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Estou para escrever sobre o assunto desde a semana passada, mas a sucessão de acontecimentos acabou deixando o tema para depois. Falo da queda da taxa básica de juros, a Selic, para 9,75% ao ano ocorrida dias atrás. Além disso, em um segundo movimento o governo parece que finalmente acordou para o grave problema do câmbio, que já venho discorrendo neste espaço há pelo menos dois anos.

Com a queda da taxa para um dígito, a taxa real, descontada a inflação, é de aproximadamente 4% ao ano, o que ainda deixa elevado o diferencial entre as taxas de juros interna e externa. Como se sabe, os principais países da Europa e os Estados Unidos estão com taxas reais negativas ou próximas de zero, o que ainda deixa o diferencial alto apesar das recentes reduções na Taxa Selic, a última de 0,75 ponto percentual.

Com isso, como já expliquei em outras ocasiões, há uma enxurrada de recursos externos vindo para o Brasil aproveitar este diferencial – ainda mais com a crise econômica pela qual passam Estados Unidos e a Europa. Isso significa que há mais dólares no mercado e o seu “preço” cai, o que faz o real se tornar bastante caro.

Os efeitos são persistentes e duradouros. Com o real apreciado os produtos nacionais se tornam mais caros e os importados mais baratos em dólares, o que gera um duplo movimento: perda de competitividade no exterior (com redução das exportações) e uma competição desleal no mercado interno entre a indústria nacional e os produtos importados. Levando ao limite, o câmbio apreciado acaba levando à desindustrialização, pois não há elevação de produtividade que compense um real valorizado demais.

Isso já vem ocorrendo em vários setores, como por exemplo o têxtil e o de autopeças. Não me estenderei porque já foi alvo de outros posts e não me repetirei. A novidade, entretanto, é que finalmente o governo resolveu atentar para o câmbio na elaboração da política econômica.

Como expliquei, o difererencial entre as taxas de juros interna e externa é a principal causa da apreciação do câmbio. A atual redução da taxa Selic ainda não permite neutralizar este fator, mas é importante como sinalizador que a taxa cairá mais a fim de resolver a questão do câmbio, hoje o principal problema de nossa economia.

Isso também é favorecido pela visível queda na atividade econômica, refletida no crescimento do PIB (Produto interno Bruto) de apenas 2,7% em 2011. Não pode ser considerado um resultado ruim tendo em vista a crise mundial, mas está bem inferior aos 7,5% de 2010. Tal crescimento foi freado a meu ver por dois fatores: a já citada crise e o aumento do endividamento das famílias, o que diminuiu o consumo interno.

Este quadro criou as condições a fim de se fazer a necessária correção no câmbio sem afetar de forma irrecuperável outras variáveis econômicas. Com a crise mundial há mais capitais livres e a tendência, caso nada fosse feito, seria a de uma enxurrada ainda maior de valores, a fim de aproveitar o diferencial entre as taxas de juros externas e internas – o que gera oportunidades de lucros fáceis. Com isso o quadro se tornaria dramático para a indústria nacional, que não teria como compensar as dificuldades cambiais com aumento de produtividade.

O governo sinalizou, contudo, que irá enfrentar esta questão. Além das medidas paliativas tomadas esta semana – e que já ajudaram a segurar o dólar em torno de R$ 1,80 – há a disposição de se trazer a Taxa Selic a patamares que protejam o mercado financeiro nacional da “bolha” de capitais que estará “navegando” pelo mundo sem ter onde investir. Vale lembrar que tanto os Estados Unidos quanto a Europa atravessam grave crise e que a China optou por a partir de agora diminuir o ritmo de seu crescimento – o que impacta nas exportações brasileiras de modo significativo.

Obviamente, a opção por corrigir o câmbio terá suas contrapartidas: certamente haverá algum repique inflacionário devido ao aumento do preço dos importados, mas a queda da demanda interna torna tal efeito limitado. Também se fará necessário manter o preço dos combustíveis nos valores atuais pelo menos por algum tempo, mas há formas de se compensar a Petrobras via política fiscal ou a Cide.

Para o leitor ter uma idéia, a taxa de câmbio por dólar, que já esteve em R$ 1,54 e hoje está em R$ 1,81 (dados de ontem) de acordo com cálculos do Ministério da Fazenda para retomar a paridade (apreciada) do início do Plano Real deveria estar em R$ 2,50. Por aí o leitor, ainda que não seja economista, pode entender o esforço que a indústria nacional fez para não sair do mercado – infelizmente, sem sucesso absoluto. Como escrevi acima, setores como o têxtil e o de autopeças estão se tornando simplesmente “maquiadoras” de produtos importados, mais baratos devido ao câmbio.

Obviamente, há um longo caminho a se enfrentar. Mas me parece alvissareiro que depois de muito tempo finalmente a política econômica vise corrigir o câmbio e impedir um movimento de desindustrialização já em curso. Como dizia o ex-Ministro Simonsen, “a inflação aleija, mas o câmbio mata”.

Finalmente acordamos para isso.