No próximo domingo a coluna do compositor Aloisio Villar vai falar sobre os sambas concorrentes para o carnaval de 2014, cujas disputas estão em andamento. Também andei ouvindo concorrentes de diversas escolas nas últimas semanas, desde que as composições começaram a ser liberadas.

Obviamente o grande samba do carnaval será a reedição de “Os Sertões” (para mim o maior samba enredo de todos os tempos) pela Em Cima da Hora em seu retorno à Sapucaí, mas do que ouvi entre Grupos Especial e de Acesso (excetuando-se a Portela, sobre composições não darei opinião apesar de ter ouvido os sambas) apresento aqui aquele que considero o grande samba inédito do ano: o concorrente da Acadêmicos do Cubango da parceria de Lequinho, Sardinha e outros.

O enredo – “Uma Epopeia Africana” – tem temática afro e este tipo de tema sempre costuma resultar em excelentes sambas. E não deu outra: a parceria compôs um samba forte, um chamamento à luta. Destaque para o refrão do meio, que é adaptação de um ponto de Umbanda e do qual tirei o título deste post. Até para mim que não sou da religião é emocionante.

A propósito, que fique claro que não conheço os autores do samba. Ao contrário: não gosto muito da linha dos sambas do compositor Lequinho na Mangueira e em outras escolas, mas neste acertou-se em cheio. Não conheço os pormenores da disputa da escola, mas se for o vencedor na disputa interna tem tudo para encerrar em altíssimo nível os desfiles do Acesso – a Cubango será a última a desfilar, já na manhã do domingo de carnaval.

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Acima o leitor pode ouvir o áudio e, abaixo, a letra:

Autores: Sardinha / Gustavo Soares / Diego Moura / Deigre Silva / Junior Fionda / Igor Leal
Intérprete: Diego Nicolau

quando ressoarem os tambores
pra louvar Orunmilá
mostro a força da minha cor
e o axé dos meus orixás
África, mistérios e magias
livre no bailar dos animais
brilhou da natureza
fonte de riquezas minerais
firma na fé pra espantar o mal
vai começar o ritual

atotô Obaluaê, atotô Babá
tem batuque no xirê, chama pra dançar
atotô babá, atotô Obaluaê
a demanda da Cubango é… vencer

da opressão à dor da senzala
a voz de Nelson Mandela ecoou
liberdade raiou, igualdade entre irmãos
negro dança, joga capoeira
a herança desse chão
sou a pele negra à brilhar
eu tenho a arte de sambar
pulsando em cada coração
sou da pele negra
portal de tantos carnavais
eternizando o legado dos meus ancestrais

bate no tambor, ôôô
canta pra saudar, Alafiá
nessa kizomba, eu sou Cubango
reflete o negro no meu manto verde e branco”

http://www.youtube.com/watch?v=3cK3Xlbs28c

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