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16_01_2013

(Foto: André Diniz, O Globo)

Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, faz um rescaldo do carnaval abordando dois assuntos: o brilhante compositor André Diniz – com quem tenho certo relacionamento, por compartilharmos da mesma Fé – e algumas sugestões para uma melhor organização do carnaval. 

André Diniz e Propostas Para o Carnaval 

A vida é injusta às vezes. Tem semanas que é difícil achar inspiração para uma coluna e nessa teria vários assuntos para tratar. 

Temos o Oscar hoje e, para quem não sabe, eu amo cinema. Não sou um aficionado que vê todos os filmes ou sabe todos os detalhes, mas sou um apaixonado pela sétima arte e por alguns filmes. Mas temos o Marcelo Ikeda aqui como especialista em cinema, então posso falar de filmes depois. 

Só digo uma coisa. Vi “Os Miseráveis”, baseado no livro de Victor Hugo. Não é um filme fácil, todo musicado chega a ser enfadonho em alguns momentos, mas é lindo e se você gosta de arte recomendo. 

Podia escrever também sobre o que ocorreu agora em Oruro, cidade boliviana. A história do menino de quatorze anos que morreu atingido por um rojão, provavelmente atirado pela torcida do Corinthians. 

Mas, como eu disse, ocorreu agora. Até essa coluna ser publicada deve ter mais fatos a destrinchar. Por enquanto só posso lamentar a morte do menino, pedir a punição dos culpados e que não transformem essa tragédia em clubismo. 

Prefiro nesse domingo escrever sobre carnaval e os resquícios dele. Outros assuntos podem ser tratados durante o ano; infelizmente carnaval é uma coisa mais datada. 

Ainda mais o assunto de hoje, mas quero usar esse espaço e o respeito que adquiri como compositor para fazer justiça a um gênio. 

Domingo passado o Fantástico encerrou seu programa mostrando a parceria da Vila Isabel e dando enfoque a como o samba foi feito e se transformou na explosão que foi. O samba de 2013 da escola de Noel já entrou para o carnaval. 

É um samba que conseguiu ultrapassar a barreira dos aficionados por samba, tornando-se conhecido e reconhecido. Uma obra prima que fala com simplicidade do dia a dia do homem do campo, que foi fundamental para a vitória da escola e se tornou o melhor samba campeão do carnaval desse século. 

O Fantástico mostrou tudo isso, mas deu a entender que os grandes responsáveis por esse sucesso foram Martinho da Vila e Arlindo Cruz, dois grandes astros de nossa música e que merecem toda a reverência. Mas tocando cavaco na mesa formada na casa de Martinho estava humilde aquele que pra mim é o motivo da consagração desse samba. 

Aquele que é o melhor compositor de samba-enredo de nossa geração, da atualidade e que está na minha lista de maiores compositores de samba-enredo de todos os tempos, ao lado de nomes como Silas de Oliveira, Beto sem Braço, Aluízio Machado, Toco, Didi, Franco, Davi Corrêa, Martinho e tantos outros que não vou enumerar pra não cometer injustiças. 

Exagero? Por quê? Porque ele é da atualidade? Está em atividade?

Meus caros, história não precisa ser uma coisa do passado, ela é feita todos os dias diante de nossos olhos. Messi não deve nada aos grandes jogadores de futebol do passado, Kobe Bryant aos de basquete, Federer para muitos é o melhor tenista da história, Tom Hanks já garantiu seu lugar entre os melhores atores, Spielberg entre os diretores e Michael Jackson morto há apenas três anos um dos maiores astros de nossa música. 

E André Diniz é um dos melhores compositores. Não vou entrar no mérito de sambas de escritório. Nunca teremos a certeza de quais sambas ele fez fora da Vila então não dá pra mensurar fracassos e sucessos. Vamos falar apenas de Vila Isabel. 

O messiânico André Diniz, que está na faixa dos quarenta anos apenas é o maior vencedor de sambas da história da Vila. São quatorze vitórias em dezessete disputas. É um marco, ainda mais se considerarmos que a Vila é um dos maiores celeiros de sambas e bambas que existem. 

Além disso, ele simplesmente não venceu quatorze disputas. Desses quatorze sambas que venceu pelo menos três eram obras primas.

16 vila isabel

Em 1994 (acima, o áudio) ganhou o Estandarte de Ouro em parceria com Evandro Bocão e Bombril no samba que ficou marcado como “samba do bonde”, que tinha os versos: “Peguei o bonde, passei no Boulevard e a confiança é doce recordar, os três apitos cantados por Noel ainda ecoam pela Vila Isabel”…Um senhor samba-enredo, que arrisco a dizer um dos melhores da história da Vila. 

Ano passado, junto com Evandro Bocão, Arlindo Cruz, Leonel e Artur das Ferragens é autor do maravilhoso samba sobre Angola que tinha a polêmica do contra canto, que nada mais eram que versos de resposta. 

A inovação deu muito certo na avenida. Samba espetacular de um desfile que poderia ser campeão e só não teve justiça em sua dimensão porque a Portela veio com seu maior samba dos últimos dezoito anos. O “Madureira sobe o Pelô”, que deu oito prêmios à parceria portelense e ao qual dei o apelido de “Barcelona dos sambas”. 

E esse ano junto com Martinho, Arlindo, Leonel e Tunico da Vila a consagração fazendo uma festa no arraiá. Com um refrão do meio que ficará na história do carnaval “oh muié o cumpadi chegou, puxa o banco e vem prosear, bota água no feijão, já tem lenha no fogão, faz o bolo de fubá”. Frases simples, melodia singela e taí um refrão antológico. 

Sem contar o começo do samba “O galo cantou, com os passarinhos no esplendor da manhã, agradeço a Deus por ver o dia raiar, o sino da igrejinha vem anunciar”. Isso é lindo demais, a simplicidade de uma poesia, de uma obra de arte. 

Esse samba me deixou com lágrimas nos olhos no desfile oficial e me faz feliz quando ouço. A arte me emociona, o belo me cativa e o samba é isso tudo. No pós-desfile foi o samba mais tocado nos blocos que participei, mais que sambas consagrados mostrando sua força. 

Quem não é do samba aplaude Martinho e Arlindo, quem é do samba também. Mas quem participa do dia a dia das escolas de samba e sabe mais ou menos como os sambas e principalmente como esse foi feito aplaude com mais força e de pé o professor de história que ensina seus alunos fazendo samba de improviso. 

Quem é do samba respeita sua trajetória, sua história que se não é contada nas escolas tradicionais em que leciona será por muitos anos contada nas escolas de samba, onde ele já tem mestrado. 

Vida longa ao grande compositor. Não importa se ele faz samba sem assinar para outras escolas, se reclamam que ele ganha demais na Vila, ele faz por onde. Ganha porque tem talento e ama aquilo que faz e tudo que fazemos com amor tem mais chance de dar certo. 

E como colega só posso admirar e reverenciar, esperando outros grandes sambas dele e de sua parceria. Os outros podem receber os holofotes, o brilho a gente sabe de onde vem. 

De quem transforma um bolo de fubá em poesia. 

A Vila de Noel, Martinho e Diniz só quer mostrar que faz samba também. 

Propostas para o carnaval

Durante o desfile das campeãs, onde muitos estavam indignados por nenhuma emissora de televisão mostrar o desfile (sempre que a Vila vence tem problema nas campeãs, impressionante), debatemos nas redes sociais soluções para que tivéssemos uma melhoria no carnaval. Dei algumas sugestões e o Pedro Migão pediu que as escrevesse aqui.

Algumas são em relação ao televisionamento. Muitos reclamam da exclusividade da Globo e sentem saudade da Manchete. Mas faz como? Tira da Globo e passa a outra emissora sem a mesma visibilidade e que possa adquirir as mesmas cotas de patrocínio? 

Dei uma sugestão. 

Que o governo, seja municipal, estadual ou outra esfera, interceda e passe os desfiles também na Tv Brasil. A Tv Brasil é uma rede estatal, não é voltada para o lucro e não é uma concorrente direta da Globo, então acho que poderiam partilhar a transmissão. A Globo faria como gosta dando maior enfoque às celebridades e oba oba e a Tv Brasil faria a transmissão que queremos: foco no samba e nos sambistas. 

Aproveitei a brecha e dei outra sugestão. Por que não uma emissora a cabo mostrando as finais de samba-enredo? Tv a cabo serve para isso mesmo: público segmentado. Ou se não for o Multishow, que é uma emissora maior, tem o canal Bis, por exemplo, que é um recém criado. Poderiam dividir as doze finais em três finais de semana e a cada dia mostrar uma final. 

Concursos musicais sempre deram certo na tv, desde os festivais da Record nos anos sessenta ao The Voice ano passado. Mexem com público, com emoção. Imagine então a final de um concurso que mexe diretamente com o expectador? Os amantes daquela escola de todo o Brasil que sabem que ali sairá o seu hino? Sambistas são poucos? Não darão uma enorme audiência? Pode ser, mas garanto que será uma audiência maior do que essas emissoras geralmente conseguem de madrugada. 

Outras idéias que dei foram em relação a desfiles para não termos mais dramas como do Boi da Ilha – que desfilou no horário da União da Ilha sendo muito prejudicada – ou de escolas menores, não acostumadas com um evento do porte da Série A chegando lá e sendo massacradas. 

Eu mudaria datas de desfiles, ousaria, meu calendário seria assim. 

Domingo antes do carnaval – Desfile das escolas mirins, começando às 18 horas e testando a luz e o som da Sapucaí. As crianças ganhariam um grande holofote, abririam de fato e de direito o carnaval e atrairiam atenção de todos que estão ávidos e saudosos dos desfiles.   

Sexta e sábado de carnaval – Série A na Sapucaí como hoje. 

Domingo e segunda – Especial na Sapucaí como hoje. 

Terça – Série B com desfile até o setor 11, arquibancadas gratuitas e preços populares nas frisas para que essas escolas que saem da Intendente Magalhães se acostumem com a Sapucaí antes de ser jogadas “às feras” na Série A e transmissão da Globo. É preciso criar o hábito de desfilar no palco maior antes de tudo. 

Quarta – Apuração com uma grande festa. À noite na Sapucaí com show antes e depois da apuração. Fazer dela um evento para ser “vendido”. 

Sexta pós-carnaval – Desfile da Série D na Intendente Magalhães; 

Sábado pós-carnaval – Desfile da Série C na Intendente Magalhães. 

Domingo pós-carnaval – A partir das 18 horas (para acabar meia noite) desfile da Série E na Intendente Magalhães. Sim, voltar com a Série E porque Vizinha Faladeira, Unidos do Cabral, União de Vaz Lobo, Flor da Mina do Andaraí e Unidos do Uraiti não podem passar a humilhação de virar bloco. Grupo com 8 escolas. 

Sem desfiles no Engenhão: eu, o Migão e provavelmente o COB somos contra. Intendente é um lugar ótimo para desfiles. Com esses grupos sendo no pós-carnaval elas além de ter mais uma semana pra fazerem a escola, poderão contar com material e desfilantes de escolas maiores. Público maior, saudoso do carnaval e maior atenção de sites e rádios. 

O principal: não teríamos mais dois desfiles de competição no mesmo dia. Sim, teríamos desfile das campeãs e C no sábado, mas não é todo mundo que se sente atraído pelo desfile que não tem competição. 

São situações utópicas que dificilmente sairão do papel, mas quer lugar mais apropriado para a utopia virar realidade que o carnaval?

P.S. – Eu estava desconfiado. Mas não tinha seu nome na minha fonte de pesquisa – a Galeria do Samba – então não coloquei.

Mas confirmaram que era sim depois que enviei a coluna. André Diniz não tem três, mas sim quatro sambas antológicos na Vila. O quarto é o de 2000, assinado por Evandro Bocão, Serginho 20, Tito, Leonel e Ivan da Wanda mas que também é dele. Um grande samba que não merece o desfile que a Vila fez e seu rebaixamento. O trocadilho do nome Vila com Vi Lá é sensacional.

2 Replies to “Orun Ayé – “André Diniz e Propostas Para o Carnaval””

  1. Mais uma vez na nossa sociedade em geral quem tem mais dinheiro tem o poder total de tudo o que quer, inclusive da formação pública, que por um povo sem educação se torna facilmente uma lavagem cerebral. um abs belo texto

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