Mais uma vez um time fora do G12 ganha a Copa do Brasil.

Assim como ocorreu em 1993, com o Criciúma, 1999, Juventude, 2004, Santo André, 2005, Paulista, não é algo rotineiro, mas também não é inédito, longe disso.

Não só Copa do Brasil, mas de vez em quando aparecem times fora do G12 alcançando conquistas ou chegando perto. O Bahia ganhou dois Brasileiros, Coritiba, um, São Caetano fez final de Libertadores e Brasileiro, Bragantino teve sua grande fase. Bangu e America quase venceram o Nacional também.

A grande questão é que esse time fora do G12 que venceu a Copa do Brasil também venceu o Brasileiro em 2001 e vice em 2004, finalista da Libertadores em 2005, quando criminosamente foi impedido de jogar final em seu estádio, 2013 finalista da Copa do Brasil, ano passado campeão da Sul Americana e esse ano da antiga Copa Suruga.

Tantas conquistas fazem que esse clube não possa ser considerado um clube “golfinho” como outros que subiram, fizeram uma graça e desceram de novo e nos provoca uma pergunta. Ainda existe G12 no futebol brasileiro?

Claro que estou falando do Athletico Paranaense, que acabou de conquistar a Copa do Brasil em cima do Inter. Ganhou a competição com autoridade, com extrema justiça, tem excelente estrutura, é organizado, saneado financeiramente, revela jogadores e já tem mais participações em Libertadores que alguns dos G12.

Até quero aproveitar para falar de um assunto. Muitos odeiam o clube por opinião política. Acho babaquice isso. Primeiro porque o clube e sua torcida, qualquer clube, é muito maior que um grupo de torcedores ou patrocinador. Eu sou de esquerda e vi várias situações em que usaram o nome do Flamengo politicamente esse ano. Gente asquerosa se aproveitou do Flamengo com conivência de dirigentes que até hoje não acertaram todas as indenizações de crianças que morreram em sua sede. Clube que abriu a porta para fascistas e negou homenagens a gente com ideologia próxima a minha e que morreu. Eu devia então torcer contar ele? Segundo que o futebol é um dos poucos desafogos que esse país que vive por tempos cretinos ainda tem, sou radicalmente contra deixar contaminar nossa válvula de escape com essa polarização que está destruindo o Brasil, deixem o futebol em paz!!

Dito isto,  explico que o G12 são as principais equipes de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. São as equipes mais tradicionais, com mais história, revelaram os maiores jogadores, mais vencedoras.

Mas o que faz realmente uma equipe ser de ponta? Um clube ser gigante? Apenas história basta? Na mesma semana do título do Athletico saiu pesquisa do DataFolha sobre as maiores torcidas do Brasil que provocaram tensão e revolta nas torcidas de certos clubes. A torcida do Vasco hoje empata com Grêmio e Cruzeiro, Fluminense e Botafogo com apenas 1%. O.K., tem margem de erro e acredito que os percentuais dessas equipes sejam maiores.

Mas é um caso a se pensar.

O Vasco no século tem três Cariocas, uma Copa do Brasil e três rebaixamentos, Botafogo não ganha um título nacional desde 1995 e o Fluminense, último carioca campeão brasileiro, enfrenta sérios problemas desde a saída da Unimed. O Atlético Mineiro teve uma fase boa em 2013 e 2014 com Ronaldinho no elenco, mas, tirando essa fase de Libertadores e Copa do Brasil, seu maior título vem de 1971.

Evidente que ninguém muda de time, isso é considerado até falta de caráter. Mas como fazer crianças se estimularem a torcer por Vasco, Fluminense, Botafogo e Atlético com os clubes sem ganhar e passando por tantos problemas?

Não adianta, criança ainda não tem o amor que temos, se não tiver um trabalho forte do pai ou de alguém irá torcer por equipe vencedora, tanto que na pesquisa anterior a essa, o Barcelona apareceu com 2%.

E não adianta esbravejar contra a coluna ou a pesquisa. Tem que esbravejar com os dirigentes que deixarem os clubes gigantes nessa situação.

O Athletico já tem mais Libertadores disputadas que Botafogo e Fluminense, mais conquistas no século que o Vasco, mesma quantidade de títulos nacionais e internacionais que o Botafogo.

História conta e muito, mas não é a única coisa que faz um clube gigante. Os novos tempos surgem com a velocidade de um furacão.

E quem não acordar para isso será devastado.

O vento vem soprando forte.

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