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Uma enxurrada de críticas brotou assim que a Beija-Flor sacramentou seu décimo-terceiro título. Afinal, o contestado enredo sobre a Guiné Equatorial, palco de uma ferrenha ditadura de um dos homens mais ricos do mundo, foi agraciado com notas 10 e se mostrou fundamental para a agremiação de Nilópolis selar mais uma conquista.

Ademais, o fato de a Beija-Flor ter sido campeã um ano depois de ter ficado numa decepcionante sétima posição, e de seu diretor de Carnaval Laíla ter feito pressão publicamente por uma radical mudança no corpo de jurados, acirrou ainda mais os ânimos dos torcedores das escolas derrotadas.

Mas, alto lá, sejamos justos. Apesar de a Beija-Flor ter recebido notas exageradamente altas em evolução, um quesito no qual a escola teve evidentes problemas, o título foi justo, sim senhor. A Deusa da Passarela se apresentou de forma corretíssima nos demais quesitos e foi punida injustamente, por exemplo, em samba-enredo.

No melhor estilo que consagrou a escola de 1998 pra cá, a Beija-Flor passou com harmonia impecável, com alegorias e fantasias muito bem-feitas, com o brilhante casal Selminha Sorriso/Claudinho mostrando a categoria de sempre, com uma bateria firme, e com uma comissão de frente que cumpriu seu papel.

Portanto, independentemente se você gosta ou não da Beija-Flor, vai ou não com a cara do Laíla, e se tem vontade de conhecer um dia ou não a Guiné Equatorial, não há o que se contestar no título da Azul e Branco de Nilópolis. No conjunto da obra, nos quesitos, foi quem desfilou melhor. Ponto.

O Salgueiro, por exemplo, fez um desfile pro meu gosto até mais agradável de se assistir, mas pecou em pequenos detalhes e teve, por exemplo, suas notas de samba-enredo turbinadas – convenhamos, ninguém em sã consciência diria antes da apuração que a Vermelho e Branco levaria 40 pontos no quesito. Não há do que reclamar.

A Grande Rio então, tem de dar graças a Deus – ou melhor, aos jurados – por estar numa terceira colocação inesperada, para dizer o mínimo. A Unidos da Tijuca, a meu ver, foi a única escola que nos quesitos poderia ameaçar o título da Beija-Flor, mas, além de ter um samba mediano, não fez um desfile tão forte como o que deu a ela o título de 2014.

IMG_2269Com a escola do meu coração, a Mangueira, fora da disputa (aliás, será um tema para outro artigo), minha torcida passou a ser pela Portela. Mas, apesar de ter sido o desfile mais empolgante do ano, no conjunto a Águia também ficou um pouco abaixo em relação a 2014, quando deveria ter vencido.

Estive na concentração, olhei os carros de perto e até relatei ao Migão por telefone que havia uns pequenos problemas de acabamento nas alegorias, possivelmente causados no transporte sob chuva. Na apuração, não deu outra… Pra piorar, a linda águia do abre-alas demorou a ser rebaixada para passar pela torre de TV, e a evolução foi pro beleléu.

Outra escola que fez um desfile agradável, a Imperatriz Leopoldinense também não foi impecável nos quesitos, como por exemplo em alegorias, bateria e harmonia. Sobrou então, claro, a Beija-Flor, que mostrou mais uma vez que tem sabido desfilar melhor do que as outras neste século.

Isto posto, o que me aflige após o Carnaval não é o título da Beija-Flor, mas o seguinte: o desfile sobre Guiné Equatorial ficará na memória dos que acompanham as escolas de samba e amam os desfiles? Não, como o de nenhuma outra escola… Pura e simplesmente porque de uns tempos pra cá não conseguimos ver na pista praticamente um enredo que preste de verdade. Que dirá um desfile arrebatador… E de um bom enredo, as chances de nascer um bom samba e um belo desfile aumentam – embora o Salgueiro tenha errado a mão em samba este ano.

Se formos analisar friamente, os únicos enredos que tinham começo, meio e fim, e, consequentemente, eram de leitura que considero a adequada para o senso-comum do povo (desde o turista ao torcedor mais pobre), eram os de Salgueiro, São Clemente e Vila Isabel. Não à toa enredos desenvolvidos por Renato Lage, Rosa Magalhães e Max Lopes, três dos nossos mestres.

A Beija-Flor, que foi a escola com o melhor desfile, fez uma tremenda “viagem” – aliás, fato muito bem analisado pelo colunista Lourival Mendonça. Não estou discutindo política, nem patrocínio, nem se a Beija-Flor seguiu seu script ou não (na verdade seguiu, e bem). Simplesmente o tema bruto, independentemente se é da escola A, B ou C. No ano que vem quem vai lembrar dessa história sem precisar recorrer aos jornais ou à internet?

A história contada pela Unidos da Tijuca também não era das mais interessantes, pois vinha de uma visão de um Clóvis Bornay criança sobre a Suíça. Até mesmo a Portela também deu suas escorregadas no desenvolvimento do enredo sobre o Rio numa visão surrealista.

Já a Grande Rio fez um desfile simpático e alegre, mas que, da forma como foi contado, não foi “do baralho”… A Mocidade de Paulo Barros foi uma decepção, uma colcha de retalhos que não deu certo apesar de momentos de impacto esparsos.

Então, amigo leitor, você deve estar se perguntando: por que isso acontece? Não é por um fato isolado, vamos por partes:

1 – como no futebol, há uma clara dependência das escolas ao dinheiro da TV e de patrocínios, numa demonstração de incompetência de gestão.

2 – com isso, as escolas que dependem muito de patrocínios acabam tendo seus carnavalescos amarrados.

3 – outros carnavalescos por sua vez calcam seus desfiles em fatores-surpresa e/ou impacto e não numa história com início, meio e fim.

4 – o julgamento do quesito enredo (como bem explicado em coluna recente do Leonardo Dahi) deveria ser revisto: não deveria ser tão valorizado só o desenvolvimento que está no script, mas sua relevância cultural e se o enredo é de claro, ou melhor, claríssimo entendimento.

Não, amigos, não é uma coluna saudosista, até porque mencionei três agremiações com enredos interessantes e bem desenvolvidos este ano. Mas fico cada vez mais preocupado com os rumos da festa que tanto amamos.

enredodomeusambaÉ muito difícil hoje juntar todas as pontas para que as escolas de samba caiam no gosto popular. Não falo de eficiência, títulos ou de vagas nos desfiles das campeãs. Falo de paixão, memória, catarse, contribuição cultural à nossa sociedade – aliás, nesse contexto, recomendo com toda a força o livro “Enredo do meu samba” (Editora Record), escrito pelo jornalista Marcelo de Mello, de “O Globo”.

Como tornar nossa festa de novo algo que pare o país, que nos faça chegar à quarta-feira de Cinzas com as lembranças vivas na cabeça? Como fazer com que daqui a alguns anos nos lembremos dos nossos desfiles atuais? E nem entrei no assunto samba-enredo, que o Luiz Antonio Simas comentou outro dia aqui no Ouro de Tolo.

Definitivamente, com todo o respeito, não foi a pobre da Guiné Equatorial que nos acrescentou alguma coisa… Mais uma história que passou. E não ficou…

3 Replies to “Histórias que passam…”

  1. Assino embaixo!!

    Esse é o maior problema do atual Carnaval: os desfiles e sambas passam e não ficam!! “Ratos e Urubus” e “Agotime” serão mais lembrados pelos nilopolitanos do que “Mangalarga” e “Guiné Equatorial”!

  2. Boa noite!

    Caro Fred Sabino:

    Eu poderia escrever aqui em detalhes as mínimas discordâncias que tenho sobre os argumentos apresentados, mas seria perda de tempo, porque são miudezas. No contexto geral, concordo com tudo o que foi escrito.
    Aproveito para retomar umas idéias escritas no artigo de Henrique Brazão.
    Rodrigo Vilela sugeriu brilhantemente a redução do número de componentes das Escolas e do tempo de desfile, aumentando a quantidade de agremiações no Especial. Nunca é demais registrar uma idéia que pode acrescentar e muito à festa.
    Já que tanto se fala no alto custo do carnaval, podemos começar a encolher um pouco o gigante para torná-lo mais ágil. Menos custo -> mais carnaval.

    Importante também lembrar que a São Clemente mudou da água para o vinho! A Escola foi super simpática em 2012 falando dos musicais. Voltou em 2013 contraditoriamente à sua história falando das novelas (Globais). Em 2014 parece nem ter desfilado… E em 2015 foi emoção do início ao fim. Numa época em que nem os aficcionados por carnaval se lembram de muita coisa, a homenagem a Pamplona ficará, pelo menos, na memória destes!

    Outra coisa que insisto em me preocupar: estas críticas à Beija-Flor tendem a “facilitar” a sua vitória em 2016, num filme semelhante ao que foi visto em 2007/2008. O final poderá ser o mesmo: vence Nilópolis, e Laíla vai a público dizer que “não precisam pagar para ganhar”.

    …e ainda sonho com uma vitória da Portela e a volta da Mocidade ao desfile das campeãs…

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Oi, Fellipe, obrigado pela leitura. Concordo que uma redução no contingente de desfilantes seria interessante, mas não creio que a própria Liesa queira aumentar o número de escolas da patota, digo, do Grupo Especial.

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