Antes de mais nada: não, a foto da Ísis Valverde neste post não tem nada a ver com o título. Usei apenas para ilustrar o texto.

Minha esposa, infelizmente, é viciada neste negócio. Se ela estiver em casa, é televisão ligada na novela, com certeza. Normalmente, pego alguma coisa para ler ou pulo para o computador.

Entretanto, basta ouvir cinco minutos que se percebe que a novela – qualquer uma – é um manual de crimes.

Ensina a roubar, ensina a sequestrar, ensina a mentir, a matar, a fugir, a dar golpes financeiros, a usar armas, a enganar e, quase sempre, os que destes recursos se utilizam acabam tendo sucesso. Nas “óperas de sabão”, o crime (quase) sempre compensa.

Não me parece coincidência a decadência moral da sociedade e a queda de nível moral das nossas produções. É relação causal. O grosso da população, que não tem acesso à leitura de qualidade, muitas vezes com uma formação familiar, moral e religiosa fracas, acaba se “educando” através da televisão.

Então, o que ocorre ? Ocorre que o cidadão vê a novela, aprende que o certo é enganar, mentir e roubar para subir na vida. Não tem uma formação adequada e reproduz o que vê. Por isso o título deste texto.

Outra coisa é a pobreza das produções atuais. A Índia da novela atual é idêntica ao Marrocos da estória anterior da mesma autora – que, a propósito, só se tornou uma escritora considerada top depois do assassinato da filha.

As tramas básicas são mais ou menos as mesmas: tem o mocinho, o bandido, a mocinha, a bandida, aquele personagem fluido que sempre vive de golpes e sempre “se dá bem”, o boa praça que não tem grana, as empregadas (sempre negras ou de idade), o vovô bonachão que sempre é enganado e por aí vai.

Viu cinco minutos de uma, viu todas.

Muito me preocupa a sociedade que esta fábrica de canalhas está gerando. Sem referencial de bons exemplos, tende a reproduzir o que vê na televisão, e aí temos um mundo onde todos reclamamos da falta de ética e de caráter.

Mas aplaudimos estes caras… e xingamos os políticos. Santa coerência…

P.S. – Que fique claro que nem todos serão maus caráteres por assistirem novelas. Taí o exemplo da minha esposa que não me deixa mentir. Uma boa formação nos torna imunes a este tipo de coisa.

8 Replies to “Novela, estímulo ao mal”

  1. Fala Migão,
    me diz aí quem é mais perigoso: as novelas da Globo ou KL-666? … hehehehehe


    Meu neto Lucas Xarutinho está chegando. A expectativa é que a chegada dele não passa desta semana. Se cair uns fogos ai no “Ouro de Tolo” sou eu comemorando a chegada … hehehehe

    Vovô xaruto

  2. Concordo com vc em relação as novelas. Minha ex-esposa era e é viciada em novela. Tinhamos várias discussões a respeito disso, pois, eu queria assistir outra coisa e ela a novela. No final desisti, fui procurar outra coisa pra fazer. Inclusive ela reclama que eu ficava no computador enquanto ela estava sozinha no quarto, mas, ela não queria fazer outra coisa que não fosse assitir as novelas. rsrsrs
    Corroborando com sua opinião, vi uma entrevista do Silvio de Abreu (autor de novelas) que disse ter ficado surpreso com uma pesquisa, onde a maioria das pessoas gostaria que o vilão da novela Belíssima nterpretado pelo ator Marcelo Antony)terminasse com a mocinha (interpretada pela Glória Pires), mesmo depois dele tê-la roubado e traído com sua própria filha. Infelizmente vivemos uma inversão de valores total. E isso não é culpa apenas das novelas, mas, do governo que não dá educação de qualidade, pois, lhe interessa uma população alienada e burra e principalmente é culpa da família que prefere deixar a televisão educá-la do que resolver os problemas existentes. Lamentável.

    SRN

    Adão Miranda

  3. O mal não é a novela em si, mas atitude de se parar em frente a tv, parar a vida, todo dia só pra isso, incessantemente, uma após a outra….
    .
    Sabe, a vida é mais que isso.Mas cada um faz o que gosta, faz o que pode, vive com suas escolhas aqui e ali. Mas, prefiro eu, ver o contexto assim: não é culpa da globo…
    .
    fui@!!!!

  4. A televisão consegue mudar os nossos pensamentos e assim nos pressionando a assistir a programação. Com isso somos de alguma maneira obrigadas a acompanhar todos os capítulos. Nos dias de hoje, ter cultura não é ler um bom livro e sim saber o que se passa na televisão, somos “tolas” por acreditar que isso possa ser um aprendizado e não uma burrice de trocar um telejornal por uma novela!

    SDS

    Milena

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