http://www.youtube.com/watch?v=wGyPgRhORFU

Neste domingo, o compositor Aloisio Villar faz uma lista dos dez sambas de enredo de que ele gosta mais, sem mensurar “melhores”. O leitor poderá ouvir aqui todos os sambas que ele colocou em sua listagem, em suas gravações originais – à exceção de “Aquarela Brasileira”, onde só tenho aqui o “ao vivo” da reedição.

Confesso que nunca parei para fazer uma listagem destas. Mas considero “Os Sertões” (abaixo) como o maior de todos. Faria fácil uma lista com vinte sambas antológicos de minha preferência.

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O vídeo acima, de um dos piores sambas da Mangueira, é uma brincadeira interna minha com o colunista. Passemos ao texto.

Os Dez Mais de Um

Carnaval está chegando, né? Acho que chegou a hora de falar do assunto então. Não tem como fugir dele: está em nossa porta. De hoje até o carnaval as colunas serão dedicadas ao samba – e a de hoje deve trazer um pouco de polêmica. 

Vi alguns amigos postando na internet suas listas de dez maiores sambas de enredo da história do carnaval (idéia original do amigo Luis Butti do blog Eu, Radamés Y Pelé). Algumas listas eu não concordei em nada, mas ver esse debate dos maiores sambas e pessoas emitindo opiniões das melhores me aguçou a curiosidade. 

Quais seriam os dez melhores sambas da história, em minha opinião? 

Eu nunca tinha parado para pensar nisso. Decidi fazer e colocar em uma coluna. Mas malandro que sou, sei que a maioria iria discordar da lista: então em vez dos dez melhores sambas da história faço uma com os dez sambas de que gosto mais. 

Porque aí muda de figura. É questão de gosto e gosto não se discute, lamenta. Ou outra “gosto é igual nariz, cada um tem o seu”. Bem.. Não é com nariz esse ditado, mas esse blog ainda é um blog de família. 

E na verdade só estou fazendo uma coisa que é a real. Não existem os dez maiores sambas de todos os tempos.

Existem os dez que mais gostamos, porque não dá para mensurar a qualidade de uma letra ou melodia, não dá para comparar com enredos e épocas diferentes. Tudo que é citado é pelo nosso gosto. Aquilo que absorvemos, seja por sua qualidade ou mesmo memória afetiva por lembrar uma época boa ou infância.

[N.do.E.: discordo em parte, porque existe uma coisa chamada “senso comum”. Voltarei ao tema.]

E na minha lista dará para o leitor perceber quais são minhas influências como compositor, sejam compositores ou época de sambas. 

Bem, vamos parar de enrolar e divulgar a lista.

10) Ti-ti-ti no Sapoti (Estácio de Sá 1987)

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Primeiro: não vou levar reedições em consideração. Sei que esse samba foi reeditado, mas o que me apaixonou foi sua primeira passagem na avenida. O samba de Darcy Nascimento, Djalma Branco e Dominguinhos é uma delícia, irreverente, de melodia maliciosa que faz você querer dançar com uma “cabrocha”. Representa bem os anos 80. 

9) Skindô, Skindô (Salgueiro 1984)

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Samba de David Corrêa e Jorge Macedo. Assim como o Ti-ti-ti, é a cara dos alegres e felizes anos 80. Melodia feliz, para cima, letra que puxa o componente para sambar e brincar o carnaval. Não é um samba pretensioso: é um samba para se divertir e é isso que penso do carnaval. Diversão.

8) Aquarela Brasileira (Império Serrano 1964)

02 Império Serrano 2004

Samba bonito de Silas de Oliveira, que consegue colocar poesia em um samba que fala das regiões do país e com melodia envolvente. Samba de um tempo que o compositor tinha que pesquisar para escrever o seu samba – o que aumenta o brilho dessa obra do considerado Pelé do samba. Poderia estar mais acima se não tivesse sido reeditado e ficado “tão batido”, sendo cantado em todas as quadras e todos os ensaios. 

7) É Hoje (União da Ilha 1982)

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O maravilhoso samba de Didi e Mestrinho passa pelo mesmo problema da Aquarela. Não tem um ensaio da Ilha onde não seja cantado; até em velório o samba é entoado – acaba enjoando. Mas é um samba, como já disse, maravilhoso, a síntese do carnaval, do desfilante cheio de esperança indo desfilar com sua escola, além de ter uma alegria contagiante. 

6) Kizomba, a festa da raça (Vila Isabel 1988)

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O samba de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila não é um samba: é um canto de guerra. Conclama os negros a mostrarem seu valor, convoca seus ancestrais… “Nossa sede é nossa sede” é uma das maiores jogadas que já vi em letra, não sei se estava na sinopse, mas é genial. Samba forte, desfile inesquecível e único –  já que não houve desfile das campeãs. Valeu Zumbi, valeu Vila!! 

5) Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão (Mangueira 1988)

1988_mangueira (ao vivo)

É… O ano de 1988 é inesquecível mesmo. A Mangueira entrou na avenida brigando por seu tricampeonato com o samba de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho, para mim o maior samba da história da verde e rosa. Uma doce melodia com uma letra emocionante, daquelas que dá vontade de chorar. Já me disseram que “Livre do açoite da senzala/preso na miséria da favela” estava na sinopse. Eu acho lindo e mesmo assim louvo os compositores por saberem colocar no samba de forma tão impactante. 

4) Ziriguidum 2001 (Mocidade 1985)

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Samba de Gibi, Tiaozinho e Arsênio. Foi o primeiro samba-enredo que gostei na vida, do primeiro desfile que acompanhei. O samba futurista me marcou por todo esse tempo e sempre me emociona quando escuto, por remeter-me à minha infância e ter um tipo de melodia que adoro. Envolvente, bem feita. Samba de versos fortes “quero ver no céu minha estrela brilhar/escrever meus versos na luz do luar/ vou fazer todo universo sambar”. Lindo demais. 

3) Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós (Imperatriz Leopoldinense 1989)

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Não importa que a letra tenha erros históricos ou que ela exalte assassinos como Duque de Caxias: o samba é lindo!! Melodia primorosa, magnífica, letra com uma poesia e felicidade extrema. O belo samba de Vicentinho, Niltinho Tristeza, Preto Jóia e Jurandir ajudou a Imperatriz a ganhar um duelo épico contra a Beija-Flor e seus mendigos. Um samba forte, marcante, que ficou mais conhecido que o hino da República e virou abertura de novela. 

2) Adelaide, a pomba da paz (Portela 1987)

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O samba de Neném, Mauro Silva, Issac, Arizão e Carlinhos Madureira é literalmente de chorar: é o único samba-enredo que já me fez chorar na vida. Isso ocorreu alguns anos atrás, quando consegui a gravação e ouvi mais de vinte anos de passado o desfile. É um samba com mensagem politicamente correta como vários bons sambas do ano, mas que tem uma grande força na melodia. Força que vai crescendo a partir que o samba vai se desenvolvendo e pra mim alcança seu auge na parte “são quatro letras que fazem sonhar, é o amor que se espalha no ar, nesse dia de folia”. Só de lembrar do samba me arrepio. 

1) Das maravilhas do mar fez se o esplendor de uma noite (Portela 1981)

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Mais um samba da Portela, mais um samba de David Corrêa e Jorge Macedo. David Corrêa é meu compositor de samba-enredo preferido, mais um samba antológico com o melhor começo de samba-enredo de todos os tempos. O início “Deixa-me encantar/ com tudo teu e revelar la laia/o que vai acontecer nessa noite de esplendor” é apoteótico. Esse samba foi a música mais tocada no país em AMs e FMs do começo de 1981 e ganhou gravação de vários artistas importantes, como Maria Betânia. Tornou-se uma coqueluche tão grande, foi tão popular que a Portela foi prejudicada em seu desfile dada a quantidade de gente que invadiu a pista e espremeu a escola enquanto desfilava.

[N.do.E.: curiosamente, todos os dez sambas apontados pelo colunista foram apresentados n oGrupo Especial.]

Além desses dez, quero dar destaque carinhoso a sambas como Imperatriz 81, Império 82, Caprichosos 85, Salgueiro 87, Ilha 89, Beija-Flor 89, Mocidade 90, Estácio 92, Mocidade 92 e Salgueiro 93, mas não entro muito nesses sambas porque aumentaria pra top 20. 

A lista dos dez e dos vinte deixa bem claro como sou influenciado pelos anos 80. 

Bem, esses são os 10 mais de 1, os meus 10 que podem não ser de mais ninguém, mas são os meus. Já sei que muita gente vai cobrar “Os Sertões”, “Sublime Pergaminho”, “Heróis da Liberdade”, entre outros e reconheço que são melhores que muitos da minha lista ou até que todos. Mas o meu gosto é esse. 

Pode ser que eu tenha esquecido alguns sambas pelo caminho, quase que certo que sim e lembrarei depois de enviar, mas esses dez sambas me encantam não só por letra e melodia, mas pelo que representam pra mim. As emoções, lembranças, passado. Enfim, a gente não consegue definir gosto: a gente gosta e pronto. 

E que bom que o gênero samba-enredo seja tão rico a ponto de muita gente fazer listas e conseguir apontar dez sambas totalmente diferentes um do outro. Que bom que de repente sambas como Vila 2012 e 2013, assim como Portela 2012 e 2013, Imperatriz 2010, Beija-Flor 2004 e 2007 possam aparecer em outras listas e ninguém achar absurdo. Isso é renovação e a prova que o samba-enredo vive e muito forte. Há muito tempo eu escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou. 

Só se for quando o dia clareou. 

P.s.1 – Lista que deu origem à coluna de hoje: http://www.euradamesypele.com.br/sem-categoria/2013/01/11/samba-enredo-os-meus-10-mais/

P.S.2 – Fonte de pesquisas sobre os 10 mais: www.galeriadosamba.com.br

Ps.3 – Falando em samba, ontem estreou a coluna “Enredo do meu samba”. Por sugestão do Migão, estou escrevendo um livro de contos relacionados a escolas de samba e a cada duas semanas um será publicado. Acredito que no nicho “livro de ficção com contos sobre escolas de samba” seja o primeiro escrito, então deem uma moral: a família agradece.

One Reply to “Orun Ayé – “Os Dez Mais de Um””

  1. Comentário de um “não bamba” vale? Espero que sim! Não entendo muito de samba e tenho gosto musical estranho que faz com que invariavelmente deixa meus amigos de queixo caído. De qq forma adoro acompanhar os desfiles e dos sambas-enredo de uma forma em geral. Tentei, mas não consegui não puxar sardinha para a minha Ilha e para os sambas geniais da Vila Isabel. Como vc, não tenho nenhuma pretenção de escolher os melhores e sim, a lista ( sem ordem)e dos meus preferidos. Lá Vai: União da Ilha “Domingo” 1977, União da iLha “É Hoje” 1982, Vila Isabel” Pra tudo não acabar na quarta-feira” 1984, Vila Isabel “Gbala” 1993, Vila Isabel 1994, Tradição 1988, Mocidade “Tupinicopolis” 1987, Unidos da Ponte “GRES SAudade” 1987, Tijuca “devagar com o Andor” 1983, União da Ilha ” Festa Profana” 1989. Vale mais um? “de bar em Bar” Ilha, 1991. abs

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