Categorizado | Orun Ayé

2017, o ano em que odiamos

2017

E acabou 2017.

Coube a mim o último post do blog no último dia do ano, e lembro que nessa época em 2016 implorávamos por seu fim. Não que achássemos que 2017 seria melhor, mas que pelo menos acabasse logo aquele ano trágico.

O ano de 2017 não foi trágico como 2016, não no geral, apesar de sempre termos nossas tragédias pessoais como a perda que nosso editor teve, mas foi um ano esquisito. Um ano esquisito e ruim que acredito tenha sido consequência de 2016.

Nunca fomos tão intolerantes como em 2017, nunca odiamos tanto quanto em 2017. Opiniões divergentes viraram ofensas pessoais, ter ideologia diferente ou torcer para clube de futebol diferente viraram declaração de guerra. Começamos o ano achando que as coisas no futebol poderiam mudar com a tragédia da Chapecoense. Terminamos com a torcida do Flamengo fazendo vergonha mundial na mesma competição em que ocorreu a tragédia.

Mas não foram só torcidas de futebol que fizeram vergonha, ela é democrática e atinge a todos. Vai da direita, passa pelo centro e vai até a esquerda. É bom ‘já ir” se acostumando que a tendência em 2018 é que piore por ter eleições. A esquerda tem seus bandidos de estimação e a direita elegeu falsos heróis com frases recheadas de clichês. 

Vivemos um ano em que Alexandre Frota virou referência de pensamentos e que, apenas para mantermos fama de liberais, achamos normal crianças tocarem em homens adultos pelados. Não, não posso achar isso estranho ou não salutar porque sou de esquerda e minha ideologia é mais importante que meu pensamento. Não, não posso achar que um cara que foi preso com pinho sol possa ser solto porque sou de direita e minha ideologia é mais importante que meu pensamento.

Rafael Braga está preso, mas quem matou os pais e enteada recebeu indulto de Natal. O Bruno também chegou a ser solto e até fotos com fãs tirou. Políticos foram presos, empresários também, mas quem tem padrinho não morre pagão, ainda mais se foi padrinho em casamento. Gilmar Mendes foi o melhor laxante de 2017, soltou tudo que pôde.

Cabral continua preso, Garotinho visitou a cadeia algumas vezes, Maluf está lá, Lula ainda não sabemos e Temer por enquanto não tem nada a temer mesmo sendo pego em gravações constrangedoras. Querem nos convencer que o país está melhor com ele, mas não é isso que o dia a dia mostra. O fracasso do último governo do PT aliado à ascensão do Temer provocaram esse ódio que vemos por aí.

Não é mimimi se defender do ódio, assim como não é vitimização reclamar dele. Vivemos um tempo esquisito em que a culpa é da vítima, não do agressor. Parece simples perceber que se cada um cuidar exclusivamente de sua vida isso cessa, mas o ser humano é buro demais pra perceber.

Matamos e morremos na violência do dia a dia que cada vez cresce mais, nos matamos por religião, ideologia e não respeitamos o próximo. A internet deu vazão aos idiotas tão propagados por Nelson Rodrigues que um dia dominariam o mundo. Dominam através das redes sociais e seu anonimato que serve para proteger covardes;

Assim se ataca a cor alheia, a opção sexual alheia ou o sexo a que pertence. O ano de 2017 nos trouxe doenças que pensávamos estar perto da erradicação como homofobia, machismo, racismo e principalmente, nazismo. O pensamento da tal raça se achar superior a outras não é mais visto com tanto nojo e para alguns é até aceitável.

Assim como virou aceitável um prefeito colocar sua religião acima dos interesses de uma cidade, assim como virou aceitável ter morte em desfile na Marquês de Sapucaí. O sambista não merecia Marcelo Crivella, quem comanda o samba sim. No Rio de Janeiro o samba atravessou de várias formas. O carioca entristeceu em 2017 ao ver que seus sonhos de uma cidade melhor se apagaram junto com a pira olímpica.

Há esperanças para nós em 2018? Sim até porque se não tivermos esperanças é melhor nem viver e apesar de tudo viver é muito bom.

Pode piorar, mas pode melhorar e, acreditem, esse futuro passa pela gente. Que em 2018 a gente possa voltar a sorrir e odiar menos.

Feliz ano novo amigos

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Visitas

Facebook