Um dia qualquer no Rio de Janeiro..
 
Sim, um dia qualquer infelizmente, um dia de dor, violência, sofrimento como muitos que a cidade vem tendo. O Rio viveu a ilusão de Pan, Copa do Mundo e Olimpíadas. Viveu a ilusão das UPPs, mas com o apagar da tocha olímpica percebeu que era tudo isso mesmo, uma ilusão.
 
O carioca tem fantasmas, muitos, um deles é o ônibus 174. O carioca com mais de 25 anos lembra bem daquela tarde em que um maluco fez passageiros como reféns, lembra do fim trágico com morte de uma moça.
 
Um dia qualquer, um dia em que velhos fantasmas voltam a assombrar.
 
Em meio a vendedores de salgadinhos e pessoas soltando pipa um engarrafamento ocorreu na Ponte Rio-Niterói. Um dia qualquer mesmo porque todos os dias a ponte engarrafa, mas nesse dia qualquer foi um motivo diferente, mais um sequestro de ônibus.
 
A cidade parou para acompanhar o caso relembrando esse fantasma, relembrando os vários fantasmas que vem surgindo a cada dia com o aumento de inocentes mortos graças a política bélica que toma conta do estado. Teríamos mais inocentes mortos nesse dia qualquer?
 
Não, não tivemos. Ao contrário do 174 a operação policial foi muito bem sucedida e digna de aplausos. Não importa se o sequestrador não tinha antecedentes criminais e usasse uma arma de brinquedo. Ele tinha gasolina, conseguiu um isqueiro no ônibus e estava em surto. Poderia sim provocar uma tragédia e em momentos assim a polícia não pode pestanejar. Sei que muitos foram contra a ação, que viram racismo, que viram exagero, mas acreditem, dessa vez a polícia acertou fazendo o diferente de seu normal nesse dia qualquer.
 
Um dia que fica mais qualquer, mais rotineiro ainda quando vemos em vez de alívio comemoração pela morte do sequestrador. Comemoração por uma morte humana. É a tal era bélica em que vivemos, um velho Oeste tendo o Cristo Rdentor como testemunha. Voltamos para a era das cavernas e daqui a poucos veremos seres humanos soltando grunhidos e batendo uns aos outros com tacapes. Isso enuanto as armas não forem liberadas. Regredimos a cada minuto como sociedade e como humanos.
 
E o símbolo desse dia qualquer é um governador qualquer. Um governador medíocre, inexpresivo, desconhecido que só se elegeu pela força de Jair Bolsonaro. Um governador metido a machinho que gosta de dar uma de Chuck Norris, Stallone, mas é muito fáicl agir assim tendo escolta policial e poder nas mãos.
 
Não basta ser machinho, tem que ser marqueteiro. Tem que sobrevoar comunidades de helicóptero na hora de ação policial e tinha que descer de helicóptero na ponte mesmo não sendo policial, tendo nada para fazer ali. Tinha que descer socando o ar como Pelé fazendo um gol com o aspone lhe filmando para usar essas imagens de bastidores na hora certa. É o marketing da crueldade, a propaganda da dor. Vibrando com a morte, fazendo campanha política o inexpressivo governador tenta se fazer conhecido para galgar outros cargos. Só falta aparecer também quando as ações fracassam. Alguém viu o governador no enterro do pai de família que teve o carro levando 80 tiros ou do menino que treinava no America?  
 
Pobre carioca que está no meio desse tiroteio sem saber se vai acabar o dia.
vivo. Pobre carioca que está no meio de um fogo cruzado e pode ser a próxima vítima. Pobre carioca que se for a próxima vítima nem chamará atenção por isso.
 
Porque não passará de um dia qualquer.
 
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