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Só Renight salva

Renatoot

Acho que todo mundo percebeu, até Michel Temer, que vivemos tempos difíceis no Brasil… Mentira, ele não.

Não é possível que alguém com sã consciência esteja feliz com o Brasil de hoje. Vivemos em um país sisudo, sério, para baixo, nervoso, raivoso, radical por todos os lados, em crise econômica, moral, violento onde não existe debate e sim ódio pelo interlocutor. Repito, falo issop or todos os lados seja lado direito ou esquerdo. O Brasil está muito diferente.

Um país dividido. Quem bateu panelas hoje silencia, quem defendeu hoje ataca, ninguém pensa num todo, apenas em seu lado. Direitos trabalhistas são tirados a cada dia, aposentadoria? Só vivendo muito. Escravidão voltando a tona com regulamentação afrouxada, políticos presos a cada dia nos decepcionando e trazendo insegurança sobre em quem votar. Escândalos, malas com dinheiro, apartamentos com dinheiro, aluguéis vencendo em 31 de novembro. Ninguém se salva, falsos mitos surgem, velhas esperanças mostram-se estrelas cadentes. Cadê o Brasil?

Cadê aquele Brasil irreverente, bem humorado, esperto, malandro sem ser desonesto, o Brasil safado no bom sentido, gozador, que tirava de letra as adversidades ainda fazendo piada em cima? O Brasil maneiro, o Brasil feliz?

Cada vez menos esse país é representado, mas esse antigo Brasil mostrou um pouco sua cara essa semana.

Mostrou na imagem de um “velho fanfarrão”, conhecido por muitas praças, praias, boates e motéis. Um cara que jogava muita bola e divertia com sua “marra” e “molecagem”, um cara que decidiu um campeonato usando a barriga e depois se vestiu de rei, que chegou de carro vermelho em seu clube que odeia a cor, que provoca adversários, sai na porrada com caras do mesmo time, mas capaz de pegar um companheiro bêbado pelo ombro, entrar na concentração na hora indevida e assim perder uma copa do mundo por amizade.

Esse cara, muito admirado e odiado, deu uma sumida, fez uns trabalhos ruins, se deu mal em algumas fanfarronices feitas e quase virou um ser folclórico, um adjetivo para algo ruim. Não,ele é um vencedor, não é algo ruim.

O cara que fez o gol da minha vida, um gol de um último suspiro em um Mineirão lotado correndo com a bola, driblando o goleiro e mandando o treinador que lhe tirou da copa calar a boca é um vencedor.

O rei está de volta!! Reinato!!

Renato Gaúcho, Renato Portaluppi, o cara que apareceu em um Globo Esporte com rosas na mão oferecendo para as mães e mulheres dos companheiros de seleção, o cara que disse ainda novo que fora pra cama com mais de mil mulheres, que desfilou no carnaval com camisa do Flamengo ao lado de Enoli Lara pelada, que depois de um 3×0 contra foi botar carne na boca do Gaúcho em um churrasco, o cara que disse que iria brincar no brasileiro e se ferrou, mas que nove anos depois largou um brasileiro para ser campeão da América, de novo campeão da América.

Seu escritório é na praia e ele não é da laia de muitos.

Renato não fala em futebol reativo, em marcação alta, não exibe um monte de dados estatísticos, nada disso.Renato não é chato. Renato diz de forma fanfarrônica que não estuda, mas estuda sim, trabalha e do jeito dele, misturando o boleiro e o professor faz de seu estilo único.

Não é o futebol que está chato, o Brasil está chato. Renato ou Renight, é um oásis no meio da tristeza e melancolia que nos atinge. Nunca foi tão merecida uma vitória, nunca foi tão nossa. Devia ter sido feriado não no Rio Grande, mas nacional. Dia da independência do baixo astral e do chorume.

Renato em um caso raro de humildade disse que merecia uma estátua do Grêmio. Não, está errado, a arena do Grêmio devia se chamar Arena Renato Portaluppi.

Precisamos de mais Renatos no Brasil, mais alegria, irreverência e trabalho sério. Sim, dá para conciliar os dois, ser profissional e feliz ao mesmo tempo.

Só Renight salva!!

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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