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Beijo..

Devia ser uma das coisas mais normais que existem, afinal de contas é um dos carinhos que mais recebemos na vida. Todo mundo adora beijar bebês, beijamos nossos anciões por sinal de respeito. Beijo na testa na hora de dar a benção, beijo no rosto no cumprimento, um em São Paulo, dois no Rio de Janeiro, beijo na mão no cavalheirismo, beijo na boca no amor e no tesão.

Uma boca se encosta na outra e pronto. Uma história se inicia.

Que eu me lembre a única vez que soube de beijo para dar início a algo ruim foi o de Judas em Cristo. Beijo sempre é um sinal de afeto, de gostar, é um sinal de amor e não necessariamente amor carnal, mas o apreço por alguém também é amor.

E por quê um simples e afetuoso gesto como um beijo ainda traz tanta polêmica?

florinda bolkanO título da coluna seria “O beijo gay”, mas achei desnecessário. Quando um homem e uma mulher se beijam chamam de “Beijo hétero”? Quando um pai beija um filho de “Beijo familiar”? Não. Beijo é beijo. Beijo é simplesmente beijo.

A impressão que temos é que o mundo está retrocedendo. Ficando a cada ano mais careta, mais chato. Tenho certeza que entre os doidos anos 60 e 80 todos imaginaram que em 2015 teríamos carros voadores, faríamos compras em Marte, mas ninguém imaginou que a sociedade debateria beijos.

Mas acontece.

Pior que discutir beijo é discutir homossexualidade. Pior que discutir homossexualidade é não aceitar. Não aceitamos como se tivéssemos o direito de aceitar algo ou não nessa existência. Cada um é dono de sua vida, de seu beijo, da sua bunda e ninguém tem nada a ver com isso.

É incrível como a sociedade ainda fala em “preservar a família”. O mesmo cara que fala isso chega mais tarde em casa porque está trepando com amiga da mulher. É incrível falarem em “preservar as crianças” quando a porcaria da novela passa depois das vinte e duas horas, hora de criança estar dormindo e mesmo que não esteja hoje existem controle remoto e tv a cabo com um porralhão de canais e entre eles um monte de infantis 24 horas.

Quem nós pensamos que somos pra dar lição de moral em alguém? Todo mundo tem defeitos, todos temos podres.

Sim. Estou falando da novela Babilônia. A novela anterior acabou com um filho matando o pai. Essa novela começou com chantagem, assassinato, atropelamentos, golpes, um monte de coisas erradas e o grande problema é o beijo entre duas senhoras. Sendo que da novela que ninguém presta as duas são das poucas que tem caráter.

Qual o problema? Não vou entrar no mérito que é a quarta novela seguida que tem beijo gay e a impressão que dá é que mais que informar ou quebrar preconceitos os novelistas agora querem polêmica e audiência.

Repito. Qual é o problema?

O problema é muito simples e aterroriza quando a gente percebe que essa é a quarta novela e é a que mais causou revolta. Provocando até boicote à novela.

É o caso de preconceito duplo.

2014-707318205-2014041754039.jpg_20140610Na chata última novela do Manoel Carlos, que já esqueci o nome e só lembro que tinha uma Helena, tinha beijo e relação entre duas mulheres. Mas ninguém ligou porque eram duas gatas se esfregando. Amiga dona de casa que lê o blog essa hora, saiba de uma coisa. Homem adora ver duas mulheres se pegando.

Acho que toda mulher já recebeu proposta masculina de sexo a três, lógico sendo duas mulheres; a que não recebeu ainda irá.

A questão de Babilônia é que eram Fernanda Montenegro e Nathália Timberg. Dois monstros sagrados da nossa dramaturgia e isso chocou. Chocou ainda mais porque eram “duas velhas”.

A sociedade brasileira descobriu com a novela que as lésbicas também envelhecem.

Essa hipocrisia babaca do brasileiro que adora uma sacanagem, mas não gosta de gay e odeia político corrupto, mas foge da Lei Seca e dá “jeitinho” em parques no exterior acaba ajudando uma coisa ainda pior e que preocupa nesse momento.

O fundamentalismo religioso.

quem-e-silas-malafaia-2Quem me acompanha nesses quase quatro anos de colunas sabe que eu sempre defendi a liberdade religiosa e um dos que mais defendi os evangélicos aqui. Mas é nítido que a gente começa a viver um fundamentalismo religioso da parte deles, com crescimento de gente como Silas Malafaia e Eduardo Cunha.

O crescimento desses religiosos unidos ao discurso fascista de gente como Jair Bolsonaro, que virou voz do cidadão inseguro com o medo em que vive, acabou criando terreno para essa ameaça.

Já tivemos criança sendo assassinada por ter pais gays, temos deputada querendo passar lei que proíba casais gays de adotarem (proponho que todas as crianças que vivam em orfanatos passem a morar em sua casa) e assim essa onda retrógrada e preconceituosa vai crescendo.

O Brasil vem sofrendo ameaças a sua democracia. Desde os imbecis que saem as ruas pedindo volta dos militares e comparando comunismo com nazismo até aqueles que perseguem gays. Já temos até neonazistas negros e nordestinos mostrando que o processo de emburrecimento e aumento de ignorância do país é do nível da subida do dólar.

Um dia vieram me perguntar “E se sua filha ou filho virar gay?” Amigo, eles têm mães gays. Se tem uma coisa que eu não tenho é preconceito em relação a isso. Me preocupo mais com minha vida e com o caráter deles que vem se formando muito bem. As pessoas deviam se preocupar com coisas mais importantes que opções sexuais. Até porque quem se preocupa muito com isso é porque tem algo a esconder.

Um beijo para vocês.