Semana retrasada rolou mais uma FLIP.

Flip polêmica onde o fascismo deu as caras e tentou impedir que vozes contrárias fossem ouvidas. Confesso que isso me surpreendeu, eu sempre tive a FLIP como algo de esquerda, mas o Brasil vem me surpreendendo muito…

Menos mal que a FLIP e sua importância são muito maiores que alguns idiotas úteis.

Fui pela segunda vez ao evento e confesso que me sinto renovado a cada ida a Paraty. A cidade é fantástica, uma das mais bonitas que tive a oportunidade de conhecer e eu e a Luciana soubemos aproveitar bem essa passagem indo a praias maravilhosas, passeando de barco e desfrutando de todo o lado cultural que a cidade tem.

Você chega em Paraty e parece que faz uma viagem no tempo. O Centro Histórico com suas pedras difíceis de andar, mas lendárias te transportam ao Rio de Janeiro do século XIX e início do século XX, um Rio de Janeiro mais bonito, mais seguro, mais feliz.

A cidade respira arte. Em cada esquina vendedores de doces deliciosos, em uma rua índios cantando, em outra gente “traficando” poesia, entrava em uma casa e tinha uma palestra, em outra sarau. Fora que para quem bebe ainda rolou a oportunidade de experimentar “Jorge Amado”.

Uma cidade que transborda cultura.

Cultura tão vilanizada nesses tempos atuais, tempos esquisitos. Cultura agora virou coisa de vagabundo, artista virou vagabundo mesmo com a cultura provocando tantos empregos diretos e indiretos, mesmo com tantos impostos pagos pelos artistas e produtores, mesmo a cultura sendo uma forma de exercício de cidadania, de aprendizado.

É isso que incomoda. Não interessa ao poder, ao sistema um povo que aprenda, um povo cidadão.

O primeiro alvo foi a Lei Rouanet e agora a Ancine. Querrem determinar o que se pode falar ou não em filmes para receber dinheiro público. Querem qus os filmes passem valores morais e éticos sendo que quem tem que passar essas coisas são pai e mãe. Arte tem que entreter e formentar o debate. Isso tá mais com cara de algo qu ocorria entre os anos 60 e 80 que é melhor que eu nem entre no assunto porque essa situação a qual me refiro já chegou na internet, já chegou a sites e blogs.

Mas voltando a Flip, o maior destaque da FLIP para mim foi algo que encontramos ano passado sem querer.

Procurávamos pelo teatro de bonecos, achamos e vimos luzes criando formas na igreja. Andamos até a praça para ver de onde surgiam e encontramos um sarau, um sarau meio clandestino, meio “marginal”. Lá um cara igual ao barbudo de “Se beber não case” declamava uma poesia com um bebê no colo. Achamos aquilo interessante e ficamos para ver. Quando percebemos estávamos no local há horas vendo poetas chegarem ao microfone pequenininhos, tímidos, pegarem o mesmo e se transformarem parecendo ter três metros de altura, declamando ferozmente suas poesias sem ler e abrindo nossas mentes.

Como um sujeito que ao declamar ficava repetindo “Dentro da casinha, fora da casinha”. Era isso, era expandir a mente, era pensar fora da casinha, ter o mundo como sua casa. Me senti pequeno ali, me achava um cara inteligente, bom, mas vendo aqueles poetas, aquela poesia percebi que tinha muito a aprender, que eu era nada ainda.

Daquele sarau e tudo que nos ensinou surgiram meus textos mais contundentes e que vem sendo encenados ao longo de 2019, surgiram poesias diferentes das que estava acostumado a fazer e que me levaram a prêmios, foi o pontapé da criação do Pacig, o Polo de Audiovisual e Cinema da Ilha do Governador que fará sua primeira mostra agora em agosto. Levamos muito a sério o conceito “fora da casinha” de fazer coisas grandes.

E esse ano voltamos a FLIP e ao Picareta para agradecer e aprender mais. Se aprendemos? Com certeza, nunca é tarde para aprender.

Se aqueles idiotas dos rojões e do hino soubessem aproveitar a FLIP para o que ela serve realmente talvez vivêssemos em um país melhor. Mas como eu disse a arte é ameaça, ela é o contraponto das trevas.

Mas toda luta é bem vinda, ainda mais com os marginais, artistas, loucos e picaretas ao lado. Quem quiser é só se chegar.

Porque já saímos da casinha

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