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Depois do debate presidencial da terça, o estado do Paraná teve, nesta quinta-feira, o seu confronto entre os candidatos a governador, também sediado pela TV Bandeirantes. Se no embate entre os presidenciáveis, o nível foi baixo pela falta de traquejo dos participantes, por aqui a causa foi o tom bélico que o debate teve. Só a presença de Roberto Requião (PMDB) entre os candidatos, mesmo que ele estivesse mais contido, já justificaria esse fato. A questão é que tanto Beto Richa (PSDB), atual governador, e Gleisi Hoffman (PT) tomaram uma tática mais agressiva também.

O debate foi feito de três blocos, nos quais os oito candidatos, em ordem definida por sorteio, perguntavam a um adversário sobre o assunto que quisessem. A única ressalva era que um candidato não podia responder a perguntas duas vezes por bloco. O quarto bloco seria de considerações finais.

Logo na primeira pergunta, Requião se direcionou a Richa, o que foi a senha para que a acidez tomasse conta do debate cedo. Ao ser perguntado sobre os problemas econômicos e de gestão de seu governo, Richa logo atacou dizendo que Requião “já tem cabelos brancos, portanto deveria aprender a não mentir”, além de mandar o peemedebista “manter o equilíbrio”.

Na pergunta seguinte, Richa apontou a metralhadora para Gleisi, ligando a petista com as práticas e fama de seu partido, e toda aquela história dos “mensaleiros” (mal que qualquer petista terá que lidar daqui para frente). Já com a palavra, Gleisi cometeria uma deslizada, ao perguntar para o “nanico” Geonísio Marinho (PRTB). A ex-ministra da Casa Civil – dando um jeito de atacar Richa – perguntava sobre a segurança no estado, mencionando uma recente rebelião num presídio de Cascavel que deixou cinco mortos. A questão é que Gleisi trocou Cascavel por “Papuda”, sendo obrigada a engolir uma correção do candidato do PRTB na resposta dele.

bernardo pilottoCom a participação dos nanicos, o fim do primeiro bloco foi mais calmo, até a entrada de Bernardo Pilotto, do PSOL, que direcionou sua metralhadora aos três favoritos. A propósito, Pilotto até foi bem no debate. Um dos poucos a debater propostas, seguindo a cartilha do PSOL, e questionando firmemente os mais cotados. Quando posto contra a parede, fraquejou um pouco, provavelmente, pela pouca experiência na arte. Além disso, protagonizou uma cena hilária na apresentação dos candidatos pelo mediador, quando foi flagrado de olhos fechados e balançando a cabeça aleatoriamente – como se estivesse dormindo.

No segundo bloco, o debate perdeu um pouco o fôlego, mas o tom bélico não foi deixado de lado. Destaque para o embate entre Gleisi e Túlio Bandeira (PTC), que acusou a petista de não ter moral por ser do partido que é, e de não representar uma “política nova”. Aqui, Gleisi mostrou algo que nem Dilma apresenta: firmeza, mesmo na hora das acusações. A petista, de “bate-pronto”, lembrou que Bandeira tinha 30 inquéritos contra si e já tinha sido preso.

Logo na sequência, com a pergunta, Gleisi não teve medo de questionar Requião sobre a aposentadoria de governador, assunto que ele era contra em 2002, mas pelo qual “roubou” um gravador de um “repórter” do CQC, em 2011. A petista, no primeiro bloco, já havia chamado Richa de governador “Kinder Ovo”, pelas inúmeras vezes em que ele se mostrou surpreso por situações ocorridas na sua gestão – fato mostrado na manhã do debate pelo jornal Gazeta do Povo.

Merece destaque a hesitação de Roberto Requião em perguntar para Beto Richa, e o fato dele – aí sim na sua inspiração clássica, que os seus seguidores de Twitter conhecem – declarar que o governador “acorda tarde, se preocupa mais com seu penteado e bronzeado”. Richa viria a ganhar um direito de resposta para esta afirmação.

Na resposta, o tucano também saiu do seu tradicional tom mais polido, para mencionar que o peemedebista era um senador “turista, que vivia viajando”. Além disso, Richa lembrou da investigação pela qual Requião passa, por supostamente ter usado dinheiro destinado à PM para cuidar de cavalos que ele possuía, quando governador (entre 2003 e 2010).

100_2446A propósito, os direitos de resposta foram a vedete deste debate. Ao todo, foram 16 pedidos, o que deixou o mediador, Fabrício Binder, jornalista da Band Curitiba, parecendo um garçom anotando uma comanda. Em um dos pedidos acatados pela equipe jurídica da Bandeirantes, Túlio Bandeira foi direto na jugular de Gleisi Hoffman, chamando-a de “bandida” por… ser do “partido dos mensaleiros”.

Além disso, já no terceiro bloco, Bernardo Pilotto, do PSOL, pediu a opinião de Gleisi sobre a prática de privatizações tucanas. Pergunta que se provaria uma armadilha, já que na réplica, Pilotto afirmou sem pestanejar: “você mente, Gleisi”. Como base para tal acusação, o pessolista usou a privatização do Hospital de Clínicas de Curitiba, atualmente da Universidade Federal do Paraná, na qual o governo federal tem participação indireta.

Após a série de saraivadas, Gleisi perdeu um pouco da firmeza e tomou um tom mais contido, mas mesmo assim, mostrou ter estudado para este debate, não fugindo das brigas. Apesar da fala pouco cativante, mostrou evolução nessa situação e me surpreendeu positivamente. Já Beto Richa, mesmo sendo mais agressivo que o costume, não largou sua prática de falar sempre a mesma coisa, com palavras diferentes. No fim, não se comprometeu, foi seguro e ainda apagou o ímpeto de Requião, na resposta e tréplica da primeira pergunta.

Aliás, Requião foi a decepção do debate. Perdeu-se em alguns momentos, demorou a lidar com os limites de tempo e foi mais brando que o costume, nem de longe lembrando os clássicos embates do passado contra Rafael Greca, Jaime Lerner ou os irmãos Dias. Sinceramente, esperava bem mais.

Dentre os outros “nanicos” (já que a Band convidou todos os oito candidatos), Ogier Buchi (PRP) bancou o apaziguador nos dois primeiros blocos, dizendo que os telespectadores não mereciam um debate só de ataques. Ao ver que era voto vencido, pegou no pé de Requião sobre uma questão de pedágio. Ao todo foi mais sensato do que o Buchi participante do Jornal da Rede Massa (afiliada do SBT em Curitiba), do qual era comentarista e membro de uma equipe completamente anti-PT, que vê no comunismo uma ameaça. Enfim, um jornal digno de conversa de botequim.

Túlio Bandeira (PTC), deu margem a quem o chama de “laranja” de Richa, enquanto Geonísio Marinho (PRTB) proporcionou a mesma sensação a quem o acusa de ajudar Gleisi ou Requião. Já Rodrigo Tomazini, do PSTU, fez as mesmas propostas que a extrema-esquerda sempre faz, mas sem o traquejo do seu “companheiro” pessolista, Bernardo Pilotto.

100_2428O pedágio nas rodovias paranaenses foi uma das pautas frequentes do debate, assim como nas últimas eleições por aqui, principalmente com a presença de Requião entre os candidatos. O atual senador, na campanha de governador para 2002, declarou que o pedágio “baixava ou acabava”. Não é preciso muita imaginação para desvendar que nenhuma das duas coisas aconteceu. Aliás, Requião não fugiu da reta e assumiu a frase, mas relevou que age judicialmente contra as concessionárias – acusando Richa e tucanos de barrarem sempre suas ações.

Pessoalmente, não vi um vencedor claro no debate da Band, o que seria difícil, pelo mastodôntico número de oito participantes. Gostaria de ver uma edição protagonizada apenas pela trinca Richa-Requião-Gleisi, inclusive. Se o primeiro debate já foi bastante bélico e ácido, não acredito que nos próximos seja diferente. A tendência é que sejam mais quentes ainda.

Quem gosta de ver propostas e uma conversa limpa perderá bastante; já quem gosta dos tiroteios não terá do que reclamar.