Meu caro Juca Kfouri, tudo bem com você? Espero que sim. Apesar de não concordar com tudo o que diz, sou um admirador seu, principalmente pela coragem que tem de se expor, ter posição num tempo em que isso é crime.

Dito isto, queria falar de uma crônica sua escrita semana passada na qual diz que uma pessoa (Não sei se existe essa pessoa ou foi um personagem seu) lhe diz que não entende essa euforia que existe da torcida do Flamengo e que acha seu clube o maior do Brasil quando, tirando os cariocas, ele não é o maior vencedor em nada e que um garoto de oito anos viu mais títulos do Cruzeiro que um rubro negro de trinta.

É chocante ler algo assim na imprensa, mesmo sendo rubro-negro admito que ela “puxa o saco” do Flamengo. É chocante também por saber que em certo ponto quem diz isso está certo, realmente o Flamengo não é o maior vencedor em nada. Então por isso ele não é o maior do Brasil, correto?

Depende.

Depende sobre como se vê essa situação de “maior do Brasil”. Primeiro, que na mesma coluna você lista os maiores vencedores de cada competição e em nenhuma delas o vencedor se repete, então por si só aí percebemos o óbvio, que em número de conquistas não existe um maior do Brasil.

E uma outra questão, que para mim também parece óbvia, é que quantidade não tem nada a ver com qualdiade, O time com mais conquistas não é necessariamente o maior, até porque há uma série de situações por trás da frieza dos números, como época que esses títulos ocorreram, quantos competidores realmente fortes existiam naquela época, como era a competição na época, mais fácil ou difícil do que na atualidade. Nesse caso, a matemática não é uma ciência exata. Hoje, um campeão brasileiro tem de enfrentar todos os times em uma competição que leva quase o ano todo jogando trinta e oito vezes, outros campeões jogaram quatro.

Eu escrevi tudo isso pra dizer que acho, sim, o Flamengo o maior.

Não é o maior em conquistas, mas ninguém no mundo provoca uma segunda-feira como o Flamengo, ninguém provoca um dia seguinte de uma conquista, uma perda, uma classificação heroica ou um vexame como o Flamengo. O Flamengo muda o eixo da Terra, meu caro Juca, se você passar um dia desses no Rio de Janeiro irá perceber isso.

Precisa nem ser no Rio de Janeiro porque o Flamengo é o maior clube nacional também geogragficamente. Em todos os cantos desse país há rubro-negros, e a vida dessas pessoas, seu humor, como será sua semana, muitas vezes depende do que esses jogadores fazem em campo. Assim como o clube é amado, ele é odiado também, e o país para quando ele está em campo em algum jogo importante se dividindo entre os que torcem contra e a favor. O Flamengo talvez seja o único clube do mundo em que na hora de um gol existe foguetório e não sabemos se foi gol a favor ou contra, e acredite, caro Juca, não tem sinal de respeito maior que um adversário perder seu tempo soltando fogos porque você tomou um gol.

Se o Flamengo perde, a internet trava, se vence,  também. O Flamengo dividiu as manchetes com a prisão do casal Nardoni quando foi eliminado pelo América do México, o Flamengo engoliu escândalos graves de Michel Temer divulgados no mesmo dia em que foi eliminado pelo San Lorenzo. O Flamengo tira políticos e celebridades da mídia, sua camisa é a primeira vestida por gringos quando vem aqui e querem mostrar simpatia, é a primeira usada por políticos populistas quando querem fazer o mesmo.

A audiência em jogos do Flamengo explode causando sorrisos nos detentores de transmissão de seus jogos, seus patrocinadores sorriem com a exposição da marca. Cada partida decisiva do Flamengo equivale a um capítulo final de novela, muito do que o Maracanã é hoje vem dessa parceria com o Flamengo, da presença da massa nas arquibancadas, sua magnética, a quantdiade e norme de dinheiro que a torcida deixou no estádio. Flamengo é o clube mais cantado em músicas. Sou Flamengo e tenho uma branquinha chamada Luciana Juca.

Torcida gigantesca que faz o Rio sorrir após um jogo como o de quarta. Na quinta só se viu o preto e o vermelho nas ruas. O playboy, a gatinha da Barra, o trabalhador formal, o ambulante, todos na rua vestiram Flamengo com orgulho, pareciam ir a um casamento.

Essa magia que o Flamengo provoca, essa força junto a massa capaz de mudar humor, de fazer feliz quem está doente ou em situação difícil é inexplicável. Para 40 milhões de pessoas o Flamengo é uma religião. Quantos países tem isso de população? Eu sei Juca que todos os clubes tem seus torcedores apaixonados, o seu Coritnhians mesmo tem uma torcida gigantesca, fiel, apaixonada. 

Mas aí, caro Juca, que vem toda a diferença. O Corinthians gosta do sofrimento, ele canta “Corintiano maloqueiro e sofredor graças a Deus”, ele diz que se não for sofrido não é Corinthians. O rubro negro não, ele gosta de festa, de farra, da gozação, ele é marrento, inventou o “cheirinho” que hoje é usado contra por todas as torcidas. Ele sabe dos riscos que corre sendo assim e gosta.  

O seu Coritnhians gosta do sofrimento, o Flamengo, da alegria, e aí ,caro Juca, aí está essa grandeza infinita. Passar alegria em tempos sombrios como o atual é para poucos, fazer o povo feliz no Brasil de hoje nem que seja por um dia ou o próximo jogo é para poucos. O Flamengo consegue isso.

E simplesmente por fazer o povo sorrir quando só tem motivos para chorar que o Flamengo é o maior do Brasil. Concorda agora comigo caro Juca?

Assim me despeço. Grande abraço e amanhã estarei lhe a companhando no Linha de Passe como sempre faço. Perdoe-me você e demais leitores pela coluna parcial, mas é porque como todos os rubro negros hoje eu estou feliz mesmo sem ter motivo. Aliás, eu tenho, eu sou Flamengo, torço pelo maior do Brasil.

Saudações rubro-negras.

Twitter – @aloisiovillar  

Facebook – Aloisio Villar 

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