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Mais um sábado e mais uma coluna “Sobretudo”, de autoria do publicitário Affonso Romero. O tema de hoje, como não poderia deixar de ser, é a conflçagração ocorrida no Rio de Janeiro na última semana.
(Fotos: Terra)
Tropa de Elite 3 – A Realidade
Se você não assistiu ainda ao filme Tropa de Elite (1 e 2) não leia esta coluna. Provavelmente, você não tem interesse pelo tema “segurança pública”. Se tem, e não viu o filme por falta de oportunidade, não vai ficar feliz comigo quando eu comentar detalhes que você preferiria ver no cinema, com a surpresa do expectador desprevenido.

Não fiz aqui no Ouro de Tolo uma resenha do filme. Outros colunistas a fizeram, sorte minha. Portanto, posso largar na frente e resenhar a terceira parte da trilogia.

Blockbuster, companheiro, é isso aí: mal você viu a segunda parte da saga e já estão lançando a terceira. Mais que isso, e fato inédito, colocaram o filme na tevê antes mesmo de lançarem no cinema. E ao vivo, ainda por cima. Para que gastar dinheiro com películas e edições?

Esta operação da polícia carioca, nos últimos dias – melhor dizendo, esta reação às recentes atividades de terror criminoso – é, na verdade, uma continuação do filme de José Padilha.

O primeiro filme era cru, o segundo aprofundou esta característica, o terceiro não tem filtro nenhum. O primeiro filme tinha mocinhos e bandidos, o segundo dizia que o mocinho era só um e, ainda assim, foi enganado pelo sistema; o terceiro, meu chapa, só tem bandidão.

Eu gostaria de pensar que o Rio de Janeiro está aproveitando um momento de destempero total dos traficantes; e dando a volta por cima, usando da força que o momento requer para fazer uma megaoperação de retomada de áreas dominadas pelo banditismo e colocá-las definitivamente sob a guarda da Lei e da Ordem. Realmente, eu gostaria de pensar isso.

Mas não é verdade. O que estamos vendo ao vivo na televisão é a transferência de poder de uma facção desorganizada e enfraquecida para um novo modelo de criminalidade, este sim organizado e estruturado dentro do próprio Estado.

Quantas são as comunidades ocupadas por UPPs? Até o início desta ofensiva atual, eram doze. Uma dúzia, isso mesmo. Quantas comunidades foram ocupadas pela PM, ou sofreram operações consistentes, nos últimos meses? Só estas doze? Não, dezenas e mais dezenas? Dentre o quase milhar de favelas cariocas, só doze tem UPPs – mas os traficantes foram expulsos de muitas mais.

E, sistematicamente, o que vem depois dos traficantes, e na falta de poder de ocupação por parte do Estado? As milícias!!! Estas são as reais beneficiárias da ação da polícia. E isso não é acaso, quem quiser mais detalhes que veja o Tropa de Elite 2  – e leia o “Elite da Tropa 2” – para poder entender esta terceira parte do filme.

Uma verdadeira máquina de guerra acaba de invadir a Vila Cruzeiro e mais uma boa dezena de morros do Rio. Pois eu aposto que a Vila Cruzeiro, por ser emblemática, pode até virar uma UPP, mas o resto todo acabará nas mãos de milicianos.

A classe média ficará mais tranquila no asfalto, seus carros poderão circular mais livremente pelas linhas Amarela e Vermelha, e daí? Qualquer que seja o desenrolar dos acontecimentos, o crime sairá vencedor.

Em minha opinião, a milícia é um tipo de ação criminosa milhões de vezes mais perigosa do que o tráfico armado como hoje conhecemos. É a institucionalização do crime, é a sinalização clara de que não há mais linha divisória entre crime e Estado de Direito. É a vitória inconteste da selvageria.

O que estamos vendo, sob o alívio de ter um simulacro de ordem artificial colocado em frente aos nossos olhos atônitos, é uma invasão em que um bando pior destrona um bando ruim. Nada menos, nada mais que isso.

Não acredito que Forças Armadas e equipes especiais como o BOPE estejam articuladas com milícias. Nem estou acusando diretamente o Governador do Estado, ou o Presidente Lula (que autorizou o uso de força federal). As tropas são usadas a partir do clamor da população. E se, realmente, os incêndios e arruaças são originários dos traficantes acuados, eles deram um tiro de AR15 no dedão do pé.

O clamor, a mídia, a classe média aterrorizada (meu Deus, como é fácil aterrorizar a classe média!!!), tudo isso conspira a favor dos milicianos. O Estado não tem como sustentar a ocupação das áreas que está invadindo, e sabe disso. Ou os traficantes retornarão às comunidades, ou – o mais provável, – elas serão entregues às milícias. Os custos da operação de guerra serão pagos pelo meu, pelo seu imposto.

Claro que há gente graúda manipulando este clamor e esta invasão financiada pelo erário. A começar por gente da própria polícia, da segurança pública, do Estado, da mídia. É óbvio demais.

Eu li críticas aos filmes anteriores sobre a Tropa em que se dizia que a locução onipresente do Capitão Nascimento explicava demais, linearizava demais, e tornava o filme comercial, sim, mas menor em termos artísticos. Pois esta continuação forçada da tevê nos prova que não, que a narração em off era necessária. Eu quero o Nascimento, versão cinemão, explicando didaticamente que não há mocinhos no filme. E não há mesmo.

Até há heroísmo, há disposição política sincera, vontade de resposta institucional do estado à barbárie, isso eu acho que há. Mas há, principalmente, uma ação articulada de bandidos vestidos de fardamento azul, loucos pela conquista territorial de uma vasta área do Rio de Janeiro, prontos para estabelecer o poder das milícias em novos redutos.

Desculpem pela desesperança mas, para mim, é só isso.”

One Reply to “Sobretudo: "Tropa de Elite 3 – A Realidade"”

  1. Me admiro vc Pedro, dizendo que o Tráfico que matam pessoas trabalhadoras diariamente nas ruas do RJ sejam melhor que qualquer outra coisa … Paciência !!!! Júlio Migão

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