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Todo mundo já sabe o que ocorreu domingo passado no Maracanã. A confusão entre parte da torcida do Corinthians e a PM, com espancamento de um policial, e o fato de a torcida ter ficado retida durante um tempo.

A situação provocou discussões acaloradas e ficou em mais evidência do que o jogo e o gol em impedimento de Guerrero. Tentando deixar a paixão e o clubismo de lado, coisa que quase todos fizeram, vamos tentar analisar o ocorrido.

Em primeiro lugar, a torcida do Corinthians não é composta de bandidos. É e vidente que não, existem pessoas de bem lá e são em grande maioria apaixonados por seu time que apenas querem apoiar. Sou amigo de vários corintianos, tive namoradas corintianas e imaginar que possa se pensar que só tem marginais na torcida do clube é inadmissível, preconceituoso e babaca. No Maracanã, mesmo 95% pelo menos só queriam ver o jogo em paz.

Segundo, bandidos existem em todas as torcidas. O Flamengo mesmo, time que eu torço, teve uma grande confusão em jogo seu de basquete no qual só tinha a torcida do clube. Por causa desses imbecis, o clube teve que abrir as finais do carioca de basquete sem torcida. Existem bandidos na torcida do Corinthians como existem na do Flamengo e em todas.

Isto posto, vamos aos fatos. É nítido nos últimos anos que a torcida que mais vem tendo problemas em estádios é a do Corinthians e, repetindo, 99% dos torcedores são pessoas de bem. Isso ocorre devido à relação que o clube tem com a torcida. Eles têm uma relação histórica, citam com orgulho a invasão de 1976, a invasão no Mundial de 2012, dizem que não são um clube que tem uma torcida e sim uma torcida que tem um clube e levam isso a sério.

Parte da torcida do Corinthians escorraçou Rivelino do clube em 1974, também escorraçou Edílson em 2000, dois ídolos, mostrando que a relação não é fácil.

E piora na medida que o clube se torna refém dessa torcida. O Corinthians tem um dos planos de sócio torcedor mais fortes do Brasil e muitos torcedores de organizadas compraram títulos virando sócios e tendo poder dentro do clube. Isso faz com que a direção fique de mãos atadas e exista uma relação viciada.

Alguns torcedores mataram o menino Kevin |Espada na Bolívia em 2013 e quando o clube ganhou o título paulista, o presidente dedicou o títulos aos torcedores do time presos. Existiu na época a mesma comoção que existe hoje com os presos do Maracanã, falavam que eram inocentes e estava ocorrendo uma arbitrariedade. Pois bem, os caras foram soltos e quase todos se envolveram em confusões de novo com alguns até sendo mortos. Agora, o clube em vez de lamentar que torcedores teus tenham brigado, lança uma nota falando exclusivamente da ação policial do Rio mostrando ser aquele pai que passa a mão na cabeça do filho que faz besteira dizendo que isso é culpa das más companhias.

Em princípio, a ação parece ter abuso de poder, até porque havia mulheres e crianças no meio e os homens tiveram que tirar as camisas, mas temos que considerar particularidades do caso.

Todos foram juntos, então não tinha como liberar as mulheres e as crianças até porque os ônibus não sairiam sem o restante, daria no mesmo. Crianças não estavam detidas, como colocariam as crianças na rua, em uma cidade estranha, com os adultos retidos? Aí sim seria motivo para gritaria.

Vários dos agressores tiraram as camisas no ato e tamparam os rostos por saberem que estavam sendo filmados. Por isso o pedido, no mínimo, estranho, que tirassem as camisas. As imagens foram vistas em vídeos para identificar, para comparar as cenas com aquelas pessoas que estavam ali e assim identificar os criminosos.

confusaogavioes2No fim, quem não tinha nada a ver com a história foi liberado. Na boa, não dá para dizer que alguma criança ou qualquer pessoa tenha ficado traumatizada por esperar mais duas horas no Maracanã para ir embora. Nenhuma criança chegará aos cinquenta fazendo análise e tomando tarja preta por causa disso. Podem reclamar do atraso em perder trabalho no dia seguinte, por exemplo? Podem, mas quando pegamos blitz na rua, blitz que gera engarrafamentos, também perdemos. É uma perda isolada que de repente pode gerar um bem coletivo e temos que entender. Por quê digo bem coletivo? Porque punido os brigões, os bandidos de todas as torcidas essas mesmas crianças que ficaram retidas poderão ver seus jogos em estádios em paz junto com outras que os pais tem medo de levar a estádios.

Teve revista? Ficaram retidos? Quem anda de madrugada na rua já deve ter passado por isso. Serem parados, passarem por revista, por perguntas e liberardos. Não é confortável, não é legal, mas também é necessário desde que seja feito dentro de um princípio de normalidade.

Tudo estou falando na teoria de não ter havido “esculacho” da parte da polícia, que eles tenham trabalhado como a lei manda. Se trataram todos com normalidade não há nada para reclamar do episódio.

Tem gente que diz que teve xingamentos, agressões verbais e até fotos de agressões físicas. Sinceramente? Não dá para dizer que ocorreu no estádio ou se são imagens antigas. Todo mundo que sofre agressão tem direito a fazer exame de corpo de delito e parece que ninguém fez. Tem o caso do rapaz que dizem nem estar no estádio na hora do problema. Tem que ser investigado e caso seja verdade solto e tem todo o direito de processar o estado. Mas como disse, tem que ser investigado porque nessas horas surge muito disse-me-disse e como dizem, na cadeia todos são inocentes.

Se não ocorreram excessos, acho que o GEPE agiu com correção. O GEPE, aliás, que vem fazendo bom trabalho nos estádios do Rio. Tempo que não temos problemas dentro dos estádios, mas conheço a polícia do Rio de Janeiro e é meio inacreditável pensar que fizeram tudo certo, não se excederam. A princípio fico com a versão oficial.

Para começar a finalizar acho que está na hora do Corinthians rever sua relação com a torcida. A torcida do Corinthians é maravilhosa, uma das maiores do mundo e que mais empurram o time, mas essa relação, da forma que ocorre, vem lhe prejudicando e pode prejudicar ainda mais. Lugar de torcida é na arquibancada festejando e incentivando, não fazendo exigências e dando dor de cabeça. Torcida é para ser aliada, não uma inimiga que mora ao lado.

Continuando a finalizar. Como eu disse, conhecemos bem as mazelas do Rio de Janeiro, a péssima polícia que temos, mas nós podemos falar. Se quiser ser bairrista, pesar opinião contra uma cidade, vai passar por idiota até porque para cada Amarildo desaparecido tem um cadáver no Carandiru ou em Eldorado dos Carajás achado. Mazelas todos nós temos. Respeito temos que ter também.

E finalizando de vez. O policial agredido é tão humano quanto os torcedores que esperaram no estádio. A violação do direito humano dele foi bem pior e não vi muita gente se preocupar com seu estado. Só com as pessoas sentadas nas cadeiras do Maracanã.

Precisamos de paz. Precisamos voltar a falar apenas de futebol.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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