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Um outro aspecto extremamente negativo na inesquecivelmente triste participação da Seleção Brasileira na última Copa do Mundo foi o comportamento da CBF no que concerne ao relacionamento com os veículos de comunicação e as entrevistas coletivas dos profissionais da entidade.

Nem vamos entrar no discurso ufanista de Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira, em um abominável estilo que lembrou os não menos abomináveis tempos do “ame-o ou deixe-o” – coincidência ou não, uma época bem à feição do presidente José Maria Marin, que, sabemos, era ligado à ditadura militar e que, em um país onde se acertam contas com o passado, deveria estar explicando seu envolvimento (indireto) na morte de Vladimir Herzog.

Mas desde o começo a coisa já estava esquisita e a famigerada e inédita reunião de Felipão com seis “jornalistas amigos” demonstrou definitivamente a forma amadora e medrosa como o tema comunicação era tratado nos porões da Granja. Esta reunião, segundo relatos divulgados a posteriori, quebrou a confiança de parte do grupo de jogadores no técnico.

Só que o pior ainda estava por vir, depois da lamentável derrota para a Alemanha nas semifinais. Nem me refiro às desculpas pós-derrota normais (apesar de algumas declarações incompreensíveis do treinador na coletiva do Mineirão), mas em relação à escalação dos entrevistados nos dias seguintes.

Primeiro, a dupla Parreira-Felipão. Até aí tudo bem… Mas absolutamente NENHUM jogador que esteve em campo no desastroso resultado foi escalado para falar – aliás, até agora estamos esperando alguém aparecer e comentar algo lúcido sobre o jogo, já que na saída do gramado ou na zona mista sabemos que sairiam (e saíram mesmo) apenas lágrimas e as famosas frases do tipo “não tem explicação…” ou “foi um apagão”…

machucado1E, pasmem, Neymar foi o primeiro atleta selecionado para ser entrevistado. Para começar, foi um absurdo fazer o jogador se deslocar desde a Baixada Santista para a Granja Comary tão pouco tempo depois de ele ter uma vértebra fraturada. Se clinicamente não havia restrições, não fazia sentido essa operação toda só para ele falar.

Ou melhor, fazia todo o sentido…

Como não havia entrado em campo, Neymar era o para-raio perfeito para desviar o foco da vergonha que se viu no Mineirão. Afinal, ele era o craque do time e estava vindo de uma contusão que causou comoção no país – e no grupo de uma forma muito acima do normal. E, claro, não poderia responder pelo desastre… Ou seja, em vez de humildade em assumir erros, a omissão em abordá-los.

Como na véspera do jogo contra a Holanda a coletiva já era comandada pela Fifa, em Brasília, novamente Felipão falou, desta vez ao lado do capitão Thiago Silva, outro que não esteve em campo contra a Alemanha… Novamente, as declarações, especialmente do treinador, mostraram estar bastante dissociadas do que o Brasil e o mundo inteiro viram desde a fatídica semifinal. Cheguei a comentar em redes sociais que vivíamos naquele momento o “fantástico mundo da CBF”, dado o quadro.

No caso da CBF, o responsável pela “desassessoria” de comunicação estava no cargo havia doze anos e sempre primou pelo relacionamento estreito com apenas uma emissora de TV, a mesma que detém os direitos sobre os jogos da Seleção e o Brasileiro, e por uma cobertura “chapa-branca”.

Não somente no futebol, existe muita dificuldade por parte de alguns comandantes de instituições e pessoas públicas em geral em separar o que é “assessoria de imprensa” do que é “jornalismo”: o papel do jornalista é noticiar, independente do teor do conteúdo, e muitos destes simplesmente não aceitam isso. Querem que órgãos de imprensa se comportem como assessorias pura e simplesmente, chegando até a usar de poderes discricionários para garantir este tipo de situação e/ou blindagem.

armando falcãoLembrem-se os leitores, também, que a preparação foi atrapalhada pela gravação de programas de variedades da referida emissora, a ponto de determinado apresentador ter chegado de helicóptero à Granja Comary e parado um treino no meio para gravar seu programa.

O duro é que esta blindagem, cujo representante-mór disseminou em muitas outras assessorias de comunicação atuais, se não chega a surpreender, continua enojando. E isso só ajuda a criar antipatia para a Seleção e afastar o verdadeiro torcedor dela e do futebol brasileiro…

Por outro lado, a Copa do Mundo mostrou como o telespectador sai prejudicado do virtual monopólio das competições nacionais de futebol que o mesmo grupo de TV detém. A qualidade das transmissões é absolutamente incomparável. Mas este é assunto para post específico na semana vindoura.

(colaborou a equipe do Ouro de Tolo)

2 Replies to “Desassessoria de Comunicação e “otras cositas más””

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