Nem o mais otimista dos homens é capaz de negar que o mundo anda da pá virada. Os adultos danam de fazer álbuns de figurinhas, lotam cinemas para assistir a saga de homenzinhos azuis e frequentam festas plocs com trilha sonora da Turma do Balão Mágico. As crianças, por sua vez,  usam pulseiras do sexo, têm telefones celulares de última geração e cantam funks proibidões sobre surubas e metralhadoras. Não bastasse tudo isso,  a terra treme, vulcões despertam, chove para Noé nenhum botar defeito e padres organizam orgias capazes de ruborizar o deus Baco.

Eu visto logo a carapuça – ou melhor, o chapeuzinho de festinha infantil –  que me cabe: Sim, eu coleciono figurinhas da Copa do Mundo e espero em breve completar o álbum. Faço algumas observações sobre o babado:
– O livro ilustrado é mão na roda para os professores que dão aulas sobre migrações no mundo contemporâneo. Levem o álbum para a sala de aula e mostrem aos alunos o time da Argélia. Todo mundo nasceu na França. Apresentem, depois, o time francês. Ninguém nasceu na terra do croissant e da Torre Eiffel.
– O comunismo provou que é mesmo um regime capaz de igualar os homens, pelo menos fisicamente. Todos os jogadores da Coréia do Norte são do tipo a cara de um, focinho do outro. Acho que os onze são filhos do ditador King Jong-Il.
– O leãozinho de cabeleira verde, maõzinha na cintura e olhar de manja rola escolhido como mascote da Copa, um tal de Zakumi, faz o gênero audácia da pilombeta e mereceria do meu avô um comentário curto: Esse piolho é lêndea.
– Há limites para o futebol globalizado. Em geral tento assistir a todos os jogos do certame, mas adianto que Argélia versus Eslovênia e Nova Zelândia versus Eslováquia, partidas da primeira fase,  estão um pouco além das minhas possibilidades físicas e emocionais.
– Drummond dizia que Itabira é apenas um retrato na parede. Nós podemos dizer que Ronaldinho Gaúcho é apenas uma figurinha no álbum da Copa, já que o cabrón não vai ao mundial nem debaixo de erupção vulcânica. Em virtude disso, não colarei o Gaúcho no meu álbum. No lugar da figurinha de Ronaldinho entrará o retrato de Mauro Shampoo.

– Todos os colecionadores de álbuns da Copa têm a mística certeza de que a primeira seleção a ficar completinha vai ganhar o certame. Eu também tinha, até fechar ontem a primeira equipe: completei a Nova Zelândia.

Abraços

12 Replies to “FIGURINHAS E OUTROS BABADOS”

  1. Também estou colecionando, mas as figurinhas desapareceram das bancas do Centro de Campinas e fiquei um pouco para trás em relação aos colecionadores profissionais.

  2. Caros colecionadores de Campinas,
    eu sou de SP, mas penso que podemos marcar uma tarde de troca de figurinhas aqui na Vila durante o fim de semana. O que acham?
    Beijo, Carol
    (Simas, eu completei a Coreia…)

  3. Nem mais, caro Simas.
    De 2 em 2 anos (o pessoal aqui tb tem o Euro…) eu viro criança mesmo. Menos 30 anos, mais coisa menos coisa…

    A minha mística é um pouco diferente. Assim que completar a minha selecção (a Holanda, já agora) termino a colecção. O que estiver completo fica, o que não estiver não atrapalha. menos concorrência para os laranjas. ;D Ah, e menos uns tostões, claro. Que agora sou eu que compro esta porra, já não é o meu pai…

  4. Luis, empresta esta crônica para divulgar no blog? Muito boa. Faremos outra chamada para seu livro, e direcionamos clicks para seu blog. È a coisa mais divertida e bem construida que há na internet. Sem puxasaquismo! (será que tem hifen no meio do saquismo?)

  5. Galera, completei!!!! BRUNA, lá na Rua do Rosário o que mais tem é troca troca de figurinhas e rodada de bafo.
    THOMAZ, valeu o elogio. Pode usar a crônica, é claro.

    Abraços.

  6. Na rua do Rosário e também na Uruguaiana, na banca em frente à leader Magazine, por volta das 16hs é que o bafo esquenta…

  7. Êh Simas, tadinho do Zakumi, isso me parece intriga da oposição, o pobrezinho é um leopardo até simpático! Que dia que vcs trocam estas figurinhas, eu também queria. Vc é incrível! Um grande beijo!

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