Retomando o tema que começamos a desenvolver ontem, hoje temos os gráficos das agremiações que irão desfilar na segunda feira.

Veremos que, para as agremiações deste dia, a influência de trocas de diretoria e, em menor escala, de carnavalescos parece exercer uma influência maior que o quadro apresentado ontem.

Mais uma vez, a análise empreendida aqui é empírica, sem metodologia estatística. A ideia é tentar estabelecer correlações que nos auxiliem a entender a importância de uma boa gestão, primeiro, e de ter sempre os melhores profissionais secundariamente.

1 – São Clemente

A escola que se divide entre Botafogo e a Cidade Nova tem a família Almeida Gomes como comandante desde sua fundação.

No período analisado, a evolução é semelhante à do Império Serrano, quase como uma escola “ioiô”. Seu golpe de sorte foi o não rebaixamento em 2011, que a manteve no Grupo Especial e permitiu alguma estabilidade na divisão principal do samba.

Os três anos com a carnavalesca Rosa Magalhães permitiram uma elevação dos resultados, o que permite dizer que, no caso da São Clemente, como a administração é a mesma há décadas, deixa seus resultados bastante dependentes do talento de seu artista comandante – e, em menor escala, de sua capacidade de investimento.

2 – Vila Isabel

A Vila Isabel é um caso clássico cujos resultados variam diretamente de acordo com a diretoria de então. Com a exceção de 2012/13, onde os fantásticos sambas somados ao talento de Rosa Magalhães mascararam os problemas gerenciais (que estourariam em 2014), o desempenho da Vila Isabel está ligado diretamente à capacidade gerencial da diretoria da vez – e não foram poucas.

3 – Portela

A Águia de Oswaldo Cruz teve basicamente três grupos dirigentes neste período: entre 99 e 2004 o grupo do ex-presidente Carlinhos Maracanã, que nos anos em que investiu esbarrou no mau relacionamento com o poder constituído; com isso, os grandes desfiles de 2002 e 2004 sequer no Desfile das Campeãs voltaram.

Nos nove anos subsequentes, a administração Nilo Figueiredo oscilou entre desfiles sem qualquer investimento e que amargaram colocações ruins (2005/06/07/10/11/13) com carnavais com um pouco mais de recursos colocados na escola e reflexo direto em colocações (2008/09/12).

A partir de 2014, o grupo intitulado “Portela Verdade”, com uma gestão moderna para os padrões do samba carioca, imediatamente devolveu a Portela ao patamar que a escola ocupou até meados dos anos 80. Com direito a quebrar o jejum de títulos em 2017.

Um número para os leitores entenderem: entre 1999 e 2007 a Portela não foi ao Desfile das Campeãs uma única vez. Entre 2008 e 2013 foram três idas em seis ocasiões. De 2014 para cá, cinco em cinco.

4 – União da Ilha

A Tricolor Insulana foi outra que se beneficiou da troca de diretoria antes do carnaval 2009. Ainda que tenha perdido fôlego nos últimos anos, o grupo comandado pelo ex-presidente Ney Fillardi mudou o patamar da escola.

5 – Paraíso do Tuiuti

Um caso atípico. A agremiação de São Cristóvão teve uma única troca de diretoria (pré carnaval 2004) e sempre oscilou entre os antigos Acessos A e B.

Aí a escola é promovida em 2016 (segundo muitos, este escriba inclusive, de forma injusta), é beneficiada pela virada de mesa em 2017 e emplaca um vice campeonato inesperado em 2018.

A liberdade dada ao carnavalesco em 2018 foi premiada, mas necessitamos aguardar para saber se o Tuiuti irá se firmar entre as grandes ou se 2018 foi um acidente.

Curiosidade: o Paraíso do Tuiuti é a única escola entre as 14 do atual Grupo Especial a ter passado pelo Acesso B, terceira divisão, no período amostral.

6 – Mangueira

O ponto mais baixo da escola neste período coincide com o ano de maior influência do grupo do falecido Tuchinha na escola (2008), mas após a saída do grupo comandado pelos ex-presidentes Elmo e Alvinho (2005), os bons momentos da verde e rosa tem nome e sobrenome: Leandro Vieira.

2015 não conta por ter sido percalços de desfile – chuva torrencial sobre a escola.

7 – Mocidade Independente

A verde e branco de Padre Miguel teve basicamente duas diretorias: a comandada pelo ex-presidente Paulo Vianna (que não parou na Série A sabe-se Deus como) e a atual, que tem o atual vice presidente Rodrigo Pacheco como ponto focal.

A escola tem mostrado irregularidade nos últimos anos, reflexo direto da estabilidade política maior ou menor e da capacidade de investimento maior ou menor.

Finalizando, pode-se dizer que o resultado de uma escola de samba, em média, é reflexo primeiro da qualidade da gestão administrativa (que se traduz em capacidade de investimento) e, segundo, da qualidade do artista responsável pelo carnaval.

Imagens: Phelipe Belisário e Arquivo Ouro de Tolo

6 Replies to “20 Anos de Desempenho – Grupo Especial (Segunda Feira)”

  1. O grupo comandado pelos ex-presidentes Elmo e Alvinho saiu após o ótimo desfile do Carnaval 2006, porém voltou a partir da gestão Chiquinho, voltando a ser figuras presentes na escola, tanto que, após a prisão do mesmo, ambos têm sido figuras fundamentais para a continuação do trabalho visando um bom resultado esse ano.

    O primeiro ano do Chiquinho, em 2014, já foi marcado por um barracão bem mais tranquilo e organizado do que os da gestão anterior. Na avenida o casamento com Rosa Magalhães, infelizmente, não deu certo, e o resultado foi muito abaixo do esperado. Já 2015, por mais que a chuva tenha atrapalhado, acredito que o resultado não seria muito melhor, pois o Cid Carvalho não foi feliz em seu trabalho, principalmente em alegorias…

    Leandro Vieira foi realmente o diferencial para a gestão obter os bons resultados dos últimos anos, porém, por mais que seja genial, duvido que conseguiria alcançá-los com a caótica preparação da escola entre os Carnavais de 2009 a 2013. Por mais que esteja muito longe da excelência atingida por Portela, Salgueiro e, principalmente Tijuca e Beija-Flor, a Mangueira melhorou bastante com essa nova gestão. Porém, acredito que os problemas com a justiça enfrentados pelo Chiquinho afetarão, e muito, o futuro da escola.

    1. Na verdade, no primeiro ano do Chiquinho a Mangueira abrigou diversos integrantes da administração Nilo Figueiredo na Portela, especialmente na equipe de barracão.

      1. Esquecendo o problema que resultou no Índio sem cabeça em mais um capítulo Mangueira x Torre, o trabalho no barracão transcorreu bem nesse ano. Se comparar com os 5 carnavais anteriores então…

    1. Sou suspeito para falar (faço parte da Diretoria), mas a Portela era o maior gigante adormecido do carnaval carioca. Com trabalho sério, renasceu e voltou ao seu lugar de direito.

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