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Olá, amigos do Ouro de Tolo, quanto tempo, não? Pois é, ando meio sem tempo para muitas coisas desde que comecei o mestrado e é justamente sobre a pós-graduação que venho falar hoje. Alguns leitores já devem me conhecer, conhecer meu sonho de ser cientista e que enfrentar isso não é nada fácil. Já comentei aqui por alto o quanto é difícil fazer ciência no Brasil. Mas hoje, dedico esta coluna somente a isso, aos estudantes que enfrentam essa barra e, sobre tudo, àqueles que sofrem de depressão na pós-graduação.

Já falei sobre o referido problema aqui, mas é comprovado através de diversas pesquisas que os índices de depressão e outros transtornos na pós-graduação são elevadíssimos. Temos motivos de sobre pra isso: pouco dinheiro, infra-estrutura precária, pressão, prazos curtos, artigos para publicar. E tudo isso acaba resultando em algo que costuma ser fatal: a solidão. Tudo o que fazemos acaba perdendo o sentido, perdemos o prazer nas pequenas coisas da vida. Deixamos de viver.

Eu ainda não passei por isso na pós (espero não passar), mas já passei durante a graduação e por isso posso falar com certa propriedade. Muitos motivos me levaram a desenvolver o quadro, mas uma coisa que tenho bem clara na minha mente é que eu não me encontrava no curso que eu fazia. Não queria ser professora de Biologia, eu queria ser médica e o meu curso não me agradava em nada. Eu não via sentido na minha vida, eu queria morrer, mas ao mesmo tempo eu tinha medo,eu queria viver. E foi o meu querer viver que me ajudou a ter forças para sair desse buraco, além, é claro, do Deus no qual eu acredito.

No segundo ano de faculdade, eu entrei num cursinho para prestar o vestibular novamente, mas não deu certo. Eu não dei conta das duas coisas e acabei repetindo de ano na faculdade. E foi aí, no que parecia o fim do túnel, que começou a minha virada. Eu já estava bem da depressão e se não fosse minha reprovação, eu jamais teria ido com a cara e a coragem atrás de uma professora no Hospital Universitário para tentar com ela uma estágio em pesquisa com câncer.

Se eu não me encontrava na licenciatura, por quê não tentar a pesquisa? Eu entraria no meu terceiro ano de faculdade sem ter feito nada de proveitoso. Estou trabalhando com ela (hoje uma mais que professora, uma querida amiga) até hoje e posso dizer que estou satisfeita, que encontrei meu lugar.

Eu conto a vocês a minha história resumida unicamente para dar um conselho: nunca deixe nada ser mais importante que sua saúde física e mental. E saúde mental incluí se divertir. Não importa o que você faça para se divertir (desde que não seja ilícito, óbivio): dance, ria, saia pra comer, namorar, durma, faça exercícios, não esqueça a família, os amigos, sempre há tempo para eles.

Infelizmente, a academia fecha os olhos pra esse problema que é sim muito evidente. Não somos robôs, somos seres humanos. Não nascemos só para produzir, também precisamos de lazer. Felizmente, o ambiente no qual eu trabalho é leve, muito descontraído. Ficamos loucos sim com prazos, trabalhos, mas nós sabemos levar, nós conversamos, rimos, e temos claro na nossa mente que a vida não depende só do trabalho, que viver não cabe no Lattes.

Entretanto, nem todos tem a mesma sorte. Foi o caso de um estudante de doutorado da USP que se suicidou no laboratório no qual trabalhava por, segundo palavras do próprio, não ter mais esperança, não conseguir mais viver. Pensar em suicídio durante essa fase é mais comum do que se pensa, são noites de sono, vários momentos entre família e amigos perdidos.

É necessário que o problema seja levado a sério, que o próprio orientador dê suporte ao aluno caso os experimentos, a qualificação, os prazos não sejam cumpridos. Eu mesma estou aqui como prova: no que parece ser o fim da linha, sempre é possível achar um novo começo.

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