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Domingo, dia de bons e instigantes textos.
Reproduzo um texto do jornalista Rodrigo Vianna que explica muito das inconsequentes e desonestas declarações do candidato a vice presidente na chapa tucana Índio da Costa.
Nos últimos dias este deu declarações maliciosas e inexatas dando conta de que o Presidente Lula, o PT e a candidata Dilma Roussef seriam ligados institucionalmente a um grupo revolucionário colombiano, ao narcotráfico e ao Comando Vermelho, facção criminosa carioca.
Distendendo-se ao extremo a sandice dita pelo candidato, seria como se Fernandinho Beira Mar fosse levado de helicóptero a Brasília para se reunir com o Presidente e decidir os caminhos da Nação. Obviamente, ele responderá na Justiça por estes desatinos.
Mas vamos ao texto, publicado originalmente no blog Escrevinhador. Na foto acima, vemos o candidato tucano com João Roberto Marinho, das Organizações Globo, assinando convênios ligados à Fundação que leva o nome do lendário e falecido “manda-chuva” do conglomerado de imprensa.
As fábulas sobre Dilma, e o erro de menosprezar Serra e a velha mídia

por Rodrigo Vianna

Os políticos tucanos e parte de seu eleitorado – especialmente os leitores mais desavisados de “Veja”, “O Globo” e outros que tais – aparentemente acreditaram em algumas fábulas sobre Dilma, espalhadas por “colunistas” e “analistas” durante a primeira fase de campanha (que se encerrou pouco antes da Copa do Mundo):

– ela não tem brilho próprio;

– ela não saberá se portar durante uma campanha, longe das asas de Lula.

– ela não conseguirá colar no prestígio de Lula e terá enorme dificuldade para passar de 15% nas pesquisas.

Tudo isso se mostrou falso. Os tucanos menosprezaram Dilma. E agora engrossam  o discurso terrorista de campanha, para tentar recuperar o terreno perdido.

Entre os petistas, de outro lado, há quem ameace embarcar na mesma trilha. Espalham-se em alguns setores, digamos, mais “militantes”,  fábulas sobre a candidatura Serra e seus aliados:

– Serra é um néscio, que não sabe o que faz;

– a campanha terrorista de Serra e seus aliados midiáticos não terá nenhum efeito;

– a mídia tradicional deixou de ter importância, e não terá força para impedir a vitória inexorável de Dilma.

Trata-se de um erro grave menosprezar os adversários. Ainda mais, adversários que não tem alternativa. Serra, derrotado, encerra a carreira (mesmo que o PSDB ganhe em São Paulo, o serrismo será varrido do mapa num possível governo estadual de Alckmin). Portanto, para o candidato tucano, trata-se de ganhar ou ganhar.

Alguns enxergam na tática serrista do terrorismo (FARC, narcotráfico etc) um puro sinal de desespero. É bem mais do que isso. Nos últimos meses, todos nós fomos bombardeados por emails lembrando o “passado terrorista de Dilma”. Foi algo disseminado de forma profissional, deliberada. Antes disso, a “Folha” já se havia prestado ao serviço de estampar a ficha falsa da candidata, em primeira página. Portanto, a atual fase de campanha (associar PT e Dilma às FARC) é apenas o desdobramento lógico das fases anteriores. Não é algo improvisado…

Isso basta pra ganhar eleição? Não. Ainda mais num cenário em que o PT conta com um presidente aprovado por quase 80% do eleitorado. Mas o terrorismo eleitoral pode ser importante para consolidar o voto anti-petista. Com isso, Serra pode garantir de 25% a 30% do eleitorado. O risco é que esses ataques façam aumentar a rejeição a Serra. Boa parte do eleitorado brasileiro não gosta disso.

No horário gratuito na TV, provavelmente, Serra vai evitar a tática de partir pra cima de Dilma com essa ferocidade. A experiência recente mostra que ataques diretos a um adversário acabam gerando rejeição – ainda mais na TV. Mas há o rádio, a internet e a imprensa amiga pra seguir fazendo serviço…

Serra precisa manter-se competitivo, com alguma chance, até a reta final da eleição. E aí chego ao terceiro dos três pontos que ressaltei acima: engana-se quem acha que a mídia anti-Lula não terá papel a exercer na campanha contra Dilma. A mídia perdeu, sim, parte de sua força. Mas não toda a força. Em 2006, foi a campanha mdiática que levou a eleição para segundo turno – Marcos Coimbra, do Vox Populi, já mostrou isso de forma límpida.

Nessa eleição, a mídia impressa seguirá o roteiro de ataques implacáveis contra Dilma. Assim como Serra, essa gente não tem escolha: enveredou por um caminho sem volta. 

Essa mídia, talvez, não consiga garantir a vitória de Serra. Ainda mais porque a TV Globo (ao contrário do jornal, que é explícito) tende a manter-se na moita. A Globo não pode se dar ao luxo de voltar a ser carimbada como “anti-povo”, “golpista”…  Seria um risco enorme jogar a imagem da Globo numa campanha anti-lulista. Mas, se na reta final, a Globo sentir que há espaço para empurrar Serra ao segundo turno, não tenham dúvidas: vão repetir 2006! O método Ratzinger [Nota do Editor: ‘Ratzinger’ é como é conhecido no meio jornalístico Ali Kamel, chefão do jornalismo global] vai se revelar de novo implacável.

Por isso, os lulistas devem evitar o erro de menosprezar adversários que lutam pela sobrevivência – política, ou econômica – e que vão usar todas as armas numa guerra suja.

Essa não será uma eleição para quem tem estômago frágil.”

9 Replies to “Sobre Fábulas e o Menosprezo”

  1. Apesar de não ter tempo, como vi o seu post e é um assunto que me interessa, resolvi comentar, para isso, fazendo uma pesquisa pela internet. Seguem-se 3 links que, a meu ver, mostram haver ligação entre PT e FARC.

    Neste link
    http://web.archive.org/web/20021121173129/http://www.forosaopaulo.org/
    clicando em “Partidos Miembros”, é possível ver que PT e FARC, entre outros partidos, pertencem ao Foro de São Paulo. Logo, através dessa organização, possuem uma ligação institucional.

    Mais, no manifesto das FARC, intitulado “Saudação ao Foro de São Paulo”, de 7 de Janeiro de 2007, presente neste link,
    http://port.pravda.ru/mundo/15168-0/

    é possível ler o seguinte:
    “É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano. Essa iniciativa, que encontrou rápida acolhida, foi uma tábua de salvação e uma esperança de que tudo não estava perdido. Quanta razão havia, transcorreram 16 anos e o panorama político é hoje totalmente diferente.”

    Por fim, o discurso de Lula da Silva, na celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo, em 2 de Junho de 2005, neste link,
    http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/686733
    onde fica claro a ligação do PT ao Foro de São Paulo.

    abraces, Xará!

  2. Xará, o problema é que a oposição está vendendo esta situação aqui no Brasil como se lula apoiasse financeiramente as Farc, o que está muito longe da realidade.

    e neste mesmo discurso de 2005 ele explicita que reprova a opção do grupo pela guerrilha.

    abraços

  3. Lula não apóia as FARC financeiramente. Nós, o povo brasileiro, é que os apoiamos.

    Como? Com dinheiro público… Com empregos no governo… Repúdio em discurso é o mesmo que nada. As ações dizem o contrário.

    E um homem é feito por suas ações…

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