Neste domingo, a segunda parte da retrospectiva do compositor Aloisio Villar.

Retrospectiva 2013 – Parte II

Sim, eu sei que o ano acabou, mas a retrospectiva ainda não e conforme prometido vamos à segunda parte.

Como eu disse Michele, mãe da Bia engravidou. Mas na virada do ano ainda era suspeita, não certeza e cruzei a virada nessa ansiedade.

A gravidez se confirmou logo no começo do ano e ao contrário da gravidez de Bia a de Gabriel foi atribulada com Michele parando várias vezes em hospital. Com oito meses de gravidez, começo de agosto, foi dada a impressão que não chegaria aos nove e não chegou. Na madrugada de sete para oito de agosto ela parou no hospital com contrações.

Aí aumentou minha ansiedade. Eu faço aniversário em nove de agosto, minha avó também e em 2013 ela fazia 80 anos. Seria o terceiro membro da família a nascer no mesmo dia? A ansiedade tomou conta de mim por dois dias até que na noite de 9 de agosto de 2013 veio a notícia. Gabriel nasceu.

Uma grande emoção tomou conta de mim e no dia seguinte fui visitá-lo. Gabrielzinho, menino cabeludo, pequenininho, com aparência frágil, mas muito forte, guerreiro. Sua força de luta, vontade de viver e nossa fé foram postas a prova pouco mais de quarenta dias depois quando ele baixou hospital doente.

Foram mais de duas semanas de medo, angústias, chegando perto do desespero. Nossas vidas pararam. Vários prognósticos sombrios apareceram. Leucemia, meningite e todo furado, machucado, sofrendo Gabriel lutava pela vida amparado pela fé de muitos amigos antigos e novos que se juntaram numa corrente por sua saúde.

Tive que me manter forte enquanto o mundo em volta desmoronava. Chorar sozinho e na frente dos outros, principalmente das meninas, mostrar e dizer que seria nada. Dava pena ver o menino de cinquenta dias ser furado pra fazer exame de sangue. Fazer carinho em sua cabeça enquanto ele chorava e dizer que tudo acabaria bem. Por dentro me agoniava, doía. Por dentro eu pensava “Nunca fiquei internado na vida e ele tem nem dois meses e já passa por tudo isso”.

Vai ver porque Deus só da a cruz com o peso que podemos carregar e o Gabriel é mais forte que eu.

Nenhuma das doenças foi diagnosticada e 16 dias depois Gabriel voltou para casa, vitorioso. Hoje está com quase cinco meses. Gordo, ficou careca e o cabelo voltou a crescer, risonho e pacato. Um garoto muito especial que mostrou que a força de vontade pode vir dos corpos mais frágeis e hoje ele cresce feliz e saudável ao lado do outro amor da minha vida.

Bia, a nossa benção, a responsável pela virada em nossas vidas recebeu muito bem o irmão. É cuidadosa, carinhosa, lhe beija sempre e tem noção da importância que ele terá em sua vida. Bia é uma menina amável, esperta, inteligente, mas também muito bagunceira, o que ocasiona broncas e alguns tapas (oh, eles dão palmadas nela! Como se alguém tivesse degenerado na vida por receber palmadas. Já vi o contrário).

Bia é uma mocinha já, uma grande companheira. Com ela esse ano fui a cinemas, circo e faremos muito mais coisas juntos nos próximos. Em meu colo ela procura proteção, confia em mim e esse laço de amizade e cumplicidade é uma das coisas mais bonitas da minha vida.

Tudo isso vocês puderam acompanhar aqui no “Ouro de Tolo”, blog do meu grande amigo Pedro Migão e no “Trocando em Miúdos”, blog que lancei em 2011 para postar os livros que escrevo e nesse ano decidi tornar regular.

Foram quase trezentas postagens em meu blog, mais de 60 mil acessos no ano. Bom número para um blog pequeno e o fortalecimento de um laço de amizade com leitores, que viraram amigos, de todas as partes do mundo. Reforço a um elo já criado no Ouro de Tolo, onde escrevo contos de ficção e sobre o cotidiano com total liberdade do Migão e onde me sinto em casa.

Também escrevi alguns meses no blog “Brasil Decide” onde minha postagem “A revolta do vinagre” alcançou a marca de postagem mais visitada do ano. Escrevi livros, peças que publiquei no site Recanto das letras e uma delas foi responsável por fechar com chave de ouro meu 2013.

Um estudante de teatro paulistano chamado Humberto Carmo gostou do texto e pediu autorização para sua turma encenar “Eu matei Nelson Rodrigues”. Quando dei por mim já estava descendo em São Paulo para assistir a peça.

Já tive inúmeras vezes a felicidade de ver sambas meus na avenida, mas ver a peça foi sublime, especial. A realização de um sonho que carrego comigo desde os nove anos de idade. A peça foi muito bem apresentada por atores talentosos e guerreiros que trataram com muito carinho a mim e ao texto.

Sempre soube o que eu queria na vida então não posso dizer que me descobri em São Paulo. Mas vendo a peça descobri que não é só isso que quero como também posso fazer. Escrever é o que sei fazer de melhor na vida e isso que vou buscar pra mim. Que vire algo profissional.

Ninguém sai de um ano da mesma forma que entrou. Nem a humanidade permanece a mesma. Situações ocorrem, vidas se transformam. Coisas boas, ruins.

A vida muda de minuto a minuto.

E se a cada minuto a vida muda o que diria de um ano?

Feliz ano novo.

Feliz minuto novo.

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