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Após a entrevista que esta revista eletrônica publicou com o presidente da Afrebras, Fernando Bairros, por intermédio também do colunista Emerson Braz solicitamos uma entrevista com Marcelo Carneiro, um dos donos da Cervejaria Colorado e presidente da Associação Brasileira de Microcervejarias.

Enviamos as perguntas e, dado o interesse que demonstramos e aproveitando que viria ao Rio de Janeiro, Marcelo Carneiro pediu para que a conversa fosse presencial, o que se realizou na última segunda feira no especializado Botto Bar, localizado na Praça da Bandeira. Este editor chefe representou o Ouro de Tolo no bate papo, regado a almoço e aos bons chopes da cervejaria paranaense Morada – em especial o excelente Hop Arabica, APA (embora pareça mais uma IPA) com adição de café.

Obviamente, o rigor não é o mesmo de uma entrevista formal, mas registro aqui algumas impressões do bate papo, por tópicos.

Diferencial de preços entre Importadas e Nacionais: segundo Carneiro boa parte deste diferencial vem da chamada “pauta”, que é uma pesquisa de preços. Cervejas importadas que não venham regularmente – como muitas americanas – não passam por esta pesquisa e entram na categoria “outras”, o que significa um imposto de R$0,14 por garrafa. Cervejas nacionais chegam a pagar R$3 em alguns casos.

A “pauta” explica o fato de algumas importadoras colocarem suas cervejas em supermercados a preços mais baixos que em lojas especializadas: somente as primeiras são pesquisadas.

Sicobe e Tributos: o sistema da Receita Federal que controla a produção de bebidas, instalado nas linhas de envase, é mais prejudicial aos fabricantes de refrigerantes que aos de cerveja, pelo fato destes conseguirem uma diferenciação de produto e assim obterem um preço final ao consumidor mais alto. Já no que toca aos refrigerantes, não há esta diferenciação e a competição acaba sendo mais predatória para as pequenas indústrias – como comprovar que o seu guaraná, por exemplo, é melhor que o fabricado pela Ambev?

20140825_140214Também defende um regime intermediário entre o “Simples” e a tributação normal de médias e grandes empresas. O recente Reffis lançado pela Receita foi um alívio para muito empresários deste setor.

Por outro lado considera que as pequenas cervejarias precisam se formalizar mais e se organizar de forma mais adequada, até para terem maior poder de negociação nas câmaras setoriais e na negociação com as gigantes do setor.

Outros Problemas do mercado cervejeiro: além da questão dos impostos, ainda há problemas em padronização de produto e especialmente controle de qualidade. É um ponto onde as “mainstream”, até pela maior capacidade de investimento, estão à frente.

Deu como exemplo de problema de qualidade o problema encontrado com as rolhas de outro fabricante, que faziam perder muito da carbonatação por não proporcionarem a vedação adequada – ao que parece, já sanado.

ABM: foi fundada no ano passado e retomou iniciativa ocorrida no início dos anos 2000, que contou com ele, o dono da cervejaria Dado Bier e mais dois ou três. Destacou o apoio recebido da Afrebras na organização desta associação, que hoje já tem associados de todas as partes do país. Bate na tecla que o mercado brasileiro é um oligopólio (Ambev, Heineken, Kirin e Petrópolis) e que isso é muito ruim para o consumidor como um todo.

“BebColorado+Vixnu+1.5a Menos, Beba Melhor”: ao contrário do que o público pensa, este mote foi criado menos para alardear uma maior diferenciação de produto e mais para tentar contornar resistências em setores refratários ao consumo de álcool, como os políticos evangélicos e setores mais extremistas da Igreja Católica, como a Opus Dei – que chegam a empreender oposição até maior que a dos neopentecostais.

Por outro lado, não concorda com a tese de que os bebedores de cervejas “mainstream” são incultos, como alardeado por alguns “beerevangelistas” mais radicais. Ao contrário: pensa que é promissor o mercado de “session beers” (cervejas com baixo teor alcoólico para serem bebidas em quantidade) para sensibilizar este público, com produtos mais refrescantes sem abrir mão da qualidade.

Cervejas Especiais em Lata: considera melhor que as garrafas, por três fatores: impede melhor a passagem de luz, deixa menos espaço para oxigênio (ambos são fatores que afetam a qualidade, em especial do lúpulo) e facilita o transporte.

O grande problema para adoção no mercado das especiais brasileiras, além de um certo preconceito do mercado, é o elevado custo da máquina de envase, só disponível no exterior e que não pode ser financiada pelo BNDES – cerca de US$100 mil por unidade de enchimento.

Ainda assim, considera que a cervejaria deste segmento que começar a se utilizar de latas irá levar grande vantagem no segmento.

Cervejarias Ciganas: o custo unitário por produzir em unidades alugadas, como estas cervejarias fazem, é mais alto que fabricar em instalações próprias.

Matérias Primas “Nacionalizadas”: acha promissor o desenvolvimento feito pela empresa Agrária – em parceria com a Embrapa – de um malte pilsen 100% nacional, cultivado no Sul do Brasil. Esta variedade representa quase 90% do consumo de uma cervejaria nacional.

malte agráriaPor outro lado, considera que produzir lúpulo no Brasil somente se a Embrapa desenvolver uma espécie que seja menos dependente do frio, tal como feito com a soja.

Lúpulo: contesta um pouco esta preferência pelas variedades de lúpulo americanas, tão em voga no nosso mercado. Considera que outras variedades também podem ser utilizadas com bastante sucesso, citando como exemplo o lúpulo francês que a Colorado utilizou na série especial ICI e o neozelandês Nelson Sauvin.

Concursos Cervejeiros: explicou que as amostras enviadas são as mais frescas, tiradas do tanque, até porque muitas vezes elas ainda enfrentam longas viagens até o local do concurso.

Também explicou que chegam a ser experimentadas 50 amostras em uma manhã de concurso.

Sobre a Colorado: seu mix de vendas é equilibrado, sem uma das marcas muito acima das outras. Está investindo na ampliação da capacidade produtiva e estudando novos produtos para o portfólio, bem como séries especiais (como a cerveja do aniversário do site/bar Brejas). Também não descarta no futuro fazer cervejas colaborativas e colocar no mercado algumas experiências.

Falamos também de política, futebol (ambos somos rubro negros), do blog e outros assuntos, mas sem dúvida foi uma conversa bastante esclarecedora sobre o panorama cervejeiro brasileiro.

Imagens: Arquivo Pessoal, reprodução de internet e Maltaria Agrária

One Reply to “Bate Papo com Marcelo Carneiro, da Associação Brasileira de Microcervejarias”

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