(Karina Oliveira é jogadora de vôlei e escreveu este artigo a convite do blog. O título do artigo faz uma referência à série da Netflix que enfoca o cotidiano de atletas estudantes nos EUA)

Eu estou estudando em Barton Community College, que é uma faculdade de dois anos da liga NJCAA (chamada no Brasil de “Liga Júnior”). Depois desses dois anos eu irei me transferir para uma universidade de quatro anos, onde irei terminar minha graduação.

Ainda não sei se esta transferência será para um NAIA ou NCAA, porque aqui existem esses dois tipos diferentes de liga e cada uma possui uma regra. Então os atletas precisam fazer uma aplicação para ver em liga serão aceitos, para saber em que liga eles preenchem todos os requisites para jogar.

Aqui em Barton (estado de Vermont) eu tenho que conciliar a vida de estudante com a de atleta e trabalhar também. Mas é tranquilo, porque a carga de treinamento é diferente do Brasil.

Aqui só treinamos intensamente uma semana antes da temporada começar. Depois continuamos com um treino de duas horas por dia até que a temporada acabe. Pode parecer pouco, mas não é; porque no Brasil a gente treina para jogar um Campeonato que dura quase o ano todos, então você joga 30 jogos em um ano.

Aqui a gente treina para um Campeonato que dura 3 meses, então jogamos esses 30 jogos nesses 3 meses. Isso nos cansa bastante, porque as vezes temos 3 jogos em uma semana, e se vamos para algum torneio, ai jogamos 4 jogos em um final de semana e as vezes 5 jogos em menos de 7 dias.

É bem desgastante, mas é muito gostoso. Aqui existem outras coisas diferentes que tive que me adaptar em termos de regras, que é o fato da libero poder sacar e a bola poder tocar no teto. Aqui, diferente do Brasil, se a bola tocar o teto e ficar do seu lado da quadra, então você pode continuar o jogo. No começo isso foi meio doido, mas hoje e divertido e testa meu reflexo.

Como disse, estou terminando minha carreira em Barton e tive algumas conquistas. No meu “freshman year” eu tive menção de honra na conferência. E esse ano, no meu “sophomore year”, eu fui nomeada “Defensora da Semana” na minha conferência duas vezes e nomeada “Defensora da Nação” uma vez.

Também entrei no livro de recordes da escola, em segundo lugar, com mais defesas em uma season, e em segundo lugar no recorde de defesas por carreira em Barton, sendo a segunda atleta na história de Barton a conseguir esse feito. A temporada ainda não acabou, e até lá espero ainda fazer muito pela minha escola. 

Hoje existem muitas empresas que ajudam as atletas a virem jogar aqui, porem o que muitas não sabem e que dá para fazer isso sozinha, que foi o meu caso. Eu apenas montei um vídeo jogando, entrei no site atlético das escolas e procurei pelo email dos treinadores.

Depois enviei um email a cada um com meu material e os meus objetivos, e conforme foram me respondendo, nós fomos negociando minha bolsa. E um processo muito fácil; pode ser um pouco cansativo, mas no final vale a pena.

Até a próxima!

Imagens: Arquivo Pessoal

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