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Hoje a coluna do advogado Rafael Rafic faz alguns comentários complementando as colunas de segunda e ontem a respeito da lista divulgada pela Forbes com as 50 equipes mais valiosas do mundo.

Ainda sobre a lista dos ’50 Mais Valiosos’

Antes de publicar as colunas de anteontem e ontem, o editor solicitou a minha opinião e a do também colunista Walter Monteiro sobre o tema. Fiz duas longas respostas com algumas considerações sobre assuntos que não foram abordados pelo Migão.

Como as colunas já estavam com extensões consideráveis, não haveria espaço para maiores desenvolvimentos. Então, faço essa coluna complementar em forma de comentários:

1) A predominância dos times da NFL não se dá por boa gestão nem tamanho de mercado: se dá pura e exclusivamente pela força da liga adotada pela FORBES.

A Forbes costuma dar um valor absurdo de US$ 500 a 800 milhões apenas pelo fato do time fazer parte da NFL. Algumas pessoas (eu incluído) contestam esse peso, o atribuindo a uma falha metodológica que supervaloriza o mercado americano e, em especial, os contratos nacionais da NFL em detrimento do resto. Como comparação, a 2ª liga mais forte, a MLB, tem peso em torno de US$ 230 milhões.

Inclusive, por esse peso excessivo ao mercado americano, os valores de Real, Barcelona e Manchester devem estar subavaliados nessa lista.

2) Outro fator interessante é que o Toronto Maple Leafs mostra que títulos não influenciam tanto a lista, já que sua última Stanley Cup data de 1967.

3) Em relação ao estudo sobre os casos de New York é interessante notar que, apesar de ser a única cidade com dois times nas quatro principais ligas, em todas elas tem um time que é o “primeiro” da cidade, com torcida bem maior, mais tradição e muito mais valioso. O outro fica como a pecha de “segundão”.

Assim, os principais times de New York são Yankees (MLB), Giants (NFL), Knicks (NBA) e Rangers (NHL); ficando em segundo plano Mets (MLB), Jets (NFL), Nets (NBA) e Islanders (NHL).

Com a reestruturação do Nets sob novo comando (cuja figura pública é o rapper Jay-Z), sua volta a New York (o time estava em New Jersey) e novas grandes contratações, a situação na NBA ficou um pouco mais nebulosa entre os dois. Mas nas outras três ligas a situação é claríssima. Inclusive em relação à atenção da mídia (fator importante para a avaliação do mercado do time).

4) Já o caso do Yankees é único e não sei se seria justo incluí-lo no mesmo balaio dos outros times de New York.

Não apenas ele tem uma TV própria que está se expandindo (hoje a YES além do Yankees transmite os jogos do Nets e da UEFA Champions para a área de New York) como o principal valor do time (o mais valioso dos EUA, batendo até o Cowboys e a força de liga ridiculamente alta da NFL) está intimamente relacionado à internacionalização de sua marca, que muito já ultrapassou a seara do baseball ou até mesmo a esportiva.

Alias, dos US$ 2,3 bilhões de valor do time, US$ 1,13 bilhão vem somente de seu mercado. Um valor tão absurdo que é mais do que o dobro do Cowboys, maior mercado da NFL, que é de US$ 580 milhões.

Qualquer artigo estampado com o famoso NYY sobreposto se tornou artigo cobiçado, principalmente por jovens, em qualquer parte do mundo: seja no EUA, na Ásia, ou até mesmo na Europa ou na América do Sul, locais onde a penetração do baseball é irrisória, o Yankees vende rios de dinheiro e ainda movimenta o mercado pirata.

O Yankees hoje é mais que um time: é uma marca de grife de moda como é Prada, Levi’s ou Diesel. Alias, praticamente metade dos usuários da “grife Yankees” fora dos EUA sequer sabem que tal símbolo pertence a um time esportivo.

Isso é ainda exponenciado pela grande exposição da famosa marca por rappers que giram o mundo levando o NYY, seja em suas vestimentas seja naqueles cordões de prata ostensivos que eles adoram usar.

É bastante comum ver o próprio Jay-Z (que tem fortes laços afetivos e comerciais com o Yankees e seus donos) ou Daddy Yankee (esse usa até o time no nome artístico) fazerem shows ou aparecer nas TVs mundiais utilizando produtos da “grife Yankees”.

Esse fato não passou despercebido por Jay-Z, que chegou a cantá-lo em uma de suas músicas mais famosas, “Empire State of Mind”. Há uma parte da letra que diz “eu fiz o boné do Yankees ficar mais famoso do que qualquer jogador do Yankees conseguiu”. Para um fã desses rappers a “marca” se torna desejo de consumo e “desesportiza” a marca – aumentando suas vendas.

Uma colega afirma já ter perguntado a 20 pessoas aqui no Rio de Janeiro que estavam usando o boné do Yankees se elas sabiam que aquilo era o boné de um time de baseball e apenas uma respondeu positivamente.

5) Quanto ao caso do Los Angeles Dodgers: o grande crescimento é fruto do saneamento que a gestão de Magic Johnson fez no time, após a desastrosa passagem do casal McGriff (aquele que a mulher gastava 200 mil dólares/mês no cartão e o clube pagava, título de coluna anterior inclusive).

Também não podemos esquecer que o Dodgers é o queridinho do segundo maior mercado dos EUA, já que Los Angeles não tem time da NFL.

Alias, esse último ponto é interessantíssimo. Por que nenhum time de futebol americano vingou em Los Angeles? Se a pergunta fosse fácil de responder, já teriam resolvido o problema e “coberto” o único grande vazio nos esportes americanos.

O que podemos dizer é que o Rams se mudou para a cidade ainda em 1949, quando a NFL ainda não era a superliga que é hoje, e ficou em Los Angeles até 1980 com relativo sucesso esportivo, mas com problemas em ganhar dinheiro. O time então se mudou para a vizinha Anaheim. Porém o time continuou sem gerar receita e em 1995 se mudou mais uma vez: só que dessa vez a para longínqua cidade central de St. Louis.

Com a mudança do Rams para Anaheim, o Raiders, que não estava satisfeito em Oakland, se aproveitou e em 1982 fincou base em Los Angeles. Mais uma vez houve sucesso esportivo, com direito a um título de Super Bowl em 1984, porém o estádio não gerava receitas e o time forçou a cidade a pagar uma renovação do mesmo.

Estava tudo combinado para isso, até que veio um terremoto fortíssimo em 1994 que fez a cidade adiar tal renovação em prol da reconstrução da cidade. O dono do Raiders, irritado, voltou o time para Oakland em 1995 e desde então Los Angeles não tem time da NFL.

Por mais que a NFL esteja fazendo esforços para voltar a Los Angeles, tenho dúvidas se isso é bom a liga. A NFL está indo muito bem sem Los Angeles há 20 anos e o “Los-Angeles-way-of-life” não se coaduna com o modelo de negócios da liga.

O povo de Los Angeles notoriamente não perde sua praia e adora chegar atrasado aos jogos. Já até me acostumei a ver os jogos de baseball lá começarem com o estádio completamente vazio no fim de semana e só começarem a encher ao final do 3rd inning (1/3 de jogo).

Esse comportamento fazia com que Rams e Raiders nunca conseguissem vender todos os ingressos, forçando “blackouts” de transmissões do time para a área de Los Angeles. Pelo mesmo motivo, os camarotes de luxo também nunca eram vendidos, afinal de contas ninguém queria chegar cedo ao estádio. Isso é mortal para uma liga que permite que seus times tenham apenas 8 jogos em casa por temporada regular.

Para piorar a situação, ambos ficaram fincados no Coliseum (alto do post, em foto durante partida de futebol americano universitário). Mesmo que não seja mais o maior estádio dos EUA, ele ainda tem uma enorme capacidade (93 mil pessoas) e já foi Estádio Olímpico por duas vezes (1932 e 1984).

Porém ele é bastante antiquado, não oferece as facilidades de “hospitalidade” para que os times possam faturar com patrocinadores e camarotes de luxo e tem uma péssima localização na região sul de Los Angeles, justamente a região mais perigosa da cidade. Por isso, todas as conversas sobre realocar um time da NFL em Los Angeles passam pela construção de um novo estádio, perto do centro da cidade.

Analisando esse panorama, acredito que seja mais conveniente para a NFL não ter nenhum time em Los Angeles e simplesmente usar a cidade como barganha. É muito cômodo a qualquer franquia da NFL (a exceção do Packers) quando quer negociar alguma facilidade com a sua cidade (normalmente um novo estádio), usar a ameaça de se mudar para Los Angeles e rapidamente conseguir o financiamento público requerido.

Mas os esportes americanos não são completamente privados e não utilizam nenhum dinheiro público? Quem realmente conhece os meandros dos negócios esportivos nos Estados Unidos sabe que isso só ocorre até a página 2.

Mas este será o tema da próxima coluna.

One Reply to “Made in USA – “Ainda sobre a lista dos ’50 Mais Valiosos’””

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