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Domingo, dia de prova para o Banco Central, dia de repercutir bons textos no Ouro de Tolo.
Nosso primeiro texto é uma brilhante análise da situação brasileira e sua correlação com a recente eleição chilena, feita pelo jornalista Rodrigo Vianna em seu blog, o “Escrevinhador”. Vamos a ele:
“Colunistas do partido da imprensa passaram uma semana a comemorar os resultados eleitorais no Chile. Lá, a presidenta Bachelet – com ampla aprovação popular – não conseguiu eleger o candidato da “Concertacion” (coligação de centro-esquerda), Eduardo Frei.
Seria um sinal de que o mesmo pode se passar no Brasil, onde Lula – mesmo com alta aprovação – poderia ver sua candidata derrotada. Essa é a torcida dos colunistas a serviço de Serra. Foi o que martelaram na imprensa nos últimos dias.
Acontece que Lula não é Bachelet. A presidenta chilena quase não participou da campanha de Frei. Só deu apoio ostensivo na última semana antes do segundo turno.
Lula está em campo desde agora, e seguirá em campo ao lado de Dilma.
Já escrevi aqui que a tática de Serra e dos tucanos é não polemizar com Lula. Por isso Serra quer fazer campanha só a partir de março. Assim, ele não vai brigar com Lula, mas com Dilma. É a única saída possível para Serra e os tucanos. Mas falta combinar com os russos. Falta combinar com Lula.
O que quero dizer com isso?
Vejam o episodio do Sergio Guerra, glorioso presidente do PSDB. Deu uma entrevista desastrada na “Veja”, dizendo que o PSDB, se vencer, vai acabar com o PAC. A Dilma criticou a fala do Guerra, aí os tucanos vieram com os dois pés no peito da Dilma: mentirosa, dissimulada etc.
A tática é essa: bater na candidata, esquecer Lula. Ok. Acontece que Lula não aceitou a brincadeira. Devolveu a pancada, chamou Sergio Guerra de “babaca”.
Voces acham que o povo vai acreditar em quem? No Guerra (um sujeito que talvez nem consiga se reeleger pro Senado em Perrnambuco)  ou no Lula (o presidente com 80% de aprovação)?
Cada vez que os tucanos baterem na Dilma, Lula vai responder, como a dizer: “atacar minha candidata é atacar a mim”. Lula fará a polarização. Queiram ou não os tucanos. Será sinuca de bico.
Essa é só uma diferenca entre Brasil e Chile.
A outra é que no Chile o centro e a esquerda estiveram juntos por vinte anos. É como se aqui no Brasil, ao fim da ditadura, tucanos e petistas tivessem feito uma coligação para enfrentar a direita. No Chile, a Concertacion é isso.
Se no Brasil achamos o governo Lula moderado demais, no Chile o quadro é ainda mais amorfo. Os governos pós Pinochert mantiveram a política economica da ditadura, pouco avançaram em polílticas sociais. Tinham um compromisso claro com a democracia que marcava a diferença com a direita. Isso é fato. Mas faltou delimitar o campo com a direita nas outras áreas. Por isso, depois de 20 anos, o eleitorado olhou para os candidatos e decidiu: pra que votar na centro-esquerda, de novo, se o programa é praticamente o mesmo da direita?
No Brasil, tucanos tentam mostrar que não há diferença entre os governos de FHC e Lula. Mas aqui é mais difícil embaralhar o jogo.
Lula tem quatro marcas que ajudam a delimitar o campo com os tucanos:
– politica externa independente (com reflexos na economia, por isso não sofremos tanto na crise; o Brasil já não tira os sapatos nem depende tanto dos EUA);
– diiálogo com os movimentos sociais (ao contrário dos tucanos e seus alidos da imprensa, que detestam sindicatos e povo mobilizado, Lula dialoga e respeita centrais sindicais e todo o movimento organizado);
– fortalecimento do papel do Estado (com fim das privatizaçoes, aumentos salariais para o funcionalismo, fortalecimento dos bancos púplicos e estatais; tudo isso teve papel fundamental na hora de enfrentar a crise);
– políticas sociais massivas (Bolsa-Família, recuperação do salario-mínimo).
Essas diferenças são o calcanhar de aquiles da campanha tucana.
Por isso, Sérgio Guerra ficou nervoso quando Dilma tentou colar nele o rótulo anti-PAC. Anti-PAC=anti-Estado=privatista. Os tucanos sabem que esses rótulos pegam.
Acho que o Sérgio Guerra prefere ser chamado de babaca do que de privatista anti-PAC.
Temo que o Serra tenha que usar um boné do Banco do Brasil, feito o Alckmin em 2006 (lembram da foto ridícula?), para provar que não retomará o programa privatista de FHC – marca tucana no imaginário popular.
Se o Serra não usar o boné, talvez o Sérgio Guerra use. Aí, definitivamente merecerá o apelido que ganhou de Lula.
Babaca, sim! Privatista, não! Por favor…”