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Eis que na última semana tivemos no Rio um dos principais eventos católicos mundiais, a Jornada Mundial da Juventude. Não farei um relato sobre o evento, até porque dele não participei e a colunista Anna Barros o fará brevemente. Mas sim fazer algumas reflexões sob o ângulo de um carioca.

Os leitores mais antigos deste blog sabem que não sou católico, sequer cristão. Sou messiânico, religião de origem japonesa – sobre a qual já escrevi aqui em diversas ocasiões. Entretanto, me chamou a atenção a demonstração de Fé dada pelas pessoas na última semana. Independente dos problemas enfrentados pela Igreja Católica (que ainda abordarei neste texto), sem dúvida alguma os fiéis se sentiam representados por Papa Francisco neste momento. A alegria dos peregrinos em participar das atividades e estar perto fisicamente do Pontífice era absolutamente genuína.

Por outro lado, a afluência de peregrinos à cidade foi algo absolutamente surpreendente. Praticamente em todos os bairros do Rio de Janeiro haviam peregrinos hospedados, e em especial no Centro da cidade e na Tijuca me chamou muito a atenção o afluxo de pessoas. Sem brincadeira: parecia um enxame, afluindo de todas as ruas e de todos os lugares. Tenho certeza de que o número estimado de 220 mil turistas alardeado pela imprensa foi superado em larga escala.

Parêntese: não consigo entender órgãos de imprensa falando em “fracasso” e que os turistas não vieram. No mínimo, má vontade.

As fotos que ilustram este post foram tirados na quarta feira, quando precisei ir ao Centro do Rio para minha sessão semanal com a psicóloga. Já no estacionamento da Catedral (onde sempre estaciono meu carro) se percebia o imenso fluxo de visitantes: eu mesmo não atropelei um grupo que do nada saiu à minha frente por milagre. No trajeto até onde iria, muita gente, apesar da chuva. Mal comparando, parecia que estávamos na época de carnaval.

Na Tijuca, mais cedo (onde o Papa iria no final da tarde) fui almoçar no Shopping e a praça de alimentação parecia Maracanã em dia de decisão: superlotada. Sem dúvida alguma a cidade recebeu um número de turistas que talvez seja o maior destes megaeventos previstos para o Rio de Janeiro. Certamente maior que Copa das Confederações e do Mundo, talvez maior até que o previsto para os Jogos Olímpicos de 2016.

Obviamente, a estrutura da cidade sofreu com o alto número de turistas. Especialmente os transportes, que já insuficientes para o dia a dia entraram quase que em colapso durante esta semana. Inclusive vi muita gente preocupada com o que ocorrerá durante os Jogos Olímpicos de 2016, mas vale lembrar que diversas obras de mobilidade urbana estão em andamento – entre elas o metrô até a Barra da Tijuca e o BRT. Ou seja, a disponibilidade de transporte público em 2016 será bem superior à atual, com um número de turistas possivelmente menor.

20130724181925Para mim também ficou claro que os feriados decretados na última quinta e sexta feira eram absolutamente necessários. O evento da última quinta feira em Copacabana reuniu mais de um milhão de pessoas, o que seria impensável em um dia de tráfego normal em horário de rush. Prevaleceu o bom senso do Poder Público nesta decisão, que levou em conta, também, o fato de haver visitantes hospedados até em cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Vale lembrar também que estes grandes eventos trazem muitos recursos à cidade, tanto em movimento da economia quanto em receita de impostos. Os investimentos realizados pelo Poder Público tem um retorno visível e chega a ser obtuso defender que o Rio de Janeiro não receba este tipo de evento.

O Papa Francisco, sem dúvida, possui bastante carisma. Cheguei a escrever durante a semana passada que ele está para o povo como Lula, assim como Ratzinger, o Papa anterior, lembrava Fernando Henrique Cardoso. Ele levou à loucura sua segurança com as repetidas interações com o público nos diversos lugares da cidade, desde a sua chegada quando acabou preso em engarrafamento – e em carro com as janelas abertas. Nem eu ando com as janelas do carro abertas na Linha Vermelha, a propósito…

Suas mensagens vem sendo na linha da solidariedade e da promoção da importância dos jovens e idosos. Além de trazer uma mensagem política claramente conservadora, alinhada ao reacionarismo político na América Latina e estimulando revoltas contra os governos progressistas da região. Além disso, por trás do carisma e da mensagem de solidariedade reforçaram-se dogmas como a proibição de métodos anticoncepcionais e a exclusão de homossexuais.

Ao mesmo tempo reforçou bastante a questão social, apelando à solidariedade dos mais abastados para os mais pobres e conclamando à redução do egoísmo. Não deixa de ser curioso vê-lo pedir que o “mercado” se encarregue disso quando sabemos que o Brasil vem avançando rapidamente na redução da pobreza com as políticas estatais de compensação e inclusão. Por outro lado, vem estabelecendo acenos a alguns dos próceres da corrente denominada “Teologia da Libertação”, perseguidos implacavelmente pelo hoje Papa emérito Ratzinger.

Também não está muito claro se haverá esforços para se combater os graves problemas internos que a Igreja Católica enfrenta hoje. As reiteradas acusações de pedofilia e a questão envolvendo o Banco do Vaticano (hoje uma grande “lavanderia” de recursos nem sempre celestiais) que em última análise levaram Ratzinger à renúncia são situações que minam a credibilidade da instituição. O Papa Francisco já determinou penas mais severas para casos de pedofilia, mas não me parece suficiente para estancar o escândalo.

Por outro lado, os não crentes precisam separar estes problemas da Fé dos peregrinos. Não se pode culpar as pessoas ou criticá-las pela sua Fé. O Papa é o Líder Espiritual deste rebanho (o maior do mundo) e não cabe criticar os que expressam sua Fé. A emoção sentida pelos católicos presentes é grande e muito válida.

Como carioca, destacaria que a Jornada Mundial da Juventude, apesar de interferir diretamente na rotina da cidade, pode ser estabelecida como um marco e mais um aprendizado para um Rio de Janeiro que, até 2016, estará diversas vezes no centro do mundo sediando eventos de expressão mundial. Ainda que com ressalvas, avalio que a cidade passou no teste – e mesmo a transferência de Guaratiba para Copacabana acabou sendo melhor.

Que os peregrinos possam ter sua Fé fortalecida e que a Igreja Católica faça as necessárias correções de rumo a fim de corresponder a esta crença demonstrada de modo inequívoco pelos jovens de inúmeros países que acorreram ao Rio. A ponto de, em uma caminhada de uns 100 metros para pegar meu carro, ouvir umas dez línguas diferentes. Este espírito de congraçamento e inclusão que precisa ser adotado na prática pelos dirigentes.