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Continuando a análise do post de ontem, abordo hoje duas questões enfocadas pelo material divulgado pela revista Forbes: o potencial do mercado de New York e alguns casos onde o sucesso – ou a falta de – nas competições não abala a percepção de valor.

New York talvez seja o maior mercado mundial concentrado em uma única cidade: basta se perceber que é o único local nos Estados Unidos com dois times em cada uma das ligas profissionais. Na NHL, considerando-se New Jersey, mercado adjacente, são três equipes.

Na NBA a cidade tem o Knicks e o Brooklyn Nets, na NFL os Giants e os Jets, na MLB os Yankees e os Mets e na NHL Rangers, Islanders e Devils. Por aí o leitor pode ter uma noção do tamanho do mercado novaiorquino: são nada menos nove opções. Destes, cinco estão entre os “50 Mais Valiosos” do estudo da Forbes: os dois da NFL, os dois da MLB e os Knicks.

Além disso tudo repercute mais no mercado desta cidade: a imprensa é mais incisiva, a mídia é maior, o consumo é mais voraz e a pressão, consequentemente, acaba sendo maior. Além disso muitas sedes de potenciais patrocinadores se encontram na cidade, o que acaba sendo um atrativo a mais

Na figura abaixo (da Forbes), a revista abre as receitas de quatro destas equipes: Giants, Knicks, Yankees e Rangers. Pelo critério da publicação foram consideradas as mais valiosas em suas ligas, embora os Rangers não estejam entre os 50 da listagem divulgada.

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Antes de qualquer coisa fica nítida a diferença de receitas e de mercados: a receita total do Yankees é de US$ 635 milhões (dados de 2011), contra 362 dos Giants, 246 do Knicks e 213 dos Rangers. Tal diferença é vista basicamente em duas rubricas: “Patrocínios” (US$ 90mi, 39, 28 e 25, respectivamente) e nas receitas de seus estádios (ingressos e conveniências relacionadas). Veja o leitor esta receita:

Yankees – US$ 402 milhões;

Giants – US$ 161;

Knicks – US$ 146

Rangers – US$ 141.

Isso é fácil de se explicar: os Yankees tem uma temporada regular muito mais longa e, com isso, mais partidas em casa – são 80 jogos em seu estádio, com capacidade para aproximadamente 50 mil torcedores. Rangers e Knicks, que dividem o mesmo ginásio, jogam cerca de 40 partidas, mas o Madison Square Garden (alto do post) comporta apenas aproximadamente 20 mil pessoas.

O caso dos Giants é diferente: o MetLife Stadium, sua casa, tem 82 mil lugares, mas o clube faz, no máximo, apenas 13 partidas em casa por temporada – contando a pré e a pós. Seus ingressos são bastante caros (como pude perceber semana passada) e a capacidade maior, mas o limitado número de jogos acaba tornando menor a receita desta rubrica. Ainda assim, sua receita envolvendo o estádio ainda é maior que a dos times de basquete e hóquei, fruto do maior interesse do torcedor e dos mais altos preços de ingressos.

Outro ponto a se destacar é a receita de “local media” dos Yankees, fruto principalmente de sua “Yankees.tv”. Por outro lado esta receita para os Giants é mínima, em compensação as receitas de “broadcasting” (basicamente, o “Game Pass NFL”, sobre o qual escrevi em artigo anterior) na rubrica “national media”.

Nesta rubrica também são alocados as receitas do chamado “revenue sharing” das ligas – que é menor, ou quase inexistente, na MLB para os Yankees dada a forma de distribuição que privilegia os mercados de menor tamanho em detrimento dos maiores.

Vale dizer que os contratos “locais” são maiores na MLB que nas demais, onde predominam os nacionais das ligas com os patrocinadores.

Não há uma abertura maior dos dados, mas já é um bom painel de como funcionam as diferentes ligas americanas e seus modelos de negócios.

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No gráfico acima temos três situações curiosas: Los Angeles Dodgers (MLB), Dallas Cowboys (NFL) e (infelizmente, pois sou torcedor da equipe) os Knicks da NBA. São equipes que já há bastante tempo não conquistam títulos e mesmo não conseguem aparições destacadas nas fases de playoffs.

Apesar disso, o valor destas equipes só cresce nos últimos dez anos, sem correlação ao desempenho esportivo – com ligeira exceção para os dois últimos anos dos Knicks, onde a equipe voltou aos playoffs após longa ausência. Dodgers e Knicks experimentaram forte crescimento nos últimos três (Knicks) e dois (Dodgers), enquanto os Cowboys vem experimentando crescimento mais linear.

As três equipes possuem pontos em comum: são de grandes mercados (Dodgers e Knicks) ou tem torcida espalhada por todo o país, caso do Dallas – a ponto da equipe ter o apelido de “America´s Team”. Com isso eventuais insucessos nas disputas acabam não refletindo tanto nas receitas e na valoração das equipes pelo fato de possuírem maiores mercados consumidores e torcedores mais fiéis à equipe.

Interessante também se verificar que o único time da NHL a fazer parte da lista dos 50 maiores, o Toronto Maple Leafe, não conquista o título da Liga de hóquei desde 1967, o que reforça a tese acima.

Um caso oposto, mas que também é representativo do valor da fidelidade das equipes, é o do Green Bay Packers (NFL). A equipe é de uma cidade com apenas 102 mil habitantes, no estado de Wisconsin, mas que tem uma torcida apaixonada não somente no estado local como em outras partes do país.

Os “Cabeças de Queijo”, como são conhecidos os torcedores do Packers, também de certa forma são os donos do time: o Green Bay é o único time da NFL que não tem um dono, e sim acionistas – com diversas regras a fim de impedir que alguém tome o controle da equipe. Na prática, embora sejam chamados de “acionistas” a forma de organização da equipe é bastante semelhante a que vemos nos clubes de futebol brasileiros – uma espécie de clube associativo. Hoje o clube tem cerca de 110 mil sócios.

Uma curiosidade é que, apesar de estar em uma cidade de 100 mil habitantes, seu estádio tem 73 mil lugares e a espera por um carnê de temporada chega a demorar trinta anos. É uma boa medida da fidelidade do público à equipe que permite sua sobrevivência competitiva em um mercado de tamanho reduzido. Outra curiosidade do Green Bay Packers é que é a única franquia da NFL que divulga ao mercado suas demonstrações financeiras.

Finalizando, coloco um gráfico sobre a percepção das equipes mais valiosas nas redes sociais – e de como ela reflete o que analisamos ontem sobre a maior penetração do futebol vis a vis às ligas americanas em termos globais. Vale ressaltar também o caso do Los Angeles Lakers, que foge completamente ao padrão das equipes americanas – é a única que consegue acompanhar os gigantes europeus.

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