A fase pré-carnavalesca para os desfiles de 2013 deixou no ar a mesma pergunta do ano anterior: quem tinha o melhor samba-enredo entre Portela e Vila Isabel? A Majestade do Samba em 2013 homenagearia o bairro de Madureira, enquanto a escola do bairro de Noel falaria sobre a vida no campo. Se em 2012, a Portela teve o melhor samba, para 2013, a Vila tinha um samba um pouco melhor do que o da Portela.

Confesso que na primeira análise dos sambas aqui mesmo no Ouro de Tolo, coloquei o da Portela como superior. Mas aos poucos fui maturando o samba de Arlindo Cruz, Martinho da Vila, André Diniz e Tunico da Vila na cabeça e cheguei à conclusão de que era realmente uma obra brilhante.

Em relação às demais agremiações, a Unidos da Tijuca teria como enredo a Alemanha, no ano do país europeu no Brasil. O Salgueiro teria uma temática bem curiosa e diferente: a fama, com patrocínio da Revista Caras. Diferente também prometia ser a Beija-Flor, com enredo patrocinado sobre o cavalo mangalarga marchador. Outro enredo recebido com ressalvas foi o da Grande Rio: a briga do Rio para manter os royalties do petróleo.

A Estação Primeira de Mangueira também recebeu críticas pois, depois de diversos enredos culturais, seria patrocinada para exaltar a cidade de Cuiabá, mas por outro lado prometia uma inovação: duas baterias se revezando na sustentação do samba. Já a União da Ilha homenagearia Vinícius de Moraes no ano do centenário do Poetinha. Musical também prometia ser a Mocidade Independente de Padre Miguel, num enredo sobre o Rock in Rio.

Desacreditada depois da má colocação no ano anterior, a Imperatriz Leopoldinense faria um enredo sobre o estado do Pará. Crítica severa da TV Globo nos anos 80, a São Clemente levaria para a avenida a história das novelas, o que não deixava de ser irônico. Completava o Grupo Especial a Inocentes de Belford Roxo, que, duramente contestada pela vitória no Acesso em 2012, levaria para a Sapucaí uma exaltação à Coreia do Sul.

OS DESFILES

A escola da Baixada de fato tinha um difícil desafio com o enredo chamado “As sete confluências do Rio Han – 50 anos de imigração da Coreia do Sul no Brasil”. Além da antipatia gerada pela escola pela contestada vitória de 2012 e de o público estar frio, o patrocínio prometido pelo governo coreano não pingou, o que se refletiu no conjunto visual da escola, não tão imponente.

A escola até passou com dignidade, com um samba-enredo correto e bem cantado por Thiago Brito e Wantuir, mas não conseguiu o algo mais que precisava para escapar naquele momento do risco de rebaixamento, apesar de o carnavalesco Wagner Gonçalves ter dividido o enredo com coerência, abordando a arquitetura do país, o trabalho nas lavouras e o comércio coreano em São Paulo.

salgueiro2013Já o Salgueiro, apesar da difícil posição de desfile, fez uma ótima apresentação e conquistou o público com uma abordagem inteligente e descontraída para o enredo “Fama”, dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lávia. As alegorias e fantasias foram um show de criatividade e acabamento, e um enredo que recebeu críticas antes do Carnaval foi transmitido de forma bastante clara.

Chamada “A nossa divina comédia da fama”, a criativa comissão de frente tinha um tripé representando uma limusine vermelha e brilhante com a figura de Chacrinha saudando o público e os demais integrantes como fotógrafos e seguranças, além de uma briga entre “Marilyn Monroe” e “Amy Winehouse” pela atenção. Com justiça, a comissão ganhou o Estandarte de Ouro de “O Globo”.

O interessante carro abre-alas chamava-se “Grande Angular” e tinha uma máquina fotográfica enorme para simbolizar os anônimos e famosos que ganham destaques pelos flashes. O elemento tinha esculturas de seguranças e muitas luzes, num excelente efeito. Já o elemento “Marcas do tempo” mostrava conquistadores históricos, enquanto o “Baile de Máscaras” lembrou aqueles que fizeram fama pela vaidade como Cleópatra e Luis XIV.
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Uma crítica bem-humorada à sanha de muitas pessoas pelas cirurgias plásticas foi lembrada no carro “Fotoshopping”, com um shopping center que vendia novas caras, bocas, narizes e olhos. Patrocinado pela revista “Caras”, o Salgueiro fez menção à Ilha de Caras no elemento “Pleasure Island”, com muita beleza.

A sempre competente bateria de Mestre Marcão estava vestida de Che Guevara e deu o recado com ótimas bossas e paradinhas. O samba-enredo, embora não fosse dos mais poéticos, foi bem cantado e o Salgueiro deixou a pista certo de uma boa colocação, até porque não sofreu em Harmonia e Evolução como nos anos anteriores. No entanto, pela posição de desfile e por não ter sido uma apresentação arrebatadora, uma briga pelo título parecia difícil. Não impossível.

tijuca2013A campeã Unidos da Tijuca entrou na pista com força para defender o título, mas teve problemas com o enredo “Desceu num raio, é trovoada. O deus Thor pede passagem para mostrar nessa viagem a Alemanha encantada”. O carnavalesco Paulo Barros voltou a surpreender o público com diversos efeitos especiais e alegorias criativas simbolizando a cultura alemã, com destaque para a excelência do país na tecnologia e ciência.

A comissão de frente agradou bastante, com seus integrantes levando martelos que pareciam levitar para simbolizar a energia de Thor, associado à eletricidade. Mas infelizmente o majestoso abre-alas, que representava o Reino de Odin e tinha caixas de som representando trovões, teve problemas durante todo o desfile e comprometeu severamente a evolução – na dispersão, a alegoria teve de ser serrada para que não ficasse empacada. Outro carro ficou preso no viaduto da concentração e também causou problemas à escola.

Uma pena porque a Tijuca apresentou diversas referências alemãs interessantes como o Fusca, as orquestras de bichos e Bremen. Mas – como o Instituto Goethe já havia criticado antes do desfile – faltou o enredo passear pelos grandes nomes alemães da música clássica, como os compositores Beethoven, Brahms, Bach e Wagner.

Já o samba, embora descrevesse o enredo com correção e tivesse boa melodia, era muito longo e difícil de ser cantado pelo público, apesar de os componentes terem passado bem. A bateria me pareceu acelerada em excesso, embora com marcações precisas e boas bossas e paradinhas.

No fim do desfile, mais problemas: a destaque Kênia Alessandra da Silva Rodrigues, de 39 anos, foi levada para o Hospital Souza Aguiar depois de cair de uma alegoria, mas não teve fraturas e foi liberada. Além disso, o carro “A floresta encantada” teve um princípio de incêndio e uma destaque desmaiou. Diante de todos esses problemas, a briga pelo terceiro título em quatro anos ficou comprometida. Mas foi uma boa exibição.

Quarta escola a desfilar, a União da Ilha do Governador prometia com o enredo “Vinicius no plural. paixão, poesia e carnaval”, numa celebração ao centenário do “poetinha” Vinícius de Moraes. Mas acabou sendo uma apresentação que deixou um gosto de “quero mais”.

A escola passeou pela vida de Vinícius desde a infância e as fases de diplomata, dramaturgo e, principalmente, compositor. Dividido com coerência pelo carnavalesco Alex de Souza, o enredo teve alegorias e fantasias bonitas, mas o desfile foi um tanto monótono.

Até porque o criticado samba-enredo de fato não rendeu na avenida, apesar da condução correta de Ito Melodia. Além disso, problemas na bateria e as fantasias pesadas acabaram contribuindo para prejudicar a apresentação. De qualquer forma, foi bonito ver grandes nomes como Toquinho, Helô Pinheiro (a eterna Garota de Ipanema) e Francis Hime exaltando o companheiro.

Já a Mocidade Independente de Padre Miguel fez uma exibição que passou muito longe de ser lembrada com carinho por seus torcedores. O enredo “Eu vou de Mocidade com samba e Rock in Rio – Por um mundo melhor” exaltava o festival musical, mas, convenhamos, era algo difícil de carnavalizar.

Foi mostrado de tudo um pouco, no caso os gêneros musicais que sempre pintaram no Rock in Rio, mas o conjunto visual não agradou devido ao excesso de cores e luzes. Chamou a atenção num dos carros um componente fantasiado de Freddie Mercury simbolizando os maneirismos do grande cantor do grupo Queen.

Para piorar, o samba-enredo não era dos melhores, apesar da condução animada de Luizinho Andanças. Enfim, uma salada difícil de digerir. O risco de rebaixamento, embora não tão grande, existia.

portela2013A Portela encerrou os desfiles de domingo com uma apresentação muito parecida com a do ano anterior. Em resumo: ótimo samba-enredo, uma excelente bateria, um chão maravilhoso e um conjunto visual que poderia ter sido melhor finalizado. Antes da entrada na avenida, um momento de tensão: uma destaque se desequilibrou e caiu de uma alegoria, mas não sofreu ferimentos graves.

A comissão de frente tinha um elemento alegórico que representava um “Trem de Luxo” que fazia um convite para uma visita ao bairro de Madureira com nomes históricos da Portela, mostrados em caricaturas nas janelas do trem. Não à toa, o trem se transformava em palco no meio da pista para homenagear a vedete Zaquia Jorge, personagem histórica do bairro e que já havia sido enredo do vizinho Império Serrano em 1975.

A ideia do carnavalesco Paulo Menezes era começar o desfile lembrando o último título solo da escola até então, em 1970 (Lendas e Mistérios da Amazônia), com Paulinho da Viola a conduzir a história. Mas não gostei da águia desta vez, pois tentou-se associá-la a temas indígenos.

Mas a divisão do enredo foi muito interessante, pois mostrou-se as origens do bairro, no caso a fase rural de Madureira, com o trabalho escravo e os rituais africanos que foram trazidos. As baianas, por exemplo, desfilaram vestidas para homenagear Dona Esther, famosa mãe de santo do bairro, enquanto a bateria passou fantasiada de vermelho e branco, exaltando Zé Pilintra – veja mais no “Cantinho”.

portela2013bMas, como em 2012, as alegorias se mostraram aquém do que poderiam, pelo fluxo irregular de verbas no barracão. Mas gostei da ideia do carro que mostrou o Mercadão de Madureira, com caixas que se abriam e formavam as lojas. Outro carro interessante foi o que mostrou literalmente o charme do baile do viaduto com muitos globos espelhados e raios de luz e ainda um jogo de basquete de rua no qual a Águia vencia o Pavão por 21 a 3. Sintomático, não?

A Portela ainda passeou pelo futebol e o samba, exaltando o Madureira e o Império Serrano, enquanto o último carro levou a Velha Guarda para homenagear a própria Portela no Pagode do Trem, criado para o Dia do Samba, em dezembro. Mesmo com os problemas estéticos, a Portela fez um dos melhores desfiles do dia, superado no conjunto apenas pelo do Salgueiro.

A São Clemente foi a responsável por abrir os desfiles de segunda-feira e fez uma divertida apresentação com o enredo “Horário Nobre”, sobre as telenovelas. O carnavalesco Fábio Ricardo dividiu muito bem o enredo, mas claramente faltaram recursos para a agremiação da Zona Sul competir com as escolas de ponta.

Famosos folhetins como “Tieta”,  “Que Rei Sou Eu” e “Escrava Isaura” foram representados em carros alegóricos e o carnavalesco voltou a apostar nos bonecos infláveis, o que deu bom efeito. As fantasias estavam simples mas perfeitamente adequadas ao enredo e o destaque foi a bateria (com paradonas no melhor estilo Mangueira), fantasiada do cômico personagem “Crô”, o que emocionou o ator Marcelo Serrado. Por outro lado, embora o enredo fosse sobre as novelas das oito, apareciam folhetins de outros horários, o que poderia prejudicar a avaliação.

O samba-enredo não era dos melhores da safra, mas foi bem cantado pelo intérprete Igor Sorriso e nem tanto pelos componentes. No fim, a São Clemente, com as limitações estéticas e falhas em evolução, fez um desfile que poderia trazer problemas na manutenção entre a elite do carnaval carioca.

mangueira2013A Estação Primeira de Mangueira se apresentou bem melhor do que no confuso desfile de 2012 e parecia caminhar firme rumo à briga pelas primeiras colocações. Bem desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho, o enredo “Cuiabá: Um paraíso no centro da América” teve alegorias e fantasias mais bem acabadas do que no ano anterior. Na sinopse do enredo, um trem saía da Estação Primeira e chegava a Cuiabá, que sempre sonhou com a chegada de uma ferrovia. No restante do desfile foram mostradas a formação do povo de Cuiabá, o artesanato da cidade com destaque para as bonecas de pano típicas do lugar.

Mas a escola esbarrou no gigantismo e nos próprios erros. A ideia das duas baterias, embora tenha sido um show para o público, causou lentidão na evolução. E no fim, o último carro tinha uma grua (com uma libélula) de altura maior do que a da torre de TV e precisava ser manobrado de forma precisa para vencê-la. Não deu certo e o fim do desfile, já atrasado em um minuto, terminou seis além do tempo. Pontos que sepultaram qualquer chance de título.

“O carro prendeu ali na torre e a gente acabou passando de sete minutos. Se a gente corresse, ia acabar perdendo em alguns segmentos, alguns quesitos. Então a gente optou por realmente perder esse tempo para não perder em alegria”, explicou o presidente Ivo Meirelles – veja mais no “Cantinho”.

mangueira2013bUma pena porque no conjunto a Mangueira se apresentou bem e, não fossem os problemas citados, muito provavelmente voltaria no sábado das Campeãs. O samba descrevia corretamente o enredo e, embora não fosse uma “pedrada”, era bastante adequado e tinha boa melodia. Mas um problema que já estava se tornando recorrente nos desfiles da escola foi o excesso de componentes descompromissados com a escola e que não cantaram o samba. De novo, pena.

beijaflor2013bSempre cercada de expectativa, a Beija-Flor chegou à Sapucaí sob desconfiança devido ao patrocinado enredo “Amigo Fiel, do cavalo do amanhecer ao Mangalarga Marchador”. Mas a Azul e Branco de Nilópolis mostrou a força habitual e fez uma das melhores apresentações do ano, com muita felicidade nos quesitos plásticos e eficiência nos quesitos de pista – pelo menos até quase o fim do desfile…

A comissão liderada pelo experiente Laíla conseguiu carnavalizar um enredo teoricamente difícil e associou com muita pertinência a história do cavalo nas civilizações até chegar ao aparecimento do cavalo mangalarga marchador, em Minas Gerais. Alguns críticos alegaram que deveria haver mais cavalos nas alegorias, mas penso que não, já que era preciso contextualizar o enredo com outros aspectos.

As duas alegorias que mais me chamaram a atenção foram justamente as primeiras, o abre-alas chamado “Origem primitiva, o cavalo do amanhecer e a evolução” com representações de pinturas rupestres, destacando o papel do cavalo para o homem desde o começo dos tempos, e ainda o elemento simbolizando o Cavalo de Tróia, famoso símbolo de madeira da vitória grega no duelo contra os troianos.

Outro elemento muito bonito chamava-se “Estrada Real e o barão de Alfenas” e mostrava como o estado de Minas Gerais se tornara o grande centro de criação de cavalos no Brasil, com a chegada da raça alter-real e o posterior cruzamento que resultou no manga larga marchador.

20130212_011301Infelizmente uma das últimas alegorias teve problemas para entrar na pista e uma cratera foi formada na evolução da escola (ao lado). Sem exagero, até aquele momento, a Beija-Flor havia feito o melhor desfile do ano nos quesitos e até mesmo o samba-enredo, inicialmente criticado, funcionou muito bem. Restava saber o quão esse grave descompasso de evolução atrapalharia a Beija-Flor na apuração.

granderio2013Por outro lado, a Acadêmicos do Grande Rio não fez uma boa apresentação. O enredo  “Amo o Rio e vou à luta: Ouro negro sem disputa!” defendia a manutenção da divisão dos royalties do petróleo favorável aos estados produtores, no caso o Rio de Janeiro. Independentemente do mérito da questão, o enredo acabou sendo passado de forma confusa, até porque ganhou contornos políticos, já que Caxias, casa da Grande Rio, é sede da maior refinaria do estado.

Mas na verdade o desfile não agradou porque o visual futurista idealizado pelo Roberto Szaniecki não teve a beleza que se imaginava, já que, convenhamos, refinarias e plataformas não rendem algo que agrade aos olhos do público. Isso sem contar alguns problemas de acabamento visíveis, como o tripé da saúde, digno de ganhar o “Troféu Mangue” do ano (abaixo)…

20130212_023059Para piorar, o samba-enredo também não agradou, apesar da boa apresentação dos cantores Emerson Dias e Nêgo, este de volta à escola depois de 13 anos. Harmonia e Evolução também deixaram a desejar. O destaque absoluto do desfile sem dúvida foi a bateria impecável de Mestre Ciça. De resto, um desfile que deveria correr risco de descenso, mas que pela força política do enredo poderia ficar mais acima na classificação.

imperatriz2013Penúltima escola a se apresentar, a Imperatriz Leopoldinense se recuperou dos problemáticos desfiles dos anos anteriores e fez uma apresentação bastante agradável e correta. Na sua estreia na escola, o carnavalesco Cahê Rodrigues, acompanhado de Mário Monteiro e Kaká Monteiro, desenvolveu o enredo “Pará – O Muiraquitã do Brasil – Sob a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”, sobre um dos maiores estados da federação.

O desfile começou com uma comissão de frente que reunia ancestrais de indígenas paraenses para apresentar a escola – eles ainda abriam seus cocares e de lá saía o muiraquitã, símbolo de sorte para os índios. O lindíssimo abre-alas tinha a tradicional coroa girando em meio à floresta da região. Agradou muito também o elemento “O karaíba encontra o místico solo sagrado”, que representou a chegada do homem branco à região antes habitada apenas pelos índios.

Em seguida, a Imperatriz passeou pelos ciclos do ouro e da borracha, num belo carro que tinha uma representação do Teatro da Paz, e outra interessante alegoria representava o tradicionalíssimo mercado Ver-o-Peso, um dos símbolos de Belém. Já o elemento “Pará Tecnoshow” mostrou os diversos ritmos musicais que são marcas da capital do Pará.
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A escola contou ainda com a participação de diversos paraenses famosos como Fafá de Belém (que esteve na comissão de frente e depois em uma alegoria), Gaby Amarantos e Dira Paes. A escola fechou sua apresentação lembrando os romeiros do Círio de Nazaré. Curiosamente um deles sempre foi o intérprete Dominguinhos do Estácio, devoto fervoroso da virgem e que teve ao seu lado na condução o estreante Wander Pires – veja mais nas Curiosidades.

20130212_035501A bateria de Mestre Noca deu o recado e o samba-enredo, embora criticado pelo fato de ter sido escolhido em detrimento da poética obra de Josimar e parceiros, também era bonito e funcionou bem. A escola teve problemas de evolução em frente à primeira cabine, devido a um princípio de incêndio em um dos carros (ao lado). Ainda assim a Imperatriz deixou a avenida com boas expectativas para pelo menos voltar no sábado das campeãs.

vila2013bMas, apesar da boa apresentação da Imperatriz, o melhor realmente ficou reservado para o fim. Quem ficou no sambódromo ou assistiu pela TV não se arrependeu. Isso porque a Unidos de Vila Isabel fez uma apresentação absolutamente arrebatadora e inesquecível com o enredo “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo – Água no feijão que chegou mais um…”. Foi um espetáculo de desfile, tanto no aspecto visual como nos quesitos de pista.

vila2013eA carnavalesca Rosa Magalhães mostrou toda a sua categoria ao abordar no desfile da Vila a vida no campo. A ótima comissão de frente simbolizou os caixotes de transporte das riquezas do campo para cidade e simulava diferentes situações: uma igreja, o caixote cheio de alimentos, a dança num depósito de lama e um inseto no alimento. Já o imponente abre-alas chamado “O planeta Terra e o Sol” mostrava a importância do sol para as colheitas além do trabalho duro de quem planta e colhe.

vila2013cGostei muito também da alegoria “Os cumpadres chegaram”, que mostrou como é a casa rural, com quintal, animais e tudo mais. O primeiro e único Martinho da Vila, um dos autores do samba-enredo, desfilou naquele elemento vestido com uma roupa típica da roça e chapéu de palha.

Mas o carro que mais chamou a atenção no desfile e que se transformaria num símbolo daquele desfile foi o que mostrou a produtividade do campo, com enormes girassóis. O espetáculo visual das flores se abrindo ficou na retina dos amantes dos desfiles de escolas de samba.

vila2013dAs fantasias não ficaram por menos e eram de facílima leitura, além de serem de excelente concepção e acabamento. Não faltaram animais como galos e gafanhotos, plantas devoradas por pragas e formigas, além das verduras, legumes e flores tão típicas do rico campo brasileiro. Os ritmistas da bateria, por exemplo, estavam fantasiados de espantalhos e a ala das baianas tinha figurinos representando joaninhas.

O grande samba-enredo funcionou maravilhosamente na avenida e estava na ponta da língua dos componentes e público. Os compositores conseguiram contar o enredo com precisão e ainda em diversos momentos de pura poesia como “Agradeço a Deus por ver o dia raiar / O sino da igrejinha vem anunciar” ou “Cai a luz, acende a luz do lampião / A lua se ajeita, enfeita a procissão”.

A tradicional bateria da Azul e Branco também teve uma competente exibição e sustentou o samba com firmeza. Sem descompassos de evolução e com uma harmonia impecável, a Vila encerrou o desfile pouco antes do amanhecer como a melhor escola do ano, pois teve o que todo mundo espera: beleza, samba no pé e eficiência nos quesitos – apesar de alguns problemas de acabamento nas alegorias.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Após a maratona de desfiles, a Vila Isabel emergiu como favorita destacada à conquista do título, até porque a Beija-Flor, única a fazer um desfile que poderia rivalizar em qualidade, se embananou a partir da metade de sua apresentação. Surpreendentemente, a Mangueira ganhou o Estandarte de Ouro de Melhor Escola, mas suas chances de título ficaram sepultadas com os problemas já mencionados.

Na apuração, a Vila assumiu a liderança isolada já no segundo quesito (Conjunto) e teve a primeira nota abaixo de 10 no quarto (Enredo). No entanto, o critério de descarte da pior nota por quesito mantinha outras escolas próximas e, na leitura das notas de Bateria, a Unidos da Tijuca de forma espantosa assumiu a liderança.

Mas no oitavo quesito (Samba-enredo) a escola do bairro de Noel recuperou a liderança como se esperava, já que seu samba era mesmo muito superior ao da Azul e Amarelo – embora tenha perdido dois décimos (descartados), ao contrário do samba da Portela. A Tijuca ainda perderia o vice-campeonato para a Beija-Flor nos últimos dois quesitos e isso também causou espanto, pois a escola de Nilópolis, embora tenha realmente ido melhor do que a Tijuca, teve graves problemas de evolução e perdeu apenas 0,1 no quesito, justamente o último. A jurada Salete Lisboa (primeiro módulo do quesito), ao que parece, simplesmente não viu o buraco de dois setores e meio deixado pela Beija-Flor, descontando apenas um décimo em sua nota.

A Imperatriz foi a boa surpresa da apuração ao terminar na quarta posição, seguida pelo Salgueiro, que levou os prêmios de Melhor Enredo e Melhor Comissão de Frente, e poderia ter ficado entre as três primeiras colocadas. Inexplicavelmente, a Grande Rio ficou com a última vaga no sábado das Campeãs, desbancando Portela e Mangueira. Caiu a Inocentes de Belford Roxo, enquanto a Mocidade Independente de Padre Miguel assustou seus torcedores ao ficar na penúltima colocação.

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Unidos de Vila Isabel 299,7
Beija-Flor de Nilópolis 299,3
Unidos da Tijuca 299,2
Imperatriz Leopoldinense 298,3
Acadêmicos do Salgueiro 297,8
Acadêmicos do Grande Rio 297,2
Portela 296,8
Estação Primeira de Mangueira 296,5
União da Ilha do Governador 295,1
10º São Clemente 293,5
11º Mocidade Independente de Padre Miguel 293,5
12º Inocentes de Belford Roxo 291,1 (rebaixada)

 

Finalizando, uma das grandes mudanças para 2013 foi a organização dos grupos de Acesso. Os grupos A e B foram fundidos em um, a princípio denominado “Série Ouro”, depois chamado normalmente de “Acesso A”. Neste grupo, as escolas desfilariam com no máximo quatro carros alegóricos e tempo limite de 55 minutos.

Além disso, o desfile passou a ser realizado em dois dias, sexta e sábado, deslocando as escolas mirins para a terça-feira. A Rede Globo de televisão adquiriu os direitos por cinco anos, transmitindo para o Rio de Janeiro com bons índices de audiência.

Foi fundada uma nova entidade para a organização do desfile, a Lierj, em substituição à Lesga, de triste memória – extinta depois de ter sido descredenciada pela Prefeitura do Rio de Janeiro após o resultado para lá de controverso de 2012 e que esteve ameaçado de não homologação. Mais detalhes podem ser vistos aqui.

20130209_002802O desfile teve um claro desnível entre as escolas do antigo Acesso A e as do antigo B, tanto que as três rebaixadas (Sereno de Campo Grande, Unidos do Jacarezinho e Unidos de Vila Santa Tereza) vieram deste grupo. A última citada desfilou com bateria, passistas, composições de ala e parte da ala de baianas sem fantasias, pois estas não chegaram a tempo (na foto, a bateria).

Num inchado primeiro ano da Série Ouro, o Império da Tijuca desbancou Unidos do Viradouro, Império Serrano e Estácio de Sá para conquistar um acesso ao Grupo Especial que não vinha desde 1996. Após quatro campeãs (na melhor das hipóteses) discutíveis nos anos anteriores, a escola da Tijuca conquistou com merecimento o título. Apenas ressalve-se que não foi desfile para o total máximo de 300 pontos obtidos: a bateria atravessou pelo menos em duas ocasiões e um dos carros tinha destaques faltando.

Para começar a desinchar o grupo, houve rebaixamento de três escolas, enquanto apenas a Em Cima da Hora obteve o acesso pelo Grupo B – em outro resultado muito contestado por quem esteve na Intendente Magalhães.

CURIOSIDADES

– Foi o último ano de Glenda Kozlowski como âncora dos desfiles do Grupo Especial ao lado de Luis Roberto na TV Globo (veja mais no Cantinho). Já a Série Ouro teve seus dois dias de desfiles transmitidos pela emissora para o Rio de Janeiro. No comando, os competentes jornalistas Alex Escobar e Mariana Gross.

– Depois do sucesso do samba-enredo da Vila Isabel, o rubro-negro Tunico da Vila fez uma versão para a torcida cantar no Maracanã. Em vez de “Festa no arraiá,/ É pra lá de bom / Ao som do fole, eu e você / A vila vem plantar / Felicidade no amanhecer”, o samba virou “Mengo vai jogar / É pra lá de bom / Ó meu Mengão, eu e você / Flamengo vai vencer / Eu sou Flamengo até morrer”.

– Finalmente Martinho da Vila teve um samba-enredo de sua autoria para a escola do coração coroado com o título do Carnaval. O melhor resultado da escola com um samba dele, até então, havia sido conquistado em 1980, quando a Vila dividiu o vice-campeonato com a União da Ilha e Mocidade Independente de Padre Miguel. Vice-campeonato que na verdade foi um quarto lugar, já que houve três campeãs aquele ano.

– Curiosamente, o compositor André Diniz, multicampeão na Vila Isabel, disse em entrevista ao Ouro de Tolo preferir o samba-enredo sobre Angola de 2012 em relação à aclamada obra de 2013.

– Pela terceira vez a Mangueira teve um carro preso na torre de TV. Como já relatado na Histórias do Sambódromo, em 1993 e 1995, uma das alegorias era mais alta e o topo acabou arrebentado para o carro seguir até o fim do desfile. Na primeira ocasião, a parte que prendeu era justamente a do queijo em que estava a apresentadora Angélica. Em 2014, a história aconteceria pela quarta vez com uma alegoria que tinha uma alta escultura de índio.

– A Beija-Flor chegou à 21ª participação consecutiva no Desfile das Campeãs, fato único na história do sambódromo. Em 17 dessas participações a escola de Nilópolis ficou entre as três primeiras colocadas, com sete títulos, seis vices e quatro terceiros lugares. Em 2014, a Deusa da Passarela teria quebrada essa sequência após ficar em sétimo lugar.

–  A Imperatriz Leopoldinense chamou Wander Pires para se unir a Dominguinhos do Estácio no carro de som, mas o tiro saiu pela culatra. Embora oficialmente ninguém dissesse nada na época, falava-se nos bastidores do samba que o veterano cantor não recebeu bem a chegada do reforço, tanto que ambos cantaram separadamente na avenida. Meses depois do desfile, o patrono Luizinho Drumond dispensou Dominguinhos e manteve Wander: “Quando nós contratamos o Wander Pires a ideia era ter alguém para a ajudar o Dominguinhos até porque ele já teve vários problemas de saúde. Só que ele não aceitou bem e tiveram alguns problemas. Então ficamos com o Wander, que é uma pessoa muito boa e está fazendo um bom trabalho. Foi melhor assim. Mas quero deixar claro que não tenho nada contra o Dominguinhos”. No ano seguinte, Wander Pires seria o único cantor principal e haveria outros problemas.

– Na fase pré-carnavalesca, a Inocentes de Belford Roxo foi extremamente criticada nas redes sociais ainda pela subida de grupo para lá de contestada em 2012. Alguns mais exaltados e nada amistosos apelidaram a escola de “Indecentes” de Belford Roxo ou “Culpadas” de Belford Roxo em fóruns de internet. Fato é que, mesmo tendo sido rebaixada, a escola fez um desfile digno na sua (até agora)  única passagem pelo Grupo Especial e seu rebaixamento foi considerado até injusto por muitos.

– Quem também recebeu críticas antes do desfile foi o Salgueiro. O deputado Marcelo Freixo acusou a escola de apresentar um exemplo de enredo sem relevância cultural e que em casos como esse, no qual houve patrocínio, a escola não deveria receber subvenção do governo. A presidente Regina Celi respondeu em sua página no Facebook e disse: “Não se sabe por que, baseado no que, o rapaz (desculpe, não o conheço, sequer sei sua história política ou qualquer que seja) desferiu suas farpas gratuitas ao nosso enredo. De um universo de 14 agremiações, ele escolheu o Salgueiro para se deliciar. Uma pena”. O deputado tucano Otávio Leite também se meteu e acusou Freixo de querer censurar a escola.

– Em quatro das cinco noites de desfile a Portela teve sambas seus passando pela Sapucaí. Além das reedições da Curicica na sexta e da Tradição no sábado – além da própria Portela domingo, a escola mirim Filhos da Águia reeditou a composição de 1980 na terça-feira Gorda.

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

Uma vez mais, um carnaval complicado para a Portela. Originalmente o enredo seria sobre a Lapa (anunciado ainda no fim de 2011), mas segundo consta, por sugestão do prefeito Eduardo Paes ao então presidente Nilo Figueiredo, houve a troca.

A disputa de samba foi claramente polarizada entre a parceria ganhadora no ano anterior e o samba assinado por Neyzinho do Cavaco e parceiros, em uma safra muito aquém das tradições portelenses. Entretanto, ao final, vitória sem sustos da parceria de Luiz Carlos Máximo, Wanderley Monteiro e Toninho Nascimento.

O samba vencedor era melhor do que o concorrente da Vila Isabel, mas foi mexido de forma arbitrária por Nilo Figueiredo e pelo então intérprete Gilsinho, tirando muito do brilho da composição. Ainda continuou um ótimo samba, mas não mais o melhor da safra.

A preparação para o desfile sofreu uma vez mais com a falta de recursos, que prejudicou bastante o trabalho do carnavalesco Paulo Menezes. A fantasia das baianas chegou à avenida faltando 20 minutos para a escola entrar na avenida, e outras alas desfilaram com as roupas incompletas. Os carros também estavam bem aquém do desejável, além de uma águia com uma concepção, a meu ver, equivocada.

Ainda assim, o fantástico desfile de chão poderia ter levado a escola ao sábado das Campeãs não fosse a incompreensível avaliação da Grande Rio. Mas, na verdade, toda a escola sabia que aquele seria um carnaval de transição, à espera das eleições marcadas para maio.

Já publiquei artigo do colunista Luiz Antonio Simas com o ritual feito pela bateria da Portela no Setor 1 saudando a entidade Zé Pilintra, cuja roupa vestia (abaixo), mas vale lembrar que tal ritual de “licença” surgiu na quarta-feira antes do carnaval após a rainha de bateria Patrícia Nery ter incorporado a entidade no ensaio, e esta ter feito as exigências para que a bateria pudesse representar “Zé Pilintra” sem qualquer tipo de problema. Além do ritual e do despacho feito na concentração, o puxador Gilsinho inseriu um “caco” durante o samba com a gargalhada característica do “Zé”.

Curioso é que após o despacho feito pela Portela no Setor 1, todas as escolas que vieram depois tiveram algum tipo de problema. “Yo no creo em brujas, pero las hay, las hay”.

20130209_015720Além de desfilar na Portela representando uma canção de João Nogueira, desfilei na ala de compositores da Renascer e com camisa de diretoria no Império Serrano, mas fazendo Harmonia de ala, tal a desorganização da escola. Assisti aos quatro dias de desfile nas frisas do Setor 3.

A Mangueira proporcionou um dos momentos mais insólitos da história dos desfiles: em uma das “paradonas” a Sapucaí caiu em um sepulcral silêncio, que durou mais de um minuto. Nem público nem componentes cantavam.

O então presidente mangueirense Ivo Meirelles dizia antes do desfile que sabia que a escola estouraria o tempo máximo devido às duas baterias. O problema com o carro só aumentou o atraso, mas por outro lado houve grande demora para acionar o cronômetro no início do desfile: caso tivesse seguido o mesmo padrão das outras escolas, o estouro teria sido de 11 ou 12 minutos.

Há relatos de briga entre integrantes armados na segunda bateria apresentada pela Verde e Rosa.

Na frisa ao lado da minha no Grupo Especial estava um compositor da União da Ilha, que não desfilara pela escola pois seu pai havia morrido na sexta feira de Carnaval. Ao final do modorrento e sonífero desfile ele me chama e solta o seguinte: “Migão, meu velho me salvou de uma boa…”

A Tricolor insulana também foi muito prejudicada pelo “racha” na sua bateria, entre os “ritmistas do Riquinho” e os “ritmistas do Odilon”, os dois mestres que dividiam o comando da bateria. Além dos erros durante as apresentações para os jurados, houve confusão na Apoteose, com pancadaria entre integrantes.

Além dos carros e fantasias inacabadas – marca do carnavalesco Roberto Szaniecki, aliás – o enredo da Grande Rio tinha sérios erros conceituais. A começar pelo abre-alas, que representava uma plataforma de petróleo, mas na verdade  a estrutura mostrada era uma refinaria.

A meu juízo, a Tricolor caxiense deveria ter disputado décimo a décimo com a São Clemente o rebaixamento. Pessoalmente, se eu pudesse rebaixaria as duas. Como à época escreveu o colunista Aloisio Villar, “a Grande Rio encontrou iogurte na camada pré-sal”.

Por falar na Amarela e Preta, não deixa de ser irônico ver a escola em um enredo sobre a Globo depois de ter cantado “Se essa onda pega, vai pegar noutro lugar” ironizando o slogan da emissora anos antes.

A prefeitura do Rio pagou R$ 5 milhões por uma das cotas do patrocínio na transmissão da Série A pela Globo.

Na semana do Carnaval divulgou-se que a carnavalesca Rosa Magalhães estava fora da Vila Isabel antes mesmo do desfile, prontamente desmentido pela escola – inclusive com uma foto onde ela estaria assinando uma suposta renovação de contrato. Teatrinho puro, como os fatos subsequentes mostraram.

O locutor oficial do Sambódromo anunciou a Inocentes como “Unidos de Belford Roxo” no início do desfile.

E entre as muitas gafes cometidas por Glenda Kozlowski nas duas noites de desfile, vale destacar a confusão que ela fez entre “pagode oriental” (um tipo de construção) e o ritmo musical pagode. A apresentadora também disse que “vem chegando o Salgueiro com suas tradicionais cores verde e branca” e chamou de “Reino de Avelã” o carro de uma das novelas enfocadas pela São Clemente. Muita gente boa jura que ela não estava exatamente sóbria naquelas noites…

80% das esculturas utilizadas pela União do Parque Curicica eram reaproveitadas da Portela de anos anteriores…

O enredo sobre Chico Anysio no Paraíso do Tuiuti começava com uma impropriedade: ele chegando ao céu – só que o homenageado era ateu…

O Sereno de Campo Grande trazia uma moça grávida em cima do abre alas, como composição. E a Unidos do Porto da Pedra teve nada menos que quatro presidentes naquele pré-Carnaval.

Max Lopes assinou o carnaval da Viradouro homenageando o Salgueiro, mas segundo relatos ele só apareceu no barracão em quatro oportunidades durante todo o período pré-carnavalesco. Quem idealizou o desfile foi seu auxiliar João Victor, que conquistaria o título no ano seguinte assinando de fato o carnaval. O curioso é que o último setor da escola niteroiense em 2013 era sobre o desfile da própria escola em 1992, apesar do enredo sobre a coirmã da Tijuca…

Para finalizar, publicação da coluna “Informe do Dia”, de 11 de fevereiro de 2013 (segunda-feira de Carnaval), jornal O Dia:

Informe do Dia: A grana desfilou na quadra

POR FERNANDO MOLICA

Rio – Na sexta, a Liesa entregou, para 11 escolas do Grupo Especial, R$ 1,090 milhão da verba repassada pela Petrobras. Bastou o dinheiro chegar à Portela para gingar ioiô, gingar iaiá. Um dirigente tratou de separar R$ 300 mil: alegou que precisava quitar algumas despesas.

A história já foi contada também para o delegado Victor Poubel, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal.

Os desdobramentos? No próximo texto da série…

Links

A arrebatadora apresentação da Vila Isabel

O desfile que deu o vice à Beija-Flor

A injustiçada exibição do Salgueiro

A exaltação da Portela ao bairro de Madureira

O desfile da Tradição com o sambaço originalmente levado pela Portela em 1981

Imagens: Liesa, Estadão e Arquivo Pessoal Pedro Migão

18 Replies to “2013: Sino da igrejinha anuncia festa no arraiá e título da Vila Isabel; e foi pra lá de bom!”

  1. Por mais que o samba seja 90% do André Diniz, Festa no Arraiá fica para a eternidade. Não só por ter Martinho e Cia como autores, mas por ser uma obra-prima, e o desfile só contribuiu para isso. Embora eu prefira cantar o (único) refrão: “Ô muié, o cumpadi chegou, puxa o banco e vem prosear…”

    Sobre o Salgueiro, começava a sequência de participações de Xande de Pilares na faixa salgueirense no CD. Falando no disco, o samba da Portela é o segundo melhor arranjo que já ouvi na vida – perdendo para Araxá.

    E a Mangueira, fora a interessante e esdrúxula ideia das duas baterias, perdeu para a torre mais uma vez, precisaram derrubá-lá para a escola ganhar o carnaval…

    Aliás, quase o Zé Paulo não foi para a avenida, já que naquele pré-carnaval ele teve um problema na garganta – não vou lembrar o nome agora – e no CD isso se notou, já que ele estava com a voz meio diferente.

    A gravadora Universal divulgou no youtube os clipes das gravações na Cidade do Samba (a exemplo do que aconteceu em 2012 e do que aconteceria em 2014 e 2016) e até interessante ver o numeroso coral da Inocentes…

    No novo Grupo A, justa vitória do Imperinho, se bem que não era para pontuação máxima. E a Viradouro, a exemplo do que aconteceu em 2016, sofreu com o sistema de som da Sapucaí

    Como esquecer do Arlindo em dia de Pamplona malhando intérpretes e sambas na Série A. Aliás, uma das cenas inesquecíveis deste carnaval foi o velho David Corrêa no carro de som da Tradição cantando sua obra-prima de 1981.

    Na apuração, a voz do Perlingeiro começava a dar sinais de velhice. Aliás, o mesmo confessou ficar emocionado ao ver no envelope o 10 que dava o caneco a sua Vila.

    A polêmica do pós-carnaval foi a citação ao site Sambario nos principais veículos de imprensa carnavalesca pelo possível plágio nas justificativas do julgador Bruno Rodrigues, que lascou o polêmico 9,8 no samba da Vila, aos comentários do João Marcos. O editor do site ficou no mínimo constrangido.

    E meu amigo Rodrigo Vilela teve um repeteco de 2009, quase que a Mocidade caiu… de novo… e olha que se não tivesse descarte…

    Que venha 2014!

    1. Mas a Mocidade jamais poderia cair neste ano. Ali Grande Rio e São Clemente deveriam ter disputado décimo a décimo o rebaixamento – eu rebaixaria as duas se pudesse

      1. Exatamente, Migão, mas se não tivesse descarte, cairia.

        Aliás, o 9,3 em Evolução não me desce até hoje, até porque a Mangueira levou 9,8 no setor onde REGREDIU em seu desfile!!! =/

        Se bem que eu nem pensei em rebaixamento desta vez. O susto veio só depois da apuração.

  2. Vila teve patrocínio da Basf. Se chegou ou não a grana, Rosa Magalhães mostrou porque é chamada de “professora”. Título muito merecido.

    Eu pensava que tinha visto o pior com o desfile do Roberto Carlos. Mas aí veio o Mangalarga Marchador. Neguinho da Beija-Flor novamente operando um milagre.

    O ano em que a São Clemente fingiu que nunca criticou severamente a Globo. No ano seguinte ainda ia ter coisa pior.

    Mangueira mais uma vez passando constrangimentos. Me pergunto o que Ivo Meirelles tinha na cabeça nessa época.

    Eu gostei da ideia da Portela dar destaque a pessoas de sua história e da história de Madureira. Mas Paulo Menezes novamente fez um trabalho aquém do que pode (culpa de quem mandava nele).

    Mocidade… se tivesse como voltar no tempo e dizer para eles trocarem o enredo porque presenteariam público e jurados com um papelão…

    E na Série A, Arlindo Cruz disse na transmissão que achou o último carro do Império Serrano, que tinha mulheres grávidas formando a Coroa e aludindo à história de que a Princesa Isabel só engravidou depois de provar das Fontes de Caxambu, uma alegoria esquisita. Chico Spinosa intercedeu defendendo o conceito do Mauro Quintaes.

    Ansioso pelas estranhezas de 2014.

    1. A coroa do Império estava esquisita, mas não por causa das mulheres grávidas. Estava feia mesma.

      Aliás, foi um dos desfiles mais zoneados de que já participei

        1. Uma porrada de gente de Caxambu com camisa de diretoria atrapalhando e uma direção de harmonia que ficou na Edgard Romero e não veio pra Sapucaí… #ironicmodeon

      1. Eu trocaria para evitar que acontecesse justamente o que aconteceu. Foi duro ver aquilo, e olha que a transmissão da TV tava fazendo parecer lindo. Uma ideia estranha que foi mal executada.

  3. Bom dia!

    Prezado Fred Sabino:

    Meu carnaval de 2013 começou pontuando mais um episódio de minha trajetória cigana pelo sambódromo.
    Depois de assistir aos desfiles nas arquibancadas dos setores 1, 3, 5 e 7 (O Setor 3 foi o que mais tempo fiquei, de 1995 até 1999. Voltaria em 2011 a ele), e ter passado em 2012 pelas frisas do setor 2, em 2013 eu assistiria aos dois dias de Especial nas frisas do setor 11, uma novidade para quem nunca havia passado da primeira metade da pista!

    A novidade me renderia uma nova perspectiva dos desfiles.

    Novamente em São Paulo na sexta e no sábado para ver ao vivo no Anhembi.
    Com as mudanças nos desfiles, fui para a Intendente na terça-feira ver a última divisão do carnaval, que seria remanejada para o Domingo em 2014.

    Breves comentários.

    GRUPO ESPECIAL

    – O samba da Inocentes era delicioso no ensaio técnico. Infelizmente empacou no desfile, e atrapalhou bastante a evolução da Escola.

    – O desfile do Salgueiro era bem humorado, fato! Os faraós com óculos escuros eram muito engraçados. O carro do Photoshopping teria escadas rolantes, não usadas devido ao peso sobre o chassi. O enredo e o samba, além de alguns problemas visuais, não ajudavam.

    – Aliás, falando em Salgueiro, desta vez o carro do patrocinador foi bonito!

    – O desfile da Tijuca deu pena! No final da pista a lentidão da Escola era nítida. Mais um “cult” (Para o bem!) que será lembrado na posteridade. Muito cultural, apesar das críticas mencionadas.

    – As alegorias da Mocidade tinham algo de interessante na concentração, por serem feitas de materiais simples (CDs e garrafas PET usadas das maneiras mais inusitadas). Na pista de desfiles sabemos bem o que aconteceu.

    – Há de se lembrar de Evandro Mesquita solando com sua guitarra junto da bateria de Mestre André!

    – A São Clemente utilizou-se claramente de merchan da Rede Globo no elemento cenográfico de sua comissão de frente. A LIESA julgou que não era merchan antes de a apuração começar. Por que será?

    – A manobra da borboleta da Mangueira não era tão difícil assim. Foi bem estranho, e pareceu até proposital. Reza lenda que Ivo Meirelles se indispôs com os chefões da LIESA pela ocupação de certo espaço do sambódromo para recuar a segunda bateria. O time de intérpretes teve o reforço de Aguinaldo Amaral, que já vinha de longa trajetória em São Paulo, atuando em Escolas como Vai-Vai, Barroca Zona Sul e Vila Maria (Atualmente na Nenê de Vila Matilde).

    – O desfile da Beija-Flor não me surpreendeu em beleza, porque a Império de Casa Verde já havia levado um título (2006) em sampa falando dos 100 anos de gado Nelore no Brasil. O desfile paulistano foi lindo. Portanto, bastaria a Beija-Flor seguir a “cartilha”, que o Mangalarga passaria sem sustos. E passou! Difícil escolher um momento mais bonito plasticamente falando! Achei a Escola menos animada do que no Ensaio técnico (Arrebatador e feito embaixo de forte chuva), mas valeu!

    – O elemento do CTI com David Brasil merece o prêmio “Jacarezinho.com.br” de 2013! E o povo na ala fantasiado de doentes e médicos? Trash demais…

    – A Imperatriz me decepcionou novamente! Surpreendeu-me o quarto lugar. Começava a plasticamente confusa trajetória de Cahê Rodrigues na Escola. Comentarei em detalhes em outro espaço.

    – A Vila foi demais! Segui no arrastão ao final da Escola, e acabei perdendo o meu celular ao pular a grade da frisa…

    ACESSO D

    – Pela primeira vez na Intendente, e contemplando a última divisão do carnaval. Instalei-me com amigos na porta da quadra da Tradição, e até desfilei pela Vizinha Faladeira empurrando carro!

    – Lamentavelmente a tradicional agremiação foi rebaixada a Bloco de Enredo naquele 2013…

    Que venha 2014, e mais uma migração no sambódromo…

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

  4. Um comentário à parte sobre o (A meu ver) errante desfile da Imperatriz.

    – O abre-alas era dividido em duas partes (Dois chassis acoplados). A primeira trazia a coroa e era linda, toda em metal batido, com iluminação verde que dava um efeito incrível. A segunda deveria ser a floresta, mas parecia uma vitrine da loja Ri-Happy, com as pelúcias dos bichos da mata penduradas a ermo…

    – Um outro carro representava a cerâmica marajoara. A cerâmica, de formas arredondadas tão características e cores fortes passou como que pintada de aquarela diluída e com alguns vértices…

    – O carro sobre o Teatro era uma maquete gigante. Carro alegórico não é maquete gigante. Trabalho artístico digno para uma exposição, mas não para um desfile.

    – O carro das aparelhagens (Com Gaby Amarantos de destaque principal) ficaria melhor como elemento cenográfico. Ficou pouco para um carro, apesar da altura. Faltou luz e doideiras. Sim, para uma aparelhagem faltou muita luz naquele carro…

    – As fantasias das alas apresentavam visuais não muito agradáveis.

    Enfim!
    Tudo o que relatei acima se repete até os dias atuais.
    São detalhes, e me soam ofensivos, pois a Imperatriz sempre foi a Escola destes detalhes.

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

  5. Nesse Carnaval de 2013, assisti os dois dias do setor 4, o que repetiria nos carnavais seguintes.

    A vitória da Vila Isabel foi justíssima! O desfile foi uma catarse, embalado por esse samba maravilhoso, a escola parecia flutuar na avenida, leve, feliz, os componentes e nós, o público, cantávamos como se não houvesse amanhã… Sem dúvida, o desfile em que mais me diverti nesses anos assistindo no Sambódromo… E o visual, se não era rico e luxuoso, não era ruim, os poucos décimos perdidos não atrapalhariam o título da escola do bairro de Noel.

    Até abrir aquele buraco enorme, achava que dificilmente a Beija-Flor perderia o título. Depois daquilo, a escola não se aprumou mais, e começou a correr desnecessariamente, uma pena… O desempenho de Neguinho da Beija-Flor, assim como todo o carro de som, foi extraordinário!

    Ao contrário de 2012, a Mangueira veio com um belo visual, o que só torna mais desnecessário ainda o recurso das duas baterias. Sim, confesso, o público foi ao delírio, no setor 4 ninguém ficou em silêncio na hora das paradonas não, cantavam bastante, chegou até a rolar grito de campeã, mas quando notaram, ao longe, o tempo de desfile e a Libélula na torre, só se ouvia “pqp! Não acredito que vão estragar esse desfile!”. Infelizmente, a direção da escola na época esqueceu que, quando o barracão vai bem, a Mangueira não precisa inventar moda para se impor, basta ser Mangueira, e pronto. O desfile campeão desse ano provou isso. Infelizmente, a vontade de aparecer falou mais alto do que um possível título.

    Tijuca veio com o melhor conjunto de alegorias e fantasias do ano, a meu ver, mas os problemas na entrada dos dois primeiros carros, bem como a passagem dos mesmos pela pista, derrubaram as chances da escolas, uma pena. Além da já citada falta de menção aos grandes músicos alemães, senti falta também de alguma referência ao futebol. E apesar de adorar quadrinhos, achei a referência a Thor forçada, ele é da mitologia escandinava…

    Imperatriz surpreendente, quarto lugar merecido! Achei a união dos figurinos do Cahê com as alegorias do casal Mário e Cacá Monteiro ótima, pena que não se repetiu. Já o Salgueiro foi prejudicado pelo horário de desfile, em outra posição, seria terceiro lugar fácil, encostando na Beija-Flor.

    Por pura falta de opção, a Portela completaria minhas campeãs, mas, apesar do excelente chão e do samba (também preferia a versão concorrente), o visual da escola conseguiu ser ainda pior do que 2012. O que era aquela águia?

    Rebaixamento, sinceramente, pega Grande Rio, São Clemente e Mocidade e escolhe uma. Desfiles muito fracos. O enredo da São Clemente até lhe garantiria uma pequena vantagem, mas fizeram uma salada bem estranha, teve novela das sete e tudo… Apesar do erro que foi sua subida ao Especial, a Inocentes passou longe de merecer ser rebaixada, considerando o que se viu na pista.

    Título justíssimo do Império da Tijuca no Acesso. Mas a Viradouro, com um excelente samba, foi muito prejudicada por inúmeras falhas no som até a metade do desfile. E a Cubango, apesar dos problemas, foi canetada sem dó, um absurdo, foi disparado o melhor visual do Acesso, e a escola cantou bem. Infelizmente, esse desfile foi a última aparição no Carnaval do Shangai, o Mago do Alumínio, grande artista do Carnaval, que faleceria poucos meses depois. Shangai foi um dos artistas homenageados no interessante enredo da Cubango…

  6. A Vila Isabel arrasou! Trucidou!! Não teve pra ninguém!! Mais um daqueles desfiles que bastam o cronômetro disparar para ser testemunha de um momento histórico.

    Sambaço, desfilaço, kizombaço!! E ainda tinha nilopolitano se dizendo injustiçado com o vice, inclusive Laíla e Anísio!! Mi zibb!!

    Sobre as outras, no TA discordei educadamente do Fred e continuo (apesar de abrir um adendo): a Inocentes merecia, sim, cair, mas se caísse a Grande Rio não seria nenhum absurdo. E a Mocidade, embora pese todos os problemas que a escola teve, foi assaltada. Receber 9,3 em Evolução, enquanto a Mangueira, QUE REGREDIU EM SEU DESFILE, perdeu só 1 décimo, foi uma p**aria sem precedentes! Tudo bem, não era para ter passado do décimo lugar, mas se não tivesse descartes, seria a rebaixada!!

    Salgueiro, de novo, se embananou sozinho. Portela deveria ter voltado nas campeãs e acho que sou o único que gostei da Unidos da Tijuca. Achei a medalha de bronze justa, eu adoro o “Metade do meu coração é Tijuca… a outra metade, Tijuca também”.

    Fosse eu o carnavalesco e viria com o “meio” da escola separado por um muro!!! =D

    E pensar que o terceiro melhor samba de todos os tempos (minha opinião) foi o canto do cisne da Tradição…

    Sobre o Arlindo Cruz, como citado pelo Marco, para mim tem um nome: recalque. Porque são sambas antológicos que não foram feitos por ele. Deve ter tido inveja e passou a descer o malho – sem nenhum argumento decente – nos intérpretes. Perdeu meu respeito, até porque ele faria isso em 2014 também. Inclusive dizendo que os cantores da Em Cima da Hora tinham a voz “fina demais” para cantar o samba. Como se ele fosse um Rick Astley da vida.

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