Hoje é dia de abordamos a nossa experiência em mais um evento-teste, no caso a Liga Mundial de Volei, na Arena Carioca 1 neste último fim de semana, mas a Arena Carioca 1 já foi bastante comentada aqui no post sobre Grand Prix na semana passada.

Assim, aproveitando o gancho da série de Mobilidade do Migão esta semana, esse post será a mostra de um exemplo prático da dificuldade atual de deslocamento do Centro e da Zona Sul para a Região da Barra.

Também ficará claro porque a inauguração, mesmo que mambembe, da Linha 4 do metrô para os Jogos Olímpicos é absolutamente fundamental para que as pessoas oriundas dessa área, que concentra mais de 70% da rede hoteleira da cidade,  cheguem ao Parque Olímpico.

Como o jogo do Brasil no sábado foi marcado para as 23h10, como desculpa para testar a saída do Parque Olímpíco de madrugada, optei por não ir sábado pois sairia do Parque depois de uma hora da manhã e não teria como voltar para minha casa, já que não haveria mais metrô a essa hora.

metrô linha 4 testeAlias, essa é a minha grande crítica a esse teste: como testar a saída do Parque Olímpico se nem a Linha 4 foi inaugurada, nem a Linha 1 funcionou depois da meia-noite nem se testou o esquema noturno de BRT entre a Barra e a Zona Sul que funcionará nos Jogos Olímpicos?

O que se testou foi apenas o BRT, mesmo assim de forma muito parcial, pois muitos dos que usarão o BRT nos Jogos Olímpicos, saíram de Taxi ou Uber da Liga Mundial porque o BRT ligava o nada ao lugar algum no horário do fim do jogo. E os serviços especiais deste modal para a Rio 2016 também não foram ativados ainda.

Voltando à minha experiência prática, por conta do horário inviável de sábado, optei por assistir aos jogos de sexta-feira. Mas eles também começavam em um horário ingrato: 14h de um dia útil.

Saí às 11h30 do centro da Cidade e tinha 2h30 para chegar as 14h, hora do jogo do Brasil, no local.

Sem a linha 4 do Metrô, eu tinha 4 opções de transporte público para chegar à Arena Carioca 1:

  • Pegar o metrô linha 1 sentido Zona Sul, saltar na estação terminal General Osório, de lá pegar o ônibus especial que leva até o Alvorada e de lá pegar o BRT para a estação Rio II. É o trajeto Clássico. Preço: R$ 9,30.
  • Pegar metrô 1 sentido Tijuca, saltar na estação terminal Uruguai, pegar um ônibus via Alto da Boa Vista, saltar no Alvorada e e de lá pegar o BRT para a estação Rio II. Preço: R$ 7,90
  • Pegar o metrô, saltar na Central do brasil e de lá pegar um ônibus normal, que passa em frente ao Parque Olímpico. Preço: R$ 7,90
  • Pegar o metrô linha 2 sentido Pavuna, saltar em Vicente de Carvalho, de lá pegar o BRT semi-direto saltando na estação Rio II. Preço: R$ 7,90

Obviamente, abri o Google Trânsito e o Waze antes de sair do centro para decidir que caminho tomar.

O caminho mais óbvio e rápido sem engarrafamentos seria pela Zona Sul, porém é um caminho cheio de locais fáceis de engarrafar, tal qual a Av. Niemeyer, e quando saí já estava engarrafado pela orla. Descartei.

Também descartei o ônibus da Central do Brasil porque houve um acidente de proporções consideráveis na rua da entrada do Parque Olímpico, causando engarrafamentos.

paviseu3Fiquei entre as opções do Alto da Boa Vista e a da Linha 2. Olhando, pelo mapa, o Alto da Boa Vista, seria o mais óbvio, mais rápido e mais reto. Tendo bom trânsito conseguiria fazer tal trajeto em 1h40.

Já o caminho pela linha 2 é totalmente esquizofrênico. O Metrô até Vicente de Carvalho é no sentido oposto ao caminho para a Barra. Mal comparando, é como se eu saindo do Rio quisesse chegar a São Paulo mas resolvesse fazer isso via Juiz de Fora. Porém, é o único caminho pelo qual se usaria modais de massa com vias exclusivas, sem qualquer possibilidade de ser atrapalhado por engarrafamentos. Porem, tal caminho poderia durar as 2h30min disponíveis caso houvesse azar no tempo de espera dos transbordos.

Olhando o trânsito, o Alto da Boa Vista estava com trânsito totalmente liberado, assim como o caminho dentro da Barra entre o fim do Alto e o terminal Alvorada. Como havia comprado o ingresso no setor com direito a buffet liberado justamente para poder almoçar, já que não teria tempo de fazer antes de chegar, resolvi pegar o caminho via Alto, pois assim poderia chegar a 40 minutos do jogo e fazer meu almoço com calma já na Arena.

Então entrei no metrô no centro. Aqui dei sorte, pois nem precisei esperar o metrô; cheguei junto com a composição na estação. Saltei no Terminal Uruguai 30 minutos depois, exatamente como previsto. Andei uns 150 metros até o ponto de ônibus e peguei o ônibus. Até aqui muito tranquilo, como dei sorte nos transbordos, comecei achar até que eu chegaria com mais do que os 40min de antecedência previstos.

Até que, no topo do Alto da Boa Vista, tudo começou a mudar. Recebi no celular o aviso de um acidente na Av. Armando Lombardi, exatamente em frente a ponte que liga a Barra ao Alto da Boa Vista. A descida do Alto da Boa Vista ainda foi tranquila, mas assim que chegamos na via que liga o fim do Alto até a referida ponte, parou.

O mesmíssimo trecho, que tanto o Waze como o Google Trânsito concordaram antes de eu sair que estava sendo percorrido em meros 6 minutos, acabei fazendo em absurdos cinquenta. Nesse simples acidente, tão simples que quando eu finalmente passei por ele já tinha sido inclusive desmontado, em menos de 20 minutos causou um engarrafamento de demorou mais do que o dobro do tempo para ser vencido.

O pior é que, quem conhece o Rio, sabe que a Estrada da Barra da Tijuca é um local sem rota de fuga. Mesmo que eu tentasse fugir de táxi, o único caminho possível seria voltar no sentido contrário até o fim da Linha Amarela e cair no mesmo engarrafamento que me fez desistir do ônibus da Central do Brasil. Ou seja, não havia para onde fugir.

brtQuando passei dessa terrível retenção, o relógio já marcava 13h25 e a viagem, planejada com folga para ser tranquila, por um mero acontecimento inexpressivo se tornou um aperto digno daqueles dramas de escola atrasada na Sapucaí.

Cheguei no Terminal Alvorada quando o relógio marcava exatamente 13h40. O trajeto Alvorada-Rio II em si, mesmo de BRT parador é bastante rápido, feito em menos de 10 minutos, o que mesmo com os 5 minutos normalmente gastos no transbordo ainda me resultaria em uma chegada às 13h55, ou seja, com meros 5 minutos de antecedência.

Porém quem conhece a região sabe que entre a estação Rio II e a entrada do Parque Olímpico ainda há uma caminhada de pouco menos de 1km passando pela Vila da Aeronáutica, o Maria Lenk, a Arena Olímpica e a frente do velódromo. Da entrada do Parque Olímpico até a Arena Carioca 1 ainda precisa andar mais uns 600 metros em subida.

Ou seja, eu teria meros 5min para percorrer cerca de 1.500 metros a pé. Só para vocês terem uma ideia, o recorde mundial desta prova no atletismo é de 3min26seg (Hicham El Guerrouj ainda em 1998)…

Como eu não tinha outra alternativa, comecei a correr a distância em ritmo de prova de meio-fundo, mesmo sem me alimentar há mais de 4 horas, uma temeridade.

Ao parar para apresentar meu ingresso na entrada da Parque Olímpico, não resisti mais correr e caminhei a subida final. Após toda a correria ainda consegui chegar na Arena as 14h05, 2h35min depois de sair do Centro do Rio de Janeiro.

Nem pude ir direto para meu assento. Ouvindo já do lado de fora os acordes introdutórios ao Hino Nacional Brasileiro, corri para arquibancada mesmo para não perder o canto a capela do hino pela torcida. Após o hino é que, com calma, fui procurar meu lugar. Por estar mal sinalizado ainda demorei um pouco mais de 5 minutos para achar.

painel-antero2Mas a principal intenção dessa coluna é relatar o ocorrido comigo para demonstrar como é fundamental a conclusão da Linha 4 para ligar de forma mais efetiva a Tijuca, o Centro e a Zona Sul ao parque Olímpico via transporte de massa.

Sem o metrô e ficando os espectadores a mercê do trânsito do Rio de Janeiro, grandes atrasos fatalmente ocorrerão porque o trânsito do Rio costuma complicar a todo instante e muitas vezes quando ocorre a tragédia já se está no meio do caminho e a mudança de planos não é mais possível. Isso já ocorreu comigo em um dia normal, agora vocês imaginem como será esse trânsito maluco com os vários quilômetros de faixa dedicada a Família Olímpica nas principais vias da cidade e com o tráfego extra proporcionado pelos Jogos Olímpicos.

Se alguém ainda ficou se perguntando sobre meu almoço, esse só pode ocorrer após o fim do jogo entre Brasil e Argentina lá. Para minha sorte foi a melhor atuação de uma equipe de vólei masculina do Brasil em algum tempo e o jogo foi liquidado em menos de 1h30.

Imagens: MetrôLinha4.com.br, Veja e O Dia

[related_posts limit=”3″]

21 Replies to “Rio 2016: a Fundamental Linha 4 do Metrô”

    1. Francisco,

      Até concordo que no fim das contas, com o engarrafamento esse seria o melhor caminho. Mas levaria, com sorte, 1h30

  1. Saindo de Botafogo a melhor opção para a Barra seria o metro linha 2 sentido Pavuna e baldeação na Vicente de Carvalho?
    Ainda sobre o RioCARD a ser utilizado nos jogos pelo visto seria uma boa opção para evitar gastar tanto com o transporte público, certo?

    1. Não, Linha 1 até Gal Osório, Linha 4 daí até o Jardim Oceânico e o serviço especial de BRT até o Parque Olímpico

    2. Cassio, Botafogo é ainda mais indefinido no Centro, porque é mais perto ainda da Barra. Com a linha 4 funcionando, acho que o melhor é ir pelo metrô mesmo.

      Quanto ao Rio Card, a não ser que você seja um Rafael Rafic ou um Pedro Migão, que ficarão para cima e para baixo pela cidade durante os Jogos, financeiramente o RioCard não compensa. Porém, ele deverá ser o único acesso possível ao metrô linha 4 e a Transolímpica, de forma que sua compra será essencial para a locomoção entre as zonas.

      1. Esse cartão olímpico ficou caro demais. Para uma família de quatro pessoas o custo é quase pornográfico

    3. Parece bem melhor mesmo utilizando a Linha 4 e o tempo estimado desta rota utilizando a nova linha 4? Pois pela linha 2 eu estava esperando algo do tipo 2 horas
      E durante 7 dias serei praticamente um de vocês que ficarei andando por tudo sim.
      Grande abraço

  2. Essa linha do metrô será imprescindível para quem vai à Barra da região central / zona sul realmente. Alguma notícia em relação ao aporte realizado pelo governo federal? As obras já recomeçaram? 01 de agosto, data prevista para a inauguração, está MUITO PERTO!

  3. Boa noite.. que linha de ônibus é essa que vai da central até o parque olímpico? Agradeço a informação.. abraço…

    1. Eu não sei, mas durante a Rio 2016 não haverá possibilidade de utilizar ônibus devido aos extensos bloqueios de trânsito

    2. Pedro, realmente não sei informar pois essa ideia foi dada por um colega de trabalho. Como logo descartei, não memorizei a linha. Porém, se a ideia é usar para os Jogos Olímpicos ESQUEÇA! Os bloqueios de trânsito serão implacáveis.

  4. Boa noite, será que vai ter venda do cartão olímpico durante as olimpíadas? Pq essa taxa de entrega, pelo menos pra minha cidade que é do lado do Rio, está mais cara que o próprio cartão hahha obrigada !

    1. Marcela,

      A informação oficial é que a venda ocorrerá até os últimos dias dos Jogos Olímpicos.
      Ainda segundo o próprio site da Riocard, a partir do dia 15/07 começará a venda desse cartão em lojas físicas (provavelmente as próprias lojas que já são da Riocard).
      Eu mesmo, diferente do Migão, não comprei ainda meus cartões e estou esperando a venda física. Porém, as Lojas Riocard não costumam ser lembradas por sua eficiência no atendimento, ou seja, tira algum tempo para ficar na fila quando for comprar.

      E, sinceramente, a não ser que um deslocamento pela Linha 4 ou pela Transolímpica seja necessária na sua programação olímpica, esse cartão não vale a pena ser comprado. Eu mesmo reavaliei a compra dos meus cartões e apenas os manterei porque em 6 dias, espalhados pelo calendário, eu tenho jogo terminando 0h30 no Maracananzinho e no dia seguinte tenho que estar as 10h na Barra, o que me obrigará a pegar a Linha 4 do metrô.

      1. Alias, toda essa logística dos Cartões Olímpicos de transporte deverão ser tema de uma coluna aqui no Blog na 2ª quinzena de julho.

      2. Rafic, quem for utilizar os serviços especiais do BRT também irá precisar deste cartão. No caso do que virá da Transcarioca, dará uns 40 minutos de economia em relação à alternativa normal – e maior segurança.

Comments are closed.