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Na última semana causou grande celeuma na arena política brasileira a revelação de que o candidato tucano à Presidência Aécio Neves teria, quando governador, construído um aeroporto em terras desapropriadas da própria família, bem como a cinco quilômetros de uma fazenda onde costuma descansar.

A obra foi tocada com recursos públicos e o aeroporto jamais foi regularizado na ANAC, agência que cuida da aviação civil no Brasil, o que gerou suspeita de que a obra fora realizada para fins particulares, qual seja, facilitar o acesso do então governador e depois senador à sua fazenda.

Posteriormente, se noticiou que outro aeroporto tinha as mesmas características do primeiro, também servindo a uma fazenda de propriedade de parentes do político e também construído com verba pública.

Existe controvérsia se o terreno no qual foi construído o aeroporto era de propriedade de um parente do candidato ou se era terra devoluta – há um processo de desapropriação em litígio de justiça – mas no mínimo é antiético um gestor público no exercício do cargo empreender uma obra que terá, na prática, uso particular. A privatização da coisa pública.

Pode até ser legal em termos da letra da lei, mas incompatível em termos éticos.

Entretanto, analisar o comportamento do candidato não é o foco, mas sim tentar entender não somente a postura de setores da imprensa como do próprio PSDB no caso.

A primeira denúncia apareceu em matéria de capa do jornal Folha de S.Paulo, em um domingo. Fato por si só inusitado, haja vista que denúncias contra o candidato e o PSDB normalmente têm surgido em blogs que apoiam o governo e sua repercussão na chamada “grande imprensa” tem sido bastante tímida – basta ver a falta de água em São Paulo e o escândalo do suborno nos trens do Metrô paulistano como bons exemplos.

aecio-aeroportoImediatamente analistas políticos mais neutros, por assim dizer, levantaram a hipótese de “fogo amigo” por parte do PSDB paulista. Sabe-se que o órgão em questão é bastante ligado ao ex-governador e candidato (por enquanto) a senador por São Paulo José Serra, que nas eleições de 2010 se queixou bastante de um eventual “corpo mole” por parte do então governador Aécio na sua campanha em Minas Gerais.

Corroborando esta hipótese se soma a postura do comando do PSDB e da candidatura de Neves, que, ao contrário de outras ocasiões, não desqualificou as denúncias sob a alegação de que “é coisa do PT”. Simplesmente se preocupou em tentar explicar as denúncias, que ganharam maior repercussão devido à insegurança (no mínimo) demonstrada pelo candidato em entrevista ao “Jornal Nacional” da Rede Globo – isto apesar de uma abordagem bem “amigável” do noticioso, digamos.

Fazendo um parêntese, vale lembrar ao leitor que na eleição estadual de São Paulo o PSDB está coligado ao PSB e temos vários comitês com cartazes recomendando voto em Campos e em Alckmin. Este sabe que uma vitória de Aécio sepulta as suas – e as de Serra – chances presidenciais em 2018, de modo que não há muito estímulo para que a dupla paulista se empenhe de corpo e alma na campanha de Aécio.

Isso pode ser medido pelo fato de que tanto pesquisas do Datafolha (alinhado aos tucanos de fato, embora não de direito) como do Instituto Veritas/247 dão a Presidenta Dilma Rousseff liderando em São Paulo, por estreita margem segundo o primeiro e uma folga maior para o segundo.

Alckmin sabe que se Aécio perder ou mesmo vencer por estreita margem em São Paulo suas chances de vitória tornam-se mínimas, e estes comitês “Campos/Alckmin”, certamente, não estão ajudando o candidato tucano a deslanchar – embora a avaliação da Presidenta seja pior que no restante do país.

Retornando ao tema, posteriormente o Estadão – outro veículo bastante ligado a Serra – voltou a repercutir as denúncias contra o candidato tucano, inclusive com colunistas sugerindo nas entrelinhas que Aécio fosse substituído por Serra – apesar de a chapa atualmente contemplar um vice paulista, o senador Aloysio Nunes Ferreira, o mesmo que ainda tem explicações a dar no caso denominado como “Trensalão”.

pó-pará-2O Estadão, diga-se, foi o portador do famoso artigo “Pó Pará, Governador”, com uma advertência ao então governador mineiro antes da definição do candidato à Presidência de 2010. O teor pode ser lido no link acima – curiosamente o jornal retirou de seu histórico o artigo. Coincidência ou não, Aécio desistiu da pré candidatura naquela ocasião.

A novidade neste início de semana é que após a blindagem inicial – com direito a afirmativas como “suposto” aeroporto e “suposta” fazenda, colunistas do grupo Globo passaram a escrever que Aécio tinha “responsabilidade moral” no caso dos aeroportos.

O colunista Ricardo Noblat, no meio de artigo no qual uma vez mais tece críticas à Presidenta Dilma, utiliza esta expressão ao se referir ao caso envolvendo o candidato tucano. Aliás, o blog do referido jornalista ficaria mais adequado em um portal do PSDB, não em um órgão jornalístico, mas este é outro assunto.

Merval Pereira, outro colunista político do mesmo jornal (e que costuma “refletir” em seus textos muito do pensamento do chefão do jornalismo global Ali Kamel e dos próprios donos do grupo) se utilizou de expressões parecidas. Sinal de que há algum tipo de dissensão interna dentro do PSDB.

O único “órgão de imprensa” (entre aspas mesmo) que o defendeu com unhas e dentes foi a revista Veja, que atribuiu tudo a um “conluio entre o PT, Fidel Castro, Peppa Pig, o goleiro Bruno e os comunistas”. Apesar do evidente exagero em minha classificação, há muito tempo que a publicação em questão deixou de ser um órgão jornalístico para ser uma espécie de partido político de oposição – e, a meu juízo, deveria ser tratado desta forma pelo governo, inclusive sem direito a verbas de publicidade, tal qual Barack Obama fez com o grupo Fox.

Ou seja: está claro que há algum tipo de “racha” no PSDB, com a ala paulista visando a 2018 ou ainda a substituição de Aécio por Serra, ainda possível pela lei eleitoral vigente. Diretórios de Goiás, inclusive, já conclamam a esta substituição imediata.

serra+amauryTambém não ajuda nem um pouco a situação do candidato os evidentes “telhados de vidro” que ele possui, sendo este caso dos aeroportos apenas o mais visível neste momento – e olha que aqui nem me refiro a insinuações sobre sua vida pessoal, que não serão tratadas aqui por não fazerem parte de uma campanha de alto nível. Ainda que beneficiado pela simpatia de setores da imprensa, estes problemas evidentes que sua candidatura possui tornam-se alvos preferenciais de adversários, sejam internos, sejam externos.

Vejamos agora quais serão as próximas iniciativas dos agentes em questão. Aguardemos os próximos capítulos.

P.S. – Imaginem os leitores se o aeroporto em questão, construído com eventuais verbas federais, fosse perto de uma suposta fazenda da Presidenta Dilma. O tratamento por parte da imprensa seria o mesmo?