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Nesta cobertura “in loco” que o Ouro de Tolo vem fazendo da Copa do Mundo, ainda não tinha aparecido aqui o dono da casa, a seleção brasileira. Era até natural tendo em vista o fato de o Brasil não jogar nesta primeira fase nem aqui no Rio de Janeiro nem em Porto Alegre, cidades sede onde está a maioria dos ingressos da equipe desta revista eletrônica.

Mas meu irmão conseguira entradas para a partida entre Camarões e Brasil naquela madrugada caótica onde a Fifa abriu venda de ingressos para a final que poucos, ou quase ninguém, conseguiu. Então consegui uma folga no trabalho e me desloquei à capital federal para, finalmente, ver o Brasil em uma Copa do Mundo de futebol. O curioso é que, embora já tenha morado na cidade quando criança, fazia 35 anos que não ia a Brasília.

20140623_075209Marquei meu voo de ida pela Avianca, saindo do Galeão na manhã da própria segunda feira dia 23. Optei pelo Aeroporto Internacional por ser perto de minha residência e, especialmente, pelo fato do Galeão estar menos suscetível a fechamentos por conta de neblinas, comuns nas manhãs a esta época do ano.

O embarque foi pelo Terminal 1 e, embora estivesse cheio, não era nada insuportável. Muitos chilenos, holandeses e australianos se dirigindo a Curitiba e São Paulo, que sediariam a rodada decisiva do Grupo B naquele mesmo dia. Inclusive um grupo de uns 30 holandeses quase perdeu o voo porque ficaram bebendo na sala de embarque e se esqueceram de ir ao avião, só indo após algumas chamadas pelos auto falantes.

Este terminal é deficiente em opções de alimentação e isto não foi corrigido, mas na minha avaliação atendeu bem ao fluxo. Meu voo atrasou cerca de 15 minutos até a decolagem em si, mas me pareceu mais questões de organização interna da companhia aérea que propriamente responsabilidade da Infraero.

20140623_112821A aeronave era antiga, com poltrona que reclinava pouco, mas tinha um encosto adaptável que auxiliou no cochilo que se fazia necessário após uma noite de pouco sono. Serviram um lanchinho (sanduíche e refrigerante), raro nos dias de hoje, e a viagem até a Brasília foi tranquila. Muitas pessoas vindo para o jogo, embora menos do que imaginava – talvez um terço dos passageiros.

O desembarque no aeroporto Juscelino Kubitschek foi tranquilo, apesar de me parecer que há mistura entre passageiros que estejam embarcando e desembarcando. Guardadas as devidas proporções, após a reforma esta área ficou bastante semelhante ao JFK, em New York. Havia ações publicitárias da Coca Cola e da Budweiser, patrocinadoras do Mundial, com distribuição de produtos – peguei uma latinha de cerveja e gratuitamente “abri os trabalhos” daquele dia.

20140623_134614Não utilizei o serviço de táxis naquele momento, mas me pareceu haver uma boa oferta ao viajante que desembarca no terminal 1. Teria tempo para almoçar e marquei com o amigo residente na cidade Emerson Mantovani, dono do excelente bistrô “Trio Gastronomia”, para almoçarmos juntos.

Vi muito pouca coisa da cidade, mas reconheci algumas lembranças da tenra infância, como os prédios da Asa Sul. Almocei com meu amigo (foto) e ele me deixou em uma das barreiras ao estádio, uns 600 metros distante da entrada.

20140623_142631Do ponto onde fiquei não há como se perder, porque a imagem do estádio surge imponente ao fundo. Ao contrário do ocorrido no Rio, não há barreiras policiais a fim de deter as pessoas que não estão com ingressos, de modo que se consegue chegar, mesmo sem entradas, muito perto da área dos detectores de metal.

Como cheguei cedo – por volta das 14h30min – pude entrar com calma, com uma fila não muito pequena, mas que estava andando rápido. Passei pelo detector de metais – onde se exigiu a apresentação do ingresso – e, após algumas fotos, adentrei à área do estádio em si, onde havia loja oficial e estandes dos patrocinadores. Ao contrário do Maracanã, a entrada é uma só e a partir daí se procura o portão de entrada, o que me levou a dar uma boa volta em torno do estádio.

20140623_145146Por fora, a arquitetura do Estádio Nacional é imponente. De perto achei muito bonita a solução de colunas que foi encontrada, muito plástica. Depois que se passa pela catraca e se entra, percebe-se que é um estádio de linhas arrojadas, embora peque em alguns detalhes de acabamento visivelmente.

Alcancei rapidamente meu lugar, pois os acessos aos setores numerados são bem sinalizados. Meu lugar, categoria 3, era no terceiro andar, perto da bandeirinha de escanteio do gol à esquerda das cabines, mas semelhante aos lugares “Categoria 1” – a mais cara – onde assisti às partidas de Argentina e Chile.

Por dentro o Estádio Nacional lembra muito o Engenhão no posicionamento para se assistir ao jogo. Explico.

20140623_161301As cadeiras tem uma inclinação muito acentuada, a ponto de serem necessários guarda corpos (foto ao lado) para evitar eventuais quedas, tal e qual o Engenhão. Por outro lado, como não há a pista de atletismo do estádio carioca, a visão do campo é muito boa. Lado negativo: o espaço entre as fileiras de cadeiras é praticamente nulo.

São apenas dois telões, ao contrário dos quatro do Maracanã. E a cobertura do estádio é muito bonita.

20140623_153132O atendimento nas lanchonetes era mais ou menos semelhante ao Maracanã, embora com um pouco mais de filas. Ainda fiz uma traquinagem: comprei Budweiser e, com o vendedor pedindo para que nós mesmos nos servíssemos, coloquei no copo comemorativo de Brahma… Por outro lado, os banheiros são acanhados e nos corredores internos havia poças de água, provenientes, acredito eu, de algum vazamento.

O público é aquele que a imprensa já cansou de comentar: arriscaria dizer que 80% das pessoas que estavam ali não tem o hábito nem esporádico de frequentar estádios. Além disso, é um público praticamente 100% branco: podia contar nos dedos das mãos os negros que vi assistindo à partida.

20140623_161309Pelo menos, na partida contra Camarões houve um esforço de alguns grupos de torcedores no sentido de distribuir papeis com letras de músicas a serem cantadas, o que diminuiu, sem dúvida, o quadro de apatia. O “hit parede” de maior sucesso foi uma versão do samba do Salgueiro de 1993, o “Explode Coração”. Ainda assim é pouco se compararmos com o que vi nas partidas da Argentina, do Chile (especialmente) e até das torcidas do Equador e da França, embora seja um esforço bem vindo. O Hino Nacional “a capela” sem dúvida alguma foi emocionante, mas em um grau menor do que vi ano passado tanto na Fonte Nova como – especialmente – no Maracanã.

Durante o jogo a torcida apoiou, não havendo vaias ou xingamentos a jogadores ou autoridades.

20140623_173635A partida, em si, mostrou um Brasil ainda carente de maior compactação defensiva contra uma seleção de Camarões já eliminada e que não tinha nada a perder. Fica evidente como Neymar chama o jogo para si e consegue ser capaz de responder a este chamado, marcando dois gols no primeiro tempo de partida – auxiliado por uma marcação bastante frouxa do time africano.

Por outro lado, as más atuações de Daniel Alves e Paulinho na primeira etapa acabaram levando ao susto que foi o gol camaronês. Fernandinho entrou no intervalo e o time melhorou – embora, depois do terceiro gol logo no início do segundo tempo, a partida tenha acabado ali na prática. A preocupação era apenas com os gols marcados pelo México e que poderiam nos jogar para o segundo lugar no grupo, mas o quarto gol (que só vi no replay, estava no banheiro) dissipou esta dúvida.

20140623_182948Não vi os cinco minutos finais porque meu horário de retorno estava bem apertado e meu irmão, que fora sábado, ainda teve de passar no hotel para pegar a mochila, mas a impressão é que, com alguns ajustes – especialmente na compactação da defesa e em sua cobertura – a seleção pode sim avançar às fases mais agudas do torneio. E Neymar é um extraclasse, capaz de desequilibrar uma partida.

Como saímos um pouco antes, não tivemos problema em pegar um táxi que nos levasse ao aeroporto, aonde chegamos até com antecedência. Entretanto, por causa do excesso de tráfego aéreo ficamos quase 40 minutos embarcados dentro da aeronave (sic) da Gol esperando autorização para a decolagem.

20140623_184756Aliás, viajar por esta companhia aérea é algo como ser amarrado a uma cadeira de dentista sacolejante e encostada na parede, ou seja, conforto zero. E agora o serviço é totalmente pago: nem água oferecem – e as aeromoças me parecem aposentadas exercendo um “bico” para complementar a pensão.

Desembarcamos em um Santos Dumont absolutamente deserto e enfim estava encerrada a saga de ver o Brasil ao vivo em uma Copa do Mundo. Foi cansativo, mas valeu muito a pena: é algo que me lembrarei para sempre.

Avalio como positivo o funcionamento dos aeroportos e da infra estrutura necessária à Copa, apesar do atraso no retorno. O Estádio Nacional, apesar de algumas falhas de acabamento (ou de manutenção), também é bastante satisfatório. O comportamento do público, embora possa ser melhor, foi bem superior às partidas anteriores, até, acho eu, pelo elevado número de cariocas que se encontrava no estádio – vale lembrar que o Brasil só joga no Rio se for à final, e ainda assim poucos cariocas lograrão obter ingressos.

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