunte ao Criador/Quem pintou essa aquarela/Livre do açoite da senzala/Preso na miséria da favela” era perfeito e sintetizava o enredo.mangueira88

As alegorias, embora menores do que as da Beija-Flor por exemplo, contaram bem o enredo. O abre-alas era bastante simples mas bem resolvido, com Dona Zica (impossibilitada de desfilar no chão) sentada numa cadeira, e duas esculturas de negros ladeando o surdo um, símbolo da escola. Já o elemento “Transposição da África” mostrava o navio negreiro e o carro “Casa Grande e Senzala” retratava a chegada ao Brasil, ambos com acabamento melhor do que as alegorias do contestado título de 1987.  No fim, a Velha Guarda representou os abolicionistas.

O saudoso carnavalesco Júlio Matos acertou a mão também na divisão cromática da escola, apostando no rosa, muitas vezes em tons suaves. As fantasias estavam também corretas, muitas com plumas. Logo no começo do desfile, passaram bonitas alas representando os países africanos e outros destaques foram as alas que mostraram o sincretismo religioso do Brasil.

A Mangueira fez uma grande apresentação e terminou seu desfile aclamada pelo povo, que seguiu a escola no chamado arrastão. Mas nem isso parecia ameaçar a vitória da Vila Isabel, diante da grandeza da apresentação da escola.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

De fato, as notas dos jurados deram à Vila o justíssimo primeiro campeonato de sua história. Mas um quesito até hoje causa revolta nos mangueirenses, mas não exatamente com os jurados…

A escola perdeu um ponto em comissão de frente, que por acaso (ou não) estava com um componente a menos, justamente Martinho da Vila. A apuração previa o descarte da maior e da menor nota em cada quesito e a Mangueira levou dois dez e dois noves. A Vila foi campeã por apenas um pontinho (224 a 223)…

Mas a julgadora Fernanda Moro disse depois ao jornal “O Globo” que tirou um ponto da comissão da Mangueira porque ela “se desarrumou bem na minha frente”, e não pela ausência de Martinho. Este alegou que se perdeu dos amigos mangueirenses que o levariam do desfile da Vila para a concentração da Mangueira.

Dona Zica não perdoou Martinho e prometeu que enquanto ela fosse viva, ele jamais entraria na quadra da Verde e Rosa. Bem ao seu estilo, Jamelão mirou a metralhadora contra os jurados: “Derrubaram a gente. Mas não adianta chorar, porque homem não chora”.

Se a ausência do Zé Ferreira deu uma forcinha para a escola ou não, fato é que a Vila foi aclamada por público, crítica e sambistas como a maiúscula CAMPEÃ de 1988.

RESULTADO OFICIAL

POS. ESCOLA PONTOS
Unidos de Vila Isabel 224
Estação Primeira de Mangueira 223
Beija-Flor de Nilópolis 222
Acadêmicos do Salgueiro 219
Portela 211
União da Ilha do Governador 210
Império Serrano 208
Caprichosos de Pilares 207
Mocidade Independente de Padre Miguel 207
Tradição 207
Estácio de Sá 204
10º São Clemente 197
11º Unidos da Tijuca 194
12º Unidos da Ponte 190
13º Unidos do Cabuçu 188
14º Imperatriz Leopoldinense 186

O Desfile das Campeãs seria realizado no sábado seguinte, mas na véspera ocorreu uma enchente que assolou o Rio de Janeiro. Na tragédia, 273 pessoas morreram no estado do Rio, sendo 78 na capital.

Apesar de as escolas não terem sofrido danos nas alegorias, o cortejo foi adiado para o fim de semana seguinte e depois acabou cancelado, pois não havia clima para festa.

Quis o destino que Kizomba fosse eternizado em apenas uma apresentação. Quem viu, viu!

CURIOSIDADES

– A transmissão da TV Globo teve um revezamento entre Fernando Vannucci e Eliakim Araújo na narração e Hilton Gomes e Leo Batista na apresentação das escolas nas concentrações. Como comentaristas, a Globo teve Jorge Aragão, Leci Brandão, Sérgio Cabral, Luiz Lobo, Márcio Antonucci, Maria Carneiro, Lena Frias e Antônio Carlos Athayde.

– Uma das novidades da cobertura global era um dirigível com patrocínio da Kodak que levava uma câmera e fazia belas imagens panorâmicas dos desfiles.

– Fernando Vannucci, aliás, foi pivô de uma confusão no baile do Champagne, na casa noturna Scala, no fim de semana do Carnaval. Ao ser entrevistado na transmissão da TV Bandeirantes pela ex-mulher Suzane Carvalho, na presença da namorada da vez Marcella Prado, Vannucci se viu no fogo cruzado entre as mulheres, que trocaram farpas ao vivo. Segundo o Jornal do Brasil, depois da entrevista, Marcella “esbarrou” em Suzane, dando início a uma confusão, e o apresentador levou um soco de um segurança que apareceu. Na Sapucaí, Vannucci apareceu com um curativo na cabeça e não se deixou fotografar. E alegou: “Vim de táxi para cá e, quando o motorista parou, bati com a cabeça no taxímetro”.

– Depois do polêmico e escrachado desfile que resultou no rebaixamento da Unidos da Tijuca em 1986, no ano seguinte o cantor Nêgo quis deixar claro que daquela vez a escola vinha para valer na elite e tascou no grito de guerra: “Alô, povão, agora é sério!”. Foi tão sério que essa frase ficou para sempre como marca registrada do grande intérprete, que, de volta à elite em 1988, ganharia cinco vezes o prêmio do Estandarte de Ouro.

– A mangueirense Leci Brandão estava tão empolgada com o desfile da Verde e Rosa que cantou no ar o famoso refrão “O negro samba, negro joga capoeira/Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira” quando Eliakim Araújo chamou a letra do samba. Em seguida, o apresentador perguntou a Sérgio Cabral se ele também queria cantar, mas o grande jornalista foi sensato ao dizer “não, vou estragar o samba…”

– Foi o último desfile de Quinzinho como cantor principal do Império Serrano. Depois ele seria apoio de Roger da Fazenda em 1995 (numa inversão do que aconteceu em 1988) e de Carlinhos da Paz em 2002.

– O regulamento previa o rebaixamento de duas escolas, mas isso foi rasgado depois da apuração. Detalhe: uma das rebaixadas seria a Imperatriz Leopoldinense, cujo patrono era Luizinho Drummond, um dos fundadores da Liesa.

– Pela primeira vez na Era Sambódromo a passarela tinha um patrocinador master, a Coca-Cola. Nos anos seguintes outras marcas seriam vistas como Arisco, Maggi, Brahma e Nova Schin.

– Outro anunciante do Carnaval era a própria TV Globo, que, segundo publicou o Jornal do Brasil, foi hostilizada pelo público sempre que o nome da emissora era citado nos alto-falantes da Sapucaí. Ainda de acordo com a publicação, Boni teria mandado que os anúncios fossem suspensos para evitar mais vaias.

CANTINHO DO EDITOR (por Pedro Migão)

Até hoje os mangueirenses juram que a ausência de Martinho da Vila na Comissão de Frente da escola levou à perda de pontos que custou o tricampeonato. Alguns verde e rosas mais xiitas dizem que a ausência foi de propósito devido ao belo desfile da Vila.

O desfile não passou uma segunda vez em 1988, mas o samba Kizomba será reeditado neste carnaval de 2014 pelo Paraíso do Tuiuti, do Grupo de Acesso.

Foi neste ano que o desfile do então Grupo 1B (hoje Acesso A) passou para o sábado de carnaval. O Arranco foi o campeão com um belo samba baseado na canção de Chico Buarque “A Banda”.

Links

A histórica passagem da Vila Isabel em 1988

O ótimo desfile vice-campeão da Mangueira

A competente estreia da Tradição no primeiro grupo

O lindo samba campeão do Arranco do Engenho de Dentro no Acesso

 

Fotos: O Globo, Extra, Revista Manchete e reprodução de TV

8 Respostas para “Sambódromo em 30 Atos – “1988: A Vila ‘kizombou’ e quem viu, viu!””

  1. Nunca esqueço desse desfile pela beleza que foi o carnaval da Vila Isabel, pelo espetáculo mostrado pela Mangueira e, principalmente, pela vergonha que a Imperatriz me proporcionou em ver a minha escola do coração com um samba tão ridículo e um enredo tão sem propósito, do sr. Luiz Fernando Reis, em último.

    PS.: o nome de um dos compositores do samba da agremiação de Ramos é Gibi e não Gabi. :)

    • Fred Sabino disse:

      Valeu pela mão, camarada! Fato é que a GRESIL conseguiu fazer um dos piores e um dos melhores sambas da sua história num intervalo de um ano.

  2. Espero que o amigo, ao escrever sobre 1989, saiba que o samba que foi para a avenida chegou a ser eliminado na GRESIL e depois recolocado na disputa. E ganhou. E foi aquilo que todo mundo (ou)viu.

    • Fred Sabino disse:

      Fique tranquilo! Nesse caso, foi uma “virada de mesa” muito bem-vinda pro carnaval. E, antes que você me cobre por isso também, não sou daqueles que acha injusto o título da Imperatriz em 89! rsrsrs

  3. A Vila kizombou!! O maior desfile do carnaval interplanetário!!!

  4. Igor Munarim disse:

    Em 1988 foi o primeiro desfile da Unidos da Tijuca com o Pavão em sua bandeira, antes a escola levava o pavão apenas em seu abre-alas!!

  5. Gustavo disse:

    Por que a Manchete ficou de fora?Foi apenas uma questão de exclusividade nos direitos de transmissão ou houve alguma outra situação?

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