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Um Mundial de dois mundos

Mundial

Não deu pro Grêmio.

Assim como não dá para quase todo mundo que vem enfrentando os europeus no Mundial de Clubes. Desde que a nova fórmula foi inventada os europeus só perderam em três ocasiões. São Paulo 2005, Internacional 2006 e Corinthians 2012. Não por coincidência nas três ocasiões os goleiros foram eleitos os melhores em campo. Hoje só assim para um não europeu vencer, se trancar na defesa e ganhar o jogo em uma bola.

Foi-se o tempo que o São Paulo enfrentava Barcelona e Milan de igual para igual ou o Flamengo metia três em um tempo e botou na roda o Liverpool em outro, Os tempos mudaram e o abismo financeiro hoje é imenso.

Seria impossível aquele time de 1981 do Flamengo se manter tanto tempo junto como foi naquela época ao ponto dos jogadores surgidos da base atuarem no clube com 26, 27 anos. Foi-se o tempo que Raí e Müller quase com 30 anos comandavam um time como o São Paulo. Hoje é impossível um grande craque chegar nessa idade jogando no Brasil, é impossível um time brasileiro com jogadores de 26, 27 anos surgidos em sua base. Vinicius Jr tem nem 18 anos e já foi vendido, isso é só um exemplo.

Os grandes clubes europeus hoje são verdadeiras seleções mundiais. Provavelmente Barcelona, Real Madri e Manchester City brigariam forte para ganhar copa do mundo, coisa que não ocorria quando existia limite de estrangeiros nas equipes. No começo dos anos 80 só eram permitidos dois estrangeiros em cada campeonato europeu e não existia a história do “mercado europeu”, francês contava como estrangeiro no campeonato italiano.

O abismo financeiro com a liberação do número de estrangeiros chegando ao ponto de times inteiros contarem apenas com jogadores estrangeiros tornaram feito do nível de um milagre um não europeu vencer o mundial. O Grêmio, sem dúvidas um dos maiores times da América em 2017, deu um, apenas um chute ao gol em todo o jogo contra o Real Madrid. Pareciam dois times de planetas diferentes e a sensação no fim era que o Grêmio tinha que agradecer perder apenas de 1×0.

É um processo irreversível porque vai além do dinheiro dos clubes, vai para a situação de cada país e não vejo como um país da América do Sul equiparar economicamente com os maiores da Europa. O confronto entre europeu e não europeu cada vez mais se aproxima do basquete, do jogo de um time da NBA contra um da FIBA. E os times brasileiros, que tanto anseiam pelo “rumo a Tóquio” mesmo que o mundial não seja em Tóquio terão que começar a ter o vice campeonato mundial como objetivo.

Isso se a FIFA não mudar mesmo o regulamento aumentando o número de times na competição. Com isso aumentaria o número de europeus e fatalmente passaríamos a ter finais entre eles. Daqui a pouco teremos uma final entre Barcelona x Real Madrid e teremos saudades de Flamengo x Liverpool, São Paulo x Barcelona ou Corinthians x Chelsea.

Caberá ao Corinthians o orgulho de ser o último não europeu campeão do mundo. Acho quase impossível que a combinação time brasileiro ajeitado e iluminado com time europeu que não é o melhor da Europa e está em boa fase se repita novamente. Nossos mundiais ficarão restritos ao youtube e lembranças.

Ou então que façamos um mundial entre nós e esqueçamos os europeus.

Olha aí sua chance, Palmeiras.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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