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As Duas Faces de Zé Ricardo

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Mais um campeonato brasileiro vai chegando ao fim, se arrastando em sua torturante procissão.

O Corinthians se sagrará merecidamente campeão, respondendo a pergunta de semana retrasada com “não, não tivemos um campeonato” e o que podemos falar que teve de novo foi o surgimento de treinadores como Fabio Carille e Alberto Valentim.

Mas o assunto de hoje é um que está em seu segundo ano. Zé Ricardo.

Zé Ricardo foi ao inferno e ao céu, é odiado e amado, teve fracasso e sucesso, o tudo ou nada, Zé Ricardo é como o Brasil de hoje: divide opiniões.

O treinador é amado pela torcida do Vasco e odiado pela torcida do Flamengo conseguindo tudo no mesmo ano dirigindo as duas equipes. Por que isso acontece? Curioso pensar nessa situação.

Zé foi muito bem no Flamengo ano passado. Pegou uma equipe sem padrão de jogo nas mãos de Muricy Ramalho e melhorou, deu padrão. O Flamengo começou a ganhar jogos e com a chegada de Diego percebeu que poderia ser campeão brasileiro – surgindo a história do “cheirinho”. Não foi campeão, mas o trabalho do Zé foi aprovado.

Coisa que não ocorreu em 2017. O time foi bastante reforçado, se recheou de bons jogadores e a impressão que passou é que o treinador não estava pronto para tal missão. Prendeu-se a jogadores já contestados ano passado, continuou não conseguindo dar força de ataque ao seu time e perdeu a maior virtude que era a força defensiva.

Foi eliminado na primeira fase da Libertadores e isso foi fundamental para que seu trabalho desandasse. Foi demitido ao fim da primeira fase do brasileiro, dezoito pontos atrás do líder.

Aí acho que tomou a decisão mais acertada. Confiou em seu taco e não aceitou a proposta de ser auxiliar no Flamengo. Mais que isso: aceitou a oportunidade dada pelo arquirrival semanas depois da demissão. Não quis voltar ao que era, não tirou meses de férias para respirar – ameaçando ser esquecido. Zé Ricardo não tinha nada a perder, não tinha como o Vasco piorar.

E não piorou. Acertou a defesa vascaína, uma das piores da competição e entre empates e vitórias de 1×0 não só salvou o Vasco do rebaixamento como lhe coloca como postulante a vaga na Libertadores.

Isso acontece porque ele faz no Vasco exatamente o que fez no Flamengo ano passado. Pegou uma equipe destroçada e fez dela um time, reconhecendo suas limitações e com sua maior força na defesa. O Vasco de 2017 é “arame liso” como o Flamengo de 2016, na maioria das vezes faz 1×0 e se retranca. Boa parte das vezes dá certo, mas em outras não como no empate contra o Vitória semana passada.

Zé Ricardo não merece ser odiado pela torcida do Flamengo. Apesar de grandes erros – como Juan e Cuellar nas reservas de Rafael Vaz e Marcio Araujo – é dele sim o melhor trabalho de um treinador rubro negro nessa década. Também não é para ser endeusado pela torcida vascaína: é um técnico com limitações ainda e que precisa ser provado. Precisa melhorar seu poder de ataque e aprender a trabalhar com grandes equipes.

Como Jair Ventura, Zé Ricardo é um treinador de futuro, sem dúvidas, só que esse futuro ainda não chegou; mas só em não ser do passado como a maioria de nossos técnicos atuais já é muito bom.

Zé Ricardo é a bola da vez do “Clássico dos Milhões”.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

Imagens: Globoesporte.com e Ouro de Tolo

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