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Excepcionalmente na quarta feira, mais uma edição da coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro. O tema de hoje são os percalços que alguns dirigentes de clubes brasileiros estão enfrentando na direção de seus clubes.

Os ratos devem entender

Eu já tive a chance de elogiar aqui nesta coluna a forma de gestão do Internacional e de depositar minhas esperanças em uma mudança positiva no Fluminense com o novo presidente. Não sei se cheguei a falar bem da Patricia Amorim,  meus colegas no Ouro de Tolo não são muito simpáticos à ex-nadadora, mas eu torço muito por ela.

Os últimos dias, no entanto, me mostraram como é dura a vida dessa gente.

Começando pelo Inter. O clube tem um dos melhores estádios privados do país, mas que ainda assim não atende as exigências da Dona FIFA. Porto Alegre é uma opção óbvia para sediar a Copa de 2014 e o Beira-Rio é a escolha mais razoável. Colocando umas cadeiras no anel inferior e mais umas pequenas reformas estaria tudo pronto, mas a FIFA pensa diferente, então, mãos à obra, vamos lá gastar o dinheiro que não se tem. Foi aí que a porca torceu o rabo…

Primeiro, o arqui-rival Grêmio se aliou a uma construtora para erguer um estádio novinho em folha, com a mensagem subliminar de que o seu poderia ser o estádio da Copa. Depois, a FIFA começou a exigir “garantias” de que o Inter teria dinheiro para concluir as reformas. O clube, até então unido em torno de um ideal, começou a rachar politicamente, entre os que acreditavam que a obra deveria continuar com recursos próprios e os que defendiam um modelo de parceria semelhante ao do Grêmio.

A divergência não chamaria atenção não fosse por um detalhe sutil: tornar público de que o tal modelo de gestão profissional de que o clube se orgulha tanto é mais decorativo do que efetivo. Na hora do “vamos ver”, de nada adiantou o clube ter um CEO altamente qualificado ou argumentos econômicos fortes. Imperou a velha batalha política de sempre, com acusações entre conselheiros, conchavos e denúncias. E o que é pior, como nenhuma das correntes políticas internas conseguiu se impor, a incerteza continua e o Inter segue gastando seu rico dinheirinho em tijolos e cimentos, cuja utilidade futura passou a ser uma incógnita.

Do Sul para Laranjeiras: nem o mais pessimista de seus detratores imaginava um começo de gestão tão desastroso para Peter Siemsem. De nada adiantaram suas inequívocas qualificações pessoais, pois ficou patente seu despreparo para lidar com as ‘ratazanas futebolísticas’ – para usar uma expressão do ex-técnico do clube Muricy Ramalho. A imagem do Fluminense foi ao chão e ele, ao invés de reagir, passou recibo em público de tudo o que disseram do clube. Inteiramente perdido na fogueira das vaidades, ostenta uma imagem de seminarista deslocado no meio de malandros e assemelhados de toda a estirpe.

Por fim, a doce Patricia Amorim. Comeu o pão que o diabo amassou em 2010, mas quando parecia ter dado a volta por cima agora se vê arrastada por esse furacão chamado Adriano. Qualquer análise racional desaconselharia a contratação de um jogador que não atua de forma consistente há mais de ano, é um notório indisciplinado, imprevisível e possivelmente viciado em álcool. 

Mas Patricia foi pressionada incessantemente a ceder ao coração de torcedores sem memória, que esqueceram do atacante que abandonou o clube na reta final do Brasileirão de 2009 e na Libertadores/Carioca de 2010 e insistem na volta de um Adriano idealizado ignorando os riscos de receberem um Adriano real, o mesmo que mês passado fez de trouxa o Roma para ficar na farra no Rio de Janeiro, a pretexto de curar uma contusão.

Mesmo tendo protagonizado a contratação de Ronaldinho Gaúcho, mesmo tendo um clube que avança em termos estruturais (construção do CT, salários em dia, etc.), mesmo com uma arrancada em 2011 muito superior a dos rivais, Patricia é agora alvo da ira da torcida, tudo porque, ao contrário do que é regra no futebol em geral e no Flamengo em particular, mandou o coração às favas e agiu com a razão.

No meu MBA, uma vez um professor novo entrou na sala, escreveu no quadro a expressão “Administra-se com a cabeça e não com o coração” e saiu. Demoramos até entender que a aula havia acabado. Muito tempo depois ele voltou e disse que fizera de propósito, para que ninguém esquecesse o valor deste conceito, o mais importante na gestão de qualquer negócio. Ainda bem que o Mestre detestava futebol, pois morreria de desgosto ao ver que, nesse mundinho à parte, seu axioma é inaplicável. Quanto mais eu leio e estudo sobre o tema, mais me convenço que não entendo nada de administração esportiva. Mas os ratos devem entender…”