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Sábado passado, acompanhando mais um “serão” noturno da Ana Luisa – minha filhota mais nova, de três aninhos – capturei no canal “Cartoon Network” uma hora de desenhos animados de Tom e Jerry, já no início da madrugada.

Eram desenhos das antigas, das décadas de 50 e 60 – originalmente, a criação dos inesquecíveis William Hanna e Joseph Barbera é de 1940. Eram os mesmos que haviam embalado a minha infância entre o final da década de setenta e o início dos anos oitenta. Era exatamente o humor politicamente incorreto, violento e divertidíssimo que fez a série conquistar milhões de fãs em todo o mundo.

Vendo os desenhos, percebo como o mundo para as crianças de hoje é muito mais chato e enfadonho. Os desenhos atuais considerados “de sucesso” são de um histrionismo e de um tom “politicamente correto” que chegam a assustar. É sempre aquele heroísmo forçado, consumista e que entrega como modelo apologético à criançada um personagem de características irreproduzíveis na vida real, de carne e osso.

As animações das gerações anteriores não teriam a menor chance de serem produzidos hoje. O próprio “Tom e Jerry” possui uma série de episódios recentes – disponível em DVD e no mesmo Cartoon Network – excepcionalmente mantendo, embora atenuadas, características originais – e consideradas como “fora de moda” hoje. Outros personagens não tiveram a mesma sorte: a série recente do “Pica Pau” disponível é um pastiche do riquíssimo e engraçado desenho original. Ao ser “adaptado” para os “tempos modernos” perdeu totalmente sua alma.

Aliás, um adendo: como já escrevi em diversas outras ocasiões, esta postura “politicamente correta” não só está acabando com a infância quanto tornando a vida adulta terrivelmente chata. A ponto de me surpreender com minhas filhas cantando uma versão adaptada de “Atirei o Pau no Gato”, que dizia mais ou menos que “ele é nosso amigo e temos de cuidar dos animais”. Particularmente, acho deplorável.

Criam-se robôs aculturados e que aprendem desde cedo aquela cantilena que não passa de um verniz de hipocrisia sobre um mundo onde cada vez mais as pessoas são aéticas, maldosas e egoístas. Aí fica aquele negócio de ser politicamente correto para dar uma amenizada na consciência coletiva do indivíduo, mas na prática o que se vê é um gigantesco mar de hipócritas.

Voltando ao tema deste post, a situação chega ao absurdo de, antes de cada desenho, o canal em questão apresentar a mensagem “o conteúdo deste programa foi editado para atender ao público esperado para o horário”. Ou seja, em português claro: autocensura. A idéia é moldar, padronizar, “bovinizar” e reproduzir um comportamento hipócrita onde “respeitamos todos”, mas não hesitamos em pisar na cabeça de quem está em nosso caminho.

Ou seja, nossos filhos não terão a alegria que tínhamos em ver um “Tom e Jerry”, um “Pica Pau”, um “Manda Chuva”, um “Scooby Doo”, um “Zé Colméia”, um “Tamanduá e a Formiga” e muitos outros. O leitor pode argumentar com coisas do tipo “ah, é violento” ou “que estimula a maldade”, mas se fosse assim muito provavelmente eu seria um crápula. O que importa é se ter a educação familiar e trazer princípios da ética, da honestidade e da bondade – algo cada vez mais em falta na sociedade hoje.

Hoje não se vê mais a criançada jogando bola, soltando pipa, brincando de amarelinha, pique ou esconde-esconde. Fabricam-se pequenos adultos, conectados, que têm obrigações que não tínhamos, seguir comportamentos que não são próprios. A sociedade ensina a falsidade e o “não se comprometer” desde cedo. Brincar é proibido, ser livre é proibido, viver é proibido.

De certa forma, confunde-se diversão com vida real, com coisa séria. O curioso é que fazem este patrulhamento todo com desenhos, cantigas de roda e coisas afins, mas não se vê a mesma diligência com as telenovelas, que, como afirmei em texto anterior, são um verdadeiro manual de mau caratismo.

Só nos resta saudar que, ainda no início da madrugada, possamos mostrar aos mais novos a graça que tinham estes desenhos. Pelo menos por enquanto, sem cortes. Mas os comerciais, que em minha opinião deveriam ser proibidos em canais infantis, continuam lá. Não é uma sociedade hipócrita ?

Tempo bom, lelê, não volta mais…

P.S. – Sugiro aos meus 79 leitores que parem sete minutinhos e vejam o vídeo acima. Garantia de boas risadas.

2 Replies to “Tempo Bom não Volta Mais”

  1. Caro Rubro Negro,

    O tópico do post é muito interessante e a sua análise muito válida.

    Gostaria de acrescentar à discussão:

    – Não estou convencido que a nova versão dos desenhos tenha por objetivo apenas excluir cenas ou atitudes politicamente incorretas. Enquanto por certo esta prática é adotada (havia um desenho em que o Tom fumava um cigarro enquanto paquerava uma gatinha branca – e eu não me tornei fumante por isso) ela não basta para justificar o teor de alteração que é realizado.

    Para mim estas atualizações têm muito a ver com a onda de relançamentos de Holywood por exemplo. Eu acho que há uma falta de criativadede generalizada. É a necessidade de se produzir um novo produto porém as condições criativas do desenho original não mais estão presentes e muitas vezes não basta dinheiro para criar algo que preste.

    – Segundo, enquanto ocorre essa “limpeza conceitual” dos antigos desenhos e seriados (e de canções ou outras manifestações de nossa infância) por outro lado existe um ataque frontal ao caráter meio pueril daquela época. Os desenhos novos são mais consumistas, mais “realistas”, em suma mais “invocados” ou “maneiros”.

    Como exemplo assisti esses dias ao novo Karate Kid. Uma série de elementos no novo filme são significativos tamanha a distância que o separam do original. Para não me estender no ponto basta dizer que enquanto o chute final do filme anterior era aquela coisa meio ridícula imitando um pato manco, o atual involve uma técnica de hipnotismo aliado a um chute voador duplo carpado ao estilo Dayane dos Santos. Po**a! Fora que o guri dá uns amassos na menina e é exímio dançarino de street dancer. Ah, e é marrento do início ao fim…

    Concluíndo, enquanto “tentamos proteger” nossas crianças de comportamentos indesejáveis (quais seria a classificação desses comportamentos?) por outro lado estimulamos outra série de comportamentos talvez mais perniciosos (individualismo exacerbado, falta de educação, sexisismo infantil, etc.)

    Vai saber…

  2. Xará, você pegou exatamente o ponto central do texto: mutilamos os desenhos, impomos o “politicamente correto” e práticas muito mais perniciosas são estimuladas.

    Sem contar o absurdo número de comerciais nos canais infantis.

    abraço forte

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