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Em um domingo de bons textos, reproduzo aqui, na íntegra, a entrevista dada pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva ao Portal Ig na última sexta feira. Ele faz um balanço de seu governo e aponta perspectivas para o futuro.

A entrevista é um pouco longa, mas vale muito a pena a leitura.

Não vou permitir que façam sacanagens com a Dilma, diz Lula

“No renovado gabinete presidencial, Lula abre a porta que dá acesso à sala de reuniões e entra falante. Cumprimenta todo mundo, acena para um assessor no fundo da sala, senta à cabeceira e cobra a lentidão na troca dos antigos microfones da grande mesa retangular.

“Oito anos de Fernando Henrique, mais oito do meu governo e o Planalto não consegue ter um microfone que tenha um botão para ligar e desligar”, queixa-se. “Esse problema já foi resolvido, presidente”, responde o assessor, apertando o botão de luz verde do novo aparelho.

Lula cobra então equipamentos que ele acreditava serem mais modernos, à semelhança do que viu no gabinete do governador do Rio, Sérgio Cabral. Reclama do enorme monitor discretamente escondido no vão da mesa e pede uma telinha embutida, como na mesa do governador do Rio.

Sempre que fala, o presidente mantém o contato visual com o interlocutor. Dos cinco políticos que passaram pelo cargo na redemocratização, ele é o que mais profundamente encara as pessoas. De José Sarney a Fernando Henrique Cardoso, também foi o que chegou à clássica entrevista de final de governo de forma mais brincalhona e extrovertida. É o que mais mantém assessores em volta, sinal de que a popularidade afasta a chamada solidão do poder, amplamente vivida por alguns de seus antecessores nos dias finais dos governos. Talvez por isso tenha sido explícito: “Quero ser lembrado”, disse o presidente ao iG.

José Serra e as Eleições

“O povo queria mudança e ele (Serra) significava continuidade. E ele é candidato em 2010 como continuidade e ele significa mudança. É exatamente o que aconteceu comigo. Eu lembro o que era dificuldade em fazer discurso em 1994. Sabe, o Real bombando e eu tentando me esgoelar contra o Real. Eu fiquei muito tempo com a imagem de uma propaganda de um pãozinho que aparecia caído num prato assim, que o preço era nove centavos. Era mortal aquela propaganda. É muito difícil você fazer oposição.

Nós já tínhamos cometido um erro no movimento sindical, um pouco antes até de eu ser candidato, que foi a URV, que foi o que deu a base para fazer o Real. Aquilo foi o aperfeiçoamento da fase do Plano Cruzado. Ou seja, a mesma equipe que tinha feito o Cruzado, aperfeiçoou com a URV, para poder introduzir o Real.

E, veja, o candidato da oposição tem todo o discurso da oposição, se for fazer o discurso da situação, não precisa ser candidato. E em 1998, eu fui para a campanha já sabendo qual era o discurso do Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, isso a gente discutiu muito tempo antes. Ele vai dizer: ‘Quem estabilizou a economia, agora vai criar empregos’. Sabe, esse era o discurso da campanha, e era a única coisa que ele poderia falar, e eu tinha que falar contra. Bem, eu acho que o Serra está vivendo esse drama. Ou seja, nós temos de nos conformar e esperar outra oportunidade.

Eu tive paciência de esperar. Eu tinha menos idade do que o Serra tem hoje. Então, é duro. Olha, posso dizer a vocês por experiência própria, é duro, é duro quando você vai dar uma entrevista que o cara pergunta pra você: ‘E as pesquisas?’. E você está lá embaixo, ganhou três pontos. E esse negócio de falar que não acredita em pesquisa, é só quando a gente está por baixo.

Em 1982, eu era candidato a governador, o Estadão publica uma pesquisa, faltando uns três ou quatro dias para as eleições: Montoro não sei quanto, Reinaldo de Barros não sei quanto, Jânio não sei quanto, Lula 10%. Eu tinha feito um comício no Pacaembu, que eu saí de lá com a convicção que ia ganhar as eleições. Sabe, é uma coisa tão engraçada, porque essa imprensa burguesa, porque essa imprensa, mas o fato é que depois das eleições eu tinha exatamente os 10%. A partir dali, eu comecei a acreditar num certo critério científico, numa certa … muita importância pra pesquisa.”

Dilma Roussef

“A Dilma, ela tem inteligência acima da média das pessoas que eu conheço. A capacidade da Dilma de captar as informações que ela recebe é extraordinária. Sabe, eu sempre disse que as pessoas iriam se surpreender, porque quando a Dilma não era política, quando eu propus o nome da Dilma, você vai conversar com político mais experiente eles falam assim: ‘Ah, o Lula tá por fora. Está indicando uma mulher que ninguém conhece, uma mulher que nunca fez política, não tem nenhuma experiência, nunca participou de um debate. Ah, ela vai ser triturada”. Por que as pessoas não a conheciam.

Então, ela é inteligente, tem uma capacidade de captação das coisas e de aprendizado rápido, o que é extraordinário. E tem o aprendizado. Alguém dizia: ‘A Dilma não vai conseguir falar em palanque’. Vai num comício pra vocês verem a desenvoltura. Sabe, ela fala melhor do que o Lula. Eu acho que ela vai entrar numa situação mais confortável do que eu entrei.

Na verdade, ela ajudou a construir isso. Ela…Com a garantia de que eu estarei de prontidão para não permitir que não tentem fazer com ela todas as sacanagens que tentaram fazer comigo.

Eu sou um homem de rua. Eu sou um homem que o meu forte na política não é dentro de um gabinete com ar condicionado, recebendo…Sabe, o meu forte é na rua conversando com as pessoas. É dali que eu extraio a minha energia, é ali que meus adversários ficam preocupados, é dali que algumas pessoas insinuam bobagem, como o Fernando Henrique Cardoso insinuou.

Não sei se vocês..Eu já tive experiência de perda de uma esposa. A gente não sofre muito no primeiro momento, ou seja, um dia cai a ficha que alguém que não existe nunca mais. É o dia que você se dá conta, sabe, que ela não existe mais. O governo, você se não tomar cuidado você sai do governo e fica querendo dar palpite, porque você vai parar de dar autógrafo, vai parar fazer comício, e é importante que seja assim.

Eu quero ensinar para algumas pessoas como é que um ex-presidente tem que se comportar. É fechando a boca e deixando quem foi eleito governar. Quem governou teve a sua chance, fez o que tinha que fazer, dá palpites sem ser pedido. Sem for para ajudar, para atrapalhar nunca. E tem que deixar quem foi eleito governar. Até o direito de errar, que ele tem o direito de errar. Até para aprender com seus olhos.

Quem é eleito presidente da República não precisa de tutor. Só tem que navegar e aprender. No Nordeste, eu não sei se aqui no Sul, aqui em Brasília aconteceu isso. A prioridade é ‘Quem casa, quer casar’. Ou seja, quem ganha quer governar. Vamos ter claro isso em primeiro lugar. Ou seja, se ex-prefeito, ex-governador, ex-presidente ao deixar o mandato quiser influência sobre quem está governando, ele passa a atrapalhar quem está governando. Ele passa a atrapalhar. Como todo mundo tem uma coisa chamada auto-afirmação, como todo mundo tem personalidade, a pessoa precisa exercer essa auto-afirmação e essa personalidade na sua totalidade.

Obviamente que se o presidente, o governador, o prefeito liga para o outro e pede uma sugestão e você souber, você não pode se negar a dar. Agora, você ficar pela imprensa, você ficar na reunião do partido, você ficar nos debates: ‘Não, porque ele devia fazer assim. Não, porque ele devia fazer assim. Porque aquilo não é assim’…Sabe, você precisa ter semancol.

Eu não esqueço nunca do dia 25 de janeiro de 2003 que eu estava conversando com o Bill Clinton e perguntei se o (George W.) Bush iria ou não fazer a guerra do Iraque. Bill Clinton falou: ‘Olha, presidente lá nos Estados Unidos a gente culturalmente não dá palpite em quem está governando’. Ou seja, eu acho aquilo é uma coisa importante. Todas as brigas que aconteceram no Brasil, foi porque quem saiu queria continuar mandando.”

Saída do Governo

“O ritual de ser presidente é muito pesado. Ou seja, você tem um ajudante de ordem que diz o que você tem que fazer a cada hora. Você tem um chefe de cerimonial que escolhe a cadeira para você sentar. Você tem a equipe que prepara, é um negócio que você se sente sufocado. Tem vezes que tem tanta gente fazendo as coisas por você que dá vontade de gritar: ‘Pelo amor de Deus gente, deixa eu respirar. Deixa eu fazer alguma coisa’.”

iG – Então o senhor quer se livrar da agitação?

O que eu quero me livrar mais é da máquina burocrática que toma conta do presidente.

iG – É  incontornável?

Eu não sei, veja. Eu vou terminar o meu mandato, eu nunca fui num restaurante jantar. Eu nunca fui num aniversário, eu nunca fui numa janta, eu nunca fui num casamento. A não ser de um sobrinho meu, num bairro lá em São Bernardo do Campo, sem ninguém saber. Porque eu resolvi fazer do meu mandato um sacerdócio. Eu briguei muito para chegar aqui, eu tenho que me dedicar de corpo e alma ao que eu tenho que fazer aqui.

Noventa e nove por cento do meu tempo com a dona Marisa é eu sair daqui dez horas da noite e ir lá para casa. É passar sábado e domingo sozinho. Eu não convido nem um ministro porque se eu convidar um, o outro vai ficar com ciúmes então eu não convido ninguém.

Mas eu vou gostar de me livrar disso sim. Aqui é ‘Nove horas isso, dez horas isso, onze horas isso’. Não tem um minuto que eu falo: ‘Deixa esse minuto para mim, pelo amor de Deus. As pessoas não se lembram que você tem que ir no banheiro, isso elas não se lembram. Se vocês fizerem uma agenda comigo vocês vão perceber que não é fácil.”

iG – Teve um Presidente que disse: ‘Me esqueça’. Teve outro que disse, ‘Não me deixem só’.

“Eu quero ser lembrado pelas coisas boas que eu fiz. E quero ser lembrado pelas coisas que eu não fiz. Eu quero, eu vou continuar sendo um político, vou continuar andando pelo Brasil, quero entrar num bar e tomar uma cerveja com meus companheiros. Eu quero tentar voltar e levar uma vida normal. Não sei se é possível, levar uma vida sem entourage.”

Planos para Depois da Presidência

“E depois de algum tempo, a gente, então, cai a ficha. Você está fora, já não tem mais o Franklin, não tem mais o Giberto Carvalho que eu xingava, não tem mais ninguém. Não tem mais o Stuckinha para eu berrar com ele. Aí eu vou querer uma fotografia, não tem, vou ter que ir lá numa dessas, como chama? Ótica, tirar uma daquelas de trinta segundos.

Então, quando essa ficha cair aí eu estou preparado para tocar a vida. Eu não quero nem tomar decisão antes de alguns meses, porque eu não quero tomar decisão errada. Então eu tenho que maturar, calejar, para depois tomar decisão.

Quando eu deixar a Presidência da República, eu quero ser chamado de companheiro Lula. Eles que me chamaram de companheiro Lula, antes de eu ser presidente da República. Essa para mim é a maior conquista que eu vou ter na minha vida. E eu tenho a convicção que eu vou ser tratado com carinho na porta da Volkswagen como era tratado nas greves de 80. Eu tenho a convicção que eu vou ser tratado num congresso da Contag como eu era tratado quando eu era oposição. Essa coisa está no sangue. Eu sei meu lado. Sei da minha obrigação como presidente que eu tenho que governar para todos. Eu tenho que tratar o mais rico igual eu trato o outro.

Todo mundo tem direito de cidadania. Agora, eu tenho que governar tentando favorecer os mais pobres. Mas quando eu deixar a Presidência eu sei para onde eu vou. Sei quem são meus companheiros, sei quem vai lembrar de mim. Sei quem vai lembrar quando eu fizer aniversário. Eu não me iludo. Eu não me iludo. A política para mim foi uma lição de vida. Não é por orgulho não, isso aqui é um comportamento. Apenas uma linha de comportamento. Eu vou deixar o meu mandato sem nunca ter precisado almoçar ou jantar com rádio, televisão ou jornal. Coisa que era habitual nesse país.

A turma aqui dizia ‘Põe o presidente para almoçar com o dono da televisão. Agora o presidente vai almoçar com os donos dos jornais’. Desse mal eu não sofrerei. Eu tenho que me preparar psicologicamente para isso. Não é fácil eu ter a vida que eu tenho e no dia 2 de janeiro do ano que vem eu levantar no meu apartamento, não ter mais os meus filhos porque todos dormem fora. Eu e Marisa. Não ter o César para eu chamar ele e xingar por causa da agenda. Não tem mais o Stuckinha para eu berrar com ele. Não ter o Gilberto Carvalho para me xingar por alguma coisa.

Não ter esses meninos para me dar o briefing de manhã aqui, o que a imprensa está falando o que é que você tem que falar amanhã, como é que a imprensa tá se comportando. Eu não olhar para a cara da Marisa, ela não olhar para a minha cara. Eu estou me preparando para isso.”

iG – O senhor quer uma viagem?

“Mas eu quero ficar um tempo sem viajar”

iG – Do que o senhor vai sentir mais saudade? É da agitação? O Fernando Henrique tinha falado que ia sentir saudade da piscina do Alvorada.

“Ele disse que ia sentir saudade da piscina e do helicóptero. Eu não vou sentir saudade de nenhum dos dois. Eu acho que eu vou sentir saudade da agitação do cargo. Eu lembro de quando eu fui preso e voltei para o sindicato, eu tava cassado. Eu levantava de manhã e ficava igual uma barata tonta. Eu não tinha para onde ir.

Eu virei para o meu lado e disse uma coisa que é uma coisa verdadeira. Ex-presidente é que nem vaso chinês. Quando você está no Palácio, você tem muito lugar para colocar o vaso chinês. Mas quando você sai, você estar num apartamentozinho você não tem onde colocar o vaso chinês. O que você faz com o vaso chinês? Um ex-presidente é sempre um vaso chinês. O que você precisa tomar cuidado é para não atrapalhar os outros, ou seja, tem que deixar espaço para os outros.

É por isso que eu não quero tomar nenhuma decisão precipitada. Eu quero primeiro saber aonde é que vai doer. Eu quero voltar a ver jogo do Corinthians no Pacaembu, de preferência junto com a Gaviões ali, com a camisa do Corinthians. Sabe, então eu quero voltar a ser um cidadão normal.”

Piores Momentos Vividos no Governo

“Eu troquei, na verdade eu arrisquei todo o meu capital político, para tentar fazer aquele ajuste fiscal para poder dar fôlego e chegar aonde nós chegamos”

iG – O senhor acha que isso aí foi mais importante, ficou como uma marca maior para o senhor do que toda a crise do mensalão?

“Não, veja. Do ponto de vista das relações das políticas do governo. Agora, do ponto de vista da política política, o período do mensalão foi o pior possível. Eu quero estar vivo para ver o desfecho de tudo isso. Porque tem coisa um pouco esquisita que eu não consigo entender. Talvez minha sabedoria não consiga entender. O acusador do mensalão, ele foi cassado por falta de prova. O texto da cassação dele da Câmara dos Deputados diz que o cidadão fundamental (para o caso) ia ser cassado, por falta de decoro parlamentar porque não provou as acusações que fez. E o processo continuou como se nada tivesse acontecido. Ou seja, se criou um clima político no Brasil, eu diria, muito temeroso e muito desconfortável.

Eu um dia comecei a meditar e eu disse o seguinte: ‘Olha, o Getúlio Vargas foi muito forte entre 34 e 45, mas não aguentou quatro anos de democracia e se matou. O João Goulart, o Jânio Quadros que era representante de um setor atrasado da política brasileira, foi lá, presidente da República. Com seis meses, puxou o carro o cargo. O João Goulart foi convidado e falou: ‘Olha, comigo não vão fazer isso’. Vão ter que me vencer, na rua.

Vamos ser francos, os setores mais conservadores do Congresso Nacional pensaram em chegar a impeachment. Não chegaram porque não tiveram coragem. Ou porque acharam que era o meu fim. O que ficou na verdade é que quando em julho ou agosto de 2005 eu dei sinal de que, veja, foi a primeira vez que eu disse que ia para a rua foi no lançamento do plano Safra que eu fui, não sei se no mês de julho, que eu fui em Garanhus lançar o plano Safra. A partir dali eu reuni a Dilma, o Marcio Thomaz Bastos e disse, olha, vocês vão cuidando das coisas aqui que eu vou fazer política agora aonde eu sei navegar bem.

Então eu trouxe aqui os movimentos sociais, me reuni com todos eles, mas foi um momento de muitas verdades, de muitas mentiras, de muitas insinuações, porque tudo isso termina na justiça, que é o bom da democracia. A gente só dá valor à democracia quando a gente está sendo atacado. Quando a gente está sendo atacado, como é bom ter justiça. Agora, quando é a gente que está no ataque, a gente fala: “isso tem que acabar agora”.

Humor de Presidente

“Hoje sou muito mais, muito mais bem humorado. Hoje eu acredito em coisas que eu não acreditava. Sou um homem…Eu só tenho motivo pra ter alegria. Todo santo dia, agradeço a Deus pela generosidade que Ele teve comigo. Sou uma pessoa hoje muito, muito, muito feliz. Sairei da Presidência pela porta da frente, sabe, com a consciência tranquila de que eu fiz muito, mas, ao mesmo tempo, de que esse muito que nós fizemos apenas descobrimos que ainda temos muito mais pra fazer.”

Relação com o Congresso

“Nós, nesse período todo, nós só tivemos uma votação que, na minha opinião, prejudicou o Brasil que foi a da CPMF. Foi uma votação muito mais por ódio, muito mais na perspectiva de me prejudicar e quem foi prejudicado foi o povo pobre deste País, mas nós aprovamos tudo o que tivemos de aprovar, sabe, obviamente, a gente manda alguma coisa para o Congresso, manda um pônei e sai de lá um camelo e, muitas vezes, se manda um camelo e sai um pônei. Tem hora que o Congresso ajusta pra melhor as coisas nossas. Então, eu acho que foi a favor, sou agradecido. Sou agradecido.

Ulysses Guimarães, vocês conviveram um pouco com Ulysses muito jovens ainda na política, mas Ulysses dizia cada vez que o pessoal quer muita renovação no congresso que venha pior do que o que estava. Eu sempre tenho medo, porque as pessoas começam a achar que o Congresso não é sério e vem trair. É verdade que tem gente que não é séria, mas tem muita gente séria no Congresso.

Acho que uma coisa importante que vai acontecer com a Dilma se ela ganhar as eleições, é que ela vai ter um Senado mais arejado. Não tem importância se a pessoa seja de esquerda e de direita, não tem importância, o maior problema não é lidar com a esquerda ou com a direita, o nosso problema é lidar com gente qualificada, gente que faça um debate político. Entende, o que não pode é o processo de desqualificação que aconteceu no Senado, onde valia tudo. Acho que ela vai ter um Senado mais confortável. A Câmara é sempre muito difícil lidar com a Câmara, porque é muita gente.

O que não pode é hoje na medida de que os partidos não têm uma referência na sua direção, nos seus líderes, vá se criando núcleos de deputados, de senadores, então, você não tem com quem negociar. Como eu passei a minha vida inteira aprendendo a fazer negociação, ou seja, se você tiver interlocutor sério, você pactua e está resolvido o problema. Você não tem que ter medo de dizer: não, eu tive uma aliança com o partido dos companheiros do iG e eles, o partido deles, vão ter o ministério tal.

Não tem que ter vergonha de dizer que isso é uma coalizão e esse partido tem tantos deputados e tem direito a ter uma vaga. De repente se vende para a sociedade a ideia de que isso é promiscuidade. E quando você não faz isso e tenta colocar só gente tua, dizem, “ah porque é só o PT”. É humanamente impossível, seja o PT, o PFL, o PSDB, o PMDB ganhar as eleições, encher de gente deles aqui dentro.”

Relação com Empresários

“Tinha muitos empresários que tinham medo, que tinham dúvidas, e era normal que tivessem dúvidas, que falavam de mim, que falavam do PT ou mesmo do sindicalista, ou mesmo da República sindical. Então, falava-se muito disso, são coisas que num País que tem liberdade, cada um fala o que quer.

E os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como ganharam no meu governo, nunca ganharam tanto dinheiro. Ou seja, se você pegar o histórico dessas empresas todas, você vai perceber que as empresas, sobretudo a construção civil, ou seja, esse setor, que desde o final do governo Geisel estava praticamente sem obras públicas neste País. Difícil você lembrar uma grande obra pública feita no País nos últimos 25 anos. Ou seja, eles hoje estão ganhando dinheiro como nunca, porque tem obras como nunca, porque hoje está faltando pedreiro, está faltando maquinista, está faltando uma série de coisas. É uma coisa importante está faltando a gente fazer mais.

E hoje eu posso dizer para você que pode ter ainda empresário que desconfie, que não goste, por que? Aí é uma questão ideológica, às vezes pode ser uma questão de pele. Mas do ponto de vista dessas políticas feitos no meu governo, sinceramente, acho que os empresários nunca tiveram. Falo isso, sei que muita gente pode virar o nariz, mas os cientistas políticos vão ter de explicar porque que é exatamente um operário metalúrgico que chega à Presidência e que mantém uma relação com os empresários que nenhum outro presidente teve, mesmo quando era empresário. Eu ouço isso todo dia dos empresários.

Quando teve a crise econômica, não foi apenas a sabedoria do ministro Guido Mantega, a sabedoria do Meirelles, a sabedoria do presidente Lula, não. Nós tínhamos um comitê de crise e que os empresários participaram conosco para decidir as coisas que a gente ia fazer. Quando que eles participaram? Quando? Nunca, nunca, nunca, nunca. Eu hoje posso dizer para vocês que ainda tem gente que não gosta do PT, que não gosta do Lula. Jesus Cristo está na minha mesa com doze caras, foi lá um e traiu ele,. …. De qualquer forma, Tiradentes também, né? Agora, eu acho que eles sabem que nós fizemos muito, muito, muito, muito.”

Revolução da Internet

“Um dia quando vocês não tiverem o que fazer ou estiverem de férias, vocês peguem muitas vezes a forma desrespeitosa com que trataram a instituição Presidência da República. Peguem algumas capas de revista, peguem algumas coisas que, sabe, você aí foge da liberdade de imprensa e anda na banalização da democracia.

E eu nunca reclamei. Nunca reclamei porque o meu objetivo não era ficar chorando. Eu não sou de chorar, não sou de reclamar. Se eu dependesse de coisas favoráveis, eu não teria sido, não teria sido eleito presidente do sindicato, não teria sido eleito presidente do PT, não teria sido eleito presidente da República, não teria sido reeleito e não estaria agora como 80% de aprovação. Todos vocês jornalistas sabem que vocês podem escrever o que vocês quiserem, publicar o que vocês quiserem, que não haverá a menor interferência do governo.

No meu governo a gente aprendeu que o juiz é o eleitor, é o telespectador e é o ouvinte. E agora o internauta. Esse é o juiz. E a grande imprensa ainda não aprendeu a lição. Ela tem que hoje, hoje, 68 milhões de brasileiros acessam a internet, onde a informação é mais rápida e ela não aparece com gosto de pão velho, que a imprensa tradicional. Ou seja, aconteceu uma coisa nove horas da manhã, você vai comprar um jornal e ler amanhã nove horas da manhã. Não. A internet é pão pão queijo queijo.

Falou, está lá no dia e na hora, todo mundo vendo, acompanhando. A maior vantagem é que eu acho que é importante, é a vantagem que é uma coisa interativa. O cidadão participa do processo. Ele participa. Quer dizer, eu ainda vou checar, mas o dado concreto é que eu acho uma revolução, que nenhum de nós tinha noção do que iria acontecer.

Se dependesse de algumas capas de jornais, eu nessas alturas do campeonato teria zero nas pesquisas. Ibope: Lula zero. Ruim e péssimo: noventa. Sabe, seria assim, mas não é. Por quê? Porque o povo tem outros instrumentos de comunicação. Eu tenho experiência, como eu sigo em casa, o que eles navegam nessa internet o dia inteiro, o que eles divergem, o que eles debatem política é algo que a gente nunca viu nesse país.

É preciso apenas os donos dos meios de comunicação compreenderem que algo está mudando nesse país e atentem para isso. Vocês já existem há dez anos, desde 2000. E vocês muitas vezes dão coisa na frente de tudo que é meio de comunicação.

Daqui a pouco a gente tem 100 milhões navegando, daqui a pouco a gente tem 120 milhões navegando. Queremos a contribuição de todo mundo no debate que nós vamos fazer sobre o marco regulatório de comunicação. Vocês sabem que não pode ficar do jeito que está porque nós estamos com um marco regulatório de 1962 quando não tinha TV digital, quando não tinha TV a cabo, quando não tinha internet, quando não tinha nada. Nós não podemos continuar com um marco regulatório de 62.

Os velhos padrões da televisão vão ficar cada vez mais cansativos. O velho padrão do jornal vai ter que se modernizar, as revistas semanais vivem um sufoco danado. Eu compreendo a dificuldade de se fazer uma revista semanal. Antigamente você tinha um jornal que superava ela todo dia, a televisão e o rádio todo dia. Mas agora você tem a internet que supera a todo minuto.”

Realizações do Governo

“Tem muitas imagens para as pessoas lembrarem do governo Lula. Acho que cada um vai ter uma. É como se fosse uma fotografia pessoal. O resultado que vai balizar o comportamento da sociedade são os resultados finais do governo. E o resultado final do governo não termina em 2010 porque parte das coisas que nós fizemos começa a aparecer pelo IBGE em 2011 e 2012. Então, o tempo é que vai dar essa fotografia final do governo Lula. Eu te diria uma coisa, eu penso que nós mudamos a relação entre governo e sociedade.

Nesses sete anos, eu me reuni todos os anos com todos os reitores de todas as universidades federais deste País e com todos os reitores das universidades técnicas. Parece pouco e eu sei que, muitas vezes, você fala por que o Lula repete tanto isso? Mas nunca antes na história do País, nenhum presidente, nenhum ministro da Educação, mesmo os que foram reitores, se reuniram com o presidente. Talvez com medo de reivindicação, talvez com medo de um pedido de autonomia não se reuniam. Sabe, como não se reuniam com prefeitos, com movimento sindical, com sem-terra, com a Contag, com as centrais, ou seja, nós reunimos todo mundo, todo ano para extrair deles o que eles querem do governo e para dizer a eles o que a gente pode fazer. Eu acho que nós vamos ser lembrados um pouco por isso, da relação com o Estado, das conquistas da parte mais frágil da sociedade, do crescimento econômico constante, da volta da retomada da infraestrutura que tinha parado no governo Geisel e que só pôde ser retomada conosco, da aprovação de que algumas teorias econômicas estavam vencidas e as pessoas não percebiam, estava lá o carimbo vencido e as pessoas não percebiam, a história de que a gente não poderia crescer a exportação com crescimento do mercado interno, que a gente não poderia crescer as taxas de juros sem inflação. Tudo isso nós quebramos.

Maior realização que eu tenho é por ter terminado meu governo tendo vencido todos os preconceitos que foram colocados como obstáculo para que eu chegasse à Presidência da República. Nunca na vida, os empresários brasileiros ganharam tanto dinheiro, de todos os segmentos, nunca os trabalhadores tiveram tantos acordos com aumentos reais e nunca os pobres tiveram tanta ascensão como têm agora.

Em oito anos, nós fizemos uma vez e meia a quantidade de escolas técnicas que eles fizeram num século. Então, qual é o meu orgulho: é que quem vier vai ter que fazer mais. Eu trabalhei na linha de produção, e na linha de produção às vezes dois companheiros parceiros, um de noite e um dia, fazem a mesma peça. E quando você chega para trabalhar de noite, você fica doido para contar as peças do teu parceiro que trabalhou de dia, que é o adversário do dia. Você não pode produzir menos do que ele. Então a primeira coisa que você começa a fazer é ir lá contar as peças. Ele fez 18, vou ter que fazer 19. Essa é a coisa boa do capitalismo. É que ele impulsiona a competitividade entre os seres humanos, que não se dão conta que a cada dia vão produzir um pouco a mais e o salário continua o mesmo.”

Popularidade e Populismo

“A primeira coisa que você tem que ter na relação com o povo, é ser muito verdadeiro com o povo. Normalmente a classe política, ela adora ir para o meio do povo quando ela está bem na pesquisa. E ela tem muito medo do povo quando ela está mal na pesquisa. Quando você é candidato, você adora andar em carro aberto dando a mão para todo mundo. Quando você se elege você é doido para andar num carro blindando sem ninguém te ver.

Sabe, eu estabeleci uma relação com o povo que era a única que eu sabia fazer e a única que é melhor. O mais certo com o povo é ser sincero. É você ter coragem de dizer não quando tem que dizer não, dizer sim quando precisa dizer sim. Fazer um esforço necessário para atender as pessoas. Estabelecer uma relação real. Uma relação de parceria que ele se sinta, a coisa que me dá mais prazer, a coisa que me dá mais prazer é que o grande legado que eu vou deixar no País é que na primeira vez, não sei se no Brasil ou se em vários países do mundo, os trabalhadores sentem que têm um igual a eles no poder.

Eles não fazem distinção. Aliás, nem me chamam de presidente. Nem me chamam de Excelência. Vou para São Bernardo e me chamam de baiano. Me chamam de Lula. Depois de tanto para ser presidente e ser chamado de Excelência, sabe? E eu acho isso maravilhoso. Eu acho, sabe, eles se sentem o próprio. Eles se sentem o cara. É isso que eu acho que é legal. Eu acho que isso é conversar com o povo. E Deus quando colocou a gente com duas orelhas é para a gente ouvir mais do que falar.

E para mim o aplauso tem a mesma importância que a vaia. O cara vaia porque não gosta, o cara aplaude porque gosta. De vez em quando eu acho uma loucura um político ficar brigando com quem está vaiando. O cara dedica o discurso dele a quem está vaiando, a vaia só aumenta. Ou seja, você tem que falar o que você tem que falar acreditando que você vai convencer as pessoas. Eu nasci assim, aprendi a fazer sindicalismo assim, construí o PT assim, exerço a Presidência assim, quero morrer assim. Sabe, sendo o mais verdadeiro possível na minha relação humana. Sabe, eu gosto de pegar no braço das pessoas, tem gente que acha que eu quebro muito protocolo. Sabe, uma vez eu já cheguei a dar tapinha na cabeça de pessoal que caiu a peruca. ‘Presidente, não faça mais isso’. Paciência, vai lá pega e implementa.

Primeiro, o populista não tem uma relação como a que eu tenho com o povo. O populismo é um ato de fazer política, de propostas, de cima para baixo, sem nenhuma relação orgânica como eu tenho com a sociedade. Sinceramente, eu acho que a pessoa que fala isso não conhece nem de populismo e de popular. A pessoa saber o que é uma coisa populista, populista é uma coisa fictícia. O populismo é uma coisa fictícia, você faz uma pesquisa e fica inventando proposta de cima para baixo, eu não faço isso. A minha relação é direta”

Cuidados com Discursos

“Muitas vezes a gente pensa que um discurso nosso abafou. Sabe aquele negócio eu me amo. Você faz um discurso e você fala “a, foi”. Tem gente que fala assim: “eu arrasei”. Aí quando você coloca aquele discurso numa qualitativa, às vezes de dez pessoas que estão no grupo, nove não gostaram do discurso.

Onde você faz campanha e você acompanha. Você vai para um debate na televisão e você acompanha em tempo real os debates. Sabe? No debate em que eu fiz com o Alckmin em 2006. E ele estava muito agressivo naquele da Bandeirantes. Eu recebia a cada intervalo a informação: quanto mais agressivo o Alckmin ficava, mais ele perdia. Ele não se deu conta que ele estava diante não de um adversário. Ele não se deu conta que ele estava diante do presidente da República. E para o povo, você respeitar a instituição tem um valor importante. E ele não se deu conta disso.

Na hora do debate, nós tínhamos doze grupos reunidos em vários lugares do país. Qual foi o grande erro do Alckmin? Ele se deixou seduzir pelos aplausos de meia dúzia de pessoas dele que estavam na frente dele. E eu aprendi que quando você passa na televisão, não é a pessoa que está do seu lado que importa. É o cidadão que está sentado no sofá. Um aposentado, um adolescente, uma senhora que acabou de brigar com o marido. Ou a menina que acabou de receber o telefonema do namorado convidando ela para casar. Sabe? Você está falando para milhões, só que individualmente. Isso você vai aprendendo, eu aprendi com muitas derrotas. E com muita humildade.

Eu lembro que na campanha de 2002 tinha uma pesquisa que dizia o seguinte: o povo quer reforma agrária pacífica e tranquila. E eu tinha sido educado durante trinta anos para fazer o discurso: reforma agrária ampla e radical sobre o controle dos trabalhadores. Eu levei mais de cinco dias para minha boca conseguir dizer reforma agrária tranquila. Aí quando você faz essas coisas, você percebe que nem sempre a tua verdade é absoluta.”

Duração do Mandato

“Tenho vontade de fazer com que as experiências bem-sucedidas no Brasil sejam aplicadas em outros países, como os da África, da América Central. Eu tenho um certo inconformismo com a situação de alguns países. Ou seja, às vezes, o mandato é muito pequeno, de quatro anos, de cinco anos. E hoje, no caso do Brasil, por exemplo, com mandato de quatro anos, nenhum presidente da República consegue fazer uma obra estruturante. Entre você pensar em fazer a obra, contratar um projeto básico, fazer um projeto executivo, conseguir licença prévia, conseguir licença de instalação da obra, depois fazer licitação, depois tem o problema de disputas entre as empresas que perdem licitação no Poder Judiciário, depois tem o Tribunal de Contas, depois tem o Ministério Público. Entre você vencer todas as barreiras, acabou o mandato.

A Norte-Sul (tem um dado da sua empresa, tem um trecho que seria muito importante) vocês vão ficar impressionados com o que está acontecendo lá. Vamos fazer, vamos chegar até 1500 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul pronta. Vou lá entregar um trecho e vou dar ordem de serviço para a gente levar até Estrela D´Oeste, em São Paulo, mais 950 quilômetros.

Então, vou falar uma coisa para vocês. Tem trecho dessa obra que o Tribunal de Contas pediu para Valete segurar 10% do pagamento porque tinha suspeita de irregularidade. Essa obra ficou parada um ano até que a Justiça decidisse. Aí a Justiça decidiu favorável à empresa continuar a obra. Agora, é o seguinte: quem paga o prejuízo do País dessa obra ficar parada um ano?”

5 Replies to “Entrevista do Presidente Lula ao Ig”

  1. Caetano já falou muita besteira. Mas nesta, ele está coberto de razão. Inclusive quanto ao Serra…

    “Caetano acusa Lula de ‘golpismo’

    Publicada em 20/09/2010 às 01h47m
    O Globo

    SALVADOR. O compositor Caetano Veloso classificou como “golpismo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é preciso extirpar o DEM da vida pública nacional. Já o candidato do PSDB, José Serra, para Caetano, é “burro”, por ter tentado associar seu nome ao do petista, no início do horário eleitoral.

    As declarações do artista – que já manifestou preferência por Marina Silva e apareceu no programa do PV pedindo votos para ela – foram dadas a uma emissora de rádio em Santo Amaro, onde esteve para comemorar o aniversário de 103 anos da mãe, Dona Canô.

    “O povo brasileiro não pode ouvir isso (a declaração de Lula) e não reclamar. E se uma pessoa da imprensa reclamar vem um idiota dizer que a imprensa é golpista. Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente. O presidente da República não tem o direito de dizer isso”, criticou.

    Caetano cobrou explicações sobre a quebra ilegal de sigilo fiscal na Receita, que atingiu pessoas ligadas ao PSDB e a José Serra. Mas sobrou para o próprio candidato tucano, criticado por tentar vincular sua imagem à do presidente. “Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro”, decretou o baiano.

    Caetano disse enxergar risco de um populismo perigoso em torno do presidente Lula e sua candidata Dilma. “É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza”, analisou.

    Para ele, a aprovação a Lula é acrítica e remete aos anos 40 e 50, quando a América Latina teve lideranças populistas como Getulio Vargas no Brasil e Juan Domingo Péron na Argentina: “É um atraso. O Brasil não podia estar mais nessa”, lamentou.

    Apesar de tudo, ressalvou que admira Lula e reconhece no presidente uma figura histórica importante no Brasil.”

    Ah, sim. Segundo o próprio, na entrevista acima, ele diz que vai se comportar “(…)fechando a boca e deixando quem foi eleito governar”. Deve descumprir, mas se cumprir, não diga que não sabia as idéias que tomariam conta dela, Blog da Dilma.

  2. Está “gagá” quem defende idéias do século XIX de Marx e outros superados.

    Ainda não encontrei as do século XXI, já que as capitalistas são do século XVIII, mas com certeza, as da Dilma não são… As dela são do século XV, onde el Rei tudo podia e não podia ser contestado, misturadas com um marxismo canhestro para enganar idiotas. Incluindo, claro, uma idéia do Império Romano: “pão e circo”. Pão via Bolsa Família e circo com investimentos em esportes (Copa e Olimpíadas). Gostaria de ver mesmo é uma evolução educacional no país de forma que pudéssemos ser tanto um polo agrário como tecnológico. Mas isto não interessa, porque mantendo a população burra é que Sarneys, Lulas, Dilmas, Collors, ACMs, Malufs e outros bandidos conseguem se criar. Nosso país foi fundado por bandidos – na carta de Caminha, há um pedido de nepotismo e os primeiros a aqui fixarem residência eram degredados por crimes em Portugal – e são eles que decidem como investir há 510 anos e não deixaram de fazê-lo até hoje… Nossa cleptocracia está mais ativa que nunca! E é ela que você defende.

    Manda um abraço pro Chavez e pro Kirchner, que defendem as idéias em que você acredita agora. Ainda bem que, ao contrário deles, você permite o contraditório, do contrário, o Blog da Dilma já teria mandado me prender… É por isso que ainda me considero seu amigo.

  3. P.S.: Qual é o CD que o Caetano vai lançar ou lançou no último ano?

    P.S.2: A imprensa tem interesses sim. Mas o que o governo tem feito é passar o seguinte recado: “Não investirei em vocês enquanto vocês não falarem bem de mim.”. Ou seja, ditar o que os jornais devem dizer pelo poder do dinheiro. Esconder corrupção por baixo do pano para publicar somente as boas novas. Há um abuso se construindo por trás disso. Se há mentiras, a justiça deveria ser utilizada. O problema é que pelas regras determinadas pela cleptocracia, nela vale quem paga mais…

    P.S. 3: A questão maior é até quando o governo poderá sustentar tal crescimento apenas com a melhora da renda dos miseráveis, sem melhorar diretamente a economia real? O crescimento de pequenos comércios vai até um certo limite, pois depois a Bolsa Família tende a estabilizar. Se não cai nem se estabiliza, há a falha de saída, pois se perpetua a dependência da miséria. Se continua a crescer, de onde vai sair mais dinheiro?

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