Categorizado | Orun Ayé

A falta de clima

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Oi leitor, eu tenho um segredo para te contar. Não é todo mundo que sabe, mas por incrível que pareça nessa semana começa uma copa do mundo.

Ok, exagero meu, evidente que todos sabem que quinta começa mais uma copa do mundo, as emissoras de televisão e seus anunciantes vem falando bastante no assunto, mas a impressão que dá é que ao contrário de outras copas quando o noticiário e os comerciais surfavam na onda da euforia nessa há uma tentativa desesperada de dar importância a algo que, para surpresa de muitos, ainda não tem.

Evidente que a copa irá pegar, sempre pega e a partir de quinta será o principal assunto nosso assim como domingo que vem o Brasil irá parar para ver a estreia da seleção na copa que será contra..Você sabe responder rapidamente contra quem será a estreia? Quais são os adversários na primeira fase? Sua rua está pintada? Ruas próximas estão? Tem visto muitas ruas pintadas?

Como eu disse daqui a pouco essa falta de clima será passado, mas não tem como não chamar atenção e vejo alguns motivos para isso. O menos importante, mas que também conta é que o brasileirão está pegando fogo, tem grandes clássicos nas próximas fases da Copa Libertadores e Copa do Brasil fazendo esse torcedor mais comum de futebol estar cada vez mais afastado da seleção e próximo de seu clube.

Afastou-se por ver poucos jogos da seleção no país, afastou-se por ver poucos jogadores daqui convocados e, principalmente, afastou-se por causa da última copa.

Por mais que Tite seja um grande treinador, carismático e tenha uma forte seleção nas mãos não dá para esquecer fácil da Copa de 2014, de toda aquela festa, esperança e a tragédia do 7×1.

A torcida brasileira não está apenas desconfiada ou machucada, está magoada. A derrota humilhante provocou mágoas como de uma traição, o povo que tanto esperou por essa copa, tanto fez festa se magoou com aquela surra, a humilhação que jamais será apagada e me arrisco a dizer que nem o hexa será capaz de acabar totalmente com essa mágoa. Uma mancha que será eterna.

Mais grave que isso é o momento do pais. A crise financeira que impediu muitas ruas de serem pintadas ou de organizarem festas para acompanhar os jogos. Até pouco tempo o “Alzirão” estava sem patrocínio para realizar sua tradicional festa. A violência também amedronta, baixa a auto estima e tira a vontade de comemorar algo. Medo de ir para a rua ver jogo ou comemorar uma vitória. Medo dessa violência que nos ronda e ameaça a cada dia transformar a nós ou quem amamos em estatística.

E pior, o Brasil está dividido. Vivemos um tempo de ódio, intolerância, de afastamento que faz da seleção, sua camisa e o que ela representa símbolo disso tudo. Um país corrupto, com políticos e empresários a cada dia caindo por corrupção e a CBF, órgão que gerencia a seleção, sendo expoente dessa corrupção.

Camisa da seleção sendo usada em manifestações para alguns legítimas e para outros golpistas virando referência desse momento conturbado e de ódio. O ufanismo que assim como na virada dos anos 60 para os 70 foi visto com maus olhos. Já foi dito que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas e os canalhas atuais vem se utilizando bastante do verde e amarelo e usando a alcunha de “homem de bem”.

Não tem como ver a camisa da seleção e não lembrar desse homem de bem, não tem como ouvir o hino nacional sem lembrar dele. Difícil amar o Brasil nesse momento em que ele vive, difícil pensarmos em pátria de chuteiras em momento que a pátria mãe gentil nos vira as costas.

Mas isso tudo, evidente, perde toda razão na hora da bola rolar. Pelo menos por 90 minutos, por um mês seremos um país unido e apaixonado.

E esqueceremos do 7 a 1 que levamos diariamente.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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