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Nesta quarta feira o colunista Rafael Rafic encerra a sua série de colunas sobre os Jogos Olímpicos de Londres analisando o resultado final do quadro de emdalhas.
Nas fotos, algumas musas como a tenista Caroline Wozniacki (acima) e a paraguaia Leryn Franco, entre outras.
O Quadro de Medalhas de Londres: uma Análise
Terminando minha avaliação sobre os Jogos Olímpicos de 2012, é hora de uma rápida análise em relação ao quadro de medalhas, fazendo as devidas comparações com as minhas previsões, publicadas aqui no último dia 05 de julho.
Antes de mais nada, uma vez mais reitero que a análise se baseará no método da quantidade de medalhas de ouro conquistadas e que o COI não oficializa qualquer tipo de classificação do desempenho dos países.
Começarei hoje pelo meu grande erro na análise. Em 5/7 previ que esses jogos trariam uma concentração ainda maior dos ouros em relação a 2004 e 2008, beirando o absurdo.
Depois, na minha coluna sobre a primeira semana olímpica escrevi que ao que tudo indicava teríamos jogos bastante desconcentrados.
Pois bem: a segunda semana me desmentiu completamente e ao final não tivemos nem concentração nem desconcentração, mas uma distribuição extremamente parecida com a de Pequim.
Tivemos sete países com mais de 10 ouros, nove países com pelo menos oito ouros, 12 países com pelo menos sete ouros e 54 países saíram com algum ouro. Números exatamente iguais aos de 2008.
Quanto à corrida pelo primeiro lugar, ocorreu exatamente o que eu desenhei aqui: apenas China e EUA concorreram a esse posto e os asiáticos ficaram ligeiramente à frente dos americanos, de modo geral de três a seis ouros a frente desde o início dos Jogos. Até que nos últimos dias, os EUA ganharam um caminhão de ouros enquanto a China ficou próxima do zero, ocorrendo a virada no anti-penúltimo dia do evento.
Estava claro para mim que o número da China de 51 ouros em Pequim estava inflado demais por causa do “efeito sede” e que o lugar certo seria entre 36 e 40 ouros. Outra vez acertei na mosca: foram 38 ouros para os chineses.
O que me surpreendeu um pouco foram os 46 ouros dos americanos, expressivos 10 a mais do que há quatro anos. Esse aumento é em parte explicado pelo desempenho espetacular da especialidade da terra do Tio Sam, a natação. Foram 16 ouros que saíram das piscinas (contra 11 ‘apenas’ em 2008).
Um aspecto interessante nessa disputa de ouros é que enquanto os EUA pegam um “atalho”, a China faz o trabalho mais difícil.
Os americanos concentram sua fábrica de ouros nas duas grandes minas dos Jogos Olímpicos: a natação e o atletismo. Juntas essas modalidades distribuem quase 1/3 de todos os ouros distribuídos nos Jogos Olímpicos e os americanos carregam mais da metade de seus ouros apenas nesses dois esportes. Em Londres foram 25, 16 da natação e nove do atletismo.
Já os chineses carregam seus ouros dominando uma variedade de esportes, nos quais carregam todos ou quase todos os ouros para conseguir disputar com os EUA. São eles: saltos ornamentais, ginástica artística, badminton e tênis de mesa. Apesar de não ‘varrerem’ todos os ouros do levantamento de peso, eles também tem um desempenho bastante respeitável nele.
Também, como previsto, os chineses poderiam sofrer se algo desse errado nos saltos ornamentais. Apesar disso não ter sido decisivo, eles realmente levaram “apenas” seis ouros nos saltos, contra 10 em Atenas 2004 e Pequim 2008.
Continuando o passeio no quadro de medalhas, vamos a mais um acerto meu: impulsionada pelo “efeito sede” a Grã-Bretanha fincou bandeira no terceiro lugar com espetaculares 29 ouros, desbancando a Rússia.
Alias, os bretões merecem ser estudados por qualquer país que queria melhorar seu desempenho olímpico, como o Brasil, porque os resultados obtidos foram assombrosos. Eles pularam de apenas nove ouros em 2004, para 19 em 2008 e chegaram à impressionante marca de 29 em 2012.
Para se ter uma idéia do que é isso, em 2000 a Austrália, também com “efeito sede”, conseguiu 16 ouros e isso foi considerado um feito extraordinário.
Esse desempenho britânico tende a arrefecer um pouco em 2016 com o fim do “efeito sede”. Ainda sim, o crescimento é sustentável e acredito que eles se manterão na casa de 20 ouros disputando o terceiro lugar no quadro de medalhas com a Rússia.
Já os russos, que historicamente seriam a terceira força dos jogos, atrás de EUA e China, como previ, terminaram em quarto, fechando o grupo das “superpotências olímpicas”.
Aqui eu cometi um pequeníssimo erro. Previ que os russos não terminariam com mais do que os mesmos 23 ouros de Pequim. Porém, só para me contrariar, o Bernardinho perdeu a final de vôlei para o time russo, o que deu a eles 24 ouros…
A boa notícia para os russos é que a sangria, tanto nos jogos olímpicos de inverno como nos de verão, parece que finalmente estancou e tudo indica que a briga pelo terceiro lugar aqui no Rio de Janeiro será ouro a ouro.
Em quinto lugar ficou o segundo grande destaque positivo dos jogos, atrás da sede: a Coréia do Sul, com 13 ouros. É outro pais que tem um trabalho de longa data em alguns esportes individuais – estratégicos pelo número de medalhas distribuídas – com o intuito de melhorar a posição do país no quadro de medalhas, que sempre dependeu demais de dois esportes isolados: o tiro com arco e o taekwondo.
Com esse resultado, a Coréia do Sul repete a quantidade de ouros de Pequim e mostrou que veio para ficar. O melhor para eles é que desses 13 ouros, apenas 3 vieram do tiro com arco e um do taekwondo. Isso mostra que o trabalho de diversificação deu certo e os resultados tem a tendência de serem duradouros.
Dos três países onde disse que chegariam em crise a Londres na coluna de 5/7 (França, Austrália e Cuba), tivemos três desempenhos totalmente diferentes.
Para começar, a França.
Como ressaltei na coluna sobre a primeira semana olímpica, os franceses vieram fortes para Londres e finalmente acabaram com a perda de ouros constantes. A segunda semana não foi tão boa quanto a primeira, mas no fim o país terminou com 11 ouros.
É um aumento de mais de 50% em relação aos sete ouros de Pequim e, como no caso russo, essa performance tira um pouco a pressão no comitê local.
Ainda mais importante, a volta ao patamar de 10 ouros, credencia a França de novo ao título de “Potência Olímpica”, que eles estavam perdendo.
Essa foi a previsão na qual mais passei longe. Previ míseros cinco ouros franceses nesses jogos.
Não obstante, ficou um grande problema de orgulho quanto à esgrima, mas nesse ponto me reporto à coluna de 6/8.
Já a Austrália, apesar da segunda semana consideravelmente melhor do que a primeira, terminou com magros sete ouros, menos até do que minha previsão (que poderia ser considerada até pessimista) de oito a 10 medalhas douradas.
Com isso a Austrália continua descendo forte a ladeira após o fim “efeito sede” de 2000: 16 ouros em 2000, 17 em 2004, 14 em 2008 e agora apenas sete.
Não precisa ser nenhum expert para se identificar facilmente os problemas da Austrália: a natação e o ciclismo.
Esses esportes vinham segurando o desempenho australiano, principalmente a natação que é extremamente popular lá, só perdendo para o rugby e o cricket. Esta tem na Austrália a segunda melhor escola do mundo, somente atrás dos EUA.
Os seis ouros da natação de 2008 se transformaram em apenas um em 2012. Não sei se está havendo apenas uma entressafra, ou se após o esforço da geração 2000, o trabalho dos talentos australianos entrou em colapso, mas a verdade é que a revelação de novos talentos australianos estancou.
O único grande talento revelado após a geração 2000 foi justamente a grande esperança da natação australiana em Londres: James Magnusen. Porém, ele individualmente só levou uma prata nos 100m livre e nos revezamentos ficou em 3° no 4x100m medley e em 4° na forte prova dos 4x100m livre.
A federação australiana promete que uma grande geração despontará no mundial de 2015. Porém eu espero isso com ceticismo, porque nem nos campeonatos juniores eu estou vendo isso acontecer.
Já o ciclismo, que deu seis ouros em 2004, passou zerado em 2008 e obteve apenas um ouro em 2012. Para piorar aqui temos o mesmo problema da natação: a falta de renovação de nomes. Esse único ouro de 2012 veio de Anna Mears no sprint. Exatamente a mesma atleta que conseguiu uma prata em 2008 e foi um dos seis ouros em 2004.
Por fim, Cuba ficou exatamente onde previ: cinco medalhas douradas. Ainda sim, ressalte-se que em termos de total de medalhas o desempenho cubano desabou: as 24 medalhas de 2008 viraram 14 em 2012.
Porém, apenas dois ouros vieram do boxe – em três finais. Ou seja, é patente que a máquina cubana de boxe está definhando, já que antigamente o normal era de seis a oito finais cubanas por edição dos jogos. Não é algo pontual, pois em 2008 também só foram quatro finais
De qualquer forma esse desempenho, bem mais condizente com o nível da delegação cubana que os míseros dois ouros em Pequim, devolveu Cuba ao posto de segundo país das Américas, 16° lugar no quadro.
Nesse ponto chegamos ao Brasil, justamente o país que havia roubado o segundo lugar de Cuba em 2008.
Mantivemos os três ouros de Pequim o que nos deixou em 22°, bastante semelhante ao 23° de Londres.
Errei aqui minha previsão, que era de cinco ouros e o 15° lugar, justamente por causa da quantidade de primeiros lugares. Se duas pratas virassem ouros, perfazendo os cinco ouros previstos, teríamos ficado em 16° lugar, exatamente na frente de Cuba.
O que fica de pior é que deveríamos sentir o “efeito pré-sede” já em Londres, para melhorar bastante o desempenho no Rio de Janeiro, assim como fez a Austrália em 1996-2000, a China em 2004-2008 e a Grã-Bretanha em 2008-2012.
Posso dizer sem medo de errar que não sentimos o efeito pré-sede. A melhora foi tão pequena, 3O 4P 8B em 2008 contra 3O 5P e 9B em 2012, que posso creditá-la sem medo de errar a uma evolução natural do esporte brasileiro, que indiscutivelmente vem se desenvolvendo nos últimos anos.
Isso é preocupante.
Ainda acho que a meta de 30 medalhas dada pelo COB para 2016 é perfeitamente atingível, principalmente com a ajuda do “efeito sede”.
Porém tenho sérias preocupações quanto à qualidade delas. Em um quadro de medalhas regido pelo ouro, nenhum país alcança o Top 10, meta também divulgada pelo COB, sem ganhar pelo menos sete ouros e eu não sei se o trabalho feito será o suficiente para essa quantidade de medalhas.
Dou como exemplo do que pode acontecer o Canadá nesse ano.
Em número de medalhas, o Canadá teve jogos olímpicos excelentes: foram 18 medalhas, o que o deixou em segundo lugar nas Américas em total de medalhas, uma à frente do Brasil e quatro sobre Cuba. Porém, dessas 18 medalhas, 12 foram bronzes e apenas uma foi de ouro. Resultado: um amargo 36° lugar nada condizente com o quadro de total de medalhas, no qual o Canadá teve um honroso 13° lugar – o Brasil conseguiu um também honroso 14° nesse quadro.
Fica como alento que a Espanha em 1992, mesmo sem sentir qualquer “efeito pré-sede”, conseguiu ótimos 13 ouros em casa contra apenas um ouro em Seul 1988.
Como não podia deixar de ser, Londres também teve seus países brilharecos. Brilharecos é como chamo aqueles países que não tem tradição esportiva, mas por serem (ou pelo menos terem sido especificamente naquele ano) muito bons em algum nicho que distribui muitas medalhas, aparecem no quadro muito melhor do que realmente são.

Porém, inesperadamente, à exceção da Jamaica, os outros não foram Quênia e Etiópia. Alias, o Quênia teve uma edição desastrosa, em que todas as corridas de fundo deram errado. Resultado é que a queda foi forte: de 6 para apenas 2 ouros. A Etiópia não foi muito melhor, mas o atletismo de fundo feminino se salvou e conseguiu 3 ouros.

Alias, o maior brilhareco de Londres nem foi a Jamaica (quatro ouros, todos eles no atletismo e em três deles com Usain Bolt), mas a Coréia do Norte que conseguiu inacreditáveis três ouros no levantamento de peso, que junto com um ouro no judô perfizeram quatro ouros (em um total de seis medalhas).

Também merecem menção de brilhareco o Irã (4 ouros, 3 deles no seu grande nicho tradicional da luta greco-romana e outro no também nicho do levantamento de peso) e o Kazaquistão – sete ouros em um total de apenas 13 medalhas, sendo quatro deles no levantamento de peso em uma performance que parece ser insustentável a longo prazo.

O único país que conseguiu seu primeiro ouro nesses Jogos Olímpicos foi Granada, com Kirani James no atletismo – 400m rasos masculino.

Países que conseguiram a primeira medalha de sua história em Londres 2012: Granada (acima citada), Botswana (prata com Nijel Amos no atletismo, 800m rasos masculino), Chipre (prata com Pavlos Kontides na vela, classe laser), Gabão (com Anthony Obame no taekwondo, até 80kg masculino), Guatemala (prata com Erick Barrondo no atletismo, marcha atlética 20km masculina), Montenegro (prata com o fortíssimo time feminino de handebol) e Bahrein (bronze com Maryam Yusuf Jamal no atletismo, 1500m rasos feminino).

Com esta análise complementamos nossa análise olímpica.