Onde você estava em 17 de julho de 1994?

Você pode não se lembrar exatamente do que ocorreu na data, mas só eu falar o que ocorreu nesse dia que rapidamente lembrará. Onde você estava no dia do tetra?

Pois é, essa semana fez 25 anos que o Brasil conquistou o tetracmapeonato mundial. Só quem viveu aquele tempo sabe a angústia que existia por esse título mundial. Eram 24 anos sem uma conquista, minha geração não tinha visto o Brasil ganhar uma copa do mundo e o país vivia crise de baixa estima. Era o ano do Plano Real que acabara de ser criado, mas o Brasil vinha de grave crise financeira, inflação, corrupção, desemprego (ok, parece com o período atual) e para piorar tudo o país acabara de perder Ayrton Senna.

Não estava fácil nossas vidas com nunca foi, aquela seleção não parecia que seria nosso desafogo. Classificou-se na bacia das almas para a Copa com show de Romário contra o Uruguai, vinha de uma copa bisonha em 1990, existia um clima de pessimismo.

Mas todas as vezes que o Brasil foi campeão do mundo foi assim e o tetra veio com um futebol que se não foi brilhante foi aguerrido, com excelente postura defensiva e brilho de Romário e Bebeto formando uma das maiores duplas da história de nosso futebol. Momentgos épicos como o gol de Bebeto contra os Estados Unidos, o “embala neném” de Bebeto e a bomba santa de Branco contra a Holanda, a cabeçada de Romário em meio aos gigantes suecos na semifinal. A defesa do pênalti de Taffarel contra a Itália..

Os pênaltis contra a Itália..Que momento tenso, um dos momentos mais tentos da minha vida. Aquela foi uma copa tensa para mim. Estava no Mato Grosso com minha mãe e sozinhos assistíamos os jogos. A cada gol brasileiro soltávamos a música “70 neles” de Gal Costa na vitrola. Fiquei muito tenso no jogo contra a Holanda e por isso minha mãe me deu lexotan para o jogo contra a Suécia. Mas contra a Itália teve remédio não, foi teste para o coração mesmo.

Jogo tenso demais. Coração acelerava a cada ataque do Brasil, com a furada de Romário na pequena área, a bola na trave de Mauro Silva..Coração parava a cada ataque da Itália, quase parou de vez no gol perdido por Baggio. Revendo o jogo hoje em dia vejo que foi chato demais, quase não ocorreu nada, mas fala isso para quem viveu aquele clima de tensão?

E como eu disse, dificilmente viverei momentos esportivos tão tensos como naquela disputa de pênaltis.. Minha mãe saiu da sala e não quis ver, eu pateticamente me agarrei a um quadro do Senna e pedi para que ele ajudasse. É difícil descrever aqueles momentos assim como é impossível descrever o que senti quando percebi que o pênalti de Baggio foi para fora e o “Tema da vitória” anunciou que o tetra chegara.

Posso dizer que foi a maior emoção que senti na minha vida até hoje. Comecei a chorar compulsivamente, minha mãe chorando me abraçou e preocupada pediu para que me acalmasse, mas eu não conseguia, nunca chorei tanto quantgo naquele momento, pelo menos que alguém me visse chorar. Não conseguia parar e lembrar daquele momento me emociona, talvez a minha primeira vitória em samba-enredo tenha chegado perto no quesito emoção, mas não supera, foram minutos e mais minutos chorando, dizendo nada, apenas chorando.

Não dá para brigar com a emoção. Mesmo reconhecendo que o jogo foi chato, mesmo hoje sabendo que era uma seleção comum, apenas voluntariosa é o maior momento esportivo da minha vida e acho que só uma conquista de mundial do Flamengo igualaria. O Brasil precisava muito daquele título, eu precisava muito. Aquela seleção me deu uma das maiores alegrias que já tive e um dos maiores momentos que tive com minha mãe nos nossos 28 anos de convivência. Hoje quando me lembro dela é uma das primeiras imagens que me vem a cabeça.

A seleção hoje em dia não tem mais a moral com o povo, nem comigo, que tinha em 1994. O 7×1 machucou deixando feridas difíceis de serem cicatrizadas, a falta de craques, de bom futebol, de jogadores carismáticos também prejudicam, o assassinato da camisa amarela que alguns psicopatas provocaram nos últimos anos misturando com política também. Mas aqueles caras de 1994 e nossas lembranças tem nada a ver com isso.

Só posso, do fundo do coração, agradecer aqueles jogadores e comissão técnica pela felicidade que me deram, a felicidade que deram ao Brasil. Vinte e cinco anos..Meu Deus como passou rápido. Voou como a bola do Baggio.

E o Brasil?

É tetra!!! É tetraaa!!

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