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Em um sábado para domingo de 19 de julho de 1997 estava ansioso esperando por algo que nunca imaginei que faria na minha vida, concorrer a um samba enredo na União da Ilha.

Sempre gostei de carnaval, escolas de samba e fui torcedor da União da Ilha, assim como sempre gostei de escrever, mas nunca imaginei que uniria tantas paixões em uma coisa só. Vi na coluna do Claudio Vieira no jornal “O Dia” que a União da Ilha entregaria a sinopse de “Fatumbi, a Ilha de todos os Santos”. Tinha data, hora e informações como a ala de compositores estar aberta, isso é, qualquer pessoa poder escrever samba e seria gratuita a inscrição.

Nesses últimos vinte anos foi a única vez que vi na grande mídia um anúncio com tantas informações sobre entrega de sinopse. Não sei o que me deu, mas na hora pensei “Por quê não?”.

Realmente não sei o que me deu porque eu era um cara tímido nunca tinha ido não só na quadra da União da Ilha como de qualquer escola de samba. Não era do meio, não conhecia ninguém do meio, não tinha a mínima ideia de como escrevia um samba-enredo e como eram as disputas, as únicas coisas a favor eram gostar de carnaval e achar que escrevia bem. Quer dizer, meu excesso de auto estima em relação a escrever me levou a isso.

Cheguei lá totalmente verde com 20 anos de idade sentando próximo das maiores feras que o carnaval insulano já conheceu, ouvi a explanação do Milton Cunha e peguei a sinopse.

Cheguei em casa, escrevi o samba na mesma noite e através do meu pai conheci dois cantores. Eles defenderam meu samba pela primeira vez naquele 19 de julho de 1997. O samba foi eliminado na semana seguinte e sem dormir fui fazer vestibular e passei, mas ter entrado na faculdade foi o menos importante disso.

Se eu fosse pessimista como o dono do blog diria que minha experiência frustrada durou uma semana, como não sou digo que a bem sucedida dura vinte. No mesmo ano cheguei com cara de roqueiro na final do Boi da Ilha, perdi e lembro bem da frustração de minha mãe chorando e guardando alegorias da torcida após o resultado. Menos de quatro anos depois ela chorava de novo no Olimpo quando dediquei Estandarte de Ouro para ela.

Até 2014 foram 99 disputas em escolas de samba (sem contar blocos), 65 finais e 32 vitórias. Ganhei Estandarte de Ouro, S@mbaNet, Jorge Lafond, Ziriguidum..Ganhei em todos os grupos do carnaval, do especial ao E, ganhei 7 sambas no Boi da Ilha, 7 no Acadêmicos do Dendê e em 2012 realizei o sonho de ganhar na União da Ilha.

Até que cansei de escrever. Cansei da rotina de 17 anos, de ver que as disputas até da Intendente ficavam caras e mudei pra mídia de carnaval. Passei pelos maiores veículos, SRZD e Carnavalesco, virei colunista de um dos pioneiros, “OBatuque.com”, fiz trabalhos esporádicos na “RádioSambista.com” e “Rádio Arquibancada”, as maiores mídias, os maiores canhões de audiência com muito orgulho. Também ajudei a criar um programa de samba que passava ao vivo no youtube e o coloquei no SRZD fazendo sua audiência multiplicar e atraindo sambistas para este programa.

E no fim desse período criei junto com amigos o “Reage Boi”, movimento que mobilizou o bairro todo em torno de uma escola de samba e daí surgiu a Nação Insulana, escola que foi campeã logo em seu primeiro ano. Escola que surgiu na minha casa e fui seu primeiro vice presidente e autor do hino.

Se eu dissesse para o jovem de 1997 que tudo isso ocorreria ele responderia que era mentira. Aquele jovem dentro de sua inocência só queria, e achava que poderia, ganhar o samba para o carnaval 1998. Passou longe disso, mas deu certo.

Meus filhos estão pequenos ainda, minha carreira como escritor também está no começo (carreira que começou quando comprei livro com peças de Nelson Rodrigues com o dinheiro que ganhei em 2012 com a Ilha) e assim não posso ainda dizer que dei certo como pai e escritor, então sem dúvidas digo que o carnaval é o que de mais bem sucedido ocorreu na minha vida até hoje.

No carnaval tive decepções com resultados e pessoas, mas o saldo é totalmente positivo. Adquiri conhecimento, cultura, aprendi o respeito aos mais velhos, baluartes, venci, perdi e consegui os melhores amigos que uma pessoa pode ter e nisso incluo os dois comandantes desse blog, Pedro Migão e Fred Sabino, se hoje os conheço foi o samba que me apresentou.

Alguma mágoa do samba? Nenhuma, sou eternamente grato, tanto que breve sairá livro com os contos que escrevi e publiquei aqui sobre carnaval. Faria tudo de novo sabendo como é difícil? Faria sim, até porque deu certo.

Fiz carreira no samba como compositor, dirigente e comentarista do tamanho que deveria ser, nem menos nem mais. Nunca fui de escritórios, de frequentar quadras o ano inteiro, de ficar no pé de dirigentes, ter muito dinheiro para investir e nem acho errado quem faz tudo isso, só não é o meu jeito. Então dentro do limite que me criei fui ao máximo e consegui o mais importante. O respeito e reconhecimento dos sambistas.

Só lamento imensamente que um garoto que tem hoje a idade que eu tinha quando comecei e queira compor tenha bem menos espaço para mostrar seu talento e amor ao carnaval. Na era das super produções para disputar no especial e sambas encomendados nos grupos debaixo esse garoto acabará buscando outros gêneros musicais ou deixando a música de lado assim como muitos contemporâneos meus fizeram. Só sentirão falta dessas pessoas quando forem lutar contra o prefeito e não encontrarem ninguém para apoiar.

Que isso mude, que os jovens possam voltar e daqui alguns anos contarem suas histórias, melhores ou piores que a minha? Não importa, o que importa é que sejam do tamanho do orgulho deles.

Como eu tenho da minha história.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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