Também em Evolução, a diferença das notas entre 2025 e 2026 foi mais um ruído estatístico do que uma mudança estrutural. De 31 notas 10 se reduziu para 29 (ainda grandes 60,5%) e de 12 para 11 notas 9,9, que se transformaram em 9,8 e 9,7 muito impulsionadas pelos problemas mais graves da Portela no quesito que não existiram ano passado.
Módulo 1
Julgadora: Cristina Grafanassi Tranjan
- Niteroi – 9,9 (Fluência 4,9)
- Imperatriz – 10
- Portela – 9,9 (Fluência 4,9)
- Mangueira – 10
- Mocidade – 9,9 (Fluência 4,9)
- Beija-Flor – 10
- Viradouro – 10
- U. da Tijuca – 9,9 (Evolução do Componente 1,9)
- Tuiuti – 9,9 (Fluência 4,9)
- Vila Isabel – 10
- Grande Rio – 10
- Salgueiro – 10
Mais uma julgadora estreante e mais um caderno que não passou do 9,9; no que tem virado uma tônica da Justificando 2026.
Os cinco descontos estão muito explicados e com detalhe, todos eles a exceção da Unidos ca Tijuca por causa de uma invasão pontual de uma na ala na outra ocorrida apenas uma vez, sendo que a julgadora descreve com clareza as alas emboladas e o momento da ocorrência. Mas percebam como a régua da dosimetria está forte, uma embolação bem específica e 4 escolas perderam 1 décimo por isso.
Na Unidos da Tijuca ela justificou que as alas (sem especificar, dando a impressão que foi um problema praticamente na escola inteira) estavam muito espremidas, o que dificultou a devida evolução dos componentes. Até aqui, tudo bem, inclusive não seria a primeira vez que a Tijuca fora descontada por esse motivo e para esse ano foi criado um subquesito específico para avaliar essa parte.
O problema é cotejar essa dosimetria rígida para essas quatro escolas e comparar com Imperatriz e Portela.
Na Imperatriz, houve um buraco considerável pouquíssimos metros depois da cabine, mas ainda tranquilamente no campo de visão de julgadora logo atrás da ala 6.
Aliás essa mesma ala abriu buraco na frente e atrás porque teve um problema com uma alegoria lá no setor 1 e ninguém parou a escola. O diretor de evolução da ala ficou sem saber o que fazer e fez o pior possível, deixou a ala exatamente no meio do caminho e abriu um buraco atrás perceptível no módulo 1 e outro na frente na cara da cabine espelhada.
Não obstante a nota da escola foi um 10 com direito a uma justificativa que deixou claro: “não apresentando problemas que justifiquem a perda de pontos nos 3 subquesitos”. Caso clássico de dois pesos e duas medidas.
No caso da Portela é ainda mais evidente. A julgadora tirou um décimo e justificou pelo motivo óbvio que as duas últimas alas e o último carro passaram voando por ela e a partir daí a escola voou. Realmente isso ocorreu e é público.
Mas também é público que antes desse bendito carro finalmente entrar na pista a Portela ficou completamente parada intermináveis oito minutos esperando o problema dele se resolver e ele finalmente entrar. Com a mesma régua que a julgadora julgou as outras escolas, por causa dessa parada pelo menos mais um décimo deveria ser retirado sem nem discutir. E se a julgadora resolvesse descontar dois décimos, ainda era defensável. Porém, ela sequer citou a ocorrência na justificativa…
Módulo 2
Julgador: Gerson Martins
- Niteroi – 9,7 (Fluência 4,8 e Espontaneidade 2,9)
- Imperatriz – 9,8 (Fluência 4,8)
- Portela – 9,9 (Fluência 4,9)
- Mangueira – 10
- Mocidade – 10
- Beija-Flor – 10
- Viradouro – 10
- U. da Tijuca – 10
- Tuiuti – 9,8 (Fluência 4,8)
- Vila Isabel – 10
- Grande Rio – 10
- Salgueiro – 10
Nesses seis anos de experiência, Gerson demonstrou ser um observador perspicaz da fluência e é muito raro, quase impossível, a Justificando reclamar de algo que ele não observou. O buraco apontado na Grande Rio pelo seu colega de cabine espelhado foi bem pequeno e rápido. Tanto o desconto como o não desconto são defensáveis.
Porém, em todos esses anos sempre há um ou dois tropeços mais fortes em dosimetria para uma escola de forma isolada. Não foi diferente esse ano, ainda mais com o subquesito Fluência apartado para deixar tudo ainda mais nítido.
Vamos a um resumo do que o julgador viu em todas as escolas para o desconto dos décimos em fluência, que por questões de tempo deixarei de especificar o momento da ocorrência, mas todas estão muito bem anotadas nas justificativas deste julgador.
Na Niterói, houve uma embolação de 2 alas, uma parada da escola de 7min (que me parece ser a parada para a apresentação na última cabine, mas o julgador ponderou ser excessiva conforme determina o Manual do Julgador) e uma aceleração brusca de uma alegoria que gerou um buraco seguido de uma correria de 3 alas. Ele juntou tudo e tirou dois décimos.
Na Imperatriz teve o já famoso buraco da frente da ala 06 que citei no caderno anterior, outro buraco poucos momentos depois desse e a ala dos passistas ficou parada por 3 minutos (aqui até achei um rigor excessivo, mas com dois buracos consideráveis, acredito que não mudaria a dosimetria aqui). Outros 2 décimos retirados.
Já no Tuiuti, houve um senhor buraco na frente da alegoria 2, um componente atravessou toda a pista para cumprimentar um político do outro lado e segundo o julgador explodiu a coesão da ala e houve embolação entre 2 alas. Mais dois décimos retirados.
Percebam que meio que se formou um padrão razoavelmente claro da dosimetria necessária para perder 2 décimos em fluência.
Agora vamos para a Portela. O julgador anotou a completa parada da escola por 7min por causa do problema com o último carro, a aceleração desenfreada da Portela quando finalmente o carro entrou e ainda anotou que no meio da correria um buraco se abriu. Concordam que foi algo, no mínimo, no mesmo nível de todas as outras três despontuadas em dois décimos? Pois bem, o julgador inexplicavelmente só tirou um décimo.
Por fim, é importante anotar que o único décimo retirado que não foi em Fluência foi para a espontaneidade da Niterói que o julgador simplesmente justificou “As alas (em conjunto) apresentaram pouca criatividade de passos e movimentos.”.
O que seria essa criatividade em passos e movimentos? Agora os componentes têm que fazer dancinha, coreografia, ou o que? E por que na visão do julgador todas as outras 11 escolas foram criativas, como ele fez questão de justificar diferente da Niterói?
Não há qualquer indício de explicação no caderno. Por sorte foi a Niterói que fez um desfile tão tenso que ninguém se importou. Agora vocês imaginem a confusão que irá se instalar o dia que essa “falta de criatividade nos passos” tirar o título de uma escola?
É uma tragédia pronta para acontecer que a LIESA criou com esse novo Manual de Evolução.
Módulo 3
Julgador: Mateus Dutra
- Niteroi – 9,8 (Fluência 4,9 e Evolução do Componente 1,9)
- Imperatriz – 10
- Portela – 9,7 (Fluência 4,7)
- Mangueira – 10
- Mocidade – 9,9 (Fluência 4,9)
- Beija-Flor – 10
- Viradouro – 10
- U. da Tijuca – 10
- Tuiuti – 9,9 (Fluência 4,9)
- Vila Isabel – 10
- Grande Rio – 9,9 (Fluência 4,9)
- Salgueiro – 10
A única discrepância desse caderno, que é de difícil explicação até, é justamente a nota 10 da Imperatriz. Como bem apontou o julgador do caderno anterior, o buraco da frente da ala 6 foi de tamanho considerável, durou bastante tempo e foi na frente do módulo. A não punição dele chega a ser injustificável. Tanto é que a própria escola entrou com recurso no dia da apuração achando que seria despontuada neste quesito, o recurso foi aceito pela LIESA, mas para a surpresa de todos, o recurso foi desnecessário porque sabe-se lá como a Imperatriz arrancou um 30 no quesito.
Reforçando essa difícil explicação, o décimo do Tuiuti foi embora pelo mesmo buraco anotado pelo julgador anterior junto a uma localizadíssima embolação de alas que não parece ter alterado a nota final da escola pela dosimetria geral do caderno, sendo que este buraco do Tuiuti teve características bastante semelhantes ao da Imperatriz e eu nem entrei na seara do 2º buraco da Imperatriz que, sim, este é mais discutível.
De resto foi um caderno correto, com justificativas claras e dosimetria perfeitamente entendível. Para reforçar o ponto em relação a Portela no caderno anterior, o julgador praticamente anotou as mesmas coisas do Gerson sobre a Portela (só relatou um rápido efeito de sanfona a mais na ala 4) e a nota foi dois décimos abaixo da do Gerson.
Por fim, também reforço o ponto final que escrevi no caderno anterior. O único décimo retirado em subquesito que não Fluência, foi em Evolução do Componente para a Nitéroi. Porém o julgador apenas anotou que “os desfilantes da agremiação deixaram a desejar no subquesito Evolução do Componente pois não obtiveram a vibração e empolgação necessárias ao subquesito”. Por mais que ao menos aqui o julgador gastou 1 ou 2 linhas a mais de tinta para dar alguma explicação, acredito que ainda fica em terreno bastante polêmico caso isso decida posições lá em cima da tabela um dia.
Mesmo nas justificativas das notas 10, o único comentário que acrescentou algo foi na Unidos da Tijuca quando ele anotou que “A escola mostrou que mesmo uma ala coreografada pode ter espontaneidade e ser criativa em sua execução.”. Porém o julgador não indica nem que ala seria essa e nem o que ela fez para chamar a atenção dele. Continua insuficiente para explicar ao público e, acredito, até as outras escolas.
Módulo 4
Julgadora: Lucila de Beaurepaire
- Niteroi – 9,8 (Fluência 4,9 e Evolução do Componente 1,9)
- Imperatriz – 10
- Portela – 9,8 (Fluência 4,8)
- Mangueira – 10
- Mocidade – 9,8 (Fluência 4,9 e Evolução do Componente 1,9)
- Beija-Flor – 10
- Viradouro – 10
- U. da Tijuca – 10
- Tuiuti – 9,9 (Fluência 4,9)
- Vila Isabel – 10
- Grande Rio – 9,9 (Fluência 4,9)
- Salgueiro – 10
Logo de cara, é interessante discutir o 10 da Imperatriz justamente por causa do recurso da própria escola. Mas aqui acredito que há uma explicação plausível. Se a Imperatriz reclamou de problemas na dispersão por causa do atraso da Niterói, o efeito mais provável seria a penalização por sucessivas paradas da escola na frente da julgadora. Mas a Lucila tem um histórico de ser mais benevolente com paradas na fluência. Inclusive nesse ano, as únicas escolas canetadas por ela em relação a isso foram a Portela que, como sabemos, “abusou da regra três” nesse critério, e a Mocidade que, pelo relatado, também teve nada menos que 3 paradas mais longas.
Em um geral um caderno com boa dosimetria e bem justificado. Apenas o décimo perdido da Grande Rio é um pouco discutível porque ela apontou “algumas alas espremidas” demais, mas exemplificando apenas a 8 e 9 além do fato de que, ainda segundo a julgadora, o carro que vinha atrás da bateria espremeu a bateria.
Inicialmente, comparando com a dosimetria para a retirada de décimos do Tuiuti e da Mocidade, que foram penalizadas respectivamente por 3 embolações diferentes, uma delas envolvendo 3 alas, e no caso da Mocidade por 3 paradas longas mais uma correria que se seguiu a cada um desses momentos.
Vejam que foi uma dosimetria bem frouxa, que exigiu quantidade considerável de problemas para o décimo ir embora, principalmente comparado com a Grande Rio.
Fora os descontos de fluência, também apenas mais 2 décimos descontados. O desconto “de praxe” para a Niterói em Evolução do Componente, no qual repito aqui o que escrevi nos dois cadernos anteriores e outro no mesmo subquesito, mas esse é justificado pela própria julgadora que foi causado pelas excessivas paradas da escola, algo bastante plausível para o último módulo.
Recomendações para a LIESA no quesito Evolução:
- Verificar a possibilidade da instalação de alguma luz na cabine de julgamento dos primeiros módulos para avisar ao julgador de evolução que está ocorrendo alguma apresentação obrigatória da escola em momento posterior e que tal parada da escola não deve ser despontuada mesmo que agora o Manual permita o julgador avaliar o tempo perdido nessa parada.
- Colocar no Manual do Julgador de forma bem delimitada o conceito de “campo de visão do julgador”.
- Reforçar com os julgadores a necessidade de se reavaliar a dosimetria neste quesito, tornando as notas 9,6 e 9,7 mais naturais quando necessário.
- Verificar urgentemente a existência dos subquesitos Evolução do Componente e Espontaneidade. Eles praticamente julgam as mesmas coisas e são muito propensos a justificativas polêmicas que podem criar problemas caso elas decidam posições na parte de cima da tabela.