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Obs: para uma explicação do procedimento das prévias americanas e de alguns termos técnicos usados nesta coluna, leia a coluna explicativa

Essa coluna sobre o início do processo de escolha do Partido Democrata para escolha do candidato a presidente estava programada para ser escrita terça-feira e publicada na quarta com os resultados dos caucuses de Iowa que ocorreram nesta última segunda à noite. Estava tudo certo se não fosse um detalhe primordial: onde estavam os resultados?

A noite passou, a madrugada passou, a manhã do dia seguinte passou e simplesmente o Partido Democrata não foi capaz de revelar nenhum resultado oficial sobre o que se passou na noite anterior. Todos os candidatos ansiosos esperavam em vão pelos resultados, enquanto o aplicativo que o Partido Democrata montou para apurar e somar os diferentes resultados nos vários locais de encontro apresentou tantos problemas que tornou impossível sua utilização.

Com isso, o plano B teve que ser acionado: os velhos telefone, papel e caneta. Porém não havia estrutura de nem de linhas telefônicas nem de tabuladores manuais para calcular os 3 resultados diferentes exigidos a partir deste ano pelo Partido Democrata[1]. Com tantos obstáculos, os resultados só começaram a sair no fim da tarde do dia seguinte. Mesmo assim, apenas 62% dos locais de votação foram apresentados inicialmente.

O resultado final disso foi uma bagunça que se enquadraria na famosa frase da política brasileira “nunca antes na história do país”, que pode ter mudado o rumo da disputa.

Iowa é um estado de pequeno para médio, com fama de ser um campo de batalha, mas que nos últimos anos tem sido um pouco mais republicano que a média nacional. Como resultado, o estado oferece apenas 41 dos 3.979 delegados da Convenção Nacional Democrata. Logo, é um estado inexpressivo para a corrida de delegados, principalmente com essa votação tão diluída no qual o vencedor ficou na faixa de 25%.

A maior relevância de Iowa, especialmente por ser o primeiro estado a votar, é o impulso midiático que o vencedor de sua prévia recebe, que muitas vezes pode começar um embalo que leva o candidato a uma vitória até então improvável, tal como ocorreu com Carter em 1972 e Obama em 2008. Porém após com toda essa confusão, ao que tudo indica, não haverá qualquer impulso, seja para Buttigieg seja para Sanders. O anúncio tardio dos resultados perdeu a “janela midiática” que tinha sido reservada para a noite de segunda e a manhã de terça. Na terça a noite Trump já fez o seu discurso anual do Estado da União, na quarta foi votado o impeachment do mesmo no Senado e a próxima prévia, as primárias de New Hampshire, para onde todos os candidatos voaram antes ainda da divulgação do resultado final, já ocorre nesta terça. Para piorar, o resultado final deverá ser um empate técnico entre os dois, bem próximo do que ocorreu entre Clinton e Sanders no mesmo estado há 4 anos atrás

Escrevo essa coluna no almoço de quinta feira e até agora a apuração não está completa, mas com 97% dos locais apurados o panorama atual não deverá se modificar muito e podemos afirmar que houve um resultado dúbio. Bernie Sanders está na frente da surpresa da noite, Pete Buttigieg, na quantidade total de votos por pouco: 26,8% a 25,3%. Porém na ponderação dos votos pelo local de votação, métrica usada para a distribuição dos delegados, temos praticamente um empate entre Buttigieg com 26,2% e Sanders com 26,1%.

Em 3° lugar, em um desempenho próximo do esperado, mas nada além disso, ficou Elisabeth Warren com 18,2% após a ponderação enquanto o principal nome da disputa, o ex vice-presidente Joe Biden, ficou em um distante 4° lugar com decepcionantes 15,8%.

Já se esperava um desempenho ruim de Biden tanto em Iowa como em New Hampshire, estados com poucos negros e pessoas sem escolaridade. Mas mesmo para as baixas expectativas, o resultado de Biden foi preocupante e aumenta a necessidade de bons desempenhos em Nevada e South Carolina.

Já Amy Klobuchar ficou com razoáveis 12,2% após a ponderação. Para uma candidata de um estado vizinho a Iowa e que tinha nele uma de suas melhores esperanças de bom desempenho, foi um desempenho sofrível e provavelmente ela será a 1ª dos 6 principais candidatos a desistir da candidatura nas próximas semanas.

Quanto a Bloomberg, ele anunciou a candidatura tão tarde que ele só poderá participar das prévias a partir da Super-terça em março.

Pela estimativa atual do blog The Green Papers, Buttigieg ficará com 14 delegados, Sanders com 12, Warren com 8, Biden com 6 e Klobuchar com 1. Mas esses números ainda podem mudar ligeiramente com o final da apuração.

Próximas Prévias

11/fev – New Hampshire (24 delegados)

22/fev – Nevada (36 delegados)

29/fev – South Carolina (54 delegados)

New Hampshire é um pequeno estado, com uma porcentagem avassaladora da população de brancos com alta instrução e com certa tradição exótica e liberal. Além disso, faz fronteira tanto com a Vermont de Sanders como com a Massachusetts de Warren. Mais uma vez os dois candidatos são os favoritos para essa prévia.

Porém, neste momento, ainda coloco Biden como ligeiro favorito no quadro geral. Se ele confirmar o grande apoio da população negra que as pesquisas indicam, a pancada que ele dará em South Carolina, última disputa antes da Super-terça, deverá anular todas perdas dele em Iowa e New Hampshire.

[1] O processo de caucuses  em Iowa é bem complexo e feito em 3 etapas: na 1ª cada eleitor, assim que chega ao recinto, se reúne no canto da sala que foi designado para os apoiadores de seu candidato. Os “votos” são apurados para se verificar quais candidaturas se tornaram viáveis naquele local (ou seja, obtiveram 15% dos presentes). Após há um “realinhamento”, no qual os eleitores de candidatos não viáveis devem escolher um dos candidatos viáveis, ou conseguir trazer outros eleitores de outros grupos não viáveis para conseguir transformar seu candidato em viável. Esse é o 2º resultado, que representa o resultado final da eleição naquele local de reunião. Porém esses números finais são ponderados de acordo com a votação dos Democratas nas últimas eleições naquela área do local de votação e o resultado dessa ponderação é que indica quantos delegados cada candidato ganhou ao final, esse é o 3° e último resultado dos caucuses em Iowa. Até 2016, apenas o 3° e último resultado era divulgado. Porém, com as mudanças nas regras do partido para 2020, agora todos os 3 resultados deverão ser divulgados.

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