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Mais um domingo, e mais uma coluna – direto dos EUA – “Bissexta”, assinada pelo advogado Walter Monteiro. O tema de hoje é a ameaça à democracia representada pela ascensão da ex-governadora do Alasca e ex-candidata a vice-presidente republicana Sarah Palin (foto).

Preparem-se, o Armagedon é logo ali

Porque o meu intento é ajuntar nações e congregar reinos, para sobre eles derramar a minha indignação e todo o ardor da minha ira; pois esta terra toda será consumida pelo fogo do meu zelo. (Sofonias, 3, 8-9)

O filme 2012 tornou popular uma dita profecia Maia, segundo a qual o mundo acabará no ano que dá nome à película. Ou talvez não seja bem isso que os Maias tenham dito, mas aparentemente é voz corrente que eles acreditavam que a Terra encerraria seu ciclo no ano fatídico. Sou um sujeito cético, não dou bola para nada que não possa ser cientificamente provado, mas um acontecimento recente me deixou com a pulga atrás da orelha e pode ser que os Maias tenham cravado a sua previsão, pois Sarah Palin deu a entender que aceitará concorrer a presidência dos EUA em 2012. Não sou Maia nem adivinho, mas cravo o meu palpite – se a ex-miss levar o pleito, o mundo, tal como o conhecemos, já era…

Até 2006 só os parentes, amigos e poucos moradores do Alasca (o estado norte-americano com a menor densidade populacional do país, foto abaixo) sabiam de quem se tratava Sarah Palin, a bela jornalista que governava o estado gelado. Em busca de um contraponto para o fenômeno Obama, jovem, negro e obcecado pela mudança, os republicanos procuravam alguém para acrescentar densidade eleitoral ao Senador John McCain, um homem respeitável, com uma longa folha de bons serviços prestados ao país, mas cujos cabelos brancos e aparência de vovô simpático deixavam a desejar no quesito midiático. Foi aí que Sarah Palin entrou na jogada…era só para fazer figuração, desfilar sua bela silhueta de radiantes 42 anos e sua alta intimidade com as câmeras adquirida nos anos que trabalhou como repórter televisiva, mas a coisa saiu de controle e parecia que era ela, e não McCain, quem realmente estava dando as cartas na eleição.

Sarah não estava nem aí para os temas do dia a dia do país, como logo se tornou claro, dada a sua constrangedora inexperiência de quem nunca tinha sonhado estar na condição de protagonista. O que ninguém sabia é que ela trazia consigo sólidas crenças ideológicas e nenhum temor em torná-las públicas, pondo abaixo a prudência do politicamente correto. Sarah Palin, vamos dizer assim, é ultradireitista. Mais do que isso, tem um orgulho imenso desse rótulo. Via de regra, a extrema direita sempre foi associada ao fascismo e ao nazismo, portanto, virou sinônimo de palavrão. Sarah Palin mostrou que é possível ser de extrema direita de outro modo – ou pelo menos, sem odiar os judeus ou negros.

Há, nos Estados Unidos, amplos segmentos da sociedade com pensamento diametralmente oposto ao senso comum. Tem o cinturão bíblico (Bible Belt), uma região carola no sul do país dominada por fervor religioso e pela interpretação literal da Bíblia (o que, naturalmente, implica em negar descobertas amplamente provadas da ciência). Tem os caipiras do meio-oeste, pejorativamente chamados de rednecks, trabalhadores rurais com baixo nível educacional e dificuldades para fechar as contas do mês. Tem os WASPs – White, Anglo-Saxons, Protestants (brancos, anglo-saxões e protestantes), que são, por definição, a elite norte-americana. Tem o povo que adora andar armado e resolver as diferenças à bala. Essa gente toda tinha um sentimento represado contra os valores hoje dominantes, de tolerância, de liberdades, de políticas sociais, sonhavam com um país pautado por valores tradicionais, uma espécie de revival dos anos 50 para trás.

Nunca antes na história daquele país um político tivera a coragem de falar tão diretamente ao coração dessa gente, porque, claro, isso implicaria em perder votos nos demais segmentos da sociedade, os negros, os imigrantes, os intelectuais, os empreendedores, enfim, a maioria da população. Sarah Palin teve e se tornou uma popstar entre eles. Mais do que isso, os encorajou a se reunirem e atuarem politicamente, tanto assim que houve até uma “festa do chá”, uma convenção ultraconservadora assim batizada em homenagem a um acontecimento histórico ainda do tempo que o país era uma colônia – e a coisa ganhou corpo a ponto desse movimento ser conhecido como Tea Party, um ligeiro trocadilho, dado que party, em inglês, significa tanto “festa” como “partido político”.

Do jeito que eu falo, parece até que Sarah Palin é “do bem” e o que está em jogo é apenas uma visão ideológica distinta, algo saudável para a democracia. Quem dera…

Sarah Palin, infelizmente, é uma bomba relógio em contagem regressiva. Por trás do conservadorismo extremado há uma política de negação de conquistas obtidas com muito sacrifício pelos norte-americanos desde o pós-guerra. Haverá ódio aos imigrantes, muito mais do que agora. Haverá ódio a crenças religiosas fora do espectro judaico-cristão. Haverá, de forma bem mais intensa, uma negação aos direitos humanos sob a justificativa da guerra ao terrorismo. Haverá uma política externa beligerante, com perseguições implacáveis aos inimigos, reais ou imaginários, alguns dos quais, não custa lembrar, armados até os dentes, inclusive com arsenal nuclear à disposição.

Quando a Al Qaeda explodiu as Torres Gêmeas em 2001, eu estava de férias no Pantanal Mato-Grossense. Nunca me senti tão seguro, a companhia de jacarés, piranhas e tuiuius me deu a impressão de ser um refúgio, um dos últimos lugares a serem visitados pelos terroristas islâmicos. O mundo inteiro sem dormir e eu me preocupando apenas em passar repelente para afugentar mosquitos. Ganhando Sarah Palin, em 2012 me mudo para o Pantanal, em busca de paz e de novos nichos de negócios, como, por exemplo, exportar pele de jacaré direto para a Casa Branca – afinal, a futura Presidente é entusiasta defensora da caça e do uso irrestrito de peles de animais para fins estéticos.”

One Reply to “Bissexta – "Preparem-se, o Armagedon é logo ali"”

  1. Migão, sobre o post do seu amigo que viu um jogo de NBA, depois eu comento pois eu já assisti à 2 jogos. Já comentei no seu blog sobre a igreja católica (defendendo a instituição e também agradeço o seu bom comentário). Mas sobre este artigo, muito bom, e principalmente pois mostra que os mais reacionários não são (em grande quantidade) os católicos e sim os protestantes americanos. Evita-se dizer isto na mídia, mas esta é a verdade. valeu

    Ronaldo Abreu

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