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O Brasil ficou chocado no dia de ontem com o falecimento do candidato à Presidência Eduardo Campos, ocorrido em um acidente aéreo nas proximidades de Santos. É a primeira vez na história em que um candidato à Presidência morre durante a campanha, havendo precedentes anteriores, apenas, de dois candidatos a governador mortos em desastres aéreos: Salgado Filho em 1951 e Clériston Andrade em 1982.

Vale notar, também, que a crescente radicalização política do Brasil se fez sentir: muita gente em órgãos de imprensa e redes sociais destilou seu ódio ao PT, à Presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, inclusive com afirmações de que o acidente teria sido uma sabotagem perpetrada a mando de um destes agentes citados.

Obviamente, é um delírio, mas espantou-me a quantidade de pessoas, especialmente nas redes sociais, escrevendo isso a sério. Outros lamentavam a morte e desejavam que a Presidenta Dilma estivesse no lugar dele no jatinho.

romárioEntretanto, este não é o objetivo deste post, mas sim traçar uma análise política do que pode estar por vir, após guardado o necessário luto. Não temos o açodamento de certos “analistas” da imprensa, que imediatamente após o trágico fato estavam mais preocupados em ver qual o quadro melhor à oposição que em confortar a família do político; mas se faz necessário tentar entender o que pode acontecer em um quadro eleitoral totalmente modificado a partir de agora.

O quadro mais óbvio seria a ascensão da candidata a vice presidente Marina Silva ao cargo majoritário, tornando-se novamente a “terceira via” já observada nas eleições de 2010. É uma alternativa defendida ferrenhamente pelos “jornalistas” políticos dos grandes órgãos de imprensa, todos entusiásticos apoiadores de Aécio: o raciocínio é de que Marina Silva irá dividir mais os votos petistas e, assim, provocar um segundo turno.

O raciocínio não é tão simples, porém. Até porque primeiramente Marina Silva precisa conquistar a confiança dos próprios líderes do PSB, haja visto que ela se abrigou no partido devido ao não registro – por insuficiência de assinaturas – de seu partido “Rede Sustentável”.

Oficialmente, a chapa Campos/Marina era “puro sangue”, mas na prática era uma coligação entre dois partidos, já citados. A então candidata a vice precisará se viabilizar dentro do próprio PSB como a alternativa mais viável, em que pese resistências já expressas por alguns líderes do PSB.

Internamente, ainda precisará afinar seu conteúdo programático ao do PSB, algo que já vinha sendo alvo de críticas e de questionamentos nas recentes entrevistas dadas por Campos à imprensa. Não são desconhecidas as divergências, que variam desde pontos como a legislação florestal à própria condução da economia, com os assessores de Marina Silva bem mais “mercadistas” que os ligados à Campos. O programa de governo a ser divulgado seria um meio termo entre os dois “partidos” da coligação – lembre o leitor que o Rede é virtual, não sendo oficialmente um partido político – mas agora, com este fato novo, há de se saber para que lado irá pender a questão.

linha-completa-natura_1Considerando que Marina Silva consiga dobrar as resistências internas do PSB e seja confirmada como cabeça de chapa após a tragédia, ainda há que se considerar o novo quadro eleitoral. Campos transitava em uma faixa de eleitorado que repudia o PT, mas que sabe ser a proposta econômica e social do PSDB inadequada. Com propostas econômicas mais à direita, voltadas às aspirações do mercado – em certos aspectos, até mais que o PSDB – seria de se esperar, falando em tese, que parte deste eleitorado voltasse ao PT.

Além disso, as notórias ligações religiosas de Marina Silva também tendem a devolver ao PT uma parcela do eleitorado que tem o Estado laico como valor importante para a definição do voto. Devido a estas ligações com denominações evangélicas – especialmente a Assembleia de Deus, mas não somente – a candidata possui posições bastante conservadoras em temas como a agenda LGBT, pesquisas com células tronco e o aborto, entre outros.

Por outro lado estes posicionamentos tendem a aumentar o percentual de votos desta terceira via, roubando eleitores das duas correntes. Ao mesmo tempo que aumenta o capital político da candidatura, possui um teto de intenções de voto bastante definido, como outras eleições já mostraram. Ainda assim, o saldo me parece positivo à candidatura do PT, aumentando a possibilidade de uma definição em primeiro turno.

Ou seja: é uma equação política bastante complicada a que se apresenta aos próceres do PSB.

E onde entra o ex-jogador, também filiado ao PSB?

Romário, deputado federal de relativo sucesso em seu mandato, é candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, com chances razoáveis de ser eleito. Por outro lado, é o único nome nacionalmente conhecido filiado ao partido hoje, e, a meu ver, poderia ser a opção do partido para encabeçar a chapa e criar um fato novo que, aí sim, poderia alterar a atual estratificação das intenções de voto.

Se em termos partidários e programáticos se manteria o arranjo atual, o nome de Romário é significativamente mais conhecido pelo eleitorado, sem ter os problemas envolvendo nepotismo do falecido ex-governador. Somado à comoção causada pela tragédia, seria uma saída que ameaçaria a posição estabelecida de Aécio Neves no segundo lugar.

romario-no-poder-e-politica-1329849572256_1920x1080Resta saber se o ex-jogador e deputado trocaria uma eleição bem possível ao Senado por uma aventura à Presidência. Note o leitor que os colunistas políticos brasileiros, majoritária e entusiasticamente apoiadores do PSDB, defendem em uníssono a opção por Marina Silva, por saber que não ameaça a candidatura de seu ungido. Mas, olhando pelo ângulo do PSB, a opção por Romário me parece bem lógica.

Finalizando, o episódio de ontem mostrou que a grande imprensa brasileira pode ser tudo, menos plural e isenta. Especialmente os veículos ligados à maior empresa de comunicação do país.

Vamos aguardar os desdobramentos.

5 Replies to “Eduardo, Marina e Romário: alternativas”

  1. Você avalia com a paixão, não com a lógica. Desisti da leitura quando disse que a candidatura da Marina poderia ser favorável ao PT e que talvez Dilma ganhasse no primeiro turno. Análise totalmente surreal, desprovida de qualquer sentido lógico. Campos sempre apareceu muito abaixo de Marina nas pesquisas de opinião.

  2. Só uma correção: não foi nas proximidades. Foi em Santos, mesmo!!! Eu sei que ninguém conhece a cidade onde moro (o fiodaégua vai pra Mongaguá e fala que tá em Santos), mas desta vez foi em Santos, mesmo!!

    No mais, belo texto, mesmo não concordando 100%!

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