Essa semana foi de perdas e também de lembrança de perdas.

Lembrança dos 25 anos sem Ayrton Senna. Um quarto de século da perda, perda que machuca o Brasil até hoje, perda de alguém que quem tem menos de 30 anos não lembra de ver correndo, mas mesmo que tenha tanto tempo deixou uma lacuna. Nunca mais o Brasil foi o mesmo na F1 depois dessa perda, nunca mais o Brasil teve um ídolo de seu tamanho.

Perdas na semana. Na terça perdemos a madrinha do samba, Beth Carvalho, na madrugada em que escrevo essa coluna é confirmada a morte do teatrólogo Antunes Filho.

Perdas sentidas.

Dizem que ninguém é insubstituível. assim como existe outro grupo que diz que nunca mais existirá alguém como “fulano” ou “sicrano” quando a pessoa se aposenta ou morre. Na verdade os dois lados estão certos. Realmente na teoria ninguém é insubstituível, desde que o mundo é mundo pessoas morrem, pessoas geniais morrem, e o mundo continua de pé produzindo.

Mas especialmente no Brasil vejo nos últimos tempos que é cada vez mais comum lamentarmos a perda de alguém sabendo que nunca mais existirá alguém como essa pessoa. A morte de um ídolo, de uma referência por si só já dói, mas piora ao ver que vivemos um tempo onde cada vez mais lacunas ficam abertas, um momento que educação e cultura parecem ser as grandes vilãs do país.

Alguns anos atrás, quando na mesma semana morreram Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, escrevi para esse blog sobre a falta que esses personagens fariam e a falta de substitutos. Senna não tem substitutos, vide que o “maior ídolo” brasileiro nos esportes hoje é Neymar. Um cracaço de bola, mas que cada vez mais se mostra um sujeito mimado, cabeça fraca e distante dos objetivos que traçou para a vida.

Beth Carvalho não tem substituto. Sim, o samba é uma de nossas expressões culturais que mais mostram novos talentos, mais pessoas surgem, mas nada nem parecido. Ainda mais que vivemos um agravante musical no país onde os ritmos se parecem. Hoje ouvimos samba, forró, sertanejo e muitas vezes não sabemos diferenciar os ritmos.

Antunes Filho não tem substitutos. Não temos nenhum grande diretor ou autor teatral surgindo. Não temos nenhum grande escritor.

É..É isso, não temos nenhum grande dramaturgo, escritor, poeta, diretor, cineasta, compositor, sociólogo, filósofo (Ainda é permitida a profissão aqui?), temos nada surgindo. Não temos uma grande banda de rock, um grande cantor de MPB, nada. As nossas referências estão morrendo ou se aproximando dos 80 anos como Chico, Caetano, Gil, Roberto Carlos, Ney..Ano passado falaram que o Chico Buarque da nova geração é o próprio Chico e é verdade.

Chico Anysio morreu, Jô Soares e Renato Aragão passaram dos 80 e tem nada parecido com eles surgindo. Os humoristas hoje se dividem entre aqueles oriundos da internet e de stand up que conseguem esboçar sorrisos apenas dos jovens com piadas escatológicas e muitas vezes preconceituosas e aqueles que são o contrário, que querem “lacrar” antes de qualquer coisa e se tornaram chatos de tão politicamente corretos. Humorista hoje quer marcar posição, seja de qual lado for, não fazer rir.

O problema é que o jovem hoje não quer se especializar em nenhuma daquelas artes que eu disse acima, o sonho do jovem é ser youtuber ou influenciador digital. Ninguém mais quer ser referência por seu trabalho e sim pelo que é, ou finge ser porque no mundo da internet todos são perfeitos e postam fotos em praia com hastag gratidão.

Existe uma preguiça de produzir hoje em dia e isso faz com que a gente lamente ainda mais mortes como da Beth. A gente perde uma grande artista, uma referência e recebe uma lacuna.

E na andança da vida a gente se perde pelo caminho.

O vazio só aumenta.

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