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Obs: para uma explicação do procedimento das prévias americanas e de alguns termos técnicos usados nesta coluna, leia a coluna explicativa

Eu havia prometido para esta semana a explicação sobre o que é uma “Convenção Quebrada”, há algum tempo discutida como possibilidade para o Partido Republicano nesta temporada de prévias. Fiz isso pois aproveitaria a pausa de 15 dias nas prévias do partido, que estamos tendo desde o dia 22.

Porém o Partido Democrata votou em 3 estados neste último sábado e os resultados foram bastante interessantes – como veremos abaixo, de forma que eu não posso deixá-los passar sem comentários. Peço desculpas aos leitores, mas a explicação sobre a Convenção Quebrada ficará para a segunda semana de abril, quando não haverá eleições em nenhum dos dois partidos, com todos os candidatos centrando forças na decisiva prévia de New York que será no dia 19. Espero que entendam.

Partido Democrata

Com mais três estados do oeste votando, Sanders triturou Clinton em todos eles e confirmou que ele está dominando o oeste americano da mesma forma que Clinton dominou o sul no início da disputa.

Em uma alocação proporcional, as porcentagens falam por si: 82% x 18% no Alaska, 70% x 30% no Hawaii e 73% a 27% em Washington.

bernie-madisonPor mais que o Hawaii e o Alaska sejam estados bem pequenos e tão desimportantes para a matemática geral quanto Utah e Idaho eram na semana passada, Washington já tem bem mais representatividade, com 101 delegados distribuídos pelas prévias. Juntando com os 16 do Alaska e os 25 do Hawaii, Sanders pela primeira vez em toda a disputa conseguiu angariar uma boa vantagem de delegados no mesmo dia: foram 66 delegados a mais para Sanders.

Juntando esses 66 com os 17 da semana passada, Sanders reduziu a diferença de delegados “comprometidos” para Clinton em quase um terço, para pouco mais de 200 delegados. Ainda é uma vantagem gigantesca, mas o momento ganho com as sucessivas lavadas no oeste e os panoramas futuros  que se traçam possíveis com tais resultados devolvem a Sanders a possibilidade de um caminho possível, mesmo que ainda improvável, para ter mais delegados “comprometidos” que Clinton ao final de todas as prévias.

A vantagem de Clinton entre os “comprometidos” ainda é folgada: 228 delegados. Mas como escrevi na semana passada, as 5 derrotas acachapantes no oeste colocam um “fantasma” rondando a campanha de Clinton em relação aos 475 delegados da Califórnia, que será um dos últimos estados a votar em junho.

Se Sanders repete aqui os resultados obtidos nos estados vizinhos de Utah, Idaho e Washington, conseguindo 70% dos votos, isso resultará em 191 delegados a mais para Sanders e a vantagem de 228 minguaria para 37 delegados – metade dos delegados de Oregon, por exemplo.

Não podemos dizer que só porque Sanders está conseguindo 70% ou mais em todos os estados do noroeste americano, ele conseguirá repetir tal façanha na Califórnia, especialmente porque a gigantesca Califórnia tem dois fatores contra Sanders que não estão presentes em nenhum dos outros estados que já votaram.

election-idaho_franPrimeiro, a California vota em forma de primárias enquanto os estados do oeste que já votaram foram em caucases. Sanders tem tido seus melhores resultados nos caucases, justamente porque ele está levando uma quantidade de jovens gigantesca a esses encontros que não se importam em ficar 3, 4 ou 5 horas na fila – causadas exatamente por causa do grande afluxo inesperado de eleitores.

Do mesmo jeito, outros tipos de eleitores, nos quais Clinton tem maioria, acabam desistindo no meio de tanta confusão. Ainda sim, méritos para Sanders, pois para ganhar caucases é necessário uma coordenação de campanha muito forte e intensa, algo que ninguém imaginava que o senador da pequena Vermont fosse capaz de montar.

O segundo problema é a maior quantidade de latinos na Califórnia, que representam um eleitorado cativo de Hillary. Eles representam quase 40% da população do estado e quase todos eles são eleitores democratas. Isso é o oposto de Washington, Idaho, Utah , Hawaii e Alaska, que não tem quantidade significativa de latinos. Diferentemente, nos estados fronteiriços ao sul, Nevada e Arizona, Clinton ganhou.

Para demonstrar na prática esses problemas teóricos, hoje o LA Times divulgou pesquisa de intenção de votos no qual Clinton está liderando por 47% a 36%.

Mais uma vez, na pior das hipóteses, com tais resultados Sanders tem fortes argumentos para ignorar os apelos velados de políticos pró-Hillary para que ele desista da campanha. Na melhor das hipóteses, Sanders ainda é um candidato competitivo.

Porém, antes da barreira californiana, para Sanders continuar trilhando o caminho aberto no sábado, ele terá que se mostrar um forte candidato no nordeste do país, a começar por New York, no dia 19. New York é outro estado gigantesco, com 247 delegados e é a base política de Clinton, que por isso é altamente favorita. Uma derrota aqui acaba com qualquer matemática possível para Sanders

20131111_154420Logo, caso ele vá bem em New York, ele precisará ratificar isso no dia 26, quando outros 5 estados da mesma região também irão às urnas – distribuindo um total de 384 delegados. O nordeste americano foi uma área fundamental para Clinton se manter na disputa contra Obama há 8 anos atrás, no qual ela também costuma ter um forte eleitorado. A última pesquisa que temos, de quarta-feira passada, indica uma vantagem de 25% a mais para Clinton na Pennsylvania.

Não há muitos dados de estados anteriores nesta região, pois o único estado da região que já votou foi Massachusetts, ainda na Super-Terça. Lá Clinton ganhou por apertados 50% a 49%.

Além disso, nessas linhas não considerei a ampla vantagem de Clinton entre os Superdelegados. Apenas estou analisando, usando a teoria de Sanders de que  o importante é a quantidade de delegados “comprometidos”, pois o partido não terá coragem de retirar sua candidatura via delegados “não-comprometidos” caso ele consiga um número superior de “delegados comprometidos”.

Ou seja, Clinton ainda tem uns 98% de chances de vencer , mas Sanders voltou a ter um caminho minimamente viável para, ao menos, tentar sobrepujar Clinton no número de “comprometidos”.

Sanders está confiante de que irá bem nos dias 19 e 26; já solicitou ao Comitê Nacional do Partido um debate extra a ser feito em New York na primeira semana de abril e deverá investir maciçamente em propaganda no estado.

Contagem parcial de delegados* (estimativa):

  • Clinton – 1748 (1266 “comprometidos” e 482 Superdelegados)
  • Sanders – 1065 (1038 “comprometidos” e 27 Superdelegados)

Número mágico: 2383

* Fonte: blog The Green Papers para os “comprometidos” e CNN para os “não-comprometidos”

Partido Republicano

Como não houve eleições no Partido Republicano, não há alterações na situação da semana passada.  A notícia da semana no Partido Republicano foi a nova queda de qualidade na propaganda dos candidatos.

melania-trump-us-weekly-coverApós um comitê de apoio “anti-Trump” espalhar propagandas com fotos sensuais da esposa da Trump, Melania, ainda da sua época de modelo; Trump respondeu que iria “soltar os cachorros” na esposa de Ted Cruz.

Obs: a frase em inglês foi “spill the beans”, que em tradução literal seria “derramar os feijões”, mas a tradução literal perde a força expressiva da frase.

Como resultado, Trump em sua conta pessoal no Twitter retweetou uma imagem em que à esquerda tinha uma foto de Heidi Cruz, esposa de Ted, em uma feição de megera e a direita uma foto bonita de sua esposa, Melania. Embaixo a famosa frase “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

Foi o suficiente para Ted Cruz ficar irado e responder que Trump toda vez que fica acuado recorre a rebaixar uma mulher, incitando que Trump sempre teve uma postura sexista durante sua vida.

Tenha ou não o dedo invisível de Ted Cruz, a campanha “anti-Trump” é de um grupo político independente, ao menos na forma oficial (os polêmicos PACs e Super-PACs), enquanto a retaliação de Trump foi na conta pessoal do candidato, que não tem PACs e mantém apenas sua campanha oficial.

Ao usar a conta pessoal para os ataques, além de baixar mais um nível de decência na campanha, Trump quebrou mais uma vez todas as regras de marketing político ao vincular uma provocação a seu nome pessoal.

Mas Trump parece imune a todas as consequências clássicas dessas quebras de regras. Por que? Isso é assunto para uma ou duas colunas inteiras.

Contagem Parcial de Delegados:

  • Trump – 755
  • Cruz – 466
  • Rubio – 169 (desistiu)
  • Kasich – 144

Próximas Prévias

Partido Democrata

Dia 05/04 – Wisconsin (86 delegados, proporcional)

Dia 19/04 – New York (247 delegados, proporcional)

Em Wisconsin deverá haver uma boa batalha entre Clinton e Sanders, mas quem quer que ganhe dificilmente conseguirá colocar uma grande vantagem e isso resultará em uma diferença ínfima na quantidade de delegados – provavelmente abaixo de uma dezena.

A prévia que decidirá rumos é a de New York mesmo no dia 19. Uma vitória de Clinton volta a fechar os caminhos já curtíssimos de Sanders para a nomeação. Já uma vitória de Sanders, mesmo que apertada, mudará, no mínimo a psicologia e a atenção da mídia para a disputa.

Partido Republicano

Dia 05/04 – Wisconsin (42 delegados, winner-take-all por distrito)

Dia 19/04 – New York (95 delegados, winner-take-all por distrito se alguém candidato obtiver 50% no distrito, senão proporcional)

Wisconsin será uma batalha. É um estado winner-take-all por distrito e situação do estado não é clara. A última pesquisa indica uma divisão próxima de votos entre Cruz, com 36%, Trump, com 31% e Kasich com 21%. Porém não sabemos exatamente como esses votos estão distribuídos e quem ganhará em cada distrito. Se para os democratas Wisconsin será quase neutro, para os republicanos será fundamental tentar deixar Trump zerado no estado para impedí-lo de conseguir os 1237 delegados necessários.

Depois em New York será necessário um outro esforço, pois Trump parece ter ampla vantagem e com isso é forte a possibilidade dele conseguir quase todos os delegados de NY, o que, pelas regras do estado, teoricamente é muito difícil sabendo-se que o estado tem 27 distritos.

Imagens: AP, G1 e Arquivo Ouro de Tolo