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Há tempos que não escrevo nessa revista eletrônica. E não é por falta de vontade, ou falta de assunto. Mas a atual conjuntura brasileira, sobretudo no que tange às questões políticas, faz com que me recolhesse e entrasse no momento de reflexão e observação. Não se trata de um novo “silêncio dos intelectuais”, visto que não há, nesse momento, condições de se defender a plataforma conservadora e retrógrada do governo. E um dos fatores de confusão se instala bem aí, na reação conservadora a um governo conservador. Como pode?

Se já não bastasse a desilusão com os rumos que o futebol brasileiro tem tomado, com essa dita “modernização” excludente, e a zaga horrorosa do Flamengo, me preocupa muito o sentimento de caça às bruxas, repaginada em pleno século XXI, em um macartismo fajuto de uma classe média desesperada por conta da perda de… direitos? Ou privilégios? Milton Santos já dizia que a classe média é assim. Marilena Chauí, que ficou calada por um longo período também já fez seu discurso a respeito dessa classe proletária enriquecida e que pensa que é rica. Para ela, a classe média é fascista, odiosa.

Não deveria, mas é de se espantar com a seletividade da indignação dos protestos contra a corrupção. Além de ser verde e amarelo, reivindicando um patriotismo conveniente, sazonal, temporário e estúpido, (acho que todo patriotismo é tolo, em qualquer circunstância), os manifestantes transmitem mensagens nada democráticas ou pacíficas. O editorial do jornal Bom Dia Brasil, feito ontem por Alexandre Garcia, tentou mostrar que não.

velhinha assassinaTodavia, a defesa aberta de golpe militar, disfarçado sob alcunha de “intervenção militar constitucional”, desejar a morte de todos os petistas e somente a eles, como se a corrupção tivesse sido inventada em 2003, mostram que de pacífica essa classe média, branca, não tem nada. Ela é preconceituosa e cruel, não se importa com o que ocorre na periferia e nas favelas. Max Gonzaga, cantor paulistano, expõe muito bem essa faceta na música “Classe Média”.

Mas a corrupção é um processo histórico e, em boa parte, está relacionada com as relações patrimonialistas oriundas lá das capitanias hereditárias. Dos favores e acordos entre famílias ricas, donas, ou melhor, expropriadoras de imensas terras de povos indígenas. Esses, inclusive, estão no rol dos que fazem parte de um tal de “Foro de São Paulo”, não tenho ideia direito do que seja, de fato. Junto a eles, está o MST, a CUT, a UNE e várias entidades que por anos, décadas, lutaram contra a ditadura, contra o neoliberalismo, pela democracia. Esses movimentos sociais, junto com o PT, capitularam, e não souberam manter plataformas e bandeiras históricas, as quais ainda continuam sendo acusados de defender, tais como o comunismo e o socialismo, pelos chamados “coxinhas”. Pode um negócio desse?

Os coxinhas são consumistas, gafanhotos por consumo. Vivem de aparências, selfies e afins. Precisam consumir, porque essa é única razão da vida desses seres. Estudar, trabalhar, viver para consumir. O consumo define a vida deles. O consumo é o modelo de sucesso. Se não há consumo, e consumo desenfreado, esnobe, ostentador, então é motivo de se indignar. Pois a visão de sucesso e fracasso está pautado no esforço individual, e nada tem a ver com uma relação social e coletiva, e que a sociedade boa só existe quando vários indivíduos com sucesso estejam bem. A grande birra deles com o governo lulo-petista é justamente isso: não necessariamente a diminuição do consumo, mas a inclusão de novos consumidores no rol da classe média. Eles eram pobres, e todo mundo sabe que pobre no Brasil tem cor: e ela não é branca.

dancinhaOu seja, há um grande incômodo dos coxinhas com essa ascensão temporária de novos consumidores. Ela é temporária porque não constitui cidadania por direitos sociais, mas basicamente pelo poder de consumo. E esse consumo pode se exaurir com qualquer crise cíclica do capitalismo. E já dá sinais que isso esteja ocorrendo. Portanto, muitos que subiram de renda podem descer, e junto levar aquela família tradicional mediana.

Volto a frisar: essa visão míope a respeito de corrupção, obstinada em declarar apenas o PT como responsável por todas as mazelas consumistas da classe média é um tanto perigoso. Beira o proto-fascismo, e permite que entulhos autoritários deixem de ser questões mal resolvidas da nossa história, do nosso passado recente e voltem a ser a tônica das decisões. Virem regra.

manifestação-instituto-lulaEssa polarização anti-petismo versus lulo-petismo é silenciadora. Restringir a crítica a esse ou aquele grupo aniquila a diversidade de opiniões e visões sobre o contexto atual. Discursos cada vez mais passionais e apaixonados tomam conta da política, faltando clareza e ponderação. No fim das contas, creio que falta a todo mundo relembrar um passado recente, mas que ambos decidiram esquecer: se por um lado, é importante lembrar que na época dos dois fernandos, tanto o collor como Cardoso, o poder de compra da classe média era muito menor, temos que lembrar os militantes petistas que o PT e seus diversos movimentos sociais e sindicatos apoiadores defendiam uma coisa muito importante na década de 1990. Defendia reforma agrária, liberdade, democracia, fora FMI, libertação dos povos indígenas.

E agora, o que os governos petistas tem feito nos últimos 13 anos, senão enriquecer bancos e latifundiários? Aumentar índice de assassinatos de índios? Não fazer reforma agrária? Flexibilizar leis trabalhistas? Propor lei anti-terrorismo, que inclui vários movimentos sociais apoiadores do governo na clandestinidade? Transferir recursos públicos para a iniciativa privada, sobretudo na educação? Privatizar (fazer concessão) de rodovias, portos e aeroportos? Enfim, porque a amnésia coletiva paira sobre esses dois grupos? A quem interessa tudo isso?

instituto lulaPortanto, esse texto não faz defesa nem dos coxinhas, nem do governo. Esse texto é para todos aqueles que se sentem acuados frente a um governo que corta previdência dos trabalhadores e que está sendo combatido por uma classe média bem retrógrada e conservadora. Ou seja, ambos fazem parte do mesmo jogo, do mesmo lado, mas ainda não sabem. Pois defendem o status quo, sob qualquer medida, seja através do impeachment ou pela Agenda Brasil.

2 Replies to “Se você não está confuso, está mal (in)formado”

  1. Boa Julião!!!!!
    Os coxinhas são consumistas, gafanhotos por consumo. Vivem de aparências, selfies e afins. Precisam consumir, porque essa é única razão da vida desses seres. Estudar, trabalhar, viver para consumir. O consumo define a vida deles. O consumo é o modelo de sucesso. Se não há consumo, e consumo desenfreado, esnobe, ostentador, então é motivo de se indignar. Pois a visão de sucesso e fracasso está pautado no esforço individual, e nada tem a ver com uma relação social e coletiva, e que a sociedade boa só existe quando vários indivíduos com sucesso estejam bem

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